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As primeiras impressões sobre Brandon Paul

O San Antonio Spurs teve uma offseason sem muitas contratações de impacto, mas cheia de rumores. Os principais boatos eram sobre armadores: Chris Paul, Derrick Rose e até mesmo Kyrie Irving tiveram seus nomes especulados na franquia texana. Porém, com o início da temporada, nenhum grande nome da posição foi anunciado, e o único reforço vindo de fora do Draft na armação era Brandon Paul, jogador desconhecido que até então atuava na Turquia.

San Antonio Spurs v Sacramento Kings

Brandon Paul pode se tornar uma importante peça na rotação (Reprodução/nba.com/spurs)

Ao chegar no Texas, Paul trouxe consigo dúvidas para a torcida do Spurs. Seu jogo parecia pouco desenvolvido, principalmente no ataque, e para piorar a situação o armador veio para o lugar de Jonathon Simmons, que em dois anos com o time virou um xodó dos torcedores devido à sua história, ao seu estilo atlético de jogar e às suas boas exibições nos últimos playoffs.

Porém, Gregg Popovich é excelente em observar talentos para o seu sistema coletivo e discreto, e com Paul não foi diferente. Apesar de não possuir muito talento ofensivo, o armador tem um arremesso de três pontos excelente e espaça a quadra, dando liberdade para LaMarcus Aldridge e Kawhi Leonard operarem no garrafão. Na temporada, em sete partidas, tem quase 64% de aproveitamento nos chutes de longa distância. Apesar de poucas tentativas, 11 no total, a mecânica e confiança do jogador indicam o grande potencial no fundamento.

A área de destaque de Paul é a defesa. Essa foi a característica que mais chamou a atenção de Popovich. Sua raça e dedicação na marcação são muito importantes para o sistema do time. Apesar de poucos jogos, o técnico aproveitou bem o armador no período em que ele esteve em quadra. O reforço já foi responsável pela marcação de DeMar DeRozan, Kyle Lowry e Kyrie Irving. A estratégia do treinador é incorporar seu novo jogador ao time com o tempo em situações onde a equipe tenha que impedir a qualquer custo seus adversários. E ao pedir para seu comandado marcar grandes nomes, Pop busca acostumar o camisa #3 ao ritmo de jogo e à pressão de combater as principais estrelas da liga profissional americana de basquete.

Apesar de pouco tempo de temporada, Paul aproveitou seu tempo em quadra, e aos poucos, conquista a confiança de Popovich. Durante a temporada, o armador deve trabalhar em seu arremesso e em sua defesa para se tornar um confiável “3&D”. Com sua característica, o jogador tem potencial para se tornar um importante jogador no sistema do Spurs.

Comparações com Simmons são inevitáveis, mas Paul tem um potencial ofensivo maior graças ao seu arremesso, e sua defesa já é melhor que a do ex-camisa #17. Só faltam mais chances.

Resta à torcida esperar para ver a evolução ou a decadência do armador, afinal, sete jogos é uma amostra muito pequena para conclusões definitivas. Mas os sinais são promissores.

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Spurs manda Tony Parker para a G-League

O San Antonio Spurs anunciou na manhã dessa quarta-feira (26) que o armador Tony Parker irá integrar a lista de jogadores inscritos para participar do training camp do Austin Spurs, time da G-League, a liga de desenvolvimento da NBA, filiado à franquia texana.

Machucado, Parker vai treinar em Austin (Reprodução/nba.com/spurs)

O armador sofreu uma lesão no tendão do quadríceps da perna esquerda ainda nos playoffs da temporada passada e só voltou a participar de treinos com contato neste mês. A intenção é que Parker apenas participe dos treinos em Austin e não chegue a jogar pela G-League.

É esperado que Parker, por conta do longo período em que ficou afastado, participe dos treinamentos apenas para recuperar sua forma física. O armador, porém, deve retornar à equipe apenas no fim de novembro, pois Popovich não quer agravar a lesão. Por isso, o técnico pretende esperar a recuperação total do tendão da perna esquerda do francês.

Os treinos serão no AT&T Center durante a sequência de quatro jogos fora de casa do Spurs.

Parker irá para a sua 18ª temporada na NBA. Na carreira, o armador possui médias de 16,2 pontos e 5,8 assistências por exibição, além de possuir um prêmio de MVP das Finais.

Com Dejounte Murray, o futuro é agora

A torcida do Spurs está acostumada com Tony Parker comandando a equipe, afinal, desde 2001 o francês está no elenco, quase sempre como armador titular. O jogador já venceu quatro títulos e foi eleito o jogador mais valioso das finais em 2007, no tetracampeonato dos texanos. Assim, nos playoffs de 2016, foi difícil ver o ídolo sair carregado da quadra com uma grave lesão.

Dejounte Murray em ação contra o Wolves (Reprodução/nba.com/spurs)

Com a nova temporada, foi anunciado que Parker estaria fora até novembro, e isso provocou um aparente problema para o técnico Gregg Popovich. Com a ausência do camisa nove, quem assumiria a sua função no time? Patrick Mills é um bom reserva, mas nunca vingou como armador titular, e todos os outros possíveis nomes não possuem experiência. Porém, o empecilho rapidamente se mostrou passageiro, pois o treinador nomeou o segundanista DeJounte Murray como armador principal da equipe de San Antonio.

Apesar de uma insegurança surgir entre a torcida durante a pré-temporada, o jovem rapidamente se mostrou a escolha certa. O atleta treinou durante toda a offseason e melhorou em muito seu jogo. Murray sempre foi conhecido como um bom slasher, ou seja, como um jogador com habilidade de entrar na defesa e finalizar próximo a cesta. Mas nas primeiras partidas, o armador mostrou a confiança para arremessar e inclusive acertou algumas tentativas, algo positivo e que certamente irá fazer a marcação ser mais forte, facilitando as infiltrações.

É função do armador saber o momento certo de envolver cada um de seus companheiros, identificar possíveis mismatches e garantir que todos se posicionem corretamente em quadra. Durante as duas primeiras partidas, Murray mostrou uma visão de jogo e liderança acima das expectativas para um garoto tão novo e com tão pouca experiência, um sinal promissor.

O Spurs é um time defensivo, costuma deixar seus oponentes com menos de 90 pontos e é adepto do estilo mais “chato” do basquete: técnico e com marcação sufocante. E Murray chega para contribuir nessa área. Ao contrário de Parker, considerado um defensor abaixo da média, o segundanista mostrou uma enorme evolução e soube marcar seus oponentes nos momentos um contra um, além de ler bem as rotas de passe e possuir uma grande envergadura, que facilita nos roubos de bola e na hora de contestar arremessos de seus adversários.

Murray mostrou enorme evolução, aprendeu com seus colegas e se tornou um jogador perfeito para o Popovich. Um armador coletivo, que faz o passe certo, evoluiu como líder e é bom defensor, podendo ser excelente. Apesar dos poucos jogos, a tendência é a manutenção dessas atuações. Se isso acontecer, pode ser a primeira vez de Parker como reserva.

O futuro promete, e Murray mostrou ser parte dele. Só resta esperar para saber quando o armador irá definitivamente se tornar o titular e líder da equipe. A posição e o legado de Parker estão a salvo, pois seu substituto superou expectativas nos primeiros jogos e deve evoluir ainda mais, para a alegria de Popovich do Spurs e da torcida do alvinegro texano.

Afinal, quem é Dewayne Dedmon?

Por Vagner Vargas*

O San Antonio Spurs assinou contrato de dois anos e US$ 6 milhões com o pivô Dewayne Dedmon. Eu sei o que vocês estão pensando agora: “Dewayne quem?” Acertei, né? Pois aqui estou para falar um pouco mais sobre esse cara de 26 anos, que entrou na liga do jeito mais difícil – sem passar pelo Draft – e acaba de assinar seu primeiro contrato milionário.

Dedmon e Gasol vão ser colegas de Spurs (Charles King/Orlando Sentinel)

Primeiro, um breve histórico. Dedmon jogou pela Universidade de South Carolina (USC), onde teve médias de 7,1 pontos, 6,4 rebotes e 1,67 tocos em 51 partidas, sendo 49 como titular. Tentou a sorte no Draft de 2013, mas acabou passando em branco. Mesmo assim, achou seu caminho até a NBA, assinando com o Golden State Warriors. Na primeira temporada, jogou 11 partidas em Oakland, depois mais 11 no Philadelphia 76ers, e então chegou ao Orlando Magic.

Foi na terra da Disney que Dedmon se estabeleceu e cavou seu espaço na rotação. Nas duas primeiras temporadas, ganhou salários de US$ 300 mil e US$ 816,482 mil. Em 2015/2016, foi jogador do Magic pela bagatela de US$ 947,276 mil. Atuou em 50 partidas, com médias de 12,2 minutos, 1,9 pontos, 3,9 rebotes, 0,8 tocos e 1,9 faltas.

São números bem discretos para um cara de 26 anos. Então o que ele pode acrescentar?

VAIVÉM: Veja quem chega, quem sai e os rumores sobre o Spurs

Em primeiro lugar, Dedmon é um pivô defensivo. Não espere vê-lo receber a bola de costas para a cesta e trabalhar seu jogo de pernas e habilidade para criar ou finalizar. Ele até ensaiou um jogo de média distância na última temporada, mas o impacto maior é mesmo na defesa.

O novo Spur tem uma capacidade atlética acima da média e usa isso para seu benefício, especialmente para pegar rebotes (na defesa e no ataque) e distribuir tocos. Some o físico vantajoso a muita raça e você terá um esboço do que Dedmon é dentro de quadra. Ele vai sempre se desdobrar pela equipe, dar o máximo de si, pular atrás daquela bola perdida, lutar por todos os rebotes possíveis e, talvez o mais importante, estar ciente de suas limitações.

Do outro lado da quadra, Dedmon e sua figura imponente são boas opções para trabalhar o pick and roll. O novo pivô da equipe de San Antonio tem bom senso de posicionamento e movimentação após o bloqueio e frequentemente surge como opção de passe embaixo da cesta ou mesmo em pontes-aéreas. Ofensivamente estas são suas principais características, além do posicionamento, da força e da já falada vontade em buscar rebotes ofensivos.

A grande dificuldade de Dedmon enquanto esteve no Magic, time pelo qual ele chegou a ser titular 20 vezes na temporada passada devido à lesão do titular Nikola Vucevic, é permanecer em quadra. Frequentemente ele sofreu com o excesso de faltas, muitas ocasionadas pelo excesso de vontade na hora de dar o toco ou segurar o pivô adversário no post up. O reforço do Spurs é melhor na ajuda do que na marcação primária, onde demonstrou ter mais dificuldade de trabalhar. Às vezes também cometeu excessos ao dobrar a marcação, o que resultou em algumas faltas frustrantes: para ele, para o time e para o torcedor.

Com Dedmon, o Spurs e o técnico Gregg Popovich ganham um pivô apto a realizar o trabalho sujo. Se a franquia conseguir canalizar a imensa vontade do jogador para o bem, afastando-o das faltas, terá no mínimo um protetor de aro e reboteiro decente nas mãos. Não será a solução de todos os problemas, mas é uma peça com características interessantes para colocar em quadra contra determinados adversários e em situações específicas.

* Vagner Vargas é blogueiro no High Five e torcedor do Magic

Três formas de parar Curry e o irresistível Warriors

16 vitórias em 16 jogos, melhor início da história da NBA…

Esse é o Golden State Warriors de Stephen Curry, que vem pulverizando rivais e já ameaça o recorde do Chicago Bulls de 72 vitórias e dez derrotas, conquistado em 1995/1996.

Quem vai pará-lo? (Foto: Getty Images)

Quem vai pará-lo? (Getty Images)

O assunto da moda na imprensa internacional é quem vai parar a franquia californiana e quando isso vai acontecer. Isso pode ocorrer a qualquer momento, claro, mas pelo que o Warriors vem jogando até aqui, vai ser difícil esse recorde cair facilmente.

Na onda do tema, comecei a pensar em como parar esse time que já é um dos melhores da história da liga, sobretudo já visando o confronto do próximo 25 de janeiro contra o nosso San Antonio Spurs e uma eventual série de playoffs entre as duas equipes.

Pensei em três formas que um time pode usar para minimizar (porque pará-lo é impossível) sua principal estrela, o armador Stephen Curry. Vamos lá?

1. Reduzir seu volume com jogo físico e dobras

Stephen Curry é o cérebro do time. Ele arma, cria, arremessa, envolve seus companheiros… faz de tudo um pouco. Um caminho para minimizar o impacto seria pressioná-lo no fundo quadra – dobrando se preciso – e obrigá-lo a passar a bola o quanto antes.

A estratégia seria dobrar sempre que ele recebesse a bola, reduzindo assim seu volume de jogo e deixando seus companheiros com mais liberdade durante a partida. É uma estratégia arriscada, principalmente se pensarmos que o elenco da franquia californiana é bastante profundo e conta com outros jogadores de elite, mas poderia funcionar.

Na final da última temporada, contra o Cleveland Cavaliers, os momentos de maior sucesso de LeBron James e companhia aconteceram quando o camisa #30 foi seguidamente dobrado ou quando teve de lidar com uma defesa que o incomodou fisicamente, dando trombadas e o acompanhando o tempo todo sem se importar com os outros atletas em quadra. Veja alguns exemplos do bom trabalho defensivo do armador australiano Matthew Dellavedova:

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2. Dar a bola a Stephen Curry

O oposto do item anterior também seria uma estratégia válida. Dar espaço para o armador ter um alto volume de jogo e evitar que seus companheiros pontuem com facilidade pode funcionar, especialmente se Curry estiver em uma noite pouco inspirada (o que está bem difícil de acontecer). Eventualmente, o astro poderia marcar 30, 40 ou até 50 pontos contra o time que fizesse isso, mas seus colegas pontuariam abaixo de suas médias.

3. Cometendo poucos turnovers e sendo assertivo no ataque

Um dos carros-chefe do camisa #30 é a bola de três pontos no contra-ataque. Já cansamos de vê-lo pontuar aproveitando-se de adversários voltando descoordenados para a defesa após um turnover ou depois de um ataque mal executado.

Soa até meio clichê, mas evitar desperdícios será crucial para quem quiser batê-los. Trabalhar bem o ataque também é fundamental, pois uma ofensiva mal pensada fatalmente acarretará em contra-ataque com aquela bola de três mortal, como você pode ver a seguir:

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Já funcionou no passado…

O tipo de defesa física e com dobras que mencionei no item 1 funcionou especificamente no jogo entre Spurs e Warriors no último dia 5 de abril. Observe como Kawhi Leonard usa sua envergadura para desarmar o camisa #30 repetidas vezes.

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Sozinho, Leonard nem sempre vai conseguir minimizar Curry, pois leva desvantagem contra rivais mais rápidos (vide Chris Paul nos últimos playoffs). No entanto, seu porte e físico e envergadura definitivamente devem ajudar a atrapalhá-lo. A chave, além disso, é usar Tony Parker e sobretudo Patrick Mills em papel semelhante ao que Dellavedova fez nas finais.

Ou seja, o Spurs tem boas armas para reduzir o impacto do camisa #30, mas claro que isso vai depender muito de quanto Curry vai estar inspirado nos duelos, já que o armador é daqueles gênios que em dias iluminados nem a melhor defesa do mundo consegue parar.