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Draft será exceção na história recente do Spurs

Como esperado, o San Antonio Spurs não foi páreo para o Golden State Warriors e acabou derrotado logo na primeira rodada dos playoffs. Com a eliminação, é hora de voltar a atenção para a primeira etapa da reconstrução da equipe rumo à próxima temporada: o Draft de 2018, que acontecerá no dia 21 de junho, no Braclays Center, ginásio do Brooklyn Nets localizado em Nova York. A boa notícia é que o alvinegro venceu o sorteio de desempate contra o Minnesota Timberwolves depois que as duas equipes terminaram a fase de classificação com a mesma campanha. Deste modo, os texanos terão as escolhas 18 e 49 do recrutamento de calouros, muito mais altas do que as possuídas na história recente da franquia.

Spurs não tem escolhas tão altas no Draft desde que selecionou Kawhi Leonard e Davis Bertans no recrutamento de calouros de 2011 (Edward A. Ornelas/San Antonio Express-News)

A escolha 18, especialmente, precisa ser olhada com carinho. Ente todos os 17 jogadores que compuseram o elenco do Spurs nesta temporada, só LaMarcus Aldridge, Pau Gasol, Rudy Gay e Kawhi Leonard foram selecionados em posições mais altas em seus respectivos Drafts:

LaMarcus Aldridge foi selecionado pelo Chicago Bulls na escolha do Draft de 2006;
Pau Gasol foi selecionado pelo Atlanta Hawks na escolha do Draft de 2001;
Rudy Gay foi selecionado pelo Houston Rockets na escolha do Draft de 2006;
Kawhi Leonard foi selecionado pelo Indiana Pacers na 15ª escolha do Draft de 2011;
Tony Parker foi selecionado pelo San Antonio Spurs na 28ª escolha do Draft de 2001;
Dejounte Murray foi selecionado pelo San Antonio Spurs na 29ª escolha do Draft de 2016;
Derrick White foi selecionado pelo San Antonio Spurs na 29ª escolha do Draft de 2017;
Kyle Anderson foi selecionado pelo San Antonio Spurs na 30ª escolha do Draft de 2004;
Darrun Hilliard foi selecionado pelo Detroit Pistons na 38ª escolha do Draft de 2015;
Davis Bertans foi selecionado pelo Indiana Pacers na 42ª escolha do Draft de 2011;
Danny Green foi selecionado pelo Cleveland Cavaliers na 46ª escolha do Draft de 2009;
Patty Mills foi selecionado pelo Portland TrailBlazers na 55ª escolha do Draft de 2009;
Joffrey Lauvergne foi selecionado pelo Memphis Grizzlies na 55ª escolha do Draft de 2013;
Manu Ginobili foi selecionado pelo San Antonio Spurs na 57ª escolha do Draft de 1999;
Brandon Paul não foi selecionado no Draft de 2013;
Bryn Forbes não foi selecionado no Draft de 2016;
Matt Costello não foi selecionado no Draft de 2016.

Na prática, o Spurs não seleciona em uma posição tão alta desde 2011, quando mandou George Hill para o Indiana Pacers em troca de poder controlar as escolhas da franquia de Indianápolis, selecionando Kawhi Leonard em 15º e Davis Bertans em 42º. Desde então:

Com a 26ª escolha do Draft de 2015, o Spurs selecionou Nikola Milutinov;
Com a 28ª escolha do Draft de 2013, o Spurs selecionou Livio-Jean Charles;
Com a 29ª escolha do Draft de 2011, o Spurs selecionou Cory Joseph;
Com a 29ª escolha do Draft de 2016, o Spurs selecionou Dejounte Murray;
Com a 29ª escolha do Draft de 2017, o Spurs selecionou Derrick White;
Com a 30ª escolha do Draft de 2014, o Spurs selecionou Kyle Anderson.

O Spurs não selecionou na primeira rodada em 2012 porque mandou sua escolha ao Golden State Warriors junto com TJ Ford e Richard Jefferson para ter Stephen Jackson em troca.

Já na segunda rodada, o Spurs não tem uma escolha tão alta desde 2011, quando selecionou Davis Bertans na 42ª posição, também oriunda da troca com o Pacers. Desde então:

Com a 55ª escolha do Draft de 2015, o Spurs selecionou Cady Lalanne;
Com a 58ª escolha do Draft de 2013, o Spurs selecionou Deshaun Thomas;
Com a 58ª escolha do Draft de 2014, o Spurs selecionou Jordan McRae;
Com a 59ª escolha do Draft de 2011, o Spurs selecionou Adam Hanga;
Com a 59ª escolha do Draft de 2012, o Spurs selecionou Marcus Denmon;
Com a 59ª escolha do Draft de 2017, o Spurs selecionou Jaron Blossomgame;
Com a 60ª escolha do Draft de 2014, o Spurs selecionou Cory Jefferson.

Em 2016, o Spurs não selecionou na segunda rodada porque havia enviado sua escolha para o Sacramento Kings em troca de Ray McCallum. Por outro lado, selecionou duas vezes em 2014 porque havia recebido escolha do New Orleans Pelicans em troca de Curtis Jerrells.

Em outras palavras, o Spurs tem duas boas oportunidades para suprir carências de seu elenco com jogadores baratos. Claro que hoje é difícil prever qual será esse elenco. Apenas LaMarcus Aldridge, Kawhi Leonard, Pau Gasol, Patty Mills, Manu Ginobili, Derrick White e Dejounte Murray têm contratos garantidos com a franquia para a temporada 2018/2019. Danny Green, Rudy Gay e Joffrey Lauvergne têm opção unilateral de renovação com os texanos. Bryn Forbes tem contrato não garantido, o que significa que pode ser dispensado a qualquer momento sem custos extras. Kyle Anderson, Davis Bertans e Bryn Forbes são agentes livres restritos, o que dá ao alvinegro o direito de igualar quaisquer propostas que receberem para mantê-los. Por fim, Tony Parker, Darrun Hilliad e Matt Costello vão se tornar agentes livres irrestritos, ficando livres de qualquer tipo de vínculo a partir de dia 1º de julho.

Mesmo entre os jogadores com contrato garantido, ao menos dois deles representam incertezas: Kawhi Leonard vive suposta crise de relacionamento e pode ser trocado, enquanto Manu Ginobili, que completa 41 anos de idade dia 28 de julho, pode se aposentar.

Isto posto, o Spurs que entrou em quadra contra o Warriors desfalcado de Kawhi Leonard tinha duas carências claras: alas com altura para defenderem jogadores da posição 3 e ajudarem a espaçar a quadra para Dejounte Murray e LaMarcus Aldridge com arremessos, já que Danny Green era o único jogador do elenco que cumpre os dois seguidos, e um pivô que possa defender no perímetro após trocas nos minutos em que o camisa #12 descansa, já que Pau Gasol é alvo fácil para jogadores mais velozes e Joffrey Lauvergne passou longe de conseguir se firmar até aqui. Para supri-las, a franquia texana tem algumas opções.

A primeira delas, óbvio, é resolver a situação com Kawhi Leonard, o que praticamente acabaria com os problemas do time na rotação para as alas. A segunda seria tentar achar soluções em escolhas de Draft antigas ligadas à franquia, como Adam Hanga, Nemanja Dangubic ou Jaron Blossomgame para o perímetro e Nikola Milutinov ou Cady Lalanne para o garrafão. A terceira é buscar talento no recrutamento de calouros deste ano, a quarta é investir na contratação de agentes livres e a quinta é tentar trocas com outras franquias.

Se decidir olhar para o Draft na tentativa de reforçar estas posições, o Spurs tem algumas opções interessantes. Na primeira rodada, Robert Williams parece ser ótima alternativa para o garrafão. O pivô de 20 anos de idade e 2,06m de altura é descrito como jogador de qualidade nos tocos e nos rebotes ofensivos com facilidade para pontuar atacando o aro ofensivo e finalizando após pick-and-rolls, o que levanta comparações com Clint Capela e DeAndre Jordan. Na última temporada, sua segunda no basquete universitário americano, apresentou médias de 10,4 pontos, 9,2 rebotes e 2,6 tocos em 25,6 minutos por exibição jogando por Texas.

Outro possível alvo para reforçar o garrafão do Spurs seria Mitchell Robinson. O pivô de 20 anos de idade e 2,13m de altura é elogiado por sua incrível capacidade física, com bom tamanho, atleticismo acima da média, perícia na proteção do aro e tempo apurado para tocos, mas é considerado cru. Como decidiu não jogar basquete universitário nesta temporada, deve demorar um pouco mais que os demais prospectos para conseguir contribuir na NBA.

No entanto, é difícil acreditar que Williams ou Robinson possam sobrar na escolha 19. Se não for o caso, talvez o Spurs precise voltar suas atenções para seus problemas no perímetro. Assim, o principal alvo poderia ser Jacob Evans. O ala de 20 anos de idade e 1,98m de altura acaba de concluir sua terceira temporada no basquete universitário americano, na qual apresentou médias de 13 pontos, 4,7 rebotes e 3,1 assistências em 30,8 minutos por exibição por Cincinnati, convertendo 37% dos suas bolas de três pontos. É elogiado por sua versatilidade, sua capacidade de defender múltiplas posições e por sua perícia nos arremessos de longa distância.

Há quem diga que Dzanan Musa possa ser bom encaixe. Na última temporada, o ala bósnio de 18 anos de idade e 2,06m de altura teve médias de 10,5 pontos, com 36,4% de aproveitamento nas bolas de três, e 3,2 rebotes em 20,2 minutos por jogo nas 16 partidas que disputou pelo KK Cedevita na Eurocopa e tem capacidade ofensiva elogiada. Porém, sua inoperância na defesa e sua personalidade forte fazem com que ele combine pouco com o Spurs.

Outra alternativa seria Troy Brown, ala de 18 anos de idade e 1,98m de altura que acaba de concluir sua primeira temporada no basquete universitário americano, obtendo, em média, 11,3 pontos, 6,2 rebotes e 3,2 assistências em 31,2 minutos por exibição jogando por Oregon. Jovem, é elogiado por sua versatilidade, sua habilidade nos passes, na condução de bola e na defesa. No entanto, não é muito atlético e ainda precisa desenvolver seu arremesso: converteu apenas 29,1% de suas bolas de três na NCAA. No entanto, sua baixa idade e a facilidade com que o Spurs faz jogadores melhorarem no fundamento podem pesar a seu favor.

Na escolha 49, o Spurs ainda pode achar bons reforços. Gary Trent Jr, Jalen HudsonSviatoslav Mykhailiuk, Jarrey Foster e Kevin Hervey são opções para a ala, e Moritz Wagner, Raymond Spalding e Brandon McCoy são opções para o garrafão.

Claro que dependendo do caminho que a franquia tomar, as carências podem ser outras, o que mudaria totalmente o foco no Draft. Além disso, o Spurs não costuma titubear ao pegar o jogador mais talentoso disponível, independentemente da posição. Fato é que selecionar com a escolha de 18 é uma exceção se levarmos em conta o histórico recente da franquia, e isso pode ajudar no processo de reconstrução do elenco do alvinegro de San Antonio.

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Detectando problemas na rotação do Spurs

No dia 21 de janeiro, Dejounte Murray começou sua trajetória como armador titular do San Antonio Spurs em derrota para o Indiana Pacers no AT&T Center. Na ocasião, a equipe ocupava a terceira colocação na Conferência Oeste e estava só 3,5 jogos atrás do Houston Rockets, então vice-líder. Desde então, o alvinegro venceu apenas seis dos 16 jogos que fez, caindo para a sexta posição na tabela e vendo sua vaga para os playoffs ficar ameaçada. Claro que ninguém em sã consciência considera que o jovem de 21 anos de idade é o problema do time na temporada. Mas os dados mostram que a ausência de Kawhi Leonard criou um problema para Gregg Popovich: encontrar um modelo de rotação competitivo e sustentável.

Forbes deve ganhar espaço na segunda unidade? (Reprodução/nba.com/spurs)

A titularidade de Murray veio no quarto jogo após Leonard ser afastado novamente devido à sua lesão no quadríceps da perna direita. Isso pode ser uma pista de que Pop havia montado sua rotação na primeira metade da temporada apenas para esperar o retorno de seu principal jogador. No entanto, quando o ala voltou a sentir, o técnico pode ter percebido que era hora de pensar em alternativas, já que o retorno do camisa #2 antes dos playoffs virou dúvida.

A ideia de usar Murray como titular faz sentido porque tê-lo no lugar de Tony Parker, que passou a sair do banco, ajuda na defesa do quinteto inicial, claramente desfalcada com a ausência de Leonard. No entanto, solucionar um problema criou outros para Popovich, o que ajuda a dar a dimensão do tamanho do problema que é para o Spurs não ter seu principal jogador.

Brad Stevens, técnico do Boston Celtics e uma das mentes mais brilhantes da NBA, foi questionado recentemente sobre as posições do basquete moderno e respondeu dizendo que hoje elas são apenas três: condutor de bola, ala ou pivô. A análise faz sentido quando pensamos no que estamos acostumados a ver do Spurs nos últimos anos: quantas jogadas começaram com Tony Parker ou Manu Ginobili em corta-luz de Tim Duncan, enquanto três arremessadores espaçavam a quadra para aumentar a eficiência do pick-and-roll?

O problema é que na temporada passada Murray tinha poucas oportunidades de trabalhar como condutor de bola, já que o trabalho era de Leonard, que costumava ser apoiado por Parker e/ou Ginobili quando necessário. É possível lembrar de outros jogadores, como Kyle Anderson e Jonathon Simmons, que recebiam a função antes do jovem armador.

Isso ajuda a entender porque o Spurs não aceitou pagar caro por Simmons, que teve seus principais momentos pelo time quando assumiu protagonismo no ataque – o que esperava-se que não precisaria acontecer quando Parker e Leonard voltassem – e também o tamanho da responsabilidade de Murray, que de quinto ou sexto condutor de bola virou o primeiro.

Entre os inúmeros quintetos que o Spurs utilizou na atual campanha, o que tem Dejounte Murray, Danny Green, Kyle Anderson, LaMarcus Aldridge e Pau Gasol, opção de time titular desde a mudança feita por Pop no jogo contra o Pacers, sofreu 21 pontos a mais do que marcou nos 147 minutos em que esteve em quadra. A formação está na posição 250 entre as escaladas na temporada quando ordenada por saldo, o que mostra que ela é insustentável.

No último jogo em que teve só Leonard como baixa, Pop escalou Mills como titular ao lado de Murray, Anderson, Aldridge e Gasol, trazendo Green do banco na vitória sobre o Cleveland Cavaliers em Ohio. Mesmo assim, ainda é possível detectar problemas na rotação do Spurs, que podem ser sanados com mais mudanças entre as unidades do time. São elas:

Qual a posição de Aldridge?

Quando o Spurs contratou Aldridge, dizem que um dos trunfos da franquia texana foi prometer que a maioria de seus minutos seria como ala-pivô, o que o deixaria mais confortável. No entanto, em uma NBA que cada vez tem menos a ver com as posições tradicionais, o jogador que o camisa #12 é tem muito mais a ver com a posição 5 do que com a posição 4.

Nesta temporada, Aldridge foi quem mais tocou na bola dentro do garrafão de todo o elenco da equipe de San Antonio: foram 506 vezes, contra 270 de Gasol, segundo colocado. Foi também quem mais vezes recebeu a bola de costas para a cesta: 780 vezes, contra 196 do espanhol, que também é o segundo colocado na estatística. Por fim, coletou 188 rebotes de ataque nesta campanha, contra 95 do camisa #16, vice-líder em mais esta estatística.

Do outro lado da quadra, Gasol e Aldridge são os jogadores de garrafão do Spurs que melhor defendem o aro. O primeiro restringe os adversários a 48,7% em arremessos realizados de dentro da zona restrita, enquanto o segundo restringe os adversários a 54%. Davis Bertans restringe os adversários a 54,6%, e Joffrey Lauvergne a 71,1%. Não seria, então, melhor trazer o espanhol do banco de modo a garantir que sempre um dos dois esteja em quadra?

Isso permitiria que o Spurs voltasse a mostrar uma característica sua que ficou marcada nos últimos anos: o uso da segunda unidade como uma equipe independente do time titular. Hoje, a equipe começa com dois pivôs mais tradicionais como LaMarcus Aldridge e Pau Gasol, tendo como reservas dois alas-pivôs que jogam abertos como Davis Bertans e Rudy Gay. Colocar um dos últimos dois no quinteto inicial e passar a trazer o espanhol do banco de reservas pode criar essa possibilidade para Pop sem a necessidade de malabarismos para que um dos dois protetores de aro esteja sempre em quadra cercado por quatro reservas e sem a necessidade de improvisar o letão como pivô ou usar Lauvergne regularmente.

Por que não Parker?

Em uma temporada em que o Spurs parece não ter chances de título devido à campanha do Houston Rockets e ao potencial mostrado pelo Golden State Warriors nos últimos anos, faz sentido dar a titularidade a Murray, talvez o jogador mais promissor do elenco, e acelerar seu desenvolvimento. No entanto, desde que Duncan foi draftado em 1997, tankar não faz parte da filosofia da franquia. Por isso, há de se imaginar que alternativas para que o time vá o mais longe possível são estudadas. E uma delas poderia ser a volta de Parker ao time titular.

Se hoje Murray é peça intocável no quinteto inicial, o francês pode ocupar a vaga que Mills ganhou. Assim, serviria como uma espécie de seguro para quando a inexperiência do jovem na regência da equipe pesar. Com isso, o australiano pode voltar para a segunda unidade, sempre ao lado de Ginobili, deixando o comando do ataque nas mãos do argentino, minimizando sua incapacidade na armação e potencializando sua qualidade como arremessador.

Vale lembrar que Ginobili se tornou sexto homem no Spurs justamente porque ele e Parker eram melhores aproveitados como organizadores do ataque. Por isso, fazia sentido sempre ter um ou o outro em quadra, minimizando seus minutos juntos. Hoje, os dois atuam lado a lado na segunda unidade, o que não faz sentido quando consideramos a história recente da franquia.

Além disso, há outro benefício na possível mudança: ter Murray e Parker pode fazer com que os dois aprendam a jogar sem a bola. O treinamento seria importante pensando no retorno de Leonard ou até mesmo nos minutos em que Ginobili está em quadra.

Tamanho x Kyle Anderson

A ausência de Leonard cria um problema quando olhamos para o elenco do Spurs. Com Bertans e Gay efetivados como jogadores da posição 4, restam apenas Green e Anderson com tamanho para jogar como ala. E o segundo, que vem sendo usado como titular devido à lesão do astro, não consegue estourar mesmo já estando em seu quarto ano na NBA. Até aqui, na temporada, suas médias são de 8,1 pontos e 5,7 rebotes em 27,4 minutos por exibição.

Anderson não convence como arremessador, convertendo somente 29,7% de suas bolas de três pontos na atual campanha. Considerando todo o elenco do Spurs, está à frente apenas de Brandon Paul, com 28,6%, Dejounte Murray, com 25%, Tony Parker, com 20,8%, e Joffrey Lauvergne, que errou os cinco tiros do perímetro que fez na temporada. Além disso, como condutor de bola, perdeu espaço com a ascensão do jovem Murray e segue menos confiável do que os veteranos Parker e Ginobili. Seu bom índice nos rebotes sugere que sua função ideal pode ser como ala-pivô, ficando atrás de Bertans e Gay na rotação para a posição.

Por isso, talvez seja o caso de voltar a ter Green como ala titular e de usar uma segunda unidade mais baixa, com Bryn Forbes completando o perímetro ao lado de Patty Mills e Manu Ginobili. O ala-armador tem médias de 18,1 pontos e 3,7 rebotes a cada 100 posses de bola, convertendo 37,6% de seus arremessos de três. No mesmo recorte, Kyle Anderson tem 14,8 pontos e 10,4 rebotes, com o já citado aproveitamento de 29,7% em tiros do perímetro.

Os números mostram que Forbes é mais útil do que Anderson sem a bola, algo fundamental em uma rotação que já tem Murray, Parker e Ginobili e que pode ter Leonard. O jovem armador e o argentino se revezariam na defesa de jogadores mais altos quando Green estivesse fora.

Conclusões

Seguindo o raciocínio, o time titular teria Murray e Parker como armadores. O fraco desempenho dos dois como arremessadores seria compensado pelas presenças de Green e Bertans nas alas. Aldridge passaria a ser o pivô desta formação, centralizado as ações ofensivas da equipe e se aproveitando do maior espaço que teria para operar no garrafão.

A segunda unidade teria Ginobili comandando o ataque, com Mills e Forbes trabalhando como arremessadores. Gasol seria o pivô, com Gay jogando na posição 4. Há quem possa argumentar a favor da titularidade do camisa #22 no lugar de Bertans, mas ele já está entrosado com os demais reservas. Por enquanto, o jogador esteve em quadra com Ginobili por 464 minutos, com Mills por 455 minutos e com Forbes por 336 minutos. Só passou mais tempo em quadra com Aldridge – foram 472 minutos, e a dupla pode se repetir no fechamento de jogos mais acirrados.

Assim, Anderson jogaria quando algum jogador posição 4 estivesse lesionado, servindo também como primeira alternativa no perímetro seguido por Brandon Paul, novato com experiência no basquete europeu, e Derrick White, que dá seus primeiros passos como jogador profissional. Lauvergne seria acionado quando Aldridge ou Gasol estivessem fora.

Claro que o problema do Spurs não está só dentro de quadra – é perceptível o quanto o time piorou desde a exposição dos problemas internos causados pela suposta insatisfação de Leonard. Mas o bom desempenho no começo da temporada mostra que achar uma rotação sustentável é fundamental para que o time possa retomar o caminho das vitórias.

As primeiras impressões sobre Brandon Paul

O San Antonio Spurs teve uma offseason sem muitas contratações de impacto, mas cheia de rumores. Os principais boatos eram sobre armadores: Chris Paul, Derrick Rose e até mesmo Kyrie Irving tiveram seus nomes especulados na franquia texana. Porém, com o início da temporada, nenhum grande nome da posição foi anunciado, e o único reforço vindo de fora do Draft na armação era Brandon Paul, jogador desconhecido que até então atuava na Turquia.

San Antonio Spurs v Sacramento Kings

Brandon Paul pode se tornar uma importante peça na rotação (Reprodução/nba.com/spurs)

Ao chegar no Texas, Paul trouxe consigo dúvidas para a torcida do Spurs. Seu jogo parecia pouco desenvolvido, principalmente no ataque, e para piorar a situação o armador veio para o lugar de Jonathon Simmons, que em dois anos com o time virou um xodó dos torcedores devido à sua história, ao seu estilo atlético de jogar e às suas boas exibições nos últimos playoffs.

Porém, Gregg Popovich é excelente em observar talentos para o seu sistema coletivo e discreto, e com Paul não foi diferente. Apesar de não possuir muito talento ofensivo, o armador tem um arremesso de três pontos excelente e espaça a quadra, dando liberdade para LaMarcus Aldridge e Kawhi Leonard operarem no garrafão. Na temporada, em sete partidas, tem quase 64% de aproveitamento nos chutes de longa distância. Apesar de poucas tentativas, 11 no total, a mecânica e confiança do jogador indicam o grande potencial no fundamento.

A área de destaque de Paul é a defesa. Essa foi a característica que mais chamou a atenção de Popovich. Sua raça e dedicação na marcação são muito importantes para o sistema do time. Apesar de poucos jogos, o técnico aproveitou bem o armador no período em que ele esteve em quadra. O reforço já foi responsável pela marcação de DeMar DeRozan, Kyle Lowry e Kyrie Irving. A estratégia do treinador é incorporar seu novo jogador ao time com o tempo em situações onde a equipe tenha que impedir a qualquer custo seus adversários. E ao pedir para seu comandado marcar grandes nomes, Pop busca acostumar o camisa #3 ao ritmo de jogo e à pressão de combater as principais estrelas da liga profissional americana de basquete.

Apesar de pouco tempo de temporada, Paul aproveitou seu tempo em quadra, e aos poucos, conquista a confiança de Popovich. Durante a temporada, o armador deve trabalhar em seu arremesso e em sua defesa para se tornar um confiável “3&D”. Com sua característica, o jogador tem potencial para se tornar um importante jogador no sistema do Spurs.

Comparações com Simmons são inevitáveis, mas Paul tem um potencial ofensivo maior graças ao seu arremesso, e sua defesa já é melhor que a do ex-camisa #17. Só faltam mais chances.

Resta à torcida esperar para ver a evolução ou a decadência do armador, afinal, sete jogos é uma amostra muito pequena para conclusões definitivas. Mas os sinais são promissores.

Com Dejounte Murray, o futuro é agora

A torcida do Spurs está acostumada com Tony Parker comandando a equipe, afinal, desde 2001 o francês está no elenco, quase sempre como armador titular. O jogador já venceu quatro títulos e foi eleito o jogador mais valioso das finais em 2007, no tetracampeonato dos texanos. Assim, nos playoffs de 2016, foi difícil ver o ídolo sair carregado da quadra com uma grave lesão.

Dejounte Murray em ação contra o Wolves (Reprodução/nba.com/spurs)

Com a nova temporada, foi anunciado que Parker estaria fora até novembro, e isso provocou um aparente problema para o técnico Gregg Popovich. Com a ausência do camisa nove, quem assumiria a sua função no time? Patrick Mills é um bom reserva, mas nunca vingou como armador titular, e todos os outros possíveis nomes não possuem experiência. Porém, o empecilho rapidamente se mostrou passageiro, pois o treinador nomeou o segundanista DeJounte Murray como armador principal da equipe de San Antonio.

Apesar de uma insegurança surgir entre a torcida durante a pré-temporada, o jovem rapidamente se mostrou a escolha certa. O atleta treinou durante toda a offseason e melhorou em muito seu jogo. Murray sempre foi conhecido como um bom slasher, ou seja, como um jogador com habilidade de entrar na defesa e finalizar próximo a cesta. Mas nas primeiras partidas, o armador mostrou a confiança para arremessar e inclusive acertou algumas tentativas, algo positivo e que certamente irá fazer a marcação ser mais forte, facilitando as infiltrações.

É função do armador saber o momento certo de envolver cada um de seus companheiros, identificar possíveis mismatches e garantir que todos se posicionem corretamente em quadra. Durante as duas primeiras partidas, Murray mostrou uma visão de jogo e liderança acima das expectativas para um garoto tão novo e com tão pouca experiência, um sinal promissor.

O Spurs é um time defensivo, costuma deixar seus oponentes com menos de 90 pontos e é adepto do estilo mais “chato” do basquete: técnico e com marcação sufocante. E Murray chega para contribuir nessa área. Ao contrário de Parker, considerado um defensor abaixo da média, o segundanista mostrou uma enorme evolução e soube marcar seus oponentes nos momentos um contra um, além de ler bem as rotas de passe e possuir uma grande envergadura, que facilita nos roubos de bola e na hora de contestar arremessos de seus adversários.

Murray mostrou enorme evolução, aprendeu com seus colegas e se tornou um jogador perfeito para o Popovich. Um armador coletivo, que faz o passe certo, evoluiu como líder e é bom defensor, podendo ser excelente. Apesar dos poucos jogos, a tendência é a manutenção dessas atuações. Se isso acontecer, pode ser a primeira vez de Parker como reserva.

O futuro promete, e Murray mostrou ser parte dele. Só resta esperar para saber quando o armador irá definitivamente se tornar o titular e líder da equipe. A posição e o legado de Parker estão a salvo, pois seu substituto superou expectativas nos primeiros jogos e deve evoluir ainda mais, para a alegria de Popovich do Spurs e da torcida do alvinegro texano.

Afinal, quem é Dewayne Dedmon?

Por Vagner Vargas*

O San Antonio Spurs assinou contrato de dois anos e US$ 6 milhões com o pivô Dewayne Dedmon. Eu sei o que vocês estão pensando agora: “Dewayne quem?” Acertei, né? Pois aqui estou para falar um pouco mais sobre esse cara de 26 anos, que entrou na liga do jeito mais difícil – sem passar pelo Draft – e acaba de assinar seu primeiro contrato milionário.

Dedmon e Gasol vão ser colegas de Spurs (Charles King/Orlando Sentinel)

Primeiro, um breve histórico. Dedmon jogou pela Universidade de South Carolina (USC), onde teve médias de 7,1 pontos, 6,4 rebotes e 1,67 tocos em 51 partidas, sendo 49 como titular. Tentou a sorte no Draft de 2013, mas acabou passando em branco. Mesmo assim, achou seu caminho até a NBA, assinando com o Golden State Warriors. Na primeira temporada, jogou 11 partidas em Oakland, depois mais 11 no Philadelphia 76ers, e então chegou ao Orlando Magic.

Foi na terra da Disney que Dedmon se estabeleceu e cavou seu espaço na rotação. Nas duas primeiras temporadas, ganhou salários de US$ 300 mil e US$ 816,482 mil. Em 2015/2016, foi jogador do Magic pela bagatela de US$ 947,276 mil. Atuou em 50 partidas, com médias de 12,2 minutos, 1,9 pontos, 3,9 rebotes, 0,8 tocos e 1,9 faltas.

São números bem discretos para um cara de 26 anos. Então o que ele pode acrescentar?

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Em primeiro lugar, Dedmon é um pivô defensivo. Não espere vê-lo receber a bola de costas para a cesta e trabalhar seu jogo de pernas e habilidade para criar ou finalizar. Ele até ensaiou um jogo de média distância na última temporada, mas o impacto maior é mesmo na defesa.

O novo Spur tem uma capacidade atlética acima da média e usa isso para seu benefício, especialmente para pegar rebotes (na defesa e no ataque) e distribuir tocos. Some o físico vantajoso a muita raça e você terá um esboço do que Dedmon é dentro de quadra. Ele vai sempre se desdobrar pela equipe, dar o máximo de si, pular atrás daquela bola perdida, lutar por todos os rebotes possíveis e, talvez o mais importante, estar ciente de suas limitações.

Do outro lado da quadra, Dedmon e sua figura imponente são boas opções para trabalhar o pick and roll. O novo pivô da equipe de San Antonio tem bom senso de posicionamento e movimentação após o bloqueio e frequentemente surge como opção de passe embaixo da cesta ou mesmo em pontes-aéreas. Ofensivamente estas são suas principais características, além do posicionamento, da força e da já falada vontade em buscar rebotes ofensivos.

A grande dificuldade de Dedmon enquanto esteve no Magic, time pelo qual ele chegou a ser titular 20 vezes na temporada passada devido à lesão do titular Nikola Vucevic, é permanecer em quadra. Frequentemente ele sofreu com o excesso de faltas, muitas ocasionadas pelo excesso de vontade na hora de dar o toco ou segurar o pivô adversário no post up. O reforço do Spurs é melhor na ajuda do que na marcação primária, onde demonstrou ter mais dificuldade de trabalhar. Às vezes também cometeu excessos ao dobrar a marcação, o que resultou em algumas faltas frustrantes: para ele, para o time e para o torcedor.

Com Dedmon, o Spurs e o técnico Gregg Popovich ganham um pivô apto a realizar o trabalho sujo. Se a franquia conseguir canalizar a imensa vontade do jogador para o bem, afastando-o das faltas, terá no mínimo um protetor de aro e reboteiro decente nas mãos. Não será a solução de todos os problemas, mas é uma peça com características interessantes para colocar em quadra contra determinados adversários e em situações específicas.

* Vagner Vargas é blogueiro no High Five e torcedor do Magic