Arquivo da categoria: Na linha dos 3

Como Malcolm Thomas pode ajudar o Spurs

Nesta semana, o San Antonio Spurs, que começou o campeonato com 14 jogadores no plantel, resolveu fazer sua primeira aposta para ocupar a última vaga aberta no elenco. A franquia acertou a contratação do ala-pivô Malcolm Thomas, que estava jogando no Los Angeles D-Fenders, da D-League – a liga de desenvolvimento da NBA – e já havia defendido as cores da equipe texana em curta passagem na temporada 2011/2012. Agora, de volta ao alvinegro, o atleta terá uma chance para ajudar o time a resolver uma carência interna: a dificuldade na coleta de rebotes durante a utilização de formações mais baixas e/ou ágeis.

Thomas foi colega de Kawhi na universidade (Gregory Bull/AP)

Thomas, ala-pivô de 25 anos de idade e 2,06m de altura, jogou três temporadas no basquete universitário – as duas últimas, em 2009/2010 e 2010/2011, por San Diego State, sendo companheiro de equipe de Kawhi Leonard. Mesmo indo bem, principalmente em sua última campanha, na qual apresentou médias de 15,2 pontos e 10,5 rebotes em 32,7 minutos por exibição, passou em branco no Draft de 2011, sem ser selecionado. Por isso, naquele ano, sua carreira profissional começou no Mobis Phoebus, da Coreia do Sul. Desde então, além do Spurs, passou pelo Golden State Warriors, pelo Chicago Bulls, por franquias da D-League e, em 2012/2013, pelo Maccabi Tel Aviv, equipe de Israel.

Com agilidade e atleticismo acima da média para a posição e capacidade para abrir a quadra com arremessos de três pontos, Thomas pode se encaixar no esquema tático do Spurs em função parecida com a exercida por Boris Diaw e Matt Bonner: um ala-pivô que também sabe transitar pelo perímetro. Nesta temporada, o jogador acertou oito dos 13 tiros de longa distância que tentou nos dois primeiros jogos que fez pelo D-Fenders. Seu gráfico de arremessos mostra sua eficiência, especialmente nas bolas arriscadas da cabeça do garrafão.

Chart

Porém, o principal problema do elenco atual do Spurs acontece justamente quando uma dessas formações mais baixas e/ou ágeis precisa ser usada. Na derrota para o Houston Rockets, por exemplo, o técnico Gregg Popovich abriu mão de usar Tim Duncan e Tiago Splitter juntos em quadra ao mesmo tempo por conta das características do time adversário. Resultado: o alvinegro coletou apenas 33 rebotes, contra 54 do time visitante. Para escalar um quinteto assim, Pop tem apenas Leonard como reboteiro acima da média para a posição 4, já que Diaw e Bonner estão longe de dominar. E é exatamente aí que Thomas pode ajudar.

Em sua curta carreira de 12 jogos na NBA, o novo ala-pivô do Spurs coletou, em média, 10,1 rebotes a cada 36 minutos. Em Israel, na temporada passada, foram pouco menos de 9,6 a cada 36 minutos. Como base, só Tiago Splitter, com 11,5; Tim Duncan, com 10,4; e Aron Baynes, com 9,8 ressaltos coletados a cada 36 minutos, têm números semelhantes aos de Thomas. Isso sem falar em suas médias maiúsculas no começo de sua trajetória na D-League neste ano: 33,5 pontos, 15,5 rebotes, 2,5 roubadas de bola e dois tocos em 40 minutos por exibição, liderando os dois primeiros fundamentos enquanto disputava o torneio.

Claro que os números de Thomas foram colhidos, em sua grande maioria, fora do ambiente da NBA, que possui, provavelmente, os alas-pivôs e pivôs mais assustadores fisicamente do planeta. Porém, eles mostram, ao menos, que o Spurs está atento às suas fraquezas e que está disposto a corrigi-las. Resta saber se o novo reforço será bom o bastante para isso.

O Spurs com Belinelli

Principal contratação do San Antonio Spurs para a temporada 2013/2014 da NBA, Marco Belinelli tem mostrado que a aposta foi acertada. O ala-armador, que veio do Chicago Bulls, assumiu a fatia da rotação que pertencia a Gary Neal, hoje o Milwaukee Bucks, até o último campeonato e rapidamente se adaptou ao estilo de jogo do time texano, mostrando perícia na movimentação de bola e nos arremessos de três pontos. Deste modo, o italiano se tornou um dos expoentes da segunda rotação da equipe – que vem encantando até mais do que os titulares pela qualidade nos passes – e já se destaca, tendo sido, inclusive, um dos cestinhas da vitória sobre o Orlando Magic. E os números mostram bem sua importância para o time.

Belinelli tem tido boas atuações pelo Spurs (Reprodução/it.eurosport.yahoo.com)

Belinelli vem atuando na segunda rotação do Spurs na companhia de Patrick Mills, Manu Ginobili, Jeff Ayres e Boris Diaw neste início de temporada. Dos 332 minutos que o italiano passou em quadra até aqui pela franquia texana, 39,6 foram com este quinteto, que lidera a lista dos times mais usados envolvendo o ala-armador. E este grupo se destaca pela movimentação de bola. São 31,8 assistências a cada 48 minutos, ficando atrás apenas de Tony Parker – Marco Belinelli – Danny Green – Boris Diaw – Tim Duncan, com 39,1, e Tony Parker – Marco Belinelli – Manu Ginobili – Boris Diaw – Tim Duncan, com 38,9, entre os times que atuaram ao menos dez minutos neste campeonato pelo alvinegro de San Antonio.

Apesar de ser um bom passador, não é pelas assistências que Belinelli vem se destacando. Ele toca a bola para 13,4% das cestas de seus companheiros até aqui na temporada. Enquanto o italiano está em quadra, Ginobili, com 20%, e Mills, com 13,7%, são mais eficientes. Por isso, é seguro dizer que é na pontuação que o italiano vem mostrando seu talento.

Até aqui, Belinelli vem acertando incríveis 50% de seus arremessos de quadra e, de todo o plantel da equipe texana, está atrás apenas de Tiago Splliter (59,6%), Boris Diaw (55,3%), Tony Parker (53,2%) e Kawhi Leonard (50,9%), jogadores que tentam cestas de muito mais perto que o italiano. O novo camisa #3 do Spurs arrisca 2,5 arremessos do perímetro por partida pela equipe de San Antonio, e converte a incrível marca de 55%. Haja mira!

Com Belinelli em quadra, o Spurs aciona o italiano com taxa de usagem de 17,3%, contra 24,9% de Ginobili, 22% de Diaw e 20% de Mills. Isso mostra o quanto o italiano funciona como um arremessador, e não como um condutor de bola. E tem trabalhado bem na função.

Com a camisa do Spurs, Belinelli tem anotado 15 pontos, 4,8 rebotes e 3,7 assistências a cada 36 minutos. Mais um jogador reserva que teria bons números se fosse usado como titular. Mas em San Antonio não funciona assim. Com Pop evitando desgastar seus atletas, fica cada vez mais importante ter bons nomes na segunda unidade. É aí que se encaixa o italiano.

Dá no Parker e vai para o abraço

O San Antonio Spurs começou a temporada 2013/2014 da NBA vencendo 11 de suas 12 primeiras partidas. Atingiu este recorde jogando um basquete coletivo, de muita movimentação de bola, fazendo com que todos tenham chances de arremessar. No entanto, mesmo sendo um time muito menos individualista do que a média, é sempre bom ter alguém para contar em momentos decisivos, quando as defesas estão mais fechadas, mais concentradas e mais atendas e qualquer passe extra é um risco a mais. E é bom saber que, neste início de campeonato, Tony Parker tem sido um dos melhores jogadores da liga americana no quesito.

Parker é cada vez mais o dono do ataque do Spurs (D. Clarke Evans/NBAE/Getty Images)

Olhando para os números, é fácil reparar o quanto o armador tem se destacado na positiva largada do Spurs. Até aqui, o time texano tem oito jogadores que atuam, ao menos, 20 minutos por jogo: Marco Belinelli, com 7,4 pontos em 20,4 minutos; Tiago Splitter, com 8,8 pontos em 22,9 minutos; Danny Green, com 8,1 pontos em 24,1 minutos; Boris Diaw, com 11,1 pontos em 23,6 minutos; Manu Ginobili, com dez pontos em 24,4 minutos; Tim Duncan, com 11,7 pontos em 28,6 minutos; Kawhi Leonard, com 12,6 pontos em 28,8 minutos, e Tony Parker, com 18,7 pontos em 31,6 minutos. É fácil perceber o quanto as estatísticas do francês destoam, tanto em tempo de quadra quanto em produção ofensiva.

No entanto, em jogos que entram equilibrados no quarto período, a importância do camisa #9 para o Spurs é ainda maior. Na noite de sexta-feira (22), na vitória do time texano sobre o Memphis Grizzlies, Parker anotou 11 pontos – acertando quatro dos seis arremessos de quadra que tentou, sendo um de três pontos, e dois dos quatro lances livres que tentou -, duas assistências e um rebote depois que o terceiro quarto tinha acabado 71 a 65 a favor do time texano. O resultado? O armador francês deixou a quadra com 20 pontos, sendo o cestinha do time, além de cinco assistências e dois rebotes em 35:56 minutos, e a equipe de San Antonio venceu, mesmo jogando fora de casa, por 102 a 86.

Não foi a primeira vez que isso aconteceu. Até aqui, na temporada, Parker tem média de sete pontos por jogo no quarto período. É a décima melhor marca de toda a NBA. Além disso, ele tem acertado 64,1% dos arremessos de quadra nos 12 minutos finais dos jogos, segunda melhor marca entre os dez primeiros em produção ofensiva neste recorte.

Para se ter uma noção da importância de Parker para o Spurs, o segundo melhor pontuador do time texano em quartos períodos é Diaw, que muitas vezes termina jogos decididos com a equipe reserva e anota, em média, 4,7 pontos por jogo nas parciais finais. Entre as outras estrelas do elenco, Manu Ginobili tem 2,3 pontos por exibição no recorte, contra 2,1 do francês. A cada dia mais, o a equipe passa para as mãos do armador francês.

O bom início de temporada do francês acaba com as dúvidas sobre a sua forma física, já que ele pareceu ter sofrido com problemas musculares durante a campanha que rendeu à seleção da França o título do Eurobasket – o primeiro troféu da história de Les Bleus – durante a offseason. Mesmo assim, o técnico Gregg Popovich deve pensar com carinho em poupá-lo de algumas partidas – o que só aconteceu com Duncan até aqui na temporada. Afinal, o Spurs provavelmente precisará de seu homem mais decisivo se quiser tem sucesso nos playoffs.

Sinal amarelo para Duncan?

Seria difícil exigir um começo melhor de campeonato para o San Antonio Spurs. Nos primeiros nove jogos da temporada 2013/2014, a equipe, que atualmente lidera a Conferência Oeste da NBA, venceu oito deles. Com Marco Belinelli e Jeff Ayres ocupando os lugares que eram de Gary Neal e DeJuan Blair na rotação, a movimentação de bola do time parece melhor do que nunca. Porém, se engana quem acha que não existe espaço para evolução no elenco. Até porque, nestas primeiras semanas da liga, a maior preocupação, talvez, que os torcedores do alvinegro tenham no momento diz respeito a uma das principais estrelas do plantel: o ala-pivô Tim Duncan, que ainda não encontrou seu melhor basquete.

Duncan tem encontrado dificuldades (Melissa Majchrzak/NBAE/Getty Images)

Até aqui, The Big Fundamental, que foi poupado na vitória sobre o Philadelphia 76ers e disputou oito das nove partidas do Spurs no campeonato, apresenta média de 12 pontos por jogo, mais baixa que os 13,4 da temporada 2010/2011, a pior de sua carreira. E isso não tem a ver com o fato de ele estar atuando menos tempo para ser preservado. Duncan tem anotado 15,3 pontos a cada 36 minutos, sendo que a pior marca de sua vida foi 17,1, também na temporada 2010/2011. Atualmente, ele tem aproveitamento de 39,4% nos arremessos de quadra, muito inferior aos 49,0% de 1999/2000, sua campanha mais “descalibrada”. Seu gráfico nestas primeiras semanas mostra sua dificuldade, especialmente em média distância.

Shotchart_1384615616434

Claro que não é agora que Duncan precisa mostrar todo seu potencial para que o Spurs volte a brigar pelo título da NBA. É natural que o astro se poupe e guarde energia para que chegue inteiro e saudável nos playoffs, quando mais importa. A questão é que errar arremessos não é sinônimo de se preservar. Por isso, a questão merece, sim, atenção.

No entanto, não é necessário criar nenhum tipo de drama a respeito disso. Primeiro porque o time tem se virado muito bem mesmo com a baixa produtividade de um de seus principais nomes. Segundo, porque Duncan tem encontrado outras maneiras de colaborar: são 7,1 rebotes, 3,5 assistências e 1,8 tocos em 28,3 minutos por partida até aqui. Além disso, é normal que os jogadores mais velhos sejam os que mais demoram para recuperar o ritmo de jogo e a melhor forma física e técnica no início da temporada. E não custa lembrar o lado pessoal também: o camisa #21 foi um dos que mais demonstrou abatimento após a derrota para o Miami Heat nas finais deste ano, que aconteceram em meio ao divórcio do ídolo local.

Por essas e outras, Duncan tem o apoio do grupo. Manu Ginobili é um dos que apostam nele. O ala-armador argentino rasgou elogios ao companheiro após a vitória do Spurs sobre o Washington Wizards, mesmo após o ala-pivô tendo acertado apenas um dos 12 arremessos de quadra que tentou, atingindo a pior noite em aproveitamento de toda a sua carreira.

“Não tenho dúvidas de que ele vai se recuperar. Amanhã, ele vai acordar cedo e dar um milhão de arremessos para se recuperar. Especialmente sendo o tipo de competidor que ele é. Você só precisa acertar alguns arremessos e aí tudo muda. Não é nada demais”, declarou Manu, de acordo com reportagem do site americano Spurs Nation.

A recuperação já começa a dar sinais de que pode estar perto de acontecer. Nesta sexta-feira (15), durante a vitória do Spurs sobre o Utah Jazz, Duncan – que aparentemente já está de namorada nova – acertou sete dos 16 arremessos de quadra que tentou. Mesmo sendo um aproveitamento ainda abaixo da média, certamente o camisa #21 ficará mais confiante com os 14 pontos que converteu. Ainda é cedo para se preocupar com ele.

O que muda com Patrick Mills?

Além das chegadas do ala-armador Marco Belinelli e do ala-pivô Jeff Ayres, a principal mudança na rotação do San Antonio Spurs neste início de temporada 2013/2014 aconteceu na armação. Patrick Mills, que vinha esquentando o banco desde sua chegada ao Texas, desbancou Nando De Colo – que começou o campeonato anterior como o principal reserva – e Cory Joseph – que foi o mais acionado durante os playoffs -, assumindo todos os minutos do descanso do titular Tony Parker. Mas o que muda com a utilização do australiano?

Mills é a “surpresa” de Pop no ano (D. Clarke Evans/NBAE/Getty Images)

Mills está longe de ser um armador puro. Na verdade, seu talento é justamente encontrar caminhos para fazer cestas. Até aqui, o australiano anota 21,1 pontos por 100 posses de bola, número que, no elenco do Spurs, só fica atrás de Tony Parker (28,7), Tim Duncan (24,0) e do surpreendente Boris Diaw (24,3). Nas seis primeiras partidas do time texano na temporada, Patty apresenta médias de 6,2 pontos e 1,7 assistências em 14,4 minutos por exibição. E seu número mais impressionante está nas bolas de três pontos. Por enquanto, o camisa #8 não errou nenhum dois oito arremessos de longa distância que tentou!

A utilização de um armador que ataque tanto a cesta é possível, principalmente, com a chegada de Belinelli. Até aqui, o técnico Gregg Popovich tem trabalhado sua rotação de duas maneiras. Na primeira opção, o time reserva joga com o ex-jogador do Chicago Bulls ao lado de Manu Ginobili nas alas. Com dois jogadores com criatividade e habilidade para comandar o pick-and-roll em quadra, Mills fica livre para trabalhar como pontuador. Outra alternativa do treinador é usar o argentino ou o italiano mais tempo com os titulares, trazendo Danny Green para atuar como ala da segunda unidade. Neste caso, o australiano passa a ter mais responsabilidades de criação, trabalhando como um condutor de bola secundário.

Os números da SportsVU, recentemente divulgados no site oficial da NBA, mostram bem isso. Ginobili recebe a bola 47,6 vezes por jogo, contra 25,4 de Marco Belinelli e 35,4 de Mills. O argentino opta pelo passe em 67,6% dessas posses, sendo que 8% viram assistências, e arremessa em 23,1% delas. O italiano, por sua vez, passa a bola 66,9% das vezes, sendo que 5% viram assistências, e arremessa em 24,4% delas. Por fim, o australiano passa 81,9% das bolas que recebe, transformando 5% em assistências, e arremessa em 12,7% de suas posses.

Em outras palavras, Mills participa bastante do jogo e até inicia algumas jogadas, mas é Ginobili quem tem a responsabilidade de criar arremessos para seus companheiros na segunda unidade. Com isso, o australiano vira um condutor de bola secundário, caso Green seja o terceiro jogador de perímetro em quadra, ou até mesmo um puro pontuador, caso Belinelli esteja ao lado dele e do argentino no quinteto acionado por Pop.

Isso abre espaço para que um armador reserva com menos criatividade, mas com mais poder de fogo, possa ganhar espaço na rotação. Na temporada passada, quando os três ganharam minutos relevantes e a comparação pode ser justa, Mills obteve 4,6 assistências a cada 100 posses de bola, contra 7,5 de De Colo e 6,7 de Joseph. Em compensação, neste mesmo recorte, o australiano anotou 22 pontos, contra 15,9 do canadense e 15 do francês.

Pop não precisa de um armador, de fato, na segunda unidade. Na ausência de um jogador da posição 3 em seu banco de reserva, o treinador precisa de alguém que possa ser uma ameaça às defesas adversárias enquanto Ginobili e Belinelli carregam a bola. Mills pode ser esse jogador – muito mais do que Joseph e De Colo. Por isso, o australiano sai na frente.