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Minha experiência no AT&T Center

Por Bruno Speltz*

Bruno Speltz (ao centro) no AT&T Center (Arquivo pessoal)

Quando passei no vestibular, meus pais iam me dar um carro, mas eu tinha um sonho maior: ir ao AT&T Center assistir a um jogo do Spurs e ver Manu Ginobili atuar. Fui ver logo um jogo com as maiores estrelas da NBA, com a equipe texana enfrentando o Cleveland Cavaliers e vencendo LeBron James e companhia. A única pena é que o argentino não jogou, mas já fiquei muito feliz só por poder ver ele no banco.

Bruno arremessa no AT&T Center (Foto: Arquivo Pessoal)

O AT&T Center é sensacional, cheio de telões, fotos das equipes e de jogadores que defenderam o Spurs e times vinculados a ele – como o San Antonio Stars e o Rampage -, além de imagens de rodeios realizados no ginásio, muitas decorações do Texas, do Alamo e de cowboys e um playground com cestas de basquete. Os troféus ficam bem expostos nos corredores de acesso aos assentos e são maiores do que eu imaginava. As cheerleaders ficam na entrada dos setores da arena para os torcedores poderem tirar foto com elas. A torcida, o animador e o Coyote são demais.

Quando já tinha acabado o jogo, eu fiquei mais um tempo sentado admirando a arena, e uma senhora veio até mim e disse que já estavam fechando o AT&T Center e estavam fazendo a limpeza. Ao ver que estava emocionado, ela me perguntou o que tinha acontecido, e eu contei sobre meu sonho e disse que era do Brasil. Então, ela me convidou para fazer um arremesso dentro da quadra, e claro que eu não neguei! Com certeza, se não foi o melhor, foi um dos melhores dias da minha vida. E já tenho planos para voltar para San Antonio!

GO SPURS GO!

*Bruno Speltz é torcedor do Spurs e fez este texto a convite do Spurs Brasil

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Um outro olhar – o lado do Mavericks

Por Christiano Araújo*

Quem vai levar a melhor no jogo? (D. Clarke Evans/NBAE/Getty Images)

Os torcedores do Houston Rockets que me desculpem, mas o grande clássico texano desde o começo do seculo é entre Dallas Mavericks e San Antonio Spurs. A partir deste domingo (20), teremos o sexto duelo entre essas duas equipes em playoffs (com três vitorias para o Spurs e duas para o Mavericks). Um confronto que não marca apenas uma grande rivalidade local, mas também o encontro das franquias que mais marcaram presença na pós-temporada desde 2001 (o time alvinegro tem 17 participações consecutivas, enquanto o alvianil teve sua sequência de 12 temporadas seguidas encerrada no ano passado), o embate entre os dois melhores alas-pivôs da liga na era pós-Karl Malone (nada pessoal viu Kevin Garnett?), e o duelo de duas franquias que, apesar de optarem por meios diferentes de gestão, conseguiram se tornar grandes exemplos de sucesso na NBA.

De um lado, os comandados de Gregg Popovich chegam com a melhor campanha da liga no geral e um time que não precisou usar nenhum de seus jogadores por mais de 30 minutos por partida durante a temporada regular, o que mostra a profundidade desse elenco. Não focarei em fazer a analise tática do time de San Antonio aqui, pois acredito que os autores desse blog já o tenham feito muito bem e com mais qualidade do que eu poderia fazer.

Já os comandados por Rick Carlisle chegam nessa série com a esperança de que a rivalidade imposta pelo confronto possa fazer com que seus jogadores deem aquele “algo a mais” no duelo. Afinal, já dizia o folclórico Jardel… “Clássico é clássico e vice-versa”.

A verdade é que o time de Dallas sofre com grande problemas nas últimas duas temporadas, nas quais teve dinheiro para contratar na free agency, mas não conseguiu trazer os jogadores que eram mais desejados por Mark Cuban, dono da franquia, restando assim apenas os chamados “planos b” para montar o time, contratando o que havia sobrado no mercado e montando o resto do elenco com vínculos de um ano de vínculo.

O time atual do Mavs se mostra bem ofensivamente, muito em parte pela qualidade de pontuar do Dirk Nowitzki e pela versão repaginada do Monta Ellis, que resolveu deixar o premio de pior shot chart da liga neste ano para o Josh Smith. Ainda sim, muitas vezes observamos em quadra um time que parece “manco”, principalmente na defesa, sendo que, no time titular, o único jogador que consegue se destacar nesse quesito é o bom e velho Shawn Marion de guerra. A rotação de três pivôs usada por Carlisle demonstra a falta de confiança em um jogador nesse elenco (Samuel Dalambert fisicamente não está bem e nunca foi um grande jogador ofensivamente, Brandan Wright ainda peca pela falta de experiência e uma defesa muito crua, enquanto DeJuan Blair sofre com a sua baixa estatura para a função, apesar de tecnicamente ser o melhor entre os 3). A chegada de José Calderon deixou os fãs do pick n’ roll em êxtase, já que a combinação dessa jogada entre o espanhol e o alemão poderia se tornar umas das mais difíceis de se marcar na liga, mas infelizmente o que vimos durante a temporada foi uma insistência muito grande do ala-pivô em ficar no isolation e utilizar o seu arremesso no fadeaway, além do fato de que o armador tem dividido muito mais do que o esperado o comando das jogadas ofensivas com Ellis. Outro problema que ficou bem claro durante a temporada regular é a falta de profundidade no elenco, cabendo a Vince Carter o papel de ser o 6th man, o que infelizmente ele parece não ter mais idade para fazer.

O Spurs é sem dúvidas favorito, mas por toda a historia que esses dois times nos presentearam nos últimos anos em playoffs, não posso esperar nada menos que uma série disputada e física, além, é claro, de torcer pro alemão continuar sua saga de doutrinação.

* Christiano Araújo é torcedor do Mavs e convidado do Spurs Brasil para o texto

Um outro olhar – Análise de Jeff Pendergraph

Nesta offseason, uma das principais movimentações do San Antonio Spurs foi a contratação de Jeff Pendergraph. O ala-pivô, que disputou a última temporada pelo Indiana Pacers, é, no entanto, um jogador pouco conhecido pelo grande público que acompanha a NBA. Por isso, o Spurs Brasil convidou Kaique Quadros, autor do atualmente inativo blog Pacers Brasil, para fazer um texto opinativo sobre o atleta. Confira, a seguir, a análise dele:

Pendergraph é uma das caras novas do Spurs (NBAE/Getty Images)

O que dizer do Jeff Pendergraph? Na última temporada, ele não teve muitos minutos em quadra para podermos dizer que exista algo de bom ali. Abro esse raciocínio dizendo que o garrafão reserva do Indiana Pacers, formado por Tyler Hansbrough e Ian Mahinmi, foi horripilante! Mostra que não havia mesmo talento no jogador.

Pelo pouco que podemos analisar em sua passagem pelo Pacers, Pendergraph não passa de um total energy guy, aquele cara que sai do banco com dedicação e vibração para contagiar seus companheiros em quadra. Sabe apanhar rebotes decentemente? Sim, porém não de forma eficaz. Pode trazer alguma resistência defensiva para um cara mais rápido? Talvez. Mas se fosse algo contínuo, ele seria mais utilizado.

Acho que o auge de Pendergraph foi a série de primeira rodada dos playoffs deste ano, contra o Atlanta Hawks. Al Horford e Josh Smith conseguiram empatar a série em 2 a 2 jogando em seus domínios de forma incrível, e o ala-pivô, ainda pelo Pacers, foi utilizado como marcador do hoje reforço do Detroit Pistons. Uma iniciativa inteligente do técnico Frank Vogel, visto que a equipe de Indiana passou de fase e que Smith não foi mais tão impressionante como tinha sido nos outros jogos. Essa combinação de marcação, disposição e uma certa velocidade é o que acredito que possa ser a justificativa para o Spurs contratá-lo.

Você pode se perguntar se eu não estou sendo muito duro e pessimista sobre Pendergraph. Será mesmo que ele não tem uma noção ofensiva? Mas sou categórico nessa análise e não vi talento nenhum do jogador no ataque durante sua passagem pelo Pacers. Ele é atlético e tudo o mais, mas pouco sabe usar isso a seu favor. Vê-lo bater bola é um pesadelo, e suas tentativas de arremessos de meia distância são algo doloroso de se ver.

No entanto, e se aparecer uma série como a do Pacers contra o Hawks? E se ele conseguir ajustar a marcação em um cara mais rápido e forte, coisa que Paul George e David West não conseguiram diante da equipe de Atlanta? E se o Spurs obtiver sucesso utilizando-o em um confronto desse tipo? A franquia texana já poderá considerar a aquisição um acerto? Fica a pergunta para os torcedores do time de San Antonio.

A chance de Leandrinho

Desde antes do início da temporada, já havíamos comentado a decadência de Leandrinho Barbosa nos últimos anos. Vindo de ser considerado o melhor sexto homem da liga na temporada 2006/2007 pelo Phoenix Suns, o ala-armador tem míseros 10 minutos por jogo, em média pelo Boston Celtics (apenas por causa de uma ou outra lesão nos armadores da equipe, se não seriam menos), após rápidas passagens por Toronto Raptors e Indiana Pacers, times em que nada de significativo foi produzido.

Leandrinho comemorando outra cesta… do banco (FIBA)

O potencial de Leandrinho é enorme, e sabemos disso (não à toa, ele recebeu um prêmio como o de sexto homem, o mesmo que jogadores como Kevin McHale, Manu Ginóbili e Jason Terry, entre outros). Porém, por não ter jogado tudo o que pode, tendo apenas rápidos momentos de inspiração, o brasileiro não vem sendo aproveitado em Boston.

Leandrinho em 2007, com 24 anos, eleito o melhor 6° homem da NBA (NBA Photos)

Essa, em meu ponto de vista, é a última chance de Leandrinho de manter uma carreira na melhor liga do mundo. Hoje, o armador tem 30 anos e, depois de passar algumas temporadas sendo o melhor brasileiro da NBA e também o craque da seleção, hoje já é o menos valorizado entre os quatro brasileiros na liga (não estou contando Fab Melo, que fica em um vai-e-vem pra D-League) e também perdeu o posto de melhor jogador do Brasil para Marcelinho Huertas.

Hoje, o camisa 12 dos celtas tem uma media de 4,7 pontos e 1,2 assistências por jogo, o que não é tão ruim para apenas 11 minutos por partida. Porém, sabemos que Leandrinho poderia estar com medias maiores. Não podemos esperar que ele mantenha os números que Rajon Rondo apresentava, até mesmo porque sua porção de minutos em quadra não será tão grande quanto à que o camisa 9 tem.

Mas podemos esperar um aumento de, ao menos, 100% em suas atuais médias, e só não podemos aumentar mais ainda nossas expectativas pois ele jogará como armador principal e não terá a liberdade para dar um pique para puxar o contra-ataque assim que o arremesso sair da mão do adversário para receber um passe livre, como teria se jogasse de 2, posição em que costuma atuar.

Leandrinho tem que voltar a ser aquele humilde garoto que chegou em Phoenix com 21 anos e conquistou a confiança dos companheiros e do técnico. Se nessa chance que tem até o fim da temporada Leandrinho não render, acredito que esse será seu triste fim nos Estados Unidos.

Pequeno passo para muitos, grande salto para o Brasil

Primeiramente, vou dizer que não sou fã de campanha para votar em um jogador para ir ao All-Star Game somente por ele ser de seu país, assim como acontecia com Yao Ming na China, sempre o mais popular na eleição. Porém, neste ano acho muito válido pedir Varejão na partida. No inicio da temporada, Dwight Howard, o melhor pivô do Leste nos últimos anos, se transferiu do Orlando Magic para o Los Angeles Lakers, do Oeste, deixando assim o cargo aberto em sua antiga conferência.

Chegou então o dia em que a votação para o quinteto titular do jogo das estrelas é aberta, e, pelo menos eu, estava muito curioso para ver as opções de pivô do lado Leste. Porém, me deparo com uma grande surpresa: o modo de votação foi modificado. A NBA, inteligentemente, visando lucros, mudou o tipo da votação, que antes era com dois armadores, dois alas e um pivô de cada conferência. Neste ano, com a mudança, você escolhe dois armadores e três “jogadores de força”, sendo alas ou pivôs. Ou seja, é possível formar uma equipe no Leste com Rajon Rondo, Dwyane Wade, Carmelo Anthony, LeBron James e Paul Pierce, um time sem pivô, já que, inicialmente não tínhamos nenhum nome à altura de um All-Star Game.

Porém, agora não só eu, mas todos, se deparam com uma grande surpresa: o Leste tem sim um nome com condições de jogar um All-Star Game. E esse nome é Anderson Varejão! O pivô brasileiro do Cleveland Cavaliers está em sua nona temporada na NBA, e está com suas melhores medias da carreira. Jogando 35 minutos por jogo, Anderson faz 14.5 pontos, 15 rebotes, três assistências e 1,5 roubos de bola por exibição, tem 78% de aproveitamento da linha do lance livre e 52% de aproveitamento dos arremessos de quadra.

Varejão pegando um rebote e já anotando mais 2 pontos. (NBA Photos)

O jogador que antes era apenas conhecido e valorizado por fazer um excelente “trabalho sujo” no garrafão vem chamando muita atenção nesta temporada em todos os aspectos do jogo. Com seu jogo aparecendo muito, seu técnico soltou as seguintes palavras: “He is best center in the NBA right now. By far the best in the Eastern Conference.” (Ele é o melhor pivô da NBA hoje. De longe o da conferencia Leste). A manchete do site em que li a noticia questionava as palavras de Byron Scott, técnico dos Cavs. Vamos analisar: comparando Varejão com o considerado melhor pivô da NBA nas últimas temporadas, Dwight Howard, podemos ver que essa temporada vem sendo do brasileiro. Os únicos aspectos no qual Anderson fica atrás são o de pontos por jogo, com dois a menos, e tocos, com dois a menos também. Porém, Varejão pega mais rebotes (não só mais que Dwight, mas mais do que todos os da liga! Sim, ele é o líder em rebotes da NBA), dá mais assistências (quesito do qual ele é um dos cinco melhores considerando não armadores), rouba mais bolas e tem melhor aproveitamento, além de ter melhor eficiência (algo que o brazuca é apenas pior que os All-Stars LeBron James e Kevin Durant). Vale lembrar ainda que, Dwight tem Steve Nash, Kobe Bryant, Metta World Peace e Pau Gasol junto com ele no quinteto, enquanto Varejão tem Alonzo Gee, Tristan Thompson, Daniel Waiters e Kyrie Irving.

Ou seja, Varejão vem jogando melhor que todos os homens de garrafão da liga. Se a votação do jogo das estrelas continuasse como antigamente, o brasileiro teria muitas chances de pegar a vaga de 5 no time. Porém, com esse novo método de votação, Anderson pode ficar de fora do quinteto titular por não ser tão popular nos Estados Unidos como outros alas que agora podem pegar a vaga do pivô. Mas, eu acredito que o técnico escolhido para dirigir esse timaço chamaria ele para o banco se ele não for pelo público, basta ser somente um pouco sensato.

A tabela abaixo consegui no site da ESPN, e ele mostra os melhores reboteiros nos primeiros 13 jogos da temporada nos últimos 10 anos, e Varejão aparece em quarto.

Temporada Jogador Time Rebotes
2007-08 Marcus Camby Nuggets 201
2011-12 Dwight Howard Magic 194
2004-05 Kevin Garnett Timberwolves 194
2012-13 Anderson Varejao Cavaliers 191
2007-08 Dwight Howard Magic 187

Enfim, o que para algumas pessoas ou países seria apenas uma convocação ao All-Star Game, para ele, e para nós, brasileiros, seria muito mais do que isso. Seria a primeira vez que um jogador do país iria ao evento, e, sem dúvidas, seria o melhor momento para que isso ocorresse. Estamos em um momento muito importante do nosso basquete, com uma liga nacional cada ano mais forte, jogadores nossos brilhando na Europa e com seis deles na NBA, sendo um líder de rebotes e terceiro mais eficiente, além de muitas outras coisas. E esse é o momento em que o Brasil voltará a ser uma potencia mundial, como já foi. Esse momento é o exato momento para que isso aconteça, e que para nosso basquete continue nessa evolução que está. Boa sorte, Anderson, e conte conosco nos votos.