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Três formas de parar Curry e o irresistível Warriors

16 vitórias em 16 jogos, melhor início da história da NBA…

Esse é o Golden State Warriors de Stephen Curry, que vem pulverizando rivais e já ameaça o recorde do Chicago Bulls de 72 vitórias e dez derrotas, conquistado em 1995/1996.

Quem vai pará-lo? (Foto: Getty Images)

Quem vai pará-lo? (Getty Images)

O assunto da moda na imprensa internacional é quem vai parar a franquia californiana e quando isso vai acontecer. Isso pode ocorrer a qualquer momento, claro, mas pelo que o Warriors vem jogando até aqui, vai ser difícil esse recorde cair facilmente.

Na onda do tema, comecei a pensar em como parar esse time que já é um dos melhores da história da liga, sobretudo já visando o confronto do próximo 25 de janeiro contra o nosso San Antonio Spurs e uma eventual série de playoffs entre as duas equipes.

Pensei em três formas que um time pode usar para minimizar (porque pará-lo é impossível) sua principal estrela, o armador Stephen Curry. Vamos lá?

1. Reduzir seu volume com jogo físico e dobras

Stephen Curry é o cérebro do time. Ele arma, cria, arremessa, envolve seus companheiros… faz de tudo um pouco. Um caminho para minimizar o impacto seria pressioná-lo no fundo quadra – dobrando se preciso – e obrigá-lo a passar a bola o quanto antes.

A estratégia seria dobrar sempre que ele recebesse a bola, reduzindo assim seu volume de jogo e deixando seus companheiros com mais liberdade durante a partida. É uma estratégia arriscada, principalmente se pensarmos que o elenco da franquia californiana é bastante profundo e conta com outros jogadores de elite, mas poderia funcionar.

Na final da última temporada, contra o Cleveland Cavaliers, os momentos de maior sucesso de LeBron James e companhia aconteceram quando o camisa #30 foi seguidamente dobrado ou quando teve de lidar com uma defesa que o incomodou fisicamente, dando trombadas e o acompanhando o tempo todo sem se importar com os outros atletas em quadra. Veja alguns exemplos do bom trabalho defensivo do armador australiano Matthew Dellavedova:

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2. Dar a bola a Stephen Curry

O oposto do item anterior também seria uma estratégia válida. Dar espaço para o armador ter um alto volume de jogo e evitar que seus companheiros pontuem com facilidade pode funcionar, especialmente se Curry estiver em uma noite pouco inspirada (o que está bem difícil de acontecer). Eventualmente, o astro poderia marcar 30, 40 ou até 50 pontos contra o time que fizesse isso, mas seus colegas pontuariam abaixo de suas médias.

3. Cometendo poucos turnovers e sendo assertivo no ataque

Um dos carros-chefe do camisa #30 é a bola de três pontos no contra-ataque. Já cansamos de vê-lo pontuar aproveitando-se de adversários voltando descoordenados para a defesa após um turnover ou depois de um ataque mal executado.

Soa até meio clichê, mas evitar desperdícios será crucial para quem quiser batê-los. Trabalhar bem o ataque também é fundamental, pois uma ofensiva mal pensada fatalmente acarretará em contra-ataque com aquela bola de três mortal, como você pode ver a seguir:

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Já funcionou no passado…

O tipo de defesa física e com dobras que mencionei no item 1 funcionou especificamente no jogo entre Spurs e Warriors no último dia 5 de abril. Observe como Kawhi Leonard usa sua envergadura para desarmar o camisa #30 repetidas vezes.

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Sozinho, Leonard nem sempre vai conseguir minimizar Curry, pois leva desvantagem contra rivais mais rápidos (vide Chris Paul nos últimos playoffs). No entanto, seu porte e físico e envergadura definitivamente devem ajudar a atrapalhá-lo. A chave, além disso, é usar Tony Parker e sobretudo Patrick Mills em papel semelhante ao que Dellavedova fez nas finais.

Ou seja, o Spurs tem boas armas para reduzir o impacto do camisa #30, mas claro que isso vai depender muito de quanto Curry vai estar inspirado nos duelos, já que o armador é daqueles gênios que em dias iluminados nem a melhor defesa do mundo consegue parar.

Qual é o problema com Danny Green?

Danny Green acertou 41,8% dos tiros de três pontos que arriscou no último campeonato. Chegou a converter 43,7% na temporada 2011/2012, a melhor de sua trajetória até aqui. Tem aproveitamento de 41,5% na carreira. Porém, na atual campanha do San Antonio Spurs, transformou apenas 29,5% dos seus arremessos de longa distância em cestas. O que acontece com ele? Claro que há uma piora técnica e uma consequente queda na confiança do ala-armador. Mas também há outro fator que pode estar atrapalhando o jogador: a falta de mais especialistas no fundamento para dividir a atenção das defesas adversárias.

Green precisa voltar a arremessar bem (Reprodução/nba.com/spurs)

No último campeonato, além de Green, outros três arremessadores faziam parte da rotação do Spurs regularmente: Patrick Mills, Marco Belinelli e Matt Bonner. Pois bem: ao longo da temporada 2013/2014, o ala-armador jogou 2.311 minutos, sendo 582 com o primeiro, 548 com o segundo e 212 com o terceiro. Além disso, o camisa #14 ficou em quadra por 260 minutos ao lado de Mills e Belinelli, por 117 ao lado de Mills e Bonner e por 62 ao lado de Belinelli e Bonner. Os quatro jogaram juntos por 60 minutos.

Isso significa que Green teve outro arremessador em quadra para dividir a atenção da defesa adversária em 843 minutos na última temporada, cerca de 36,5% do seu total jogado.

Na temporada 2014/2015, Belinelli está no Sacramento Kings, e Bonner praticamente deixou a rotação para que David West, uma das principais contratações do Spurs na última offseason, fosse incorporado. Por outro lado, Rasual Butler chegou para reforçar o elenco.

Green já jogou 372 minutos nesta temporada. Destes, 111 foram ao lado de Mills, e 38 ao lado de Butler. Os três estiveram juntos em quadra por 30 minutos. O camisa #14 ainda não dividiu a quadra por um minuto sequer com o Red Rocket no atual campeonato.

Em outras palavras, Green teve outro arremessador ao lado para ajudar a dividir a atenção dos adversários em 119 minutos na temporada, 32% do total.

De acordo com o site oficial da NBA, Green arriscou, neste campeonato, 26,2% de seus arremessos estando completamente livre – ou seja, com nenhum defensor a seis pés ou menos de distância dele. Na última temporada, esse índice foi de 28%.

Claro que outros fatores precisam entrar na conta, com a troca de Tiago Splitter por LaMarcus Aldridge no quinteto titular. Enquanto o primeiro era melhor passador e podia encontrar Green com maior facilidade no perímetro, o segundo é uma ameaça constante para a defesa quando está perto da cesta e tende a liberar mais espaço para o ala-armador. De qualquer modo, os números ajudam a entender a piora no desempenho do atleta.

Dilema no banco

Kyle Anderson fez excelente Summer League em Las Vegas e ajudou, ao lado de Jonathan Simmons, o San Antonio Spurs a conquistar o torneio. O ala foi eleito como melhor do campeonato ao registrar boas médias de 22 pontos e 5,8 rebotes por partida.

Anderson em ação contra o Heat (Reprodução/Pounding The Rock)

Anderson em ação contra o Heat (Pounding The Rock)

Depois deste começo de temporada animador, esperava-se que Anderson fosse ter um papel expressivo na equipe principal do técnico Gregg Popovich. Pois bem, sete jogos se passaram para o time de San Antonio desde o início da temporada regular, e o que estamos vendo até aqui é completamente diferente do que era esperado. O camisa #1 está jogando mal e, sem confiança, vem perdendo espaço para o veterano Rasual Butler.

Por que Anderson está jogando mal?

Simplesmente porque ele é incompatível com a segunda unidade do Spurs. Como vimos na Summer League, Anderson é aquele tipo de jogador cerebral, que precisa ter a bola e conduzir o jogo para ser realmente útil. Observe o vídeo a seguir:

No time principal, no entanto, Manu Ginobili e Patty Mills têm esse papel no time reserva, forçando Anderson a atuar de uma forma que encobre suas habilidades, ou seja, sem a bola e dependendo muito do seu irregular arremesso e de sua inexistente velocidade.

Muito por isso, Pop dá mais espaço a Butler, que fez um bom trabalho sempre que entrou.

Em números: diferença entre Anderson e Butler até aqui (Foto: nba.com)

Em números, a diferença entre Anderson e Butler até aqui (nba.com)

E como encaixar Anderson no sistema?

Honestamente, acho improvável que o camisa #1 jogue como gosta ainda nesta temporada, ou seja, conduzindo a bola e comandando o ataque. É claro que muita coisa ainda vai acontecer, mas Anderson, pelo que estamos vendo até aqui, vai ter um papel bem limitado na segunda unidade do Spurs e jogará bons minutos apenas no garbage time. 

Vejo, porém, dois cenários em que o ala pode se encaixar – um a curto e outro a longo prazo:

A curto prazo, vejo o camisa #1 substituindo Ginobili em back-to-back games, ou seja, em jogos em dias seguidos. Popovich gosta de descansar seus velhinhos em partidas assim para evitar um desgaste desnecessário. Sem o argentino, Anderson terá mais liberdade para armar os reservas ao lado de Patty Mills, podendo mostrar o seu real valor.

A longo prazo, por fim, Ginobili vai se aposentar ao fim da temporada e abrirá uma vaga no elenco. Se tudo correr como esperado, Anderson deverá então herdar seu papel.

Obviamente, isso tudo é muito hipotético, mas tratam-se de possibilidades plausíveis.

Para melhorar

Para assumir o posto do camisa #20, Anderson precisa melhorar em alguns pontos.

No ataque, é primordial que o ala melhore seu arremesso. Como disse lá em cima, seu chute ainda é muito inconsistente e pouco confiável. Se melhorar nesse aspecto, Anderson pode se tornar uma peça interessante até para jogar como um spot-up shooter, ou seja, aquele jogador que fica no cantinho só esperando receber a bola livre para atirar (estilo Danny Green).

Na defesa, por outro lado, o camisa #1 está longe de ser um primor. Tem melhorado, é verdade, mas ainda precisa trabalhar muito para ser considerado bom. Sua velocidade (ou falta de) atrapalha seu desenvolvimento – tanto que o ala é conhecido como slow-mo, referência a slow motion (câmera lenta em inglês) – e é outro ponto que merece cuidados.

Enfim, ainda há muita coisa que Anderson precisa trabalhar para virar peça importante na segunda unidade e ainda há muita temporada por rolar. Pelo que vi até aqui, todavia, tenho preferido Butler, que é mais experiente e tem contribuído melhor nos dois lados da quadra.

Como Aldridge se encaixará no Spurs em nove gifs

LaMarcus Aldridge fez cinco jogos com o San Antonio Spurs na temporada. Tem médias boas (14,8 pontos e dez rebotes por jogo), mas se esperava um pouco dele neste início.

LaMarcus Aldridge Spurs

Tim Duncan e LaMarcus Aldridge (FoxSports)

Obviamente é o começo, nem deu tempo do camisa #12 aprender tudo sobre o sistema de jogo do treinador Gregg Popovich e de conhecer a fundo seus novos companheiros de equipe. Acho, particularmente, que o baixo aproveitamento de 41% nos arremessos de quadra vai melhorar consideravelmente no decorrer desta temporada.

É injusto criticar seus números até aqui, até porque é absolutamente normal que eles sejam menores do que no Portland TrailBlazers, equipe em que dominava as ações. Agora ele continua como protagonista, mas divide os holofotes com muitos outros atletas.

O intuito deste artigo, portanto, é tentar entender como o ala-pivô vai se encaixar no esquema ofensivo do Spurs. Para isso, criei gifs com o vídeo da vitória sobre o Boston Celtics, que foi quando Aldridge teve sua melhor partida até aqui pela equipe de San Antonio, e expliquei algumas jogadas em que ele teve considerável sucesso. Vamos lá?

1. Sendo isolado

Essa era uma jogada clássica do camisa #12 em Portland, quando se colocava de costas para a cesta de um lado da quadra, recebia a bola e via seus companheiros partirem para o outro lado, deixando-o sozinho contra seu marcador. Repare como ele recebe a bola de Tony Parker, encara David Lee e ganha dois lances-livres bem facilmente:

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De novo contra David Lee:

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Desta vez contra Jared Sullinger:

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E novamente contra Sullinger:

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Quatro jogadas semelhantes em apenas uma partida. Esse é um dos carros-chefe do ala-pivô, e Gregg Popovich certamente saberá como tirar proveito disso.

2. Atraindo a defesa e distribuindo o jogo

Mesmo cenário da jogada anterior. Aqui, Aldridge recebe a bola, atrai a defesa para dentro graças ao seu perigoso jogo de costas para a cesta e permite que o armador australiano Patrick Mills se desloque e fique livre para um arremesso de três pontos. BANG!

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3. Pick and roll

Uma jogada clássica do basquete e que funciona muito bem com um ala-pivô leve como Aldridge. Nela, ele sobe para fazer o corta-luz para o armador (Manu Ginobili, neste caso) e, após fazer a parede, parte livre rumo à cesta, recebendo a bola do argentino e concluindo o lance. A jogada terminou meio mal executada porque o camisa #12 perdeu o controle da bola no meio do caminho, mas deve ser uma arma que veremos muito ao longo da temporada.

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4. Pick and pop

Jogada mortal para pivôs com bom arremesso. Repare que Aldridge faz a parede para Parker, que parte para a cesta atraindo dois marcadores enquanto o camisa #12 se desloca para trás, livre. o camisa #12 recebe a bola e conclui um arremesso simples.

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5. Se posicionando na zona morta

Essa jogada é bem interessante. Repare que Tim Duncan se movimenta e faz um corta luz para Kawhi Leonard; enquanto isso acontece, Aldridge dá alguns passos tímidos para trás e fica posicionado esperando a bola. Leonard, aproveitando a parede de Duncan, parte para a cesta e se depara com a área pintada congestionada por quatro jogadores, entre eles Amir Johnson, encarregado de marcar o camisa #12. Com isso, o ala-pivô ficou livre na zona morta. O ala, inteligente, encontrou o companheiro livre para mais dois pontos.

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6. Agilidade embaixo da cesta

Outra jogada curiosa que tem funcionado e que o Spurs possivelmente continuará usando. Duncan recebe a bola de frente para a cesta e traz com ele um dos pivôs do Celtics. Repare como todo o time está espaçado pela quadra e como apenas Aldridge fica dentro da área verde. The Big Fundamental percebe que o camisa #12 está sozinho contra Lee e dá um passe inteligente para o companheiro, que gira sobre o defensor e fica sozinho para marcar.

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Existem dezenas de formas de usar Aldridge no ataque do Spurs. Essas foram apenas algumas delas que notei e que têm funcionado até aqui. Com o tempo e entrosamento, certamente o ala-pivô dará ainda mais trabalho para as defesas adversárias. Se vocês repararam em mais alguma coisa, deixem comentários e vamos debater.

Antes de encerrar por hoje, gostaria de compartilhar esse vídeo bem legal que o pessoal do BBALLBREAKDOWN fez antes do começo da temporada. Nele, eles explicam como Aldridge se encaixaria no ataque texano com base em vários lances dele em Portland. Vale a pena ver!

Como Leonard se encaixa no futuro próximo do Spurs

*  Por Bruno Pongas

Há pouco mais de três anos, escrevi um artigo no meu antigo blog dando cinco motivos para depositarmos nossas fichas em Kawhi Leonard como futuro do San Antonio Spurs. À época, o ala havia acabado sua primeira temporada com a camisa do alvinegro e ingressava na equipe texana que disputaria a Summer League de Las Vegas em 2012.

Leonard já é destaque do Spurs (Reprodução/San Antonio Express News)

Naquele momento, os cinco motivos que destaquei foram os seguintes:

  • Perfil: o fato dele ser um jogador reservado, humilde, bem no estilo de Tim Duncan e que Gregg Popovich tanto gosta;
  • Frieza: destaquei a boa série de playoff que ele havia feito na final da Conferência Oeste de 2012, contra o Oklahoma City Thunder, com médias de 8,8 pontos e 7,3 rebotes por noite, além de um aproveitamento de quase 45% nos arremessos de longa distância (desempenho muito melhor do que o de outros jogadores de quem se esperava mais);
  • Defesa: a defesa sempre foi o carro-chefe do camisa #2, e ele mostrou um grande potencial defensivo desde que chegou a San Antonio, limitando significantemente jogadores do nível de Kevin Durant já em sua rookie season;
  • Arremesso: ainda quando jogava pela Universidade de San Diego, Leonard era um bom prospecto, mas entre os seus pontos negativos estava o seu inconstante arremesso. Ao chegar ao Spurs, contudo, o ala demonstrou bom potencial neste quesito, fechando sua temporada de novato com aproveitamento de 49,3% no geral e de 37,6% nas bolas de três;
  • Franchise player: com base nos tópicos acima e no papel designado a ele na Summer League de 2012, quando foi testado liderando o ataque da equipe e arremessando à vontade, concluí que Leonard estava sendo preparado e realmente tinha potencial para tomar as rédeas de San Antonio após as aposentadorias de Tim Duncan e Manu Ginobili.

E onde Kawhi Leonard chegou após esses três anos?

Como disse anteriormente, Leonard sempre foi exímio como defensor e era a peça que faltava para elevar o Spurs a outro patamar. Antes, com George Hill (que também era bom defensor), faltava alguém para marcar pontuadores mais altos, como os casos de Kevin Durant e LeBron James, já que o armador, hoje no Indiana Pacers, era consideravelmente menor. Com a chegada do ala, contudo, os texanos conseguiram sanar essa que era uma de suas maiores deficiências e voltaram a brigar de vez pelo título da liga.

O “efeito Leonard” foi notável logo de cara. Nas três primeiras temporadas, o ala ajudou o Spurs a chegar a duas finais consecutivas, além de uma final de conferência em seu ano de novato. Como quê a mais, aquele cara que chegara para ser “apenas um defensor de primeira classe” evoluiu bastante ofensivamente e se tornou uma referência no ataque.

Nos playoffs de 2014, o camisa #2 registrou expressivas médias de 14,3 pontos (50% FG, 41,9% 3 PT) e 6,7 rebotes por noite, números que subiram na final para 17,8 pontos (61,2% FG, 57,9% 3 PT) e 6,4 rebotes e lhe deram o prêmio de melhor jogador das finais.

O desempenho do ala nos duelos decisivos, especialmente no Jogo 3, quando marcou 29 pontos, renderam, inclusive, algumas estatísticas curiosas (via USA Today):

  • Nunca antes em sua carreira (seja no college ou na NBA) Leonard tinha marcado 29 pontos. Ele alcançou esse recorde pessoal em uma final;
  • Nos últimos 35 anos, só dois jogadores marcaram 29 ou mais pontos em uma final antes dos 23 anos: os ídolos do Los Angeles Lakers Magic Johnson (42 pontos em 1980) e Kobe Bryant (30 pontos em 2001);
  • Leonard se tornou o jogador mais jovem da história (22 anos e 346 dias) a marcar pelo menos 25 pontos com 75% de aproveitamento nos arremessos em um jogo de final. O recorde era de James Worthy (23 anos e 93 dias).

O desenvolvimento ofensivo do camisa #2, como disse, elevou o Spurs a outro patamar e postergou um incômodo processo de rebuild pelo qual a franquia teria que passar após a gloriosa era de Duncan, Parker e Ginobili. Falarei mais sobre isso no próximo tópico; antes, alguns vídeos do ala durante as finais do ano passado:

Melhores momentos das finais de 2014:

Análise tática de como Leonard conseguiu ser eleito o MVP das finais:

Entrevista na TNT após Leonard receber o troféu de MVP das finais:

Onde Kawhi Leonard pode chegar?

Ter uma camisa aposentada? Acho que sim, até porque Leonard acabou de assinar um longo e milionário contrato com o Spurs. O objetivo aqui, no entanto, é falar mais a curto prazo: o que esperar do ala na ofensiva que agora também tem o astro LaMarcus Aldridge?

Eu enxergo dois cenários possíveis e prováveis – e que no final das contas devem se fundir ao longo dos compromissos do alvinegro de San Antonio. No primeiro, Leonard vai continuar ganhando mais espaço no ataque de Gregg Popovich e dividirá as responsabilidades ofensivas com o recém-chegado ala-pivô. No segundo, o ala vai gastar mais energia na sua especialidade (a defesa) e participar com menos intensidade no campo ofensivo.

Na série da última temporada contra o Los Angeles Clippers, por exemplo, Leonard foi a principal peça ofensiva da equipe e pagou um preço por isso, pois claramente teve mais dificuldades para defender do que o costume. Por mais que seja um ser humano com um atleticismo fora da curva, é praticamente impossível no nível da NBA dar 100% nos dois lados da quadra sem pagar o preço amargo que se chama cansaço.

É por isso que acredito que, apesar de ser uma peça indispensável no sistema ofensivo do Spurs, em muitos momentos Leonard voltará a ser aquele garoto que foi recrutado com o objetivo principal de defender, gastando mais energia neste papel. E isso faz todo o sentido, já que o ataque texano é extremamente versátil e pode fluir igualmente bem com o camisa #2 concluindo menos jogadas do que na última temporada.

Independente disso tudo, acredito que Leonard continuará evoluindo, e que esta temporada tem tudo para ser a melhor de sua carreira no Texas. Vale lembrar que no último ano ele se machucou no começo da campanha e perdeu muitos jogos, demorando a pegar no tranco. Quando entrou no ritmo, todavia, protagonizou jogos dominantes como esses:

Contra o Cleveland Cavaliers e LeBron James em 12 de março:

Contra o Golden State Warriors em 5 de abril:

Contra o Oklahoma City Thunder em 7 de abril:

Na defesa nem tem muito o que falar. O camisa #2 vai continuar sendo um tormento para os principais nomes da NBA. LeBron que o diga…

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