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Quem leva vantagem na troca entre Spurs e Raptors?

A nova mexicana finalmente acabou. Só que, dos três países da América do Norte, só México não está envolvido. Kawhi Leonard e Danny Green deixam o San Antonio Spurs a caminho do Canadá e do Toronto Raptors, que envia DeMar DeRozan, Jakob Poeltl e uma escolha protegida de 1ª rodada do draft de 2019 para o alvinegro. Quem levou a melhor na troca?

Thank you - Kawhi

Agradecimento a Leonard postado pelo Spurs (Reprodução/Twitter/Spurs)

Técnico do Spurs, Gregg Popovich deu entrevista coletiva após a troca e reiterou sua gratidão por Leonard e todo o tempo que o camisa #2 esteve no Texas: “Kawhi sempre foi maravilhoso enquanto esteve aqui. Ele nos ajudou a ganhar o quinto campeonato e trabalhou duro o tempo todo. Nós desejamos o melhor a ele. Agora, é tempo de seguirmos em frente”.

Além disso, afirmou sua vontade em trabalhar com as duas novidades que chegam do pais vizinho: “Não poderia estar mais feliz por DeMar em San Antonio. É um jogador quatro vezes All-Star, fez parte do time ideal da NBA, um cara ótimo para a comunidade, jogador de time. É um cara que eu respeito e que já observei por um bom tempo. Estou muito animado por tê-lo aqui. Jacob é um jovem talento, e acho que tem uma grande oportunidade de se desenvolver e se tornar um jogador muito bom na NBA. Eles vão ser importante parte do nosso programa”.

A grande questão é: quem se deu melhor na troca? Tal dúvida é extremamente complexa, pois não envolve apenas o passado dos jogadores, mas sim um universo inteiro de variáveis. Porém, um dos caminhos para a análise são as estatísticas de cada jogador.

Começando com os jogadores que se foram. Leonard possui um histórico de estatísticas muito bom. Além de prêmios individuais, como o MVP das finais de 2014, o ala teve evolução que se deu a partir do momento que o protagonismo chegou para ele. Levando em conta apenas a temporada regular, são 30,4 minutos, 16,3 pontos, 49,5% de aproveitamento nos arremessos de quadra, 38,6% nas bolas de três, 6,2 rebotes, 2,3 assistências, 1,8 rebotes e 0,7 tocos por jogo.

O outro ex-Spur que passa para o lado canadense é Danny Green. O também ala era um jogador que não possuía o protagonismo, mas era importante na marcação, além de ser importante como o cara da bola de três do time em determinados momentos. O jogador possui medias de 25,1 minutos, 8,8 pontos, 41,8% de aproveitamento nos arremessos de quadra, 39,5% nas bolas de três, 3,4 rebotes, 1,6 assistências, 1 rebote e 0,8 tocos por exibição.

Do Canadá, chega uma peça que é 4x All-Star da liga e que pode ser importantíssima para o time no futuro. DeMar DeRozan é ala, tem as qualidades para ser protagonista e chega para evoluir seu jogo no momento decisivo dos jogos. As medias do ala na temporada regular são de 34,1 minutos, 19,7 pontos, 44,8% de aproveitamento nos arremessos de quadra, 28,8% nas bolas de três, 4,1 rebotes, 3,1 assistências, 1 rebote e 0,3 tocos por parida.

Welcome DeMar

Post de boas-vindas a Leonard feito pelo Spurs (Reprodução/Twitter/Spurs)

A última peça desse quebra cabeça é o austríaco Jakob Poltl, que joga de pivô na liga desde a temporada 2016/2017. Com 2,13 metros de altura, pode ser uma peça importante para o sistema de jogo, fazendo o serviço sujo na defesa e poupando peças como LaMarcus Aldridge e Pau Gasol, que são mais experientes. Nas duas temporadas, ele possui medias de 15,8 minutos, 5,4 pontos, 64,1% de aproveitamento nos arremessos de quadra, 50% nas bolas de três, 4,1 rebotes, 0,5 assistências, 0,4 rebotes e 0,9 tocos por compromisso.

Os números provam que o Raptors absorve um astro com histórico, mas que precisa se provar após longo período de inatividade. Incorporam também em seu coletivo um grande jogador de grupo, mas que não está no auge do jogo individual. Pelo Spurs, chegam dois jogadores que precisam ser desenvolvidos em momentos distintos da carreira. DeRozan está no auge, e nesse momento um técnico como Popovich pode ser ideal para o grande salto de bom jogador a MVP. Poeltl é um talento a ser lapidado, e esta é uma categoria em que o treinador é mestre.

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Quem o Spurs planeja selecionar no Draft?

Nesta quinta-feira (21), o San Antonio Spurs terá importante oportunidade de começar a construção de seu elenco rumo à temporada 2018/2019 da NBA. Nesta data, ocorre o Draft da liga americana de basquete, e a franquia texana tem posse das escolhas 18 e 49, historicamente altas se levarmos em conta o passado recente do alvinegro. De olho no recrutamento de calouros, o que será que está nos planos de Gregg Popovich, R.C. Buford e companhia?

Troy Brown fez treinos privados com o Spurs (Reprodução/nba.com)

Para isso, é possível juntar informações de três sites para entender o plano do Spurs. O primeiro é o HoopsHype, que compilou quais jogadores fizeram treinos privados com quais franquias. Com o levantamento, é possível perceber que o alvinegro prioriza as alas na primeira rodada, e abre a possibilidade de selecionar alguém para o garrafão na segunda.

A conclusão também é possível graças à posição em que os futuros novatos estão projetados por Jonathan Givony, especialista em Draft da ESPN e talvez o mais bem conceituado do mundo sobre o tema. Por fim, pode-se utilizar a avaliação dos jogadores produzidas pelo The Stepien, uma das mais completas fontes de informação individual sobre os prospectos.

Veja, a seguir, os jogadores que treinaram com o Spurs e suas características:

20 – Donte DiVincenzo

Ala-armador de 21 anos de idade e 1,96m de altura, Donte DiVincenzo acaba de concluir sua terceira temporada no basquete universitário americano, na qual teve médias de 13,4 pontos, 4,8 rebotes e 3,5 assistências em 29,3 minutos por jogo pelo Villanova Wildcats, convertendo 48,1% de seus arremessos de quadra, 40,1% de suas bolas de três pontos e 71% de seus lances livres. É cotado pelo DraftExpress para sair na 20ª escolha, duas abaixo da do Spurs.

DiVincenzo não tem perfil no Stepien, mas o próprio DraftExpress o descreve como alguém que chama atenção por sua valentia e agressividade nos dois lados da quadra. Além disso, se destaca por seu aproveitamento nos arremessos de três pontos. Consequentemente, não precisa ter a bola nas mãos para pontuar. Sua limitação seria seu tamanho, que impede que ele consiga marcar alas maiores com o nível físico de NBA com a eficiência desejada.

21 – Troy Brown

Ala-armador de 18 anos de idade e 2,01m de altura, Troy Brown acaba de concluir sua primeira temporada no basquete universitário americano, na qual apresentou médias de 11,3 pontos, 6,2 rebotes e 3,2 assistências em 31,2 minutos por exibição pelo Oregon Ducks, convertendo 44,4% de seus arremessos de quadra, 29,1% de suas bolas de três pontos e 74,3% de seus lances livres. É cotado pelo DraftExpress para sair na 21ª escolha, três abaixo da do Spurs.

De acordo com o Stepien, o que torna Brown um prospecto interessante é sua versatilidade. No ataque, tem visão de jogo que pode transformá-lo em um sólido condutor de bola. Na defesa, seu tamanho e sua capacidade fazem com que ele seja capaz de marcar jogadores de diferentes posições. Além disso, a energia com que atua faz com que ele possa se tornar facilmente um favorito de seus treinadores. Como ponto fraco, está seu arremesso de três pontos, que precisa melhorar muito para que o jovem consiga explorar o seu potencial.

24 – Josh Okogie

Ala-armador de 19 anos de idade e 1,93m de altura, Josh Okogie acaba de concluir sua segunda temporada no basquete universitário americano, na qual apresentou médias de 18,2 pontos e 6,3 rebotes em 36,4 minutos por exibição defendendo as cores do Georgia Tech Yellow Jackets, convertendo 41,6% de seus arremessos de quadra, 38% de suas bolas de três pontos e 82,1% de seus lances livres. É cotado pelo DraftExpress para sair na 24ª colocação, o que mostra que o jogador provavelmente estará disponível na primeira rodada para o Spurs.

Segundo o Stepien, Okogie tem potencial para contribuir com defesa e bolas de três pontos, além de ter visão de jogo capaz de torná-lo um condutor de bola interessante. Para isso, no entanto, precisa melhorar o controle de bola. Além disso, apesar do aproveitamento de 38% de longa distância, sua mecânica de arremesso causa preocupação, e uma possível queda de desempenho na tradução para a liga profissional pode fazer com que seu valor despenque.

26 – Dzanan Musa

Ala bósnio de 19 anos de idade e 2,06m de altura, Dzanan Musa já atua pelo time profissional do Cedevita Zagreb, da Croácia, há três temporadas. Na última, apresentou médias de 12,4 pontos e 3,5 rebotes em 23,1 minutos por exibição, convertendo 47% de seus arremessos de quadra, 31,3% de suas bolas de três pontos e 80,4% de seus lances livres. É cotado pelo DraftExpress para sair na 24ª escolha, o que mostra que é provável que ainda esteja disponível para o Spurs.

Segundo o Stepien, a combinação de altura com agilidade e controle de bola torna Musa um prospecto interessante. Resta saber se as virtudes continuarão quando o ala tiver de enfrentar adversários com o tamanho e atleticismo médio que os jogadores da posição têm na NBA.

28 – Moritz Wagner

Pivô de 21 anos de idade e 2,11m de altura, Moritz Wagner acaba de concluir sua terceira temporada no basquete universitário americano, na qual teve médias de 14,6 pontos e 7,1 rebotes em 27,6 minutos por jogo pelo Michigan Wolwerines, convertendo 52,8% de seus arremessos de quadra, 39,4% de suas bolas de três e 69,4% de seus lances livres. É cotado pelo DraftExpress a 28ª posição, o que torna provável que ele esteja disponível na 19ª.

Segundo o Stepien, Wagner tem grande potencial ofensivo. O pivô tem capacidade de criar enfrentando seu adversário de frente e de arremessar de três, o que faz com que ele também possa render sem ter a bola na mão. Além disso, na última temporada, mostrou evolução nos rebotes, no controle de bola e na marcação. Mesmo assim, as exigências da NBA moderna fazem com que ele provavelmente seja um defensor ruim, o que limita sua cotação.

30 – Jalen Brunson

Armador de 21 anos de idade e 1,91m de altura, Jalen Brunson acaba de concluir sua terceira temporada no basquete universitário americano, na qual teve médias de 18,9 pontos, 4,6 assistências e 3,1 rebotes em 31,8 minutos por jogo pelo Villanova Wildcats, convertendo 52,1% de seus arremessos de quadra, 40,8% de suas bolas de três pontos e 80,2% de seus lances livres. É cotado pelo DraftExpress para sair na 30ª colocação, entre as duas escolhas do Spurs.

De acordo com o Stepien, o potencial de Brunson é baseado em sua inteligência, sua força e seu jogo ofensivo completo. No entanto, seu tamanho e sua falta de ferramentas físicas fazem com que seja difícil imaginar que o jogador consiga algo além de um papel de reserva na NBA. É o único armador presente nesta lista de prospectos observados pelo Spurs.

43 – Gary Trent Jr.

Ala-armador de 19 anos de idade e 1,98m de altura, Gary Trent Jr. acaba de concluir sua primeira temporada no basquete universitário americano, na qual teve médias de 14,5 pontos e 4,2 rebotes em 33,9 minutos por jogo pelo Duke Blue Devils, convertendo 41,5% de seus arremessos de quadra, 40,2% de suas bolas de três e 87,6% de seus lances livres. É cotado pelo DraftExpress para a 42ª posição, o que mostra que, com sorte, ele pode sobrar na 49ª.

De acordo com o Stepien, o tamanho de Trent Jr. e sua confiança para arremessar fazem com que ele tenha capacidade para se tornar um jogador de perímetro que contribui com defesa e bolas de três pontos. Para isso, no entanto, o ala-armador precisa mudar sua mentalidade, já que atuou mais como pontuador no basquete universitário, e não terá essa possibilidade na liga profissional americana caso sua capacidade ofensiva não aumente consideravelmente.

45 – Omari Spellman

Pivô de 20 anos de idade e 2,06m de altura, Omari Spellman acaba de concluir sua primeira temporada no basquete universitário americano, na qual apresentou médias de 10,9 pontos e oito rebotes em 28,1 minutos por exibição pelo Villanova Wildcats, convertendo 47,6% de seus arremessos de quadra, 43,3% de suas bolas de três pontos e 70% de seus lances livres. É cotado pelo DraftExpress para sair na 45ª posição, o que o torna um alvo possível para a 49ª.

Spellman não tem perfil no Stepien, mas outras avaliações mostram que ele é um pivô com ferramentas físicas impressionantes e com perícia nos arremessos de longa distância. Sua falta de agilidade, no entanto, é preocupante com as atuais exigências da NBA.

Sem ranking – Alize Johnson

Ala-pivô de 22 anos de idade e 2,06m de altura, Alize Johnson acaba de concluir sua segunda temporada no basquete universitário americano, na qual apresentou médias de 15 pontos e 11,6 rebotes em 31,2 minutos por exibição pelo Missouri St Bears, convertendo 43% de seus arremessos de quadra, 28,1% de suas bolas de três pontos e 75,9% de seus lances livres. Não está entre os sessenta cotados para o recrutamento de calouros no DraftExpress e tem poucas avaliações individuais ao redor dos sites especializados em prospectos do Draft.

Sem ranking – Brandon McCoy

Pivô de 20 anos de idade e 2,13m de altura, Brandon McCoy acaba de concluir sua primeira temporada no basquete universitário americano, na qual apresentou médias de 16,9 pontos e 10,3 rebotes em 28,8 minutos por exibição pelo UNLV Rebels, convertendo 54,5% de seus arremessos de quadra, 33,3% de suas bolas de três pontos e 72,5% de seus lances livres. Não está entre os sessenta cotados para o recrutamento de calouros no DraftExpress.

Johnson não tem perfil no Stepien, mas outras avaliações dizem que o jogador tem nas ferramentas físicas seu ponto forte. No entanto, como ocorre com outros pivôs, a falta de agilidade faz com que ele seja um encaixe difícil se consideradas as exigências da NBA.

O que o Spurs pode conseguir em troca de Leonard?

Nesse sábado (16), surgiu na imprensa americana a notícia de que Kawhi Leonard deseja deixar o San Antonio Spurs. Embora ainda exista a cada vez menor possibilidade de Gregg Popovich, R.C. Buford e companhia convencerem o jogador a continuar na equipe, cada vez mais a franquia texana precisa planejar o seu futuro sem contar com o camisa #2. Para isso, uma pergunta é importantíssima: o que é possível conseguir em troca do ala?

Leonard pode estar de saída do Spurs (Eric Gay/Getty Images)

Para responder à essa questão, primeiramente é preciso medir qual o valor de mercado de Leonard. O ala é um jogador adequado às exigências da NBA moderna e, aos 26 anos de idade, já tem um título, um MVP das Finais, dois prêmios de melhor defensor da temporada e o prêmio de maior ladrão de bolas da temporada 2014/2015. Além disso, já foi eleito duas vezes para o All-Star Game, duas para o time ideal da NBA, três para o time ideal de defesa da NBA, uma para o segundo time ideal de defesa da NBA e uma para o time ideal de novatos da NBA.

Dito isso, é muito difícil imaginar que o valor de mercado de Leonard esteja no auge depois de tudo o que aconteceu recentemente envolvendo o jogador e o Spurs. Certamente, qualquer outra franquia da NBA tem dúvidas sobre o estado físico do ala, que jogou apenas nove jogos na última temporada enquanto lidava com uma lesão no quadríceps da perna direita. Além disso, problemas de relacionamento com uma das agremiações mais bem conceitadas da NBA e com um dos técnicos mais bem relacionados da liga certamente não ajudam na causa.

Além disso, Leonard só tem mais um ano de contrato garantido, com opção de renová-lo unilateralmente para a temporada 2019/2020. Certamente, o rumor de que ele gostaria de jogar na Califórnia, preferencialmente no Los Angeles Lakers, fará com que muitas franquias tenham medo de trocar por ele para 12 meses depois vê-lo partir de graça para os angelinos.

Basta ver o que aconteceu com Paul George. Um dos melhores jogadores da NBA, vivendo seu último ano de contrato e com rumores de que gostaria de jogar no Lakers, foi enviado pelo Indiana Pacers para o Oklahoma City Thunder em troca de Victor Oladipo e Domantas Sabonis, retorno de baixo valor. E o ala estava saudável, o que não é certeza com Leonard.

Avaliando todo este cenário, Victor Camargo, do site Two-Minute Warning, ajudou o Spurs Brasil a bolar cenários de troca realistas envolvendo Leonard no mercado da NBA. Confira abaixo possíveis parceiros na transação e o que o Spurs pode ganhar de retorno.

Boston Celtics – Terry Rozier, Jaylen Brown e escolha de 2019

Terry Rozier terminou a última temporada com médias de 11,3 pontos e 4,7 rebotes em 25,9 minutos por exibição, convertendo 38,1% de seus arremessos de três pontos. Jaylen Brown, por sua vez, terminou a última temporada com médias de 14,5 pontos e 4,9 rebotes em 30,7 minutos por exibição, convertendo 39,5% de seus arremessos de três pontos. Os números mostram que os dois teriam excelente encaixe com Dejounte Murray e LaMarcus Aldridge no time titular do Spurs. Para tornar a troca ainda mais atrativa, o armador tem 24 anos de idade e mais duas temporadas do seu contrato de novato pela frente, enquanto o ala tem 21 anos de idade e mais três temporadas do seu contrato de novato pela frente. O Celtics ainda poderia enviar a escolha de primeira rodada de 2019 do Sacramento Kings, ativo interessante que daria ainda mais potencial ao núcleo jovem da equipe texana. A franquia de Boston ainda teria de bater salários para fazer a transação funcionar, o que poderia dar certo se envolvesse contratos expirantes como os de Greg Monroe e Aron Baynes, que vencem no dia 30 deste mês.

Dallas Mavericks – Harrison Barnes e a 5ª escolha

Na rotação do Spurs, Harrison Barnes poderia exercer a função de Leonard, se tornando um ala pontuador que ajuda Danny Green a defender os astros adversários no perímetro. Claro que faria o papel com muito menos qualidade. Por isso, a franquia texana receberia como recompensa a valiosa quinta escolha do Draft deste ano. A troca seria ainda mais atrativa se Luka Doncic ainda estivesse disponível. Aos 19 anos de idade, o esloveno é um ala-armador muito criativo, com carreira já vitoriosa jogando pelo Real Madrid e pela seleção do seu país e que acertou 32,9% de seus arremessos de três pontos na última temporada. Ele poderia tanto dividir a responsabilidade com Murray na armação quanto vir do banco de reservas em função semelhante à que Manu Ginobili exerceu no auge a serviço do alvinegro. Nesta posição, ainda pode ser possível selecionar Mohamed Bamba, pivô de grande potencial mas que também carrega grande possibilidade de risco dadas as exigências da NBA moderna.

Los Angeles Clippers – Tobias Harris, a 12ª escolha e a 13ª escolha

Embora os rumores dizem que Leonard prefira o Lakers, o Los Angeles Clippers pode se empolgar e tentar formular uma proposta pelo ala. A mais atrativa envolveria Tobias Harris, que poderia servir como um moderno companheiro de garrafão para Aldridge, empurrando o camisa #12 definitivamente para a posição de pivô. Além disso, com as escolhas 12 e 13, o Spurs ainda poderia qualificar seu núcleo jovem com mais dois prospectos, como o armador Collin Sexton, o ala-armador Lonnie Walker IV, o ala Miles Bridges e o moderno pivô Robert Willams.

New York Knicks – Frank Ntilikina e a 9ª escolha

Com apenas 19 anos de idade e com 1,96 de altura, Frank Ntilikina pode ser desenvolvido para se tornar o parceiro ideal de Murray na armação: um segundo condutor de bola que defende bem no perímetro e arremessa de três pontos – em sua primeira temporada na NBA, o francês converteu 31,8% de suas bolas de longa distância. Isso empurraria definitivamente Green para a posição de ala. Além disso, a nona escolha do Draft pode render jogadores promissores como os alas Kevin Knox e Mikal Bridges. Para fazer a transação funcionar em termos de salários, o Knicks provavelmente teria de enviar ainda o contrato expirante de Enes Kanter, pivô que tem uma player option para a próxima temporada. Outra opção seria envolver o ala-armador Courtney Lee, que ainda tem dois anos de contrato e pode ser útil na rotação da equipe texana.

Philadelphia 76rs – Markelle Fultz, Robert Covington e a 10ª escolha

Primeira escolha do Draft de 2017, Markelle Fultz viveu drama semelhante ao de Leonard durante o ano, centrado em uma lesão, e bizarramente desaprendeu a arremessar, mesmo após curar o ombro machucado. Isso faz com que ele se torne um encaixe difícil com Murray, mas não dá para negar que se trata de um armador de imenso potencial – e de apenas 20 anos de idade. Além disso, o arremesso costuma ser o fundamento em que o Spurs tem mais facilidade de desenvolver em seus jogadores. Na transação, os texanos ainda receberiam Robert Covington, ala defensivo de 2,06m de altura que acertou 36,9% de suas bolas de três pontos na última temporada. A transação seria completa com a décima escolha, que, além dos já citados Knox e Bridges, poderia virar o ala-armador Shai Gilgeous-Alexander. Para completar a transação, seria preciso enviar um pequeno salário para o 76ers, como o expirante de Bryn Forbes.

Phoenix Suns – Josh Jackson, Dragan Bender e a 16ª escolha

Na última temporada, sua primeira na NBA, Josh Jackson converteu apenas 26,3% de suas bolas de três pontos, o que a princípio tornaria o encaixe com Murray e Aldridge complicado. Mesmo assim, trata-se de um ala de 21 anos de idade, 2,03 de altura e com médias de 13,1 pontos e 4,6 rebotes em 25,4 minutos por exibição em seu ano como novato. Talento e potencial não faltam, e, como já citado, o Spurs costuma ter excelência ao desenvolver o arremesso de seus jogadores. Dragan Bender, por sua vez, é um pivô de 20 anos de idade inteiramente adequado às exigências da NBA moderna: é ágil para defender no perímetro e converteu 36,6% de suas bolas de longa distância na última temporada. A troca ficaria ainda mais atrativa se Robert Williams, raro pivô moderno com agilidade que o faz ser comparado a Clint Capela, estivesse disponível na 16ª escolha do Draft. O ala Zhaire Smith seria outra opção interessante nesta altura do recrutamento de calouros. Porém, a transação seria difícil de funcionar, já que o Suns teria de mandar salários ingratos como o de Tyson Chandler ou o de Jared Dudley ou uma combinação de Tyler Ulis e Troy Daniels, dois jovens jogadores que podem ser úteis.

Draft será exceção na história recente do Spurs

Como esperado, o San Antonio Spurs não foi páreo para o Golden State Warriors e acabou derrotado logo na primeira rodada dos playoffs. Com a eliminação, é hora de voltar a atenção para a primeira etapa da reconstrução da equipe rumo à próxima temporada: o Draft de 2018, que acontecerá no dia 21 de junho, no Braclays Center, ginásio do Brooklyn Nets localizado em Nova York. A boa notícia é que o alvinegro venceu o sorteio de desempate contra o Minnesota Timberwolves depois que as duas equipes terminaram a fase de classificação com a mesma campanha. Deste modo, os texanos terão as escolhas 18 e 49 do recrutamento de calouros, muito mais altas do que as possuídas na história recente da franquia.

Spurs não tem escolhas tão altas no Draft desde que selecionou Kawhi Leonard e Davis Bertans no recrutamento de calouros de 2011 (Edward A. Ornelas/San Antonio Express-News)

A escolha 18, especialmente, precisa ser olhada com carinho. Ente todos os 17 jogadores que compuseram o elenco do Spurs nesta temporada, só LaMarcus Aldridge, Pau Gasol, Rudy Gay e Kawhi Leonard foram selecionados em posições mais altas em seus respectivos Drafts:

LaMarcus Aldridge foi selecionado pelo Chicago Bulls na escolha do Draft de 2006;
Pau Gasol foi selecionado pelo Atlanta Hawks na escolha do Draft de 2001;
Rudy Gay foi selecionado pelo Houston Rockets na escolha do Draft de 2006;
Kawhi Leonard foi selecionado pelo Indiana Pacers na 15ª escolha do Draft de 2011;
Tony Parker foi selecionado pelo San Antonio Spurs na 28ª escolha do Draft de 2001;
Dejounte Murray foi selecionado pelo San Antonio Spurs na 29ª escolha do Draft de 2016;
Derrick White foi selecionado pelo San Antonio Spurs na 29ª escolha do Draft de 2017;
Kyle Anderson foi selecionado pelo San Antonio Spurs na 30ª escolha do Draft de 2004;
Darrun Hilliard foi selecionado pelo Detroit Pistons na 38ª escolha do Draft de 2015;
Davis Bertans foi selecionado pelo Indiana Pacers na 42ª escolha do Draft de 2011;
Danny Green foi selecionado pelo Cleveland Cavaliers na 46ª escolha do Draft de 2009;
Patty Mills foi selecionado pelo Portland TrailBlazers na 55ª escolha do Draft de 2009;
Joffrey Lauvergne foi selecionado pelo Memphis Grizzlies na 55ª escolha do Draft de 2013;
Manu Ginobili foi selecionado pelo San Antonio Spurs na 57ª escolha do Draft de 1999;
Brandon Paul não foi selecionado no Draft de 2013;
Bryn Forbes não foi selecionado no Draft de 2016;
Matt Costello não foi selecionado no Draft de 2016.

Na prática, o Spurs não seleciona em uma posição tão alta desde 2011, quando mandou George Hill para o Indiana Pacers em troca de poder controlar as escolhas da franquia de Indianápolis, selecionando Kawhi Leonard em 15º e Davis Bertans em 42º. Desde então:

Com a 26ª escolha do Draft de 2015, o Spurs selecionou Nikola Milutinov;
Com a 28ª escolha do Draft de 2013, o Spurs selecionou Livio-Jean Charles;
Com a 29ª escolha do Draft de 2011, o Spurs selecionou Cory Joseph;
Com a 29ª escolha do Draft de 2016, o Spurs selecionou Dejounte Murray;
Com a 29ª escolha do Draft de 2017, o Spurs selecionou Derrick White;
Com a 30ª escolha do Draft de 2014, o Spurs selecionou Kyle Anderson.

O Spurs não selecionou na primeira rodada em 2012 porque mandou sua escolha ao Golden State Warriors junto com TJ Ford e Richard Jefferson para ter Stephen Jackson em troca.

Já na segunda rodada, o Spurs não tem uma escolha tão alta desde 2011, quando selecionou Davis Bertans na 42ª posição, também oriunda da troca com o Pacers. Desde então:

Com a 55ª escolha do Draft de 2015, o Spurs selecionou Cady Lalanne;
Com a 58ª escolha do Draft de 2013, o Spurs selecionou Deshaun Thomas;
Com a 58ª escolha do Draft de 2014, o Spurs selecionou Jordan McRae;
Com a 59ª escolha do Draft de 2011, o Spurs selecionou Adam Hanga;
Com a 59ª escolha do Draft de 2012, o Spurs selecionou Marcus Denmon;
Com a 59ª escolha do Draft de 2017, o Spurs selecionou Jaron Blossomgame;
Com a 60ª escolha do Draft de 2014, o Spurs selecionou Cory Jefferson.

Em 2016, o Spurs não selecionou na segunda rodada porque havia enviado sua escolha para o Sacramento Kings em troca de Ray McCallum. Por outro lado, selecionou duas vezes em 2014 porque havia recebido escolha do New Orleans Pelicans em troca de Curtis Jerrells.

Em outras palavras, o Spurs tem duas boas oportunidades para suprir carências de seu elenco com jogadores baratos. Claro que hoje é difícil prever qual será esse elenco. Apenas LaMarcus Aldridge, Kawhi Leonard, Pau Gasol, Patty Mills, Manu Ginobili, Derrick White e Dejounte Murray têm contratos garantidos com a franquia para a temporada 2018/2019. Danny Green, Rudy Gay e Joffrey Lauvergne têm opção unilateral de renovação com os texanos. Bryn Forbes tem contrato não garantido, o que significa que pode ser dispensado a qualquer momento sem custos extras. Kyle Anderson, Davis Bertans e Bryn Forbes são agentes livres restritos, o que dá ao alvinegro o direito de igualar quaisquer propostas que receberem para mantê-los. Por fim, Tony Parker, Darrun Hilliad e Matt Costello vão se tornar agentes livres irrestritos, ficando livres de qualquer tipo de vínculo a partir de dia 1º de julho.

Mesmo entre os jogadores com contrato garantido, ao menos dois deles representam incertezas: Kawhi Leonard vive suposta crise de relacionamento e pode ser trocado, enquanto Manu Ginobili, que completa 41 anos de idade dia 28 de julho, pode se aposentar.

Isto posto, o Spurs que entrou em quadra contra o Warriors desfalcado de Kawhi Leonard tinha duas carências claras: alas com altura para defenderem jogadores da posição 3 e ajudarem a espaçar a quadra para Dejounte Murray e LaMarcus Aldridge com arremessos, já que Danny Green era o único jogador do elenco que cumpre os dois seguidos, e um pivô que possa defender no perímetro após trocas nos minutos em que o camisa #12 descansa, já que Pau Gasol é alvo fácil para jogadores mais velozes e Joffrey Lauvergne passou longe de conseguir se firmar até aqui. Para supri-las, a franquia texana tem algumas opções.

A primeira delas, óbvio, é resolver a situação com Kawhi Leonard, o que praticamente acabaria com os problemas do time na rotação para as alas. A segunda seria tentar achar soluções em escolhas de Draft antigas ligadas à franquia, como Adam Hanga, Nemanja Dangubic ou Jaron Blossomgame para o perímetro e Nikola Milutinov ou Cady Lalanne para o garrafão. A terceira é buscar talento no recrutamento de calouros deste ano, a quarta é investir na contratação de agentes livres e a quinta é tentar trocas com outras franquias.

Se decidir olhar para o Draft na tentativa de reforçar estas posições, o Spurs tem algumas opções interessantes. Na primeira rodada, Robert Williams parece ser ótima alternativa para o garrafão. O pivô de 20 anos de idade e 2,06m de altura é descrito como jogador de qualidade nos tocos e nos rebotes ofensivos com facilidade para pontuar atacando o aro ofensivo e finalizando após pick-and-rolls, o que levanta comparações com Clint Capela e DeAndre Jordan. Na última temporada, sua segunda no basquete universitário americano, apresentou médias de 10,4 pontos, 9,2 rebotes e 2,6 tocos em 25,6 minutos por exibição jogando por Texas.

Outro possível alvo para reforçar o garrafão do Spurs seria Mitchell Robinson. O pivô de 20 anos de idade e 2,13m de altura é elogiado por sua incrível capacidade física, com bom tamanho, atleticismo acima da média, perícia na proteção do aro e tempo apurado para tocos, mas é considerado cru. Como decidiu não jogar basquete universitário nesta temporada, deve demorar um pouco mais que os demais prospectos para conseguir contribuir na NBA.

No entanto, é difícil acreditar que Williams ou Robinson possam sobrar na escolha 19. Se não for o caso, talvez o Spurs precise voltar suas atenções para seus problemas no perímetro. Assim, o principal alvo poderia ser Jacob Evans. O ala de 20 anos de idade e 1,98m de altura acaba de concluir sua terceira temporada no basquete universitário americano, na qual apresentou médias de 13 pontos, 4,7 rebotes e 3,1 assistências em 30,8 minutos por exibição por Cincinnati, convertendo 37% dos suas bolas de três pontos. É elogiado por sua versatilidade, sua capacidade de defender múltiplas posições e por sua perícia nos arremessos de longa distância.

Há quem diga que Dzanan Musa possa ser bom encaixe. Na última temporada, o ala bósnio de 18 anos de idade e 2,06m de altura teve médias de 10,5 pontos, com 36,4% de aproveitamento nas bolas de três, e 3,2 rebotes em 20,2 minutos por jogo nas 16 partidas que disputou pelo KK Cedevita na Eurocopa e tem capacidade ofensiva elogiada. Porém, sua inoperância na defesa e sua personalidade forte fazem com que ele combine pouco com o Spurs.

Outra alternativa seria Troy Brown, ala de 18 anos de idade e 1,98m de altura que acaba de concluir sua primeira temporada no basquete universitário americano, obtendo, em média, 11,3 pontos, 6,2 rebotes e 3,2 assistências em 31,2 minutos por exibição jogando por Oregon. Jovem, é elogiado por sua versatilidade, sua habilidade nos passes, na condução de bola e na defesa. No entanto, não é muito atlético e ainda precisa desenvolver seu arremesso: converteu apenas 29,1% de suas bolas de três na NCAA. No entanto, sua baixa idade e a facilidade com que o Spurs faz jogadores melhorarem no fundamento podem pesar a seu favor.

Na escolha 49, o Spurs ainda pode achar bons reforços. Gary Trent Jr, Jalen HudsonSviatoslav Mykhailiuk, Jarrey Foster e Kevin Hervey são opções para a ala, e Moritz Wagner, Raymond Spalding e Brandon McCoy são opções para o garrafão.

Claro que dependendo do caminho que a franquia tomar, as carências podem ser outras, o que mudaria totalmente o foco no Draft. Além disso, o Spurs não costuma titubear ao pegar o jogador mais talentoso disponível, independentemente da posição. Fato é que selecionar com a escolha de 18 é uma exceção se levarmos em conta o histórico recente da franquia, e isso pode ajudar no processo de reconstrução do elenco do alvinegro de San Antonio.

Detectando problemas na rotação do Spurs

No dia 21 de janeiro, Dejounte Murray começou sua trajetória como armador titular do San Antonio Spurs em derrota para o Indiana Pacers no AT&T Center. Na ocasião, a equipe ocupava a terceira colocação na Conferência Oeste e estava só 3,5 jogos atrás do Houston Rockets, então vice-líder. Desde então, o alvinegro venceu apenas seis dos 16 jogos que fez, caindo para a sexta posição na tabela e vendo sua vaga para os playoffs ficar ameaçada. Claro que ninguém em sã consciência considera que o jovem de 21 anos de idade é o problema do time na temporada. Mas os dados mostram que a ausência de Kawhi Leonard criou um problema para Gregg Popovich: encontrar um modelo de rotação competitivo e sustentável.

Forbes deve ganhar espaço na segunda unidade? (Reprodução/nba.com/spurs)

A titularidade de Murray veio no quarto jogo após Leonard ser afastado novamente devido à sua lesão no quadríceps da perna direita. Isso pode ser uma pista de que Pop havia montado sua rotação na primeira metade da temporada apenas para esperar o retorno de seu principal jogador. No entanto, quando o ala voltou a sentir, o técnico pode ter percebido que era hora de pensar em alternativas, já que o retorno do camisa #2 antes dos playoffs virou dúvida.

A ideia de usar Murray como titular faz sentido porque tê-lo no lugar de Tony Parker, que passou a sair do banco, ajuda na defesa do quinteto inicial, claramente desfalcada com a ausência de Leonard. No entanto, solucionar um problema criou outros para Popovich, o que ajuda a dar a dimensão do tamanho do problema que é para o Spurs não ter seu principal jogador.

Brad Stevens, técnico do Boston Celtics e uma das mentes mais brilhantes da NBA, foi questionado recentemente sobre as posições do basquete moderno e respondeu dizendo que hoje elas são apenas três: condutor de bola, ala ou pivô. A análise faz sentido quando pensamos no que estamos acostumados a ver do Spurs nos últimos anos: quantas jogadas começaram com Tony Parker ou Manu Ginobili em corta-luz de Tim Duncan, enquanto três arremessadores espaçavam a quadra para aumentar a eficiência do pick-and-roll?

O problema é que na temporada passada Murray tinha poucas oportunidades de trabalhar como condutor de bola, já que o trabalho era de Leonard, que costumava ser apoiado por Parker e/ou Ginobili quando necessário. É possível lembrar de outros jogadores, como Kyle Anderson e Jonathon Simmons, que recebiam a função antes do jovem armador.

Isso ajuda a entender porque o Spurs não aceitou pagar caro por Simmons, que teve seus principais momentos pelo time quando assumiu protagonismo no ataque – o que esperava-se que não precisaria acontecer quando Parker e Leonard voltassem – e também o tamanho da responsabilidade de Murray, que de quinto ou sexto condutor de bola virou o primeiro.

Entre os inúmeros quintetos que o Spurs utilizou na atual campanha, o que tem Dejounte Murray, Danny Green, Kyle Anderson, LaMarcus Aldridge e Pau Gasol, opção de time titular desde a mudança feita por Pop no jogo contra o Pacers, sofreu 21 pontos a mais do que marcou nos 147 minutos em que esteve em quadra. A formação está na posição 250 entre as escaladas na temporada quando ordenada por saldo, o que mostra que ela é insustentável.

No último jogo em que teve só Leonard como baixa, Pop escalou Mills como titular ao lado de Murray, Anderson, Aldridge e Gasol, trazendo Green do banco na vitória sobre o Cleveland Cavaliers em Ohio. Mesmo assim, ainda é possível detectar problemas na rotação do Spurs, que podem ser sanados com mais mudanças entre as unidades do time. São elas:

Qual a posição de Aldridge?

Quando o Spurs contratou Aldridge, dizem que um dos trunfos da franquia texana foi prometer que a maioria de seus minutos seria como ala-pivô, o que o deixaria mais confortável. No entanto, em uma NBA que cada vez tem menos a ver com as posições tradicionais, o jogador que o camisa #12 é tem muito mais a ver com a posição 5 do que com a posição 4.

Nesta temporada, Aldridge foi quem mais tocou na bola dentro do garrafão de todo o elenco da equipe de San Antonio: foram 506 vezes, contra 270 de Gasol, segundo colocado. Foi também quem mais vezes recebeu a bola de costas para a cesta: 780 vezes, contra 196 do espanhol, que também é o segundo colocado na estatística. Por fim, coletou 188 rebotes de ataque nesta campanha, contra 95 do camisa #16, vice-líder em mais esta estatística.

Do outro lado da quadra, Gasol e Aldridge são os jogadores de garrafão do Spurs que melhor defendem o aro. O primeiro restringe os adversários a 48,7% em arremessos realizados de dentro da zona restrita, enquanto o segundo restringe os adversários a 54%. Davis Bertans restringe os adversários a 54,6%, e Joffrey Lauvergne a 71,1%. Não seria, então, melhor trazer o espanhol do banco de modo a garantir que sempre um dos dois esteja em quadra?

Isso permitiria que o Spurs voltasse a mostrar uma característica sua que ficou marcada nos últimos anos: o uso da segunda unidade como uma equipe independente do time titular. Hoje, a equipe começa com dois pivôs mais tradicionais como LaMarcus Aldridge e Pau Gasol, tendo como reservas dois alas-pivôs que jogam abertos como Davis Bertans e Rudy Gay. Colocar um dos últimos dois no quinteto inicial e passar a trazer o espanhol do banco de reservas pode criar essa possibilidade para Pop sem a necessidade de malabarismos para que um dos dois protetores de aro esteja sempre em quadra cercado por quatro reservas e sem a necessidade de improvisar o letão como pivô ou usar Lauvergne regularmente.

Por que não Parker?

Em uma temporada em que o Spurs parece não ter chances de título devido à campanha do Houston Rockets e ao potencial mostrado pelo Golden State Warriors nos últimos anos, faz sentido dar a titularidade a Murray, talvez o jogador mais promissor do elenco, e acelerar seu desenvolvimento. No entanto, desde que Duncan foi draftado em 1997, tankar não faz parte da filosofia da franquia. Por isso, há de se imaginar que alternativas para que o time vá o mais longe possível são estudadas. E uma delas poderia ser a volta de Parker ao time titular.

Se hoje Murray é peça intocável no quinteto inicial, o francês pode ocupar a vaga que Mills ganhou. Assim, serviria como uma espécie de seguro para quando a inexperiência do jovem na regência da equipe pesar. Com isso, o australiano pode voltar para a segunda unidade, sempre ao lado de Ginobili, deixando o comando do ataque nas mãos do argentino, minimizando sua incapacidade na armação e potencializando sua qualidade como arremessador.

Vale lembrar que Ginobili se tornou sexto homem no Spurs justamente porque ele e Parker eram melhores aproveitados como organizadores do ataque. Por isso, fazia sentido sempre ter um ou o outro em quadra, minimizando seus minutos juntos. Hoje, os dois atuam lado a lado na segunda unidade, o que não faz sentido quando consideramos a história recente da franquia.

Além disso, há outro benefício na possível mudança: ter Murray e Parker pode fazer com que os dois aprendam a jogar sem a bola. O treinamento seria importante pensando no retorno de Leonard ou até mesmo nos minutos em que Ginobili está em quadra.

Tamanho x Kyle Anderson

A ausência de Leonard cria um problema quando olhamos para o elenco do Spurs. Com Bertans e Gay efetivados como jogadores da posição 4, restam apenas Green e Anderson com tamanho para jogar como ala. E o segundo, que vem sendo usado como titular devido à lesão do astro, não consegue estourar mesmo já estando em seu quarto ano na NBA. Até aqui, na temporada, suas médias são de 8,1 pontos e 5,7 rebotes em 27,4 minutos por exibição.

Anderson não convence como arremessador, convertendo somente 29,7% de suas bolas de três pontos na atual campanha. Considerando todo o elenco do Spurs, está à frente apenas de Brandon Paul, com 28,6%, Dejounte Murray, com 25%, Tony Parker, com 20,8%, e Joffrey Lauvergne, que errou os cinco tiros do perímetro que fez na temporada. Além disso, como condutor de bola, perdeu espaço com a ascensão do jovem Murray e segue menos confiável do que os veteranos Parker e Ginobili. Seu bom índice nos rebotes sugere que sua função ideal pode ser como ala-pivô, ficando atrás de Bertans e Gay na rotação para a posição.

Por isso, talvez seja o caso de voltar a ter Green como ala titular e de usar uma segunda unidade mais baixa, com Bryn Forbes completando o perímetro ao lado de Patty Mills e Manu Ginobili. O ala-armador tem médias de 18,1 pontos e 3,7 rebotes a cada 100 posses de bola, convertendo 37,6% de seus arremessos de três. No mesmo recorte, Kyle Anderson tem 14,8 pontos e 10,4 rebotes, com o já citado aproveitamento de 29,7% em tiros do perímetro.

Os números mostram que Forbes é mais útil do que Anderson sem a bola, algo fundamental em uma rotação que já tem Murray, Parker e Ginobili e que pode ter Leonard. O jovem armador e o argentino se revezariam na defesa de jogadores mais altos quando Green estivesse fora.

Conclusões

Seguindo o raciocínio, o time titular teria Murray e Parker como armadores. O fraco desempenho dos dois como arremessadores seria compensado pelas presenças de Green e Bertans nas alas. Aldridge passaria a ser o pivô desta formação, centralizado as ações ofensivas da equipe e se aproveitando do maior espaço que teria para operar no garrafão.

A segunda unidade teria Ginobili comandando o ataque, com Mills e Forbes trabalhando como arremessadores. Gasol seria o pivô, com Gay jogando na posição 4. Há quem possa argumentar a favor da titularidade do camisa #22 no lugar de Bertans, mas ele já está entrosado com os demais reservas. Por enquanto, o jogador esteve em quadra com Ginobili por 464 minutos, com Mills por 455 minutos e com Forbes por 336 minutos. Só passou mais tempo em quadra com Aldridge – foram 472 minutos, e a dupla pode se repetir no fechamento de jogos mais acirrados.

Assim, Anderson jogaria quando algum jogador posição 4 estivesse lesionado, servindo também como primeira alternativa no perímetro seguido por Brandon Paul, novato com experiência no basquete europeu, e Derrick White, que dá seus primeiros passos como jogador profissional. Lauvergne seria acionado quando Aldridge ou Gasol estivessem fora.

Claro que o problema do Spurs não está só dentro de quadra – é perceptível o quanto o time piorou desde a exposição dos problemas internos causados pela suposta insatisfação de Leonard. Mas o bom desempenho no começo da temporada mostra que achar uma rotação sustentável é fundamental para que o time possa retomar o caminho das vitórias.