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O legado de Popovich

Já se vão 16 temporadas desde que Gregg Popovich assumiu o comando do San Antonio Spurs. Período suficiente para fazer dele o técnico que há mais tempo defende a mesma equipe entre todas as 122 franquias das ligas profissionais americanas (NBA, NFL, MLB e NHL). Em uma discussão sobre os maiores técnicos da história do basquete, impossível ao menos não citar o nome de Pop nas dicussões…

Maroto como sempre, Popovich figura entre os maiores da história da NBA

São quatro títulos da NBA, dois troféus de técnico do ano, mais de uma dezena de aparições nos playoffs e um recorde de 67,5% de aproveitamento na carreira em seus mais de mil jogos como treinador no melhor basquete do mundo.

Mas tudo isso são apenas números. E mais do que um punhado de estatísticas e recordes, Popovich, independente do tempo que ainda permanecerá à frente do Spurs, já deixou o seu legado. Prova disso é o número de técnicos de outras franquias que, de certa forma, tiveram como “mestre” o emburrado, mas às vezes até sarcástico, treinador.

Acredite, é ele mesmo…

Dos outros 29 comandantes da NBA, três deles trabalharam diretamente com Popovich como auxiliares em sua equipe técnica. O caso mais recente de assistente a assumir o posto de treinador é Jacque Vaughn.  Sim, ele mesmo. O controverso e quase sempre odiado ex-armador se aposentou em 2007 jogando pelo San Antonio Spurs e voltou atuando como assistente nas últimas duas temporadas. Chegou até mesmo a comandar o time na última Summer League.

Vaughn chamou a atenção do Orlando Magic, que contratou o ex-armador para o cargo de treinador principal da equipe em julho deste ano, substituindo Stan Van Gundy.

Os outros treinadores que já passaram pela equipe de Popovich são Monty Williams, que comanda o New Orleans Hornets, e Mike Brown, técnico do badalado Los Angeles Lakers.

Williams, ainda como jogador, chegou a ser comandado por Popovich quando atuou em San Antonio, de 1996 a 1998. Aposentado em 2003, fez parte da equipe técnica texana na vitoriosa temporada 2004/2005 e comandou a equipe na Summer League de 2005. Migrou para o Portland Trailblazers, onde passou cinco anos como assistente antes de assumir o Hornets, em 2010.

“Senta ali e aprenda como se faz”

Já Brown foi assistente de Popovich por três temporadas. Chegou ao time em 2000 e parmaneceu até 2003, ano do bicampeonato da franquia. Em seguida, foi para o Indiana Pacers, onde ficou mais duas temporadas como assistente antes de assumir como técnico principal do Cleveland Cavaliers, em 2005.

Além de seus “pupilos” espalhados pela NBA, o ranzinza treinador também deixou sua contribuição na formação de outros dois técnicos da liga.

Avery Johnson, hoje treinador do Brooklyn Nets, viveu os melhores momentos de sua carreira como jogador em San Antonio, onde foi o armador da equipe que conquistou o primeiro título da franquia em 1999, sob o comando de Pop.

Vinny Del Negro, que hoje dirige o Los Angeles Clippers, também já foi um dos comandados de Popovich dentro das quadras. O ex-armador jogou em San Antonio de 1992 a 1998, tendo Pop como treinador em suas duas últimas temporadas no Texas.

É por essas e outras que Popovich é uma lenda não só por suas conquistas e troféus. Quando o veterano resolver se retirar das quatro linhas, o fará com a certeza de que seu legado será levado adiante por seus pupilos, que outrora o tiveram como mestre.

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A nova potência da Conferência Oeste

Você ainda verá muito essa dupla durante a temporada…

O New Orleans Hornets é o time do futuro na NBA. É também o time do momento, o time da moda, ou como vocês quiserem chamar.

Digo isso por vários motivos. O primeiro deles é até meio óbvio e tem nome e sobrenome: Anthony Davis. O ala-pivô, que ajudou a Kentucky University a conquistar o título da NCAA, foi a primeira escolha do último Draft e caiu de bandeja em New Orleans.

Davis é tido por muitos como um defensor de elite, muito atlético e capaz de marcar pontos embaixo da cesta. Trata-se de um talento daqueles que aparecem uma vez a cada cinco anos (ou mais) no Draft. Ele será o pilar principal desse novo Hornets e tem tudo para ser o grande líder da equipe nos próximos anos – algo que vem sendo muito sentido depois da saída de Chris Paul.

Através do recrutamento, a franquia também pôde sanar uma de suas principais carências: a falta de um armador principal. Quando Chris Paul saiu, uma grande lacuna foi aberta. O comando do time acabou ficando com Jarrett Jack, que até é bom jogador, mas está uns dois ou três níveis abaixo de atletas como Deron Williams, Tony Parker, Derrick Rose e do próprio Paul.

Dupla dinâmica?

Com a décima escolha, o General Manager Dell Demps selecionou o badalado Austin Rivers, que, como vocês já devem saber, é filho de Doc Rivers, técnico do Boston Celtics.

Austin ainda é uma joia a ser lapidada. Apesar de pontuar com facilidade e possuir ótima velocidade, o garoto ainda precisa melhorar em alguns aspectos, principalmente no passe e na defesa. Mesmo assim, Demps acertou em cheio. Rivers é o tradicional combo guard, que pode servir tanto de armador, quanto de ala-armador.

Além dessas promessas, o Hornets ainda tem espaço salarial para fazer estrago nesta offseason. Dê uma olhada nos contratos vigentes:

  • Jarrett Jack – US$ 5,5 mi (contrato se encerra em 2013)
  • Al-Farouq Aminu – US$ 2,9 mi (team option em 2013)
  • Jason Smith – US$ 2,5 mi (contrato se encerra em 2014)
  • Xavier Henry – US$ 2,3 mi (team option em 2013)
  • Gustavo Ayon – US$ 1,5 mi (team option em 2013)
  • Greivis Vasquez – US$ 1,1 mi (team option em 2013)

Como é possível perceber, apenas seis atletas têm vínculo com o New Orleans Hornets. Nesse bolo ainda está Eric Gordon, que pode estar se despachando para o Phoenix Suns. Gordon tem uma qualifying offer e teria recebido uma proposta total de US$ 58 mi em quatro temporadas para atuar no Arizona. A franquia da Louisiana ainda pode fazer uma contra-proposta pelo jogador, mas, ao que tudo indica, ele deseja mudar de ares – o que é uma pena, porque o ala-armador cairia como uma luva nessa jovem equipe.

Se Eric Gordon realmente partir, Dell Demps, que é cria do San Antonio Spurs, terá muito dinheiro disponível para trabalhar. Para isso, será preciso analisar as necessidades do elenco, que, para mim, seriam um pivô, um ala-pivô, um ala e um armador (ou ala-armador, dependendo de como Austin Rivers irá se adaptar à NBA). Mas o que o mercado de free agents pode oferecer ao New Orleans Hornets? Há alternativas para todos os gostos – reproduzo algumas abaixo (me avisem se algum dos nomes citados já tiver um novo contrato):

Gordon jogou pouco, mas fará falta se for embora

  • Armadores – Kirk Hinrich, Andre Miller, Goran Dragic, Chauncey Billups, Ramon Sessions, Jeremy Lin, Jameer Nelson, Aaron Brooks, Raymond Felton.
  • Alas-armadores –  Ray Allen, Jason Terry, Randy Foye, Nick Young, O.J. Mayo, Louis Williams, Jamal Crawford, Danny Green, Sonny Weems, Shannon Brown, Mickael Pietrus.
  • Alas – Jeff Green, Landry Fields, Nicolas Batum.
  • Pivôs e alas-pivôs – Brandon Bass, Kris Humphries, Brook Lopez, Ian Mahinmi, JaVale McGee, Ben Wallace, Marcus Camby, Roy Hibbert, Kenyon Martin, Ersan Ilyasova, J.J. Hickson, Boris Diaw.

Além dos atletas citados, o Hornets também tem seus agentes livres. Entre eles, seria importantíssimo renovar com Chris Kaman e Carl Landry. Apesar de ser um dos melhores amigos do departamento médico, Kaman é um pivô muito habilidoso, que pode trazer qualidade de passe e arremessos de longa distância para quadra. Landry, por sua vez, é um ala-pivô baixo, mas razoavelmente bom nos rebotes e eficiente embaixo da cesta.

Anthony Davis trará uma presença defensiva melhor para essa linha de frente, mas seria interessante se Dell Demps conseguisse um jogador com o estilo de Marcus Camby: bom na retaguarda e também nos ressaltos. Disponíveis no mercado, vejo com essas mesmas características o veteraníssimo Ben Wallace e o versátil Ersan Ilyasova.

Resumo: o New Orleans Hornets tem tudo para ser uma das forças da Conferência Oeste nos próximos anos. Será preciso, no entanto, municiar os jovens recém-recrutados com atletas competentes e com relativa experiência. Acredito no bom trabalho do General Manager Dell Demps e também no técnico Monty Williams, que é um dos melhores treinadores dessa nova safra.

Jovem e competente, Monty Williams será o responsável por tentar formar uma dinastia

Pesa contra a franquia, contudo, o fato dela estar posicionada num dos chamados small markets, ou mercados pequenos se traduzirmos ao pé da letra. Mas por que? Simplesmente porque boa parte dos jogadores prefere deixar as cidades menores rumo a grandes centros, como Los Angeles e Nova York, por exemplo. Foi o que aconteceu com Chris Paul, que cansou de perder, arrumou as malas e foi para a Califórnia.

Os torcedores do Hornets têm de torcer para que essas jovens promessas tenham paciência, pois será normal ver o time perdendo nas primeiras temporadas até finalmente se acertar. Lembram do antigo Seattle SuperSonics, que depois virou Oklahoma City Thunder? Pois é, lá também foi assim. Eles começaram draftando Kevin Durant e, aos poucos, construíram uma máquina de vitórias.

O New Orleans Hornets pode ser o novo Oklahoma City Thunder, mas, volto a dizer, tem de ter muita calma e fazer o trabalho bem feito.

No duelo criador x criatura, melhor para Monty Williams

Dupla de respeito! (Photo by Chris Graythen/Getty Images)

O San Antonio Spurs foi literalmente surrado pelo New Orleans Hornets na noite de sábado. O placar final, 96 a 72 para os donos da casa, mostrou a superioridade de Chris Paul e companhia, que impuseram uma defesa forte e sufocaram as principais peças do elenco texano.

Mérito, claro, do técnico Monty Williams, que já foi assistente de Gregg Popovich no San Antonio Spurs e vem se firmando como um grande treinador. “Mandamos a mensagem dizendo que o jogo seria difícil”, disse Williams após a partida se referindo à noite anterior, quando seu Hornets atropelou o Atlanta Hawks pelo placar de 100 a 59. Nos último cinco jogos, a equipe da Louisiana sofreu, em média, 79 pontos de seus adversários – um número pra lá de expressivo.

“Penso que New Orleans fez uma grande partida defensivamente”, elogiou Gregg Popovich, timidamente orgulhoso de seu pupilo. Tim Duncan, grande astro do San Antonio Spurs, foi mais além: “Eles vêm jogando o melhor basquete da NBA nos últimos 15, 20 jogos”, avaliou. Pelo visto, esse encardido time dará muito trabalho na pós-temporada…