Arquivo da categoria: Artigos

Spurs pode tirar valiosas lições da bolha

Se por um lado a bolha montada em Orlando para a retomada da temporada da NBA terminou com um gosto amargo para o San Antonio Spurs, que viu suas chances de classificação durarem até a última rodada, mas acabou encerrando sua sequência de 22 aparições consecutivas nos playoffs, por outro ver os prospectos do elenco ganharem minutos e jogarem competitivamente deu esperanças para o futuro da franquia. Assim, foi possível tirar valiosas lições para os próximos passos do alvinegro, tanto no Draft quanto no mercado de agentes livres. Duas delas saltam aos olhos: tamanho não necessariamente é um problema como parecia, mas a condução de bola não está tão resolvida quanto já aparentou.

Walker foi o único que apresentou visão de quadra melhorada (Reprodução/nba.com/spurs)

Entre os sete jovens do Spurs que ganharam minutos com consistência na bolha, cinco deles têm altura que sugere que atuem entre as posições 1 e 2. São eles: Dejounte Murray (239 minutos na bolha e 1,93m de altura), Lonnie Walker (221 minutos na bolha e 1,96m de altura), Derrick White (209 minutos na bolha e 1,93m de altura), Keldon Johnson (208 minutos na bolha e 1,96m de altura) e Quinndary Weatherspoon (63 minutos na bolha e 1,91m de altura). Os outros dois têm combinação de tamanho, agilidade e fundamentos que os deixa restritos à posição 5: Jakob Poeltl (206 minutos na bolha e 2,16m de altura) e Drew Eubanks (142 minutos na bolha e 2,06m de altura).

Assim, desde a retomada da temporada, o Spurs usou só dois jogadores com tamanho típico de um ala, posição cada vez mais importante na NBA moderna. Trata-se dos veteranos DeMar DeRozan, que com 1,98m teria tamanho para flutuar entre as posições 2 e 3, e Rudy Gay, que com 2,03m de altura teria tamanho para flutuar entre as posições 3 e 4.

Mas foi comum para o Spurs usar três de seus prospectos ao mesmo tempo, ou dois deles ao lado de Patty Mills (1,85m de altura) ou Marco Belinelli (1,96m de altura), na bolha de Orlando. Assim, DeRozan passou a jogar minutos na posição 4, começando o jogo como titular ao lado de Murray, White, Walker e Poeltl.

Mesmo com formações de perímetro muito mais baixas do que manda o manual da NBA moderna, o Spurs jogou seu basquete mais competitivo na temporada. Como exemplos, venceu o Sacramento Kings, o Memphis Grizzlies e o New Orleans Pelicans, que iniciaram com quatro jogadores tão ou mais altos que DeRozan, o Utah Jazz, que escalou três jogadores mais altos que o camisa #10 do alvinegro como titulares, e o Houston Rockets, que começou com dois jogadores maiores que o astro do time de San Antonio.

Claro que altura sempre será bem vinda no basquete. Na recente derrota para o Denver Nuggets, por exemplo, o Spurs tomou 30 pontos de Michael Porter Jr,  que do alto de seus 2,08m jogou na posição três e simplesmente arremessou por cima de seus marcadores. Mas esse é um problema que a maioria das equipes enfrenta. É difícil achar jogadores que combinem o tamanho e a agilidade necessária para conter pontuadores versáteis do tipo.

Uma combinação de fatores faz com que o caso do ala do Nuggets possa ser considerado exceção. Murray, White, Walker, Johnson e Weatherspoon não são exatamente baixos, e todos têm bons fundamentos defensivos. Além disso, a combinação de comissões técnicas cada vez mais inteligentes na NBA moderna e a evolução do preparo físico, que faz com que jogadores consigam dobrar a marcação e se recuperar para contestar um possível arremessador livre o mais rapidamente possível, faz com que seja cada vez mais difícil explorar um marcador baixo perto da cesta.

Spurs precisa de organizadores mais confiáveis

Quem olha as escalações do Spurs na bolha, com cinco prospectos das posições 1 e 2 ganhando minutos ao lado de DeRozan, pode imaginar que o time teve a movimentação de bola como ponte forte em Orlando. Mas a realidade é bem diferente. A equipe teve o ataque estagnado em várias oportunidades e se viu dependente do camisa #10 em momentos decisivos. O problema ficou ainda mais evidente na vitória sobre o Pelicans, em que o alvinegro viu uma vantagem de vinte pontos evaporar após White sair machucado.

É difícil usar estatísticas para medir o QI de basquete de um jogador, uma qualidade que costuma-se chamar de “intangível”. Mas um jeito de ajudar a percebê-lo é a relação entre assistências e turnovers de um determinado atleta. E os números dos prospectos do Spurs eram razoáveis antes da bolha.

Mas desde a retomada da temporada, quando os prospectos passaram a jogar mais com a bola nas mãos, Walker foi o único que progrediu na estatística, o que mostra que os demais apresentavam desempenho melhor quando atuavam cercados de veteranos – especialmente DeMar DeRozan e LaMarcus Aldrige, que desfalcou o Spurs na bolha de Orlando.

Claro que as coisas não são preto no branco para jovens prospectos que estão nessa altura na carreira, e muita coisa boa foi mostrada. Walker bateu seu recorde pessoal ao distribuir seis assistências na recente vitória sobre o Pelicans, já na bolha, e arrancou elogios de Gregg Popovich. Já Johnson, apesar de não de criar muito para os outros, mostrou facilidade para cavar faltas em infiltrações e chegar à linha dos lances livres com consistência.

Mas os números mostram que o Spurs pode ter muitos problemas caso DeRozan opte por sair de seu contrato e virar agente livre. Além de ser o mais alto jogador de perímetro do elenco, o ala-armador é o mais capaz comandante de ataque que o time tem hoje. O camisa #10 terminou a temporada com 380 assistências e 164 turnovers, o que significa 2,32 passes para cesta a cada desperdício de posse.

Spurs pode atacar carências no Draft. E a agência livre?

Mesmo caso DeRozan decida cumprir seu último ano de contrato com o Spurs, é possível concluir que o ideal seria a franquia achar jogadores que possam defender adversários com tamanho de ala e que possam ajudar a organizar o ataque do time. Uma combinação bem específica, o que pode tornar a busca por reforços ingrata.

O primeiro passo para isso seria cumprir um bom papel no Draft. O scout brasileiro Rafael Uehara colocou, em seu Draft Board, o papel que espera que cada prospecto cumpra dos dois lados da quadra na NBA. Ele lista, por exemplo, Tyrese Haliburton como um condutor de bola que pode ajudar em rotações defensivas.

Armador de 20 anos de idade 1,96m de altura, Haliburton é um jogador de muito QI de basquete e altruísmo, o que o faz parecer um fit natural para o Spurs. Como tem bom aproveitamento nos arremessos, mas abre mão de bolas fáceis para assistir seus companheiros com frequência, é adorado por franquias que valorizam os números, mas levanta preocupação em quem prefere observar os prospectos mais de perto. De qualquer jeito, funcionaria bem ao lado de um condutor de bola como DeRozan, já que tem altura e fundamentos bons o bastante para marcar jogadores da posição dois, por exemplo. Na temporada, sua segunda no basquete universitário americano, apresentou médias de 15,2 pontos, 6,5 assistências, 5,9 rebotes e 2,5 roubadas de bola em 36,7 minutos por exibição por Iowa State, convertendo 50,4% de seus arremessos de quadra, 41,9% de seus tiros de três e 82,2% de seus lances livres. Pode estar ao alcance da franquia texana na primeira rodada.

Para a segunda, uma opção que Uehara coloca com perfil parecido seria Abdoulaye N’Doye. Armador francês de 22 anos de idade e 1,98m de altura, disputou 26 partidas pelo Cholet Basket na última temporada, apresentando médias de 10,2 pontos (52,2% FG, 42,9% 3 PT, 75% FT), 4,3 rebotes e 3,9 assistências em 30,8 minutos por exibição.

Na agência livre, as coisas ficam um pouco mais complicadas. Nomes como Brandon Ingram (2,01m de altura, 259 assistências e 189 turnovers na temporada) e Bogdan Bogdanovic (1,98m de altura, 207 assistências e 102 turnovers na temporada) são restritos, o que significa que Pelicans e Kings podem igualar as propostas feitas por eles. Assim, é difícil imaginar um cenário em que a franquia texana consiga roubar um dos dois.

Assim, o Spurs precisará ser criativo para atacar suas carências, especialmente se tiver que se virar sem DeRozan.

A falta que LaMarcus Aldridge fará ao Spurs

Quando o San Antonio Spurs retomar a temporada com a improvável missão de arrancar rumo aos playoffs e não ficar fora da pós-temporada pela primeira vez desde o início da carreira profissional de Tim Duncan, um desfalque deve ser sentido pela equipe dentro de quadra. Em recuperação de cirurgia no ombro direito, LaMarcus Aldridge está fora do campeonato e provavelmente fará muita falta.

LaMarcus Aldridge está fora da temporada (Reprodução/lancelivre.pt)

A temporada de Aldridge é a pior dos últimos três anos em pontos por jogo (18,9), rebotes por jogo (7,4) e no aproveitamento de quadra (49,3%). Porém, em um elenco que tem no tamanho e no arremesso seus dois mais evidentes defeitos, o camisa #12 deve ser um desfalque muito mais sentido do que a queda em sua produção ofensiva supõe a princípio.

Com 2,11m de altura, Aldridge é o segundo jogador mais alto do elenco, atrás apenas de Jakob Poeltl, que tem 2,16m. Entre os jogadores que regularmente fazem parte da rotação do Spurs, os dois foram os que mais defenderam arremessos realizados na zona restrita na temporada e os dois que mais limitaram os adversários. O americano contestou 313 bolas do tipo, segurando os oponentes a aproveitamento de 57,2%, enquanto o austríaco contestou 299 bolas do tipo, segurando os oponentes a aproveitamento de 49,2%.

Como base de comparação, Rudy Gay defendeu 176 arremessos do tipo, segurando os adversários a aproveitamento de 58,5%, e Trey Lyles defendeu 187 arremessos do tipo, segurando os adversários a 62% de aproveitamento. Números que mostram o impacto que a ausência de Aldridge causará na defesa interior do Spurs.

Do outro lado da quadra, Aldridge tentou 15 arremessos por jogo ao longo da temporada, ficando atrás apenas de DeMar DeRozan, com 15,7, no elenco. Dejounte Murray, com 9,3, completa o pódio. É possível imaginar que parte da queda de produção do ala-pivô se dê devido ao crescimento do armador, principalmente pelo fato que o trio faz parte do quinteto titular e tem nas bolas de média distância sua principal arma.

Se a temporada de Aldridge é a pior das últimas três em pontos por jogo, rebotes por jogo e aproveitamento de quadra, por outro lado é a melhor em assistências por partida (2,4), tocos por partida (1,6), roubadas de bola por partida (0,7) e porcentagem de conversão nas bolas de três pontos (38,9%). Também é a que o ala-pivô menos desperdiçou a bola, com 1,4 turnovers por jogo. Números que mostram um jogador trabalhando mais para o time enquanto divide a quadra com um talentoso jovem em ascensão.

Os arremessos de longa distância, especialmente, mostram essa nova faceta de Aldridge e o quanto ele pode fazer falta. Do trio que concentra as ações ofensivas do Spurs, ele é quem mais tenta bolas do tipo: três por partida, contra 1,6 de Murray e 0,5 de DeRozan. É também o que tem o melhor aproveitamento: 38,9%, contra 37,8% de Murray e 26,7% de DeRozan.

Como base de comparação um pouco mais avançada, 20% dos arremessos que Aldridge deu na temporada foram bolas de três pontos. Murray arremessou somente 17,2% de suas tentativas de trás da linha do perímetro, e DeRozan apenas 3,2%.

Os 38,9% de aproveitamento que Aldridge registrou nos 157 arremessos de três pontos que deu na temporada provavelmente significam que ele é o espaçador de quadra mais eficiente do elenco do Spurs. O aproveitamento dos especialistas é pior: Bryn Forbes tentou 381 bolas do tipo e converteu 38,8%, Patty Mills tentou 389 bolas do tipo e converteu 38%, e Marco Belinelli tentou 155 bolas do tipo e converteu 36,8%.

Os três únicos jogadores do elenco do Spurs com aproveitamento melhor do que o de Aldridge na temporada arremessaram muito menos. Lonnie Walker tentou 71 bolas do tipo e converteu 40,8%, Keldon Johnson tentou cinco bolas do tipo e converteu 40%, e Drew Eubanks acertou a única bola do tipo que converteu.

Os números ficam ainda mais impressionantes quando percebemos que os arremessos de três pontos são uma arma recente do arsenal de Aldridge. Nos 81 jogos que fez na temporada 2018/2019, o camisa #12 tentou 42 bolas do tipo. Entre outubro e dezembro, fez 30 jogos e tentou 60 bolas do tipo. Entre janeiro e março, fez 23 jogos e tentou 97 bolas do tipo.

A combinação de defesa interior e perícia nas bolas de três pontos faz com que Aldridge seja muito difícil de substituir. A princípio, a solução mais obvia parece ser aumentar a minutagem de Poeltl, Lyles e Gay. O primeiro é o melhor protetor de aro do elenco, e os dois últimos podem ajudar a espaçar a quadra com arremessos do perímetro.

Gregg Popovich também tem dado suas chances a Drew Eubanks ao longo da temporada. Aos 23 anos de idade, o pivô, que está em sua segunda temporada com o Spurs, fez 14 jogos em 2019/2020, três deles como titular, e sustentou médias de 3,6 pontos e 2,5 rebotes em 9,3 minutos por exibição. Agora, será que não é a vez de Chimezie Metu ganhar uma oportunidade?

Ala-pivô de 23 anos de idade e 2,06m de altura, Metu também está em sua segunda temporada no Spurs. Entre agosto e setembro do ano passado, defendeu as cores da Nigéria na Copa do Mundo de basquete e fez boa campanha, terminando a competição com médias de nove pontos e 5,6 rebotes em 18,8 minutos por partida. Ao longo dos cinco jogos que fez no torneio, tentou nove bolas de três e converteu 55,6% delas. 29% dos arremessos que tentou na competição foram de trás do perímetro.

Nesta temporada, Metu tem médias de 18 pontos e 8,9 rebotes em 29 minutos por exibição pelo Austin Spurs, time da G-League filiado à franquia de San Antonio. Por lá, arrisca 2,3 bolas de três pontos por partida e converte 37,9% delas. 16,5% dos arremessos que tenta são de trás do perímetro.

Além disso, a amostragem pequena de Eubanks e Metu na temporada da NBA mostra que, até aqui, o segundo é um melhor defensor de aro. O ala-pivô defendeu 16 arremessos na zona restrita e limitou os adversários a 56,3% de aproveitamento. Eubanks, por sua vez, defendeu 30 arremessos do tipo e limitou os adversários a 66,7% de aproveitamento.

Restam oito jogos para o fim da temporada regular, e é difícil imaginar Metu tendo sequência. A comissão técnica do Spurs costuma dar lugar cativo a quem tem histórico de serviços prestados, e Eubanks tem vantagem nesse sentido. Mas o ala-pivô parece ser quem tem o conjunto de características mais adequado para substituir Aldridge.

Quem o Spurs deve selecionar no Draft de 2020?

Com chances cada vez mais remotas de chegar aos playoffs e em meio à incerteza sobre a continuidade da temporada 2019/2020, o San Antonio Spurs tem de, cada vez mais, concentrar esforços no próximo Draft. Se por um lado especialistas dizem que a classe não é muito forte, por outro o recrutamento de calouros é sempre uma boa oportunidade para se encontrar jogadores promissores que ganham um salário baixo nos seus primeiros anos na liga.

Deni Avdija, talvez o prospecto mais desejável para o Spurs (Reprodução/eurohoops.net)

A franquia texana, em especial, tem uma chance histórica no Draft. Oficialmente, o alvinegro não participa da loteria desde 1997, quando selecionou ninguém menos do que Tim Duncan. Em 2011, o Indiana Pacers recrutou Kawhi Leonard na 15ª colocação e o enviou para o Spurs em troca de George Hill. Foi a escolha mais alta desde que o lendário camisa #21 começou a defender a equipe de San Antonio.

Para entender a posição do Spurs rumo ao Draft, é preciso entender como funciona a loteria. Todo ano, as franquias que estão fora dos playoffs se reúnem para um sorteio que define quem serão os quatro primeiros a escolher. As equipes de pior campanha têm mais chances de ganharem as primeiras soluções. A partir do quinto lugar, tudo é ordenado de acordo com os recordes do time.

Do jeito que a classificação da NBA ficou com a pausa, o Spurs tem a 11ª pior campanha da liga. Se fosse assim para a loteria, a franquia texana teria 2% de chance de saltar para a primeira posição, 2,2% de chances de saltar para a segunda, 2,4% de chances de saltar para a terceira e 2,8% de chances de saltar para a quarta de acordo com o site Tankathon. O alvinegro teria ainda 77,6% de chance de conservar a 11ª colocação, 12,6% de ser ultrapassado por uma franquia e cair para 12º, 0,4% de ser ultrapassado por duas franquias e cair para 13º e uma possibilidade ínfima de ser ultrapassado por três franquias e cair para 14º.

Em outras palavras, o Spurs teria sua melhor escolha desde o Draft de Tim Duncan mesmo no cenário mais pessimista possível. E a possibilidade de selecionar um calouro desde as quatro primeiras posições até a 14ª faz com que seja necessário para a franquia analisar a maior quantidade possível de prospectos. Sem, claro, esquecer quais são suas necessidades.

Em 2017, de acordo com matéria publicada pela agência de notícias Associated Press, Brad Stevens, técnico do Boston Celtics e uma das mentes mais brilhantes da NBA, disse acreditar que hoje existem apenas três posições no basquete. Para ele, os papeis que se vê hoje em quadra são condutor de bola, ala e homem de garrafão, ainda que existam jogadores capazes de exercer duas ou mais funções. A abordagem moderna ajuda a perceber como há um buraco no elenco do Spurs.

Dejounte Murray, enquanto não aprender a arremessar, precisa jogar como condutor de bola para não estagnar o ataque do Spurs. O mesmo pode ser dito de DeMar DeRozan, que, apesar da possibilidade de deixar a franquia, tem a opção de renovar unilateralmente seu contrato para a próxima temporada. Derrick White e Lonnie Waker podem atuar sem a laranja porque são ameaças do perímetro, mas parecem funcionar melhor com ela em mãos.

Enquanto isso, o Spurs tem LaMarcus Aldridge, talvez melhor jogador do elenco, como homem de garrafão. Além disso, Jakob Poeltl será agente livre restrito ao fim da temporada, e seus bons momentos pelo alvinegro levam a crer que será feito o possível para mantê-lo. Ainda há Luka Samanic, que tem contrato garantido para a próxima temporada, Trey Lyles, que tem contrato parcialmente garantido, e Chimezie Metu, que tem contrato não garantido. Por fim, a franquia texana tem os direitos de Nikola Milutinov, sólido pivô do Olympiacos.

Embora seja possível acreditar que White, Walker, Samanic, Lyles e Metu possam jogar como alas, fica claro que essa é a função em que o Spurs tem o maior buraco. O pivô croata jogou apenas 12 minutos nesta temporada, e os dois últimos não tem permanência assegurada. Os únicos jogadores que parecem ser mais naturais da função e que têm contrato garantido para 2020/2021 são Patty Mills, que faz boa temporada como arremessador, Keldon Johnson, promissor mas ainda inexperiente, e Rudy Gay, já em natural curva decadente de fim de carreira.

Para a sorte do Spurs, existem alas sólidos na loteria. Veja, a seguir, quem combinaria bem com o que o Spurs precisa.

Deni Avdija

Ala de 19 anos de idade e 2,05m de altura, Deni Avdija tem tamanho para jogar como ala-pivô na NBA e habilidade e criatividade de um armador, combinação que chama atenção. Desde o começo do ano, o jogador tem ganhado espaço na rotação do Maccabi Tel Aviv, fazendo boas partidas tanto no campeonato nacional quanto na Euroliga. Na temporada, apresenta médias de 7,7 pontos e 4,1 rebotes em 19,8 minutos por exibição, convertendo 51,4% de suas tentativas de quadra, 33,6% de suas bolas de três pontos e 52% de seus lances livres. Sua mecânica de arremessos preocupa olheiros, mas melhorou ao longo da campanha. É candidato às três primeiras escolhas do Draft, e o Spurs teria que dar sorte para conseguir selecioná-lo.

Isaac Okoro

Ala de 19 anos de idade e 1,98m de altura, Isaac Okoro tem as ferramentas típicas de um ala da NBA. Considerado um dos melhores defensores da NCAA, ainda contribui ofensivamente com seu controle de bola e sua visão de jogo, além de se dedicar às partes que exigem mais ética de trabalho do jogo, como rebotes. Existe, no entanto, preocupação com sua mecânica de arremesso e, consequentemente, com seu impacto sem a bola. Nesta temporada, sua primeira no basquete universitário americano, teve médias de 12,9 pontos e 4,4 rebotes em 31,5 minutos por exibição por Auburn, com 51,4% de aproveitamento nos arremessos de quadra, 29% nas bolas de três e 67,2% nos lances livres. Deve estar disponível nas quatro primeiras colocações, mas dificilmente chegaria à 11ª.

Tyrese Haliburton

Armador de 20 anos de idade 1,96m de altura, Tyrese Haliburton é um jogador de muito QI de basquete e altruísmo, o que o faz parecer um fit natural para o Spurs. Como tem grande aproveitamento nos arremessos, mas abre mão de bolas fáceis para assistir seus companheiros com frequência, é adorado por franquias que valorizam os números, mas levanta preocupação de quem prefere observar os prospectos mais de perto. De qualquer jeito, funcionaria bem ao lado de um condutor de bola como Dejounte Murray ou DeMar DeRozan, já que tem altura e fundamentos bons o bastante para marcar jogadores da posição dois, por exemplo. Na temporada, sua segunda no basquete universitário americano, apresenta médias de 15,2 pontos, 6,5 assistências, 5,9 rebotes e 2,5 roubadas de bola em 36,7 minutos por exibição por Iowa State, convertendo 50,4% de seus arremessos de quadra, 41,9% de seus tiros de três e 82,2% de seus lances livres. Pode estar disponível quando a 11ª escolha chegar.

Saddiq Bey

Ala de 20 anos de idade e 2,03m de altura, Saddiq Bey é o típico jogador que franquias da NBA buscam para colocar ao redor de seus astros. Especialista em defesa e em tiros do perímetro, marcou jogadores das posições 1, 2, 3 e 4 na NCAA. Na temporada, sua segunda no basquete universitário americano, tem médias de 16,1 pontos e 4,7 rebotes em 33,9 minutos por exibição por Villanova, convertendo 47,7% de seus arremessos de quadra, 45,1% de suas bolas de três e 76,9% de seus lances livres. Deve estar disponível quando a 11ª escolha chegar.

Devin Vassell

Ala-armador de 19 anos de idade e 1,98m de altura, Devin Vassell viu sua cotação ir subindo ao longo da temporada por ser o role player dos sonhos da NBA moderna. Apesar de não ter um controle de bola que o permita atacar a cesta e nem um atleticismo de destaque, é um bom defensor e converte tiros do perímetro com antecedência, o que o torna um bom encaixe em qualquer equipe. Na temporada, sua segunda no basquete universitário americano, apresentou médias de 12,7 pontos e 5,1 rebotes em 28,8 minutos por exibição por Florida State, convertendo 49% de seus arremessos de quadra, 41,5% de suas bolas de três e 73,8% de seus lances livres. Deve estar disponível quando a 11ª escolha chegar.

O que o Spurs deve fazer com DeMar DeRozan?

Idolatrado por uns e perseguido por outros, DeMar DeRozan talvez seja o jogador mais polarizador do elenco do San Antonio Spurs neste momento. Em meio à pior temporada do alvinegro desde 1997, começa a surgir a possibilidade de o ala-armador deixar a equipe. O que, então, a franquia deve fazer com o ala-armador?

DeRozan em ação contra o Nets (Reprodução/nba.com/spurs)

Durante participação em programa da ESPN americana, Jabari Young, jornalista da CNBC e ex-setorista do Spurs no site The Athletic, afirmou que DeRozan está insatisfeito em San Antonio. Disse, porém, que o problema é mais esportivo, já que o ataque do time não estava funcionando da maneira que o ala-armador gostaria, do que de relacionamento com a franquia. O camisa #10 depois negou publicamente a informação.

De qualquer modo, onde há fumaça a fogo. Saber se a insatisfação de DeRozan é pontual e pode ser resolvida com um time mais competitivo ou se ele gostaria de deixar San Antonio é importante porque ele tem total controle sobre seu futuro. O contrato do ala-armador dá a ele a possibilidade de renovação unilateral para a próxima temporada por US$ 27.739.975,00, salário que ele dificilmente conseguiria em outro lugar. Em outras palavras, o jogador escolhe se quer ser agente livre em 2020 ou 2021.

Se DeRozan escolher sair, então, o Spurs terá US$ 27.739.975,00 para gastar com reforços? Não é bem assim. Para saber entender como ficaria a posição do alvinegro na disputa por agentes livres, é preciso entender um pouco como funciona o sistema salarial da NBA.

A princípio, estima-se que o teto salarial seja de US$ 115 milhões na próxima temporada. Sem contar com os ordenados de DeRozan, o Spurs já parte com US$ 84.520.245,00 comprometidos. Grande parte diz respeito aos oito jogadores que têm contratos garantidos com a franquia para 2020/2021: LaMarcus Aldridge (US$ 24 milhões), Rudy Gay (US$ 14,5 milhões), Dejounte Murray (US$ 14.286.000,00), Patty Mills (US$ 13.285.714,00), Derrick White (US$ 3.516.284,00), Lonnie Walker (US$ 2.892.000,00), Luka Samanic (US$ 2.824.320,00) e Keldon Johnson (US$ 2.048.040,00).

Também estão comprometidos os US$ 6.167.887,00 que DeMarre Carroll receberia na próxima temporada. O ala foi dispensado, mas seu contrato com a franquia previa esse salário garantido em 2020/2021, o que faz com que o valor continue contando contra o teto. Além disso, Trey Lyles terá ordenado de US$ 5.500.000,00, mas somente US$ 1 milhão garantido – resto é pago com o andamento da campanha caso ele não seja dispensado.

Mais dois jogadores têm salários não garantidos para 2020/2021. O primeiro é Chimezie Metu, cujo ordenado de US$ 1.663.861,00 será pago conforme os dias trabalhados caso ele não seja dispensado. Além disso, o vínculo de Jakob Poeltl inclui uma qualifying offer de US$ 5.087.871,00 para a próxima temporada. Isso significa que ele pode receber propostas de outras franquias, mas o Spurs tem direito de cobri-las se quiser mantê-lo. Se o pivô não tiver ou não aceitar nenhuma oferta de fora, renova automaticamente pela quantia inicialmente estabelecida.

Em outras palavras, o Spurs terá US$ 30.479.755,00 para gastar com reforços caso DeRozan saia, Lyles e Metu sejam dispensados antes mesmo da próxima temporada começar e a franquia texana abra mão do direito de cobrir propostas por Poeltl e deixe que ele se torne um agente livre irrestrito. Parece improvável principalmente por causa do jovem pivô, que, aos 24 anos de idade, fez bons jogos com a camisa alvinegra, especialmente defensivamente.

Se por um lado times como o Houston Rockets passam a impressão de que pivôs estão em extinção na liga, equipes como o Los Angeles Lakers mostram que tamanho ainda pode ser importante na briga pelo título da NBA. Assim, em um cenário em que DeRozan saia e o Spurs tenha de pagar US$ 8 milhões para Poeltl em 2020/2021, a franquia terá menos dinheiro para investir em reforços do que pagaria ao ala-armador mesmo se dispensar Lyles e Metu.

Além disso, a lista de agentes livres de 2020 está longe de ser uma das mais atrativas dos últimos tempos. Anthony Davis, Brandon Ingram, Bogdan Bogdanovic, Andre Drummond, Gordon Hayward e Evan Fournier podem engrossar a lista de maneira condicional, como DeRozan, mas é difícil imaginar cenários que levariam um deles a San Antonio. Entre os irrestritos, nomes de destaque são Fred VanVleet, Montrezl Harrell, Danilo Gallinari, Joe Harris e os velhos conhecidos do Spurs Davis Bertans e Aron Baynes. Bons jogadores, mas que dificilmente mudariam o patamar em que o time texano se encontra no momento.

Fazendo um balanço, em todos os cenários o melhor a se fazer é torcer para que DeRozan exerça sua opção para prorrogar seu contrato com o Spurs até o fim da temporada 2020/2021. Mesmo que o futuro do ala-armador não seja em San Antonio, a franquia texana tem mais chances de conseguir repor sua saída por meio de uma troca do que buscando um agente livre para substitui-lo.

Mas há, também, a possibilidade de mantê-lo no elenco por mais um ano como escudo para os mais jovens. Por um lado, é difícil ver Dejounte Murray, Derrick White e Lonnie Walker tendo minutos reduzidos, especialmente em uma rotação em que Bryn Forbes e Marco Belinelli têm tanto tempo de quadra. Por outro, em um momento de histórica pressão sobre a franquia, é bom que as jovens promessas tenham um tempo extra de desenvolvimento sem precisarem assumir as rédeas da franquia, que hoje estão nas mãos de DeRozan e de LaMarcus Aldridge. Assim, quando o ala-armador sair, os garotos estarão mais prontos para a responsabilidade que os aguarda.

Cinco jogos do Spurs para assistir na quarentena

Se você ainda acha que o coronavírus é só uma gripe, está na hora de se informar melhor. Trata-se de uma pandemia que avança pelo mundo e que já matou pelo menos sete pessoas e infectou mais de 620 no Brasil, com casos confirmados em 22 estados e no Distrito Federal. A doença é mais perigosa para idosos, mas há relatos de vítimas de todas as idades. Contra uma ameaça deste porte, todos têm de fazer sua parte.

A sua é ficar em casa o máximo possível, reduzir o contato social e higienizar as mãos sempre que tocar em objetos compartilhados. A NBA também resolveu ajudar, disponibilizando o League Pass e graça por trinta dias para ajudar quem iniciou a quarentena. Por meio do serviço, é possível assistir a todas as partidas das temporadas 2018/2019 e 2019/2020, além de uma série de jogos clássicos.

O Spurs Brasil também resolveu colaborar e separou cinco jogos do San Antonio Spurs que você pode assistir para ajudar a passar o tempo durante a quarentena. Aproveite o serviço, se cuide e cuide dos seus!

20/04/1985 – Spurs 113 @ 111 Nuggets

George Gervin é um dos primeiros ídolos do Spurs (Reproduçãp/expressnews.com)

O fã mais recente do Spurs certamente tem na ponta da língua quatro ídolos históricos da franquia: David Robinson, Tim Duncan, Tony Parker e Manu Ginobili. Que tal, então, saber como jogava um dos mais subestimados arremessadores da história da NBA? O alvinegro terminou a temporada 1984/1985 na sétima colocação da Conferência Oeste. Na primeira rodada dos playoffs, que à época tinha formado melhor de cinco, enfrentou o vice-líder Denver Nuggets. Depois de uma acachapante derrota por 141 a 111 fora de casa, o time texano contou com seu astro para empatar a série. Mesmo no Colorado, George Gervin anotou incríveis 41 pontos, seis rebotes e três assistências, convertendo 16 dos 25 arremessos de quadra que tentou, e comandou a vitória por 113 a 111. Infelizmente, porém, o Spurs perdeu dois dos três jogos que tinha pela frente e acabou eliminado.

04/01/2019 – Spurs 125 x 107 Raptors

DeRozan ajudou o Spurs no reencontro com Kawhi (Reprodução/twitter.com/spurs)

O torcedor mais rancoroso pode querer rever o Spurs vencendo Kawhi Leonard no primeiro reencontro com o ala. Em janeiro do ano passado, o alvinegro recebeu o Toronto Raptors, que havia trocado pelo astro antes do início da temporada, e conseguiu uma convincente vitória por 125 a 107. Se não bastasse, DeMar DeRozan, envolvido na transação, registrou um triplo-duplo com 21 pontos, 14 rebotes e 11 assistências. LaMarcus Aldridge colaborou com 23 pontos e cinco assistências, e Derrick White, além de marcar muito bem o ex-colega, registrou 19 pontos e quatro assistências.

18/04/2019 – Spurs 118 x 108 Nuggets

White mostrou todo o seu potencial (Reprodução/nba.com/spurs)

Antes do início da última temporada, existia grande expectativa ao redor da possível primeira campanha de Dejounte Murray como principal armador do Spurs. Porém, uma grave lesão o tirou de todo o campeonato e abriu espaço para uma agradável surpresa: Derrick White. O camisa #4 assumiu a titularidade, se tornou o melhor defensor de perímetro do elenco e ainda ganhou destaque ofensivamente. Graças a ele, o alvinegro chegou até a sonhar com uma vitória sobre o Denver Nuggets na primeira rodada dos playoffs. Na terceira partida da série, disputada no AT&T Center, o jogador deixou a quadra com 36 pontos, cinco assistências, cinco rebotes e três roubadas de bola em uma atuação histórica.

03/12/2019 – Spurs 135 x 133 Rockets

Walker mostrou a que veio contra o Rockets (Foto: Reprodução/Instagram/Spurs)

Uma vitória no clássico depois de duas prorrogações com direito a ajuda da arbitragem, que não validou de maneira bizarra uma clara enterrada de James Harden. Isso já seria o bastante para o torcedor do Spurs voltar a assistir à partida, mas ainda teve mais. Com 18 pontos no quarto período, Lonnie Walker ajudou o alvinegro a conseguir uma improvável virada, já que a equipe perdia por 102 a 89 quando ele pisou em quadra, e ao fim da partida registrou 28 pontos, quatro rebotes e três roubadas de bola. Uma amostra do que pode fazer o ala-armador, que talvez seja o jogador de maior potencial de todo o elenco.

11/02/2020 – Spurs 114 @ 106 Thunder

Murray se destacou contra o Thunder (Reprodução/nba.com/spurs)

O Spurs fez uma das piores Rodeo Road Trips da história na atual temporada, mas contou com uma empolgante atuação de uma das suas jovens promessas para arrancar uma rara vitória na estrada. Já consolidado como um dos melhores defensores do elenco, Dejounte Murray mostrou potencial ofensivo ao registrar 25 pontos, nove rebotes e três assistências em triunfo sobre o Oklahoma City Thunder. Para que o alvinegro sonhe com um futuro melhor, o armador precisa encontrar um modo de produzir ofensivamente com consistência.