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Como Joffrey Lauvergne pode render no Spurs?

Por Luís Araújo*

Joffrey Lauvergne terminou a última temporada no Chicago Bulls, passou a maior parte dela no Oklahoma City Thunder e jogou dois anos no Denver Nuggets antes disso. Nestes times, o pivô encontrou rotações congestionadas em seu setor e não teve tanto espaço. Mas não quer dizer que não teve flashes interessantes, capazes de torná-lo uma peça útil para Gregg Popovich.

Lauvergne é um dos reforços do Spurs (Reprodução/nba.com/spurs)

Na temporada passada, por exemplo, em um dos 23 jogos que fez com o Bulls (contando também os playoffs), teve uma atuação de 17 pontos, sete rebotes e três assistências em uma vitória sobre o Detroit Pistons. Ele também acertou sete dos 13 arremessos que tentou, incluindo uma bola de três convertida, e ficou em quadra por pouco mais de 28 minutos.

Um olhar mais atento para essa produção ajuda a entender melhor algumas coisas das quais ele é capaz de fazer, além de dar uma base sobre como o jogador pode se encaixar no Spurs.

Logo no primeiro lance do vídeo, dá para ver Lauvergne trabalhando no pick-and-roll com Jimmy Butler, que viu seu marcador passar por cima do bloqueio e ainda se viu cercado por Andre Drummond, que se preocupou em não deixar o caminho livre para ele infiltrar. Foi isso que abriu a possibilidade para o francês ser acionado e finalizar com a mão esquerda diante de Kentavious Caldwell-Pope, que correu para tentar ajudar a proteger a cesta.

Não é difícil imaginar esse tipo de coisa acontecendo no Spurs. Em um time que deixa bastante a bola nas mãos de Kawhi Leonard para iniciar jogadas usando bloqueios de pivôs, Lauvergne pode ser bem explorado e entregar bons resultados nestas oportunidades.

O segundo lance do vídeo mostra uma cesta decorrente de rebote de ataque, algo que também faz parte das principais virtudes do francês. Em seguida, ele cavou falta que o levou a cobrar dois lances livres após receber passe longe da cesta, observar Drummond sair correndo para contestar e botar a bola no chão para driblar. Essa capacidade de fazer o corte também é uma coisa muito boa que ele consegue fazer contra oponentes menos ágeis, mas que só funcionou neste caso porque seu marcador o considerou uma ameaça no chute de média distância.

É justamente um chute de média distância que ele aparece acertando no lance seguinte, aproveitando-se da preocupação que Butler causou na defesa ao entrar no garrafão, fazendo com que Drummond corresse para proteger a cesta. Estatisticamente, Lauvergne ainda não tem um arremesso de fora do garrafão que possa ser considerado extremamente confiável. O potencial para que isso seja uma arma poderosa no seu leque ofensivo existe, e até é possível vê-lo pegando fogo vez ou outra, mas os resultados em linhas gerais ainda variam.

Na sequência do vídeo, Lauvergne faz outra cesta após colocar a bola no chão para driblar o pivô adversário, produz uma com a mão direita a partir do post-up e finaliza uma bola embaixo da cesta depois de Butler mais uma vez atrair a marcação do adversário.

Por fim, um pick-and-pop com Paul Zipser que termina com uma bola de três. É aí que vem mais um potencial interessante no jogo de Lauvergne: há sinais claros de desenvolvimento nos arremessos de longe nos últimos meses. Não dá para saber ao certo como serão os próximos passos, mas dá para criar alguma animação com o que vem acontecendo até agora.

Em suma, além desta questão dos chutes de média e longa distância, Lauvergne é um pivô que sabe o que fazer com a bola nas mãos, seja buscando o corte contra rivais mais lentos ou encaixando bons passes – algo que sempre é muito valioso para quem vai jogar para Popovich. Mas o melhor dele parece ser mesmo sem a bola nas mãos, aproveitando a boa mobilidade para correr a quadra em contra-ataques e a inteligência para se deslocar e cortar para a cesta em momentos precisos. Não é à toa que o pick-and-roll é um dos seus pontos mais fortes.

Sobre isso, aliás, vale a pena também observar essa atuação ainda pelo Nuggets, em jogo contra o Sacramento Kings em fevereiro de 2016. Lauvergne saiu do banco para produzir 22 pontos e sete rebotes em 25 minutos, convertendo dez dos 14 chutes que tentou – incluindo, novamente, um de três. Teve chute de média distância, bola de três e finalizações depois de colocar a bola no chão. Mas o grosso da produção veio mesmo a partir do pick-and-roll.

Defensivamente, Lauvergne também é bom reboteiro. Não dá muitos tocos e não chega a ser um grande protetor do aro, mas é um marcador sólido no um contra um. Além disso, a boa mobilidade o permite se virar bem longe da cesta nas vezes em que for arrastado para reagir a bloqueios. Pelo que mostrou até agora, parece capaz e disciplinado o bastante para se encaixar bem a um sistema defensivo que tem sido um dos melhores da liga já há alguns anos.

Esse conjunto de habilidades nos dois lados da quadra tornam Lauvergne uma aposta mais do que válida. Jogando para um técnico como Popovich e em uma organização como o Spurs, nem chegaria a ser uma surpresa enorme se ele atingisse um nível mais alto nesta trajetória na NBA.

* Especialista no Chicago Bulls, Luís Araújo é dodo do Triple-Double, um dos melhores blogs sobre basquete do Brasil. É possível virar assinante por vários valores e receber conteúdo especial sobre o esporte, além de participar de promoções para brindes exclusivos.

Ginobili fica

Emanuel Ginobili ouviu seu nome na 57ª escolha do Draft de 1999, selecionado pelo San Antonio Spurs. As atuações do argentino em seus quatro primeiros anos de carreira, em sua terra natal, e no quinto, na Itália, chamaram a atenção de Gregg Popovich, mas nem o técnico nem a torcida podiam imaginar o impacto do jogador para a franquia e para o basquete mundial.

O número 20 que certamente será imortalizado (Jesse D. Garrabrant/ NBA)

Ginobili ficou mais um tempo na Europa e em 2002 se juntou ao time. Foi um começo difícil na NBA – o argentino sofreu com lesões e viu pouco tempo de ação. Era apenas um reserva. Mas conforme a temporada se desenrolou, Popovich começou a dar mais chances para Manu, como passou a ser chamado pela torcida, e o ala-armador mostrou serviço, venceu um prêmio de novato do mês e foi eleito para o segundo quinteto ideal entre os calouros.

Nos playoffs, porém, Ginobili se tornou parte importante na rotação de Popovich e aumentou suas médias em todos os quesitos. O Spurs se sagrou campeão no ano de estreia do argentino, que correspondeu às expectativas e mostrou serviço, principalmente na fase mais importante. Em seu segundo ano, o ala-armador viu ainda mais tempo de quadra, teve mais participações nos jogos e aumentou suas médias, se tornando parte integral do elenco até os dias de hoje.

O impacto de Ginobili não se limita apenas à NBA. O argentino liderou sua seleção rumo ao título na Olimpíada de 2004, em Atenas. A chamada “geração de ouro” do basquete local possuiu grandes nomes de influência mundial, mas foi o astro do Spurs quem mais se destacou, sendo até hoje considerado o melhor do elenco. Para subir ao topo do pódio, a equipe precisou fazer o considerado impossível por muitos: superar os Estados Unidos. Os americanos tiveram um torneio atípico, perdendo duas partidas da fase de grupos, mas se recuperaram, e mais uma conquista parceria realidade. Os hermanos, porém, eliminaram os favoritos com vitória por 89 a 81, com grande atuação do ídolo da franquia de San Antonio, cestinha do jogo com 29 pontos.

A carreira de Ginobili é uma das maiores do basquete mundial. O ala-armador já conquistou tudo e mais um pouco. Possui em seu currículo duas seleções para o jogo das estrelas da NBA, duas menções para o terceiro quinteto ideal da liga, um prêmio de sexto homem do ano e quatro anéis. O jogador também é campeão da Euroliga e acumula MVPs do torneio continental, da liga italiana, da copa italiana e da Copa América, além de possuir uma medalha de ouro olímpica, uma grande conquista para um jogador que não representa os Estados Unidos no evento.

O jogo de Ginobili gerou impactos surpreendentes e inesperados na filosofia do Spurs. Popovich sempre impôs um sistema rígido para seus atletas, e a maneira com que o argentino atuava não se encaixava com o exigido pelo treinador. O técnico então, em um momento raro, mudou sua filosofia e incorporou vários fundamentos do basquete do ala-armador. Com isso, acabou mudando a forma de jogo do alvinegro, e o sucesso acompanhou a mudança.

Ginobili é sem dúvidas um ídolo da franquia texana e um futuro hall da fama, não só da NBA mas como da Fiba também. A camisa 20 do argentino será aposentada no AT&T Center assim que sua carreira inevitavelmente chegar a seu fim. O astro fez muito pelo Spurs e por isso recebe tanto carinho da torcida. O jogador já não é mais atlético, já não pula como antes, mas seu jogo sem dúvidas ainda é eficiente e lindo de se assistir. Por sorte, o ídolo ainda tem mais uma temporada no tanque, e resta à torcida do alvinegro apreciar seus últimos momentos.

Obrigado por mais uma temporada, Ginobili. Que essa seja vitoriosa como todas as outras 15.

O que esperar de Derrick White?

Mais um Draft se passou e, pelo segundo ano seguido, o Spurs surpreendeu e pode ter encontrado um jogador com potencial maior do que o previsto. Com a 29ª escolha, a franquia texana selecionou Derrick White, de 22 anos, armador da universidade do Colorado.

White é o primeiro reforço do Spurs para 2017/2018 (Reprodução/nbascoutingreport.net)

A escolha deixou vários fãs com um pé atrás em relação ao atleta selecionado. O jovem atuou durante quatro anos na segunda divisão da NCAA. White foi um jogador que teve muito pouco interesse das universidades ao se formar no ensino médio e com isso acabou jogando em uma instituição menor, onde recebeu a chance de ser titular.

Mas em sua última temporada como atleta universitário, White jogou pela universidade do Colorado, na conferência PAC-12, uma das mais fortes da NCAA, a primeira divisão do basquete local. Atuou como líder da equipe, e como era de se esperar, foi o jogador com as melhores médias do time. Com isso, o Spurs selecionou o armador para integrar o seu plantel.

Em 2017, White fez 34 partidas e teve médias de 18,1 pontos, 4,4 assistências, 4,1 rebotes, 1,4 tocos e 1,2 roubos de bola em 32,8 minutos por jogo. Os números do armador mostram um perfil de jogador completo, com impacto nos dois lados da quadra, com bom jogo ofensivo e bons instintos defensivos. Mas as estatísticas avançadas mostram ainda mais o potencial do atleta, que teve player efficiency rating (PER) de 27.3, além de 5,9 nas parcelas de vitórias da equipe (Win Shares). O prospecto também se destaca graças à sua eficiência nos arremessos, com 50,7% nos arremessos de quadra, 39,6% nas bolas de três e 81,3% nos lances livres.

White mostrou alguns problemas, como sua inconsistência ofensiva, sua tendência de sumir dos jogos ou a sua falta de vontade na defesa em certas jogadas. Mas para cada um de seus defeitos, o prospecto tem uma vantagem. Nas mãos de Gregg Popovich, o jovem tem potencial para se tornar um bom armador, que sempre prioriza os passes, e um defensor de qualidade. Ele ainda terá algum tempo para se desenvolver antes de ter minutos, e é esperado comprometimento do atleta, com o intuito de evoluir ao máximo e se tornar uma boa opção.

White pode parecer uma escolha ruim para alguns fãs, mas não se deixe enganar: o garoto tem muito potencial e, com a ajuda de Pop, tem tudo para se tornar um dos melhores armadores reservas da liga. O jogador ainda tem um longo caminho pela frente, mas a sua carreira já começa nesta offseason, e os treinos com certeza irão mostrar reflexo em seu jogo.

White é uma aposta para o futuro e pode vir a ser uma peça importante na rotação. Ao ingressar na equipe, deve ter uma função de facilitador, com muitos passes, guiando a ofensiva do time. Mas o armador também pode contribuir marcando pontos, atuando como arremessador plantado no perímetro e recebendo a bola pronto para chutar. Seu excelente aproveitamento nos arremessos de quadra e nos lances livres devem ajudar muito o Spurs, que torna jogadores como este importantes peças em sua rotação.

Resta agora esperar para ver como a temporada de novato do garoto vai se desenrolar. O destino dele está diretamente ligado à agência livre, pois o Spurs irá atrás de outros armadores. Caso os reforços pretendidos pela equipe texana sejam contratados, White terá ainda mais tempo para se desenvolver. Em seu primeiro ano, não deve ter muitos minutos, mas pode contribuir com a equipe do mesmo jeito sempre que estiver em quadra.

Bem-vindo ao Spurs, Derrick.

Stashes do Spurs #1 – Adam Hanga

Por Gabriel Andrade*

Assim como na temporada passada, voltamos aqui para falar sobre os jogadores que o San Antonio Spurs drafta e deixa em desenvolvimento na Europa. O objetivo é fazer uma análise contextual, sobre sua situação em seu clube, as habilidades que oferecem e seu provável encaixe como jogador da franquia texana. Para começar a série de matérias, o primeiro escolhido é Adam Hanga, considerando o principal stash do alvinegro no Velho Continente.

ADAM HANGA

Altura: 1,99 metros

Envergadura: 2,02 metros

Idade: 28 anos

Posição listada: Ala

Clube: Baskonia

Situação contratual: Agente Livre nesta offseason

Médias na Liga ACB: 11,9 pontos, 4,0 rebotes, 2,4 assistências, 1,3 roubos, 0,6 tocos, 47.2% FG, 32,5% 3PT e 78% FT em 28,2 minutos por compromisso.

Médias na Euroliga: 10,5 pontos, 4,4 rebotes, 2,4 assistências, 1,3 roubos, 0,7 tocos, 44.9% FG, 33,6% 3PT e 66,7% FT em 28 minutos por compromisso.

Adam Hanga, ao centro, em meio à defesa adversária (Reprodução/eurohoops.net)

Contexto profissional

Adam Hanga vem fazendo sua segunda temporada como ala titular do Baskonia, um dos três principais clubes da Espanha, semifinalista de Euroliga na temporada 2015/2016 e que caiu nas quartas de finais da atual temporada. Na liga nacional, vai se encaminhando para segunda semifinal seguida, tido como favorito para avançar para a final do torneio.

Na equipe, Hanga é o segundo com mais minutos, atrás só do armador ex-Brooklyn Nets Shane Larkin e bem à frente de outros ex-NBA com Tornike Shengelia (ex-Chicago Bulls e Brooklyn Nets), Rodrigue Beaubois (Ex-Dallas Mavericks), Chase Budinger (Ex-Minnesota Timberwolves e Brooklyn Nets), Andre Bargnani (Ex-Toronto, Brooklyn Nets e New York Knicks) e Nicolas Laprovíttola, que jogou parte da temporada pelo Spurs e, a fim de informação, registra 12 minutos por jogo, chegando a ficar atrás do brasileiro Rafa Luz na rotação.

Em termos de concorrência na posição em que joga, Hanga divide minutos com Chase Budinger, Jaka Blazic e o jovem lituano Tadas Sederkerskis, podendo atuar ao mesmo tempo em quadra que ambos. No geral, tem grande vantagem em minutos.

Em termos de impacto, quando Hanga sai de quadra, o Baskonia é pior em oito pontos por 100 posses de bola no Net Rating (saldo de cesta por 100 posses), liderando a equipe.

Sua função no clube é geralmente a de defender o ala mais perigoso adversário, fazer a defesa de cobertura (e por isso marca pouco armadores), correr em transição, cortar sem a bola, ser criador secundário e eventualmente arremessar de três pontos.

Perfil físico

Em termos de altura e envergadura, o húngaro não possui medidas lá muito chamativas, mas são o suficiente para jogar como ala e ala-armador na NBA, as posições em que mais atua. Considerando seu físico, o que mais impressiona é sua capacidade atlética. Supera sua envergadura mediana com um conjunto explosão, agilidade lateral, capacidade de salto e primeiro passo de elite. Não existe jogador mais atlético que Hanga na Europa. Por conta de sua velocidade em quadra aberta, explosão, passada larga e instintos, é bastante usado em transição, seja ele mesmo carregando a bola do ataque para a defesa com finalizações rápidas ou enterradas, seja sem a bola para receber um passe:

Também por conta da capacidade atlética acima da média, o ala húngaro é usado em cortes sem a bola. Além do físico, é bastante inteligente lendo movimentações e enxergando espaços na defesa adversária para conseguir bandejas ou enterradas livres:

Por ser um jogador explosivo e de grande alcance vertical, possui jogadas desenhadas para que receba passes por cima do aro para finalizar com enterradas ou bandejas. Ajuda o fato de que Hanga não é apenas bom fisicamente, como também possui ótimas mãos para completar bandejas no ar caso o passe não seja executado com a precisão ideal:

Defesa

Após ser o favorito para ganhar o prêmio de melhor defensor da Euroliga na temporada 2015/2016 e acabar não recebendo, Hanga garantiu o prêmio na atual temporada, mesmo sem ser o favorito desta vez. Sua defesa de perímetro é destaque na Europa e muito tem a ver com seu físico, claro, mas também com disciplina.

Possui instintos de antecipação aguçados para atacar linhas de passe ou fazer eventuais coberturas nas jogadas de garrafão antes que recebam uma assistência ao redor do aro. Feita a roubada, Hanga já acelera em transição e conquista pontos fáceis daí:

Sem a bola, o jogador usa de seus pés rápidos e de sua ótima movimentação por entre bloqueios para contestar chutadores puros, que possuem bastante dificuldade em saírem livres de suas movimentações. Por vezes, pode faltar uma envergadura mais chamativa para contestar adversários que conseguem arremessar em movimento com maior facilidade, embora normalmente o stash do Spurs compense com seu atleticismo:

Além do mais, seus pés rápidos e força corporal fazem com que seja difícil atacá-lo em infiltrações. O mais comum é que Hanga force um contestado chute de meia distância ou dê um toco lá no alto. Além disso, é um defensor de cobertura fantástico, com ótimo raciocínio e QI para rotacionar, caso outros jogadores façam dobras, e contestar pivôs.

Em termos de versatilidade defensiva, sua capacidade atlética e tamanho permitem que marque qualquer posição do perímetro, de armadores a alas. Para jogadores de garrafão, pode ficar encarregado de stretch-fours puros por ser ágil o suficiente para defender o pick and pop, dobrar e recuperar, mas não tem tamanho e envergadura para contestar alguns mais altos (como Kristaps Porzingis e Channing Frye), e o mesmo vale para jogadores com ataque orientado para o poste baixo. Até faz bom trabalho usando de força e fundamentos para tentar ceder o mínimo de espaço, mas precisaria ser mais longo para contestar alas-pivôs e pivôs de costas para a cesta. No geral, seu arsenal deve ser traduzido em trocas no perímetro.

No mais, joga com energia, se esforça em bolas perdidas e não foge de rebotes no tráfego.

Ataque em meia quadra

Fora das ações em transição e em cortes, Hanga é um atleta bastante limitado em meia quadra, ainda que tenha expandido seu jogo recentemente. Nesta temporada, vem sendo usado cada vez mais como criador secundário e atingiu seu melhor número da carreira em assistências. Graças a seu atleticismo, consegue ganhar vantagem em bloqueios e situações de pick and roll. Também dá bastante passes decisivos em contra-ataque e não é alguém que prende a bola, sabendo executar o passe extra assim como Greg Popovich gosta. Na NBA, é provável que não domine muito a bola por conta do controle de bola rudimentar, que não tem jogo de meia distância ou dribles avançados de mudanças de direção. Assim, acaba cometendo erros de execução e não tem uma taxa de assistências por desperdício chamativa.

Em todos os jogos de Hanga que vi para fazer análise, apenas um lance seu em jogadas de pick and roll terminou em cesta que não fosse bandeja ou enterrada – este floater:

No geral, quando recebe a bola em mãos para atacar, geralmente é após um handoff ou pick and roll secundário, em que se aproveita de bloqueio antecipado para usar de seu atleticismo como vantagem para atacar a cesta, utilizando sua ótima capacidade de finalizar ao redor do aro para fazer pontos fáceis, embora pouco use a mão esquerda. Em caso de jogadas isoladas, Hanga só é acionado caso for atacar pivôs que caíram nas trocas de marcação, já que é muito mais veloz que a maioria dos que encontra na Europa.

Seu ponto fraco está no arremesso. Hanga atingiu sua melhor marca em bolas tentadas nesta temporada (cinco por jogo), mas seu aproveitamento é nada mais que medíocre. O ponto de lançamento é baixo e a mecânica é relativamente lenta. Também possui uma tendência de jogar seu corpo para trás em certas tentativas e não mostrou muito alcance para a linha da NBA. Existe uma evolução constante, mas não é um chutador dinâmico, capaz de pontuar após o drible com consistência ou arremessar em movimento. Por vezes até hesita. Pode converter, ao menos, bolas livres da zona morta, sempre comuns para alas do Spurs.

Encaixe

Ala-armador/ala atlético, enérgico, bom defensor, bom infiltrador e com flashes de criador secundário. Podemos falar de Hanga, mas é basicamente o que temos sobre Jonathon Simmons. Aos 28 anos, é difícil dizer que o baskonista vá evoluir muito. Suas habilidades são mais condizentes com a de role player enérgico, para fazer um banco atlético ao lado de Simmons, Davis Bertans e quem mais seguir no Spurs, caso não apostem logo em Dejounte Murray para vaga de armador reserva se não renovarem com Patty Mills.

Contratualmente, sua situação é perfeita: agente livre nesta temporada e com declarado interesse em assinar nesta offseason com Spurs, algo que parece ser mútuo. Caso a franquia texana consiga desenvolver seu arremesso, algo que ajudaria bem na NBA do espaçamento de quadra, é bem capaz de conseguir um papel até maior com o tempo na rotação de Popovich. Se não, é plenamente visto como uma peça útil de toda forma.

* Gabriel Andrade é um blogueiro de basquete que tenta a vida como scout. Me siga no Twitter para análises sobre Basquete Europeu, NBA e Prospectos de draft e acompanhe meu blog no Medium, onde falo bastante de prospectos internacionais, Euroliga, NBA e de vez em quando Mock Drafts com Pokemons e poemas com o pivô Nikola Jokic.

Prévia de Warriors x Spurs – Final do Oeste

Spurs terá de vencer na Califórnia (Reprodução/nba.com/spurs)

Depois de vencer o Houston Rockets por 4 a 2 pelas semifinais da Conferência Oeste, o San Antonio Spurs continua sua trajetória na pós-temporada contra o Golden State Warriors, que vem de varrida sobre o Utah Jazz. O alvinegro começa a série com Tony Parker como baixa e Kawhi Leonard como dúvida, enquanto os californianos têm Kevon Looney como desfalque.

Spurs e Warriors começam a se enfrentar neste sábado, na Oracle Arena, casa do adversário. Ao longo da temporada regular, as duas equipes mediram forças três vezes, com duas vitórias a favor do alvinegro de San Antonio. Relembre como foram todos estes confrontos a seguir:

Confrontos na temporada (2-1):

25/10/2016 – Spurs 129 @ 100 Warriors

Em partida perfeita da equipe, o Spurs, jogando fora de casa, massacrou os atuais campeões da Conferência Oeste com ótimas atuações de LaMarcus Aldridge e Kawhi Leonard.

12/03/2017 – Spurs 107 x 85 Warriors

No segundo duelo entre as melhores equipes da temporada, o que se viu foi um confronto entre os reservas. Por parte do Spurs, Kawhi Leonard, LaMarcus Aldridge, Tony Parker e Dejounte Murray se recuperavam de lesões. Além disso, do lado do time californiano, o técnico Steve Kerr decidiu poupar seus comandados, já que a equipe havia atuado na noite anterior. O jogo foi tranquilo para o alvinegro, que mostrou que seu banco de reservas é bem superior ao do adversário. Patty Mills foi o destaque com 21 pontos e quatro assistências.

29/03/2017 – Spurs 98 x 110 Warriors

Depois de abrir 15 a 0, o Spurs foi derrotado em casa pelo Warriors e praticamente deu adeus à chance de terminar a temporada como o time de melhor campanha. Na ocasião, Kawhi Leonard deixou a quadra com 19 pontos, sete rebotes e cinco assistências e se destacou.

Agora, chegou a hora do Spurs medir forças com o time californiano na série válida pela final da Conferência Oeste. A seguir, blogueiros do Spurs Brasil contam o que esperam do confronto e dos jogadores que poderão ajudar a decidi-lo. Confira abaixo:

Cássio Cutulli

Palpite: Spurs 4 a 3
O medo de protagonizar um fiasco após lavada no primeiro jogo contra o Rockets ficou para trás com ótimas exibições, mesmo com os desfalques de Tony Parker e Kawhi Leonard, que ficou fora do fim do jogo 5 e de todo o jogo 6. Com isso, o Spurs avançou para a final do Oeste para enfrentar o tão temido Warriors. Ao contrário do armador, o ala estará de volta já para o primeiro duelo, e espera-se que consiga impor sua forte defesa junto com Danny Green e Jonathon Simmons, que fizeram ótimos jogos contra a equipe de Houston. Com seu adversário sendo dono de um perímetro destruidor, que dificilmente será completamente anulado, a chance do alvinegro está no garrafão e em LaMarcus Aldridge, que provou que ainda pode ser a peça fundamental que o time precisa, mostrando confiança e agressividade. As chances dos texanos se concentram em suas atuações. Pelo lado californiano, são muitas opções de ataque. Porém, anular Draymond Green e dificultar suas ações na defesa podem ser as chaves para os comandados de Gregg Popovich.
Peça-chave do Spurs: LaMarcus Aldridge
Peça-chave do Warriors: Draymond Green

Lucas Pastore

Palpite: Warriors 4 a 1
Em uma NBA que usa cada vez mais armadores e alas velozes no lugar de jogadores pesados no garrafão, o Spurs me surpreendeu ao conseguir impor o jogo de seus pivôs contra o Rockets, especialmente quando não teve Tony Parker e Kawhi Leonard. Mas a dificuldade de repetir o feito contra o Warriors é muito maior. Isso porque o adversário conta com Stephen Curry, Klay Thompson, Andre Iguodala e Kevin Durant, quatro jogadores que são ameaça tanto no perímetro quando infiltrando, enquanto o time de Houston usava Patrick Beverley e Trevor Ariza quase exclusivamente de modo estático na linha dos três pontos. Some a isso a estranha opção de Gregg Popovich, que prefere dar minutos a David Lee do que a Dewayne Dedmon, e a defesa do alvinegro, carente de proteção de aro quando LaMarcus Aldridge não estiver em quadra. pode virar um cobertor curto. Para poder sonhar com a vitória e com a vaga na final, os texanos vão precisar que Kawhi Leonard esteja 100%, que seu ala-pivô titular jogue como nos tempos de Portland TrailBlazers, que Patty Mills, Manu Ginobili, Jonathon Simmons e Pau Gasol contribuam em alto nível com frequência dos dos lados da quadra e que duas ou três coisas deem errado para o oponente. Parece ser pedir demais…
Peça-chave do Spurs:
 Kawhi Leonard
Peça-chave do Warriors:
 Kevin Durant

Vinicius Esperança

Palpite: Warriors 4 a 2
Estamos na final de conferência novamente! Após dois anos amargando eliminações precoces – para o Los Angeles Clippers, na primeira rodada dos playoffs de 2015, e para o Oklahoma City Thunder, nas semifinais do Oeste de 2016 -, o Spurs, após vencer Grizzlies e Rockets por 4 a 2, enfrenta o Warriors, atual vice-campeão da NBA. O duelo tem tudo para ser parecido com o contra o time de Houston: muitas bolas de três por parte do adversário, mas com movimentação de bola de muito mais qualidade, quatro All-Stars e uma defesa mais sufocante do que a montada por Mike D’Antoni. O poder de fogo do time comandado por Kevin Durant é muito maior do que o regido por James Harden e deve dar mais trabalho ainda. Além do mais, com Kawhi Leonard talvez não jogando 100%, a equipe de Gregg Popovich pode ter problemas para defender no perímetro e para pontuar. LaMarcus Aldridge será peça importante dentro do garrafão ao lado de Pau Gasol. Os oponentes irão muito provavelmente usar em grande parte do tempo sua formação de small-ball, com Stephen Curry, Klay Thompson, Andre Iguodala, Kevin Durant e Draymond Green. Esse tipo de estratégia foi dominada pelo alvinegro em sua última partida, com seu ala-pivô titular enfim se destacando. Agora, usar jogadores mais baixos não será uma boa, então a questão será defender bem no perímetro contra os armadores e alas do líder do Oeste. O banco texano pode desequilibrar caso Manu Ginobili e Jonathon Simmons continuem jogando em alto nível.
Peça-chave do Spurs:
 LaMarcus Aldridge
Peça-chave do Warriors:
 Kevin Durant

Olho neles!

Para ter alguma chance de vencer o Warriors, o Spurs vai precisar de grande contribuição de LaMarcus Aldridge. O astro deve ter alto volume de produção ofensiva para castigar as formações mais baixas do adversário e ainda ter competência e paciência para marcar no perímetro quando trocas o deixarem com Stephen Curry, Klay Thompson ou Kevin Durant. Até aqui, nos playoffs, o ala-pivô titular do Spurs apresenta médias de 16,8 pontos e oito rebotes em 35 minutos por exibição, com 47,5% de aproveitamento nos arremessos tentados.

Mesmo se conseguir equilibrar os jogos e levá-los com o placar apertado até os instantes finais, o Spurs pode ver Kevin Durant assumir controle e matar um jogo. Pontuador de elite e marcador competente, cada vez usando melhor seu tamanho para defender, o ala do Warriors talvez seja quem tem mais condições de machucar Kawhi Leonard na NBA hoje em dia. Se vencer o duelo individual contra o astro do alvinegro, o craque dos californianos, que tem médias de 23,3 pontos, 8,2 rebotes e 3,7 assistências em 32 minutos por jogo nos playoffs, deixa seu time com um pé na final.