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Uma ‘brasileira texana’ em NY

Por Regiane Morais – de Nova York, EUA

Existem várias músicas que falam que Nova York é um lugar onde sonhos são realizados. No fim das contas isso é verdade, mesmo com alguns desvios não programados no caminho…

Quando deu tudo certo para uma tão desejada viagem para a Big Apple, decidir a data foi a coisa mais fácil de toda a programação: abrir o site do San Antonio Spurs, ver quando eles enfrentariam o New York Knicks nesta temporada regular e pronto.

O imponente Garden (Arquivo pessoal)

A primeira coisa que me impressionou foi o tamanho do Madison Square Garden. Estamos acostumados a olhá-lo pela televisão e/ou pelo computador, mas ver pessoalmente aquela arena é muito legal. Mesmo nos setores mais altos (que foi o meu caso), a visibilidade é muito boa, ainda mais com a ajuda daqueles telões enormes.

Já na subida, ficam pessoas recepcionando os visitantes. Estavam entregando bandanas do time da casa e aquelas mãos de borracha com o indicador pra cima. Quando eu vi o que era, agradeci e disse que não queria. Quando o cara me perguntou porque, só mostrei minha camiseta, e ele: “No man!” Tudo com muito bom humor; tinha obviamente muitos torcedores do time da casa, mas muitos Spurs marcavam presença também.

É bem legal ver o que acontece quando normalmente estamos vendo os comerciais das transmissões: a apresentação dos times, atrações musicais, camisetas jogadas para a torcida, torcedores tentando acertar cestas para ganhar prêmios…

Indescritível estar nas mesmas coordenadas geográficas que o Timmy (Arquivo pessoal)

Não vou falar muito do jogo em si. Já saiu resumo e enfim, o resultado não é exatamente a melhor memória da noite (saudades conversão de lances livres). Aqueles dois momentos no quarto período em que houve revisão de jogada e a bola em ambas as vezes foi do Spurs foi algo divertido porque os torcedores do Knicks ficaram indignados! Nesse fim de jogo, a torcida acordou para gritos de “defense” e, olha, eu mesma gritei uns “go Spurs, go” várias vezes.

Preciso confessar que várias vezes eu ficava pensando: sério que estou aqui? Sério que eles fizeram esse passe maravilhoso? (foi entre Kawhi Leonard e Patrick Mills em algum momento do primeiro tempo). É aquele tipo de emoção que só quem gosta muito de basquete vai entender. Espero que tenha sido a primeira partida de muitas!

Direto do Garden (Arquivo pessoal)

Spurs no Rio de Janeiro?

Confesso que fiquei muito feliz em saber que a NBA planeja organizar mais um jogo de temporada regular no Brasil. De acordo com o blog Bala Na Cesta, o jogo provavelmente acontecerá na primeira quinzena de outubro, novamente na HSBC Arena, no Rio de Janeiro. Os times que irão jogar a partida ainda não foram definidos, porém a probabilidade da liga escolher uma franquia que conta com um jogador brasileiro no elenco é muito grande.

Splitter no Brasil? Acho que não contra o Wizards… (Reprodução/nba.com/spurs)

Ótima notícia para os fãs brasileiros do San Antonio Spurs, que poderão assistir de perto o alvinegro texano jogando em solo canarinho, se Adam Silver – novo comissário geral da NBA – aprovar o projeto. Creio, que a probabilidade do time texano ir para o Brasil é maior do que muitas pessoas pensam, por alguns fatores:

1) Nenê foi fortemente vaiado no primeiro jogo da NBA no Brasil entre, Washington Wizards e Chicago Bulls, no dia 12/10/2013, no Rio de Janeiro. Portanto, acredito que será difícil o time da capital americana jogar por aqui outra vez depois dessa saia justa.

2) Leandrinho Barbosa estava nas arquibancadas assistindo ao mesmo jogo e, quando apareceu no telão, também foi fortemente vaiado pelos fãs cariocas. Talvez o Phoenix Suns também terá que adiar a excursão a Cidade Maravilhosa.

3) Tiago Splitter é um modelo para os jogadores brasileiros da NBA que frequentemente recusam jogar pela Seleção Brasileira. O pivô participou de praticamente todas as convocações em que foi chamado. Inclusive, foi medalha de ouro na Copa América de San Juan em 2009, mesmo ano que sua irmã faleceu. Que EXEMPLO!

4) Pelo fato do Texas fazer divisa com o México, a cidade de San Antonio tem enorme influencia latina. O primeiro jogo da franquia fora dos Estados Unidos foi no dia 28 de outubro de 1994, na Cidade do México: uma vitória por 121 a 112 contra o Houston Rockets.

5) Ao longo da sua história, o Spurs jogou nove partidas fora da Terra do Tio Sam. Foram oito vitórias e apenas uma derrota. Pela proximidade geográfica e cultural, a Cidade do México já foi palco de quatro jogos do time – o quinto jogo foi cancelado essa ano por um incêndio minutos antes da partida começar. Com a influência da grande estrela Tony Parker, a equipe fez três jogos na França, em Paris e Lyon. E para finalizar, a franquia ainda se apresentou em Milão, na Itália, no McDonald’s Championship de 1999.

Será que o Spurs, enfim irá para o Brasil? Uma partida contra o Cleveland Cavaliers de Anderson Varejão seria o ideal. O que vocês acham?

A vingança nunca é plena, mata a alma e envenena

Um rebote ofensivo.

Sim, foi um simples rebote ofensivo, restando 9,3 segundos para o fim do jogo 6 das finais do ano passado, pego por Chris Bosh, na Flórida, que determinou o bicampeonato do Miami Heat e fez grande parte da torcida do San Antonio Spurs xingar, reclamar, chorar ou até desmaiar. Milhares de torcedores do alvinegro estavam reunidos no Riverwalk prontos para comemorar o pentacampeonato da franquia em 14 anos, mas tiveram que voltar para suas casas com o sabor amargo da derrota. Muitos já pressentiam que provavelmente o título tivesse escapado ao fim da partida, na qual a equipe texana perdeu por 103 a 100.

Por que o rebote de Bosh foi determinante? Espera aí Adonis, esse foi só o jogo 6… O Spurs ainda teve os 48 minutos da última partida para reverter o resultado. Você está doido?

Torcedores lamentam a derrota na final (Eric Gay/AP)

Ok, vamos por partes. Primeiro, o rebote que Bosh pegou não alterou o placar, mas o ala-pivô passou a bola para Ray Allen – o melhor arremessador de 3 da história dos playoffs da NBA –, que, marcado de perto por Tony Parker, conseguiu converter a cesta de três pontos que empatou o jogo em 95 a 95 e o levou para a prorrogação. Antes do lance, muitos torcedores já se abraçavam e gritavam histericamente com a provável vitória do Spurs. A jogada foi um banho de água fria para o time texano, que perdeu o tempo extra por oito a cinco.

Quem já jogou esporte profissional e de alto nível sabe que, em um jogo decisivo, o fator mais importante para um atleta ou uma equipe é o psicológico. Estar tão perto de colocar as mãos na taça no jogo 6 foi frustrante para os jogadores, que não conseguiram encaixar seu melhor desempenho contra um inspirado Heat e sua inflamada torcida, que, depois do susto de quase perder, viram a chance de conquistar o bicampeonato na partida seguinte em um caldeirão chamado American Airlines Arena. O Spurs tinha condições técnicas de ganhar o jogo 7? Acho que sim. O Spurs tinha condições psicológicas de ganhar o jogo 7? Acho que não.

Neste domingo, é a primeira vez que o time texano irá voltar para a American Airlines Arena em um duelo de temporada regular, depois do jogo 7 das finais de 2013 – o Spurs perdeu para o Heat, fora de casa, na pré temporada por 121 a 96. Particularmente, eu acho que o duelo será um separador de águas para as ambições da franquia texana. Uma derrota significaria que realmente a equipe não tem aquele gás extra para competir contra as maiores potências.

Por outro lado, uma vitória mostraria que os “velhos” Tony Parker, Manu Ginobili e Tim Duncan ainda estão vivos, e ainda pensam em uma futura vingança…

O que acontece com Danny Green?

Entrando no loja oficial do San Antonio Spurs no AT&T Center, você irá rapidamente encontrar uniformes oficiais das maiores estrelas da franquia texano. E a camisa número 4 está entre as mais populares entre os torcedores do time. Danny Green foi muito importante para a excelente campanha do alvinegro no campeonato passado – o lateral teve média de 10,5 pontos por jogo durante a temporada regular e 11,1 nos playoffs. Além disso, quebrou o recorde de bolas de três pontos da história das finais da NBA, com 25 em toda a série contra o Miami Heat. Com certeza, esse foi um grande feito para o ala-armador, que foi escolhido só no segundo round do Draft de 2009, na 46ª posição, pelo Cleveland Cavaliers.

Volta logo, Green! (Reprodução/playoffbrasil.com.br)

Na cabeça do torcedor, após uma temporada produtiva como a passada, muitos pensavam (incluindo eu) que Green iria não só ter mais uma ótima campanha, mas também se firmar como importante peça para o futuro da franquia. Porém, infelizmente, o campeonato vem sendo decepcionante para os fãs do nova-iorquino. O ala-armador teve uma ótima atuação na vitória sobre o New York Knicks, no dia 10 de novembro, anotando 24 pontos e dez rebotes. Mas depois disso, sua sequência foi inconsistente, alternando atuações medianas e jogos ruins.

A chegada de Marco Belinelli, que estava no Chicago Bulls, foi muito importante para a rotação do Spurs. O técnico Gregg Popovich observou o baixo aproveitamento de Green e de pouquinho a pouquinho foi dando mais oportunidades para o italiano, deixando o nova-iorquino de lado. Em alguns jogos que assisti dessa temporada, percebi um camisa #4 totalmente sem confiança nos arremessos, afoito no ataque e frustrado quando comete algum turnover. Em determinadas partidas, o vi entrando só no final do segundo quarto!

Como se não bastasse o período de baixo aproveitamento, Green se lesionou na vitória sobre o Minnesota Timberwolves, no dia 12 de janeiro. O atleta foi diagnosticado com uma fratura no dedo indicador da mão esquerda, e irá perder cerca de quatro semanas. Que zica!

Pop terá uma difícil missão de “recuperar” seu lateral se quiser brigar por título de novo. É nítido que Green está muito longe de jogar o basquete que encantou a NBA na temporada passada. Porém, não é hora de se desesperar ou desacreditar do talento do camisa #4. O ala-armador é um cara batalhador e um excelente profissional, e precisa ter calma e perseverança para dar a volta por cima e voltar a arrebentar. Quem mandou meter 25 bolas de três nas finais? Só se cobra de quem tem algo a oferecer, e disso ninguém duvida de Danny Green!

Conexão Coyote – Direto de San Antonio

Prazer, Spurs Brasil!

Meu nome é Adonis Sousa, tenho 23 anos de idade e sou mais um apaixonado pelo alvinegro texano. Curiosamente, acabei vindo morar na cidade do time que amo e acompanho desde pequeno. Joguei basquete em clubes tradicionais como Espéria, Pinheiros, Olympiacos (Grécia), Paysandu e Liga Sorocabana. Antes de me transferir para o basquete universitário americano, participei das Seleções Brasileiras sub-19 e universitária. Aqui nos Estados Unidos, joguei pelas universidades de Arizona Western e OLLU.

(Arquivo pessoal)

(Arquivo pessoal)

Sou formado em Comércio Exterior e Administração de Empresas e trabalho aqui em San Antonio. Porém, meu amor pela bola laranja continua ENORME, principalmente pelo fato de ter o privilégio de assistir aos jogos do Spurs semanalmente. Comecei a acompanhar o time em 2002, depois que o meu jogador favorito, Manu Ginobili, se transferiu para a franquia texana. Acredito que trata-se de um time totalmente diferenciado dos outros, pois a fidelidade e o fanatismo do torcedor de San Antonio é algo extraordinário.

Uma explicação aceitável para esse fenômeno é que não existem times profissionais de futebol americano, beisebol, hóquei ou futebol aqui; outra é que na cidade a população latina é de 63%, o que cria uma similaridade com a nossa cultura.

(Arquivo pessoal)

(Arquivo pessoal)

A Conexão Coyote será uma coluna semanal, publicada todo sábado com o propósito de deixar todos os fãs do Spurs por dentro dos acontecimentos mais relevantes da semana. Além de dar a minha opinião sobre o ponto de vista técnico, pretendo me focar também nos acontecimentos do cotidiano que talvez muita gente não saiba por não ter acesso ou talvez por não entender Inglês. É a minha primeira experiência escrevendo em um blog, e gostaria de agradecer à equipe do Spurs Brasil por ter aberto essa porta.

Semana que vem tem mais! Um abraço!

GO SPURS, GO!

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