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A nova era por trás do uniforme do Spurs

Li diversas reações de torcedores aos novos uniformes do San Antonio Spurs, lançados na quarta-feira (19) e que servirão como vestimenta alternativa, uma espécie de terceiro uniforme, para o time. Muitos acharam legal a iniciativa, outros não gostaram e acharam bem feia a nova camisa da equipe. Mas foi no site americano Spurs Nation que li a opinião mais legal sobre o lançamento até agora.

Os novos uniformes do Spurs têm um detalhe especial: não possuem o nome da equipe, como é comum em todas as camisas da NBA. Há apenas a espora, símbolo da franquia. O espaço em cinza e vazio é grande. E pode ser um indicativo do que espera a liga em um futuro bastante próximo.

(D. Clarke Evans/NBAE/Getty)

Muita gente não gostou. E pode piorar… (D. Clarke Evans/NBAE/Getty)

Não é novidade que o basquete norte-americano – assim como os Estados Unidos como um todo – passa por uma grande recessão. O dinheiro que entra é menor e o que sai é cada vez maior, com altos salários para jogadores que, em certas vezes, sequer estariam na NBA fosse uma época onde houvesse mais qualidade técnica, como foi a década de 1990, por exemplo. O apelo com o público, desde a aposentadoria de Michael Jordan, também é decadente. Falta um ídolo coletivo.

LeBron James, o mais apto a assumir esse papel, caiu em desgraça popular quando decidiu trocar o Cleveland Cavaliers pelo Miami Heat usando um programa de TV em rede nacional para fazê-lo. Perdeu, aí, a chance de ser a estrela da companhia toda. E a NBA perdeu a chance de impulsionar seu negócio de novo. E onde entra o novo uniforme do Spurs nisso tudo? Justamente na criação de uma nova fonte de renda, os patrocínios.

Em meio ao mercado de transações desse ano, o comissário David Stern fez história ao abrir brecha para que os times, a partir da temporada 2013/2014, pudessem começar a usar camisetas com patrocínios embaixo do braço, na região da axila. Levou pedradas. Os mais tradicionais não enxergam como ‘sujar’ os uniformes da NBA com patrocinadores. Mas isso deverá ser apenas o começo. Stern e as franquias precisam de dinheiro. E uma transação em especial os fez crescer os olhos para a oportunidade.

Quando o Manchester United, do futebol inglês, anunciou patrocínio de R$ 90 milhões anuais com a Chevrolet, Stern e os donos de franquia pararam para pensar e concluíram – o óbvio – que a NBA tem força de mercado suficiente para fazer dos patrocínios uma fonte de renda sólida e confiável. E a o uniforme do Spurs pode ser uma prévia disso. Tem espaço suficiente para um patrocinador no peito. Ao invés do nome do time, apenas seu símbolo. E, abaixo, o patrocínio. Tem quem goste. E tem quem odeie.

Tradições existem e geralmente, quando são quebradas, causam comoção. Principalmente porque quase sempre são quebradas pelo dinheiro, pelo avanço tecnológico ou pelos dois aliados. O caminho da NBA parece sem volta. Se faz necessário achar uma fonte de renda que saia do lugar comum consagrado na liga já há seis décadas. O uniforme novo do Spurs pode ter sido muito mais do que simplesmente inovador em seu estilo. Pode ter sido a porta de entrada para uma nova era na NBA: a era dos patrocínios.

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