Arquivo da categoria: Análises

Quem o Spurs deve selecionar no Draft de 2020?

Com chances cada vez mais remotas de chegar aos playoffs e em meio à incerteza sobre a continuidade da temporada 2019/2020, o San Antonio Spurs tem de, cada vez mais, concentrar esforços no próximo Draft. Se por um lado especialistas dizem que a classe não é muito forte, por outro o recrutamento de calouros é sempre uma boa oportunidade para se encontrar jogadores promissores que ganham um salário baixo nos seus primeiros anos na liga.

Deni Avdija, talvez o prospecto mais desejável para o Spurs (Reprodução/eurohoops.net)

A franquia texana, em especial, tem uma chance histórica no Draft. Oficialmente, o alvinegro não participa da loteria desde 1997, quando selecionou ninguém menos do que Tim Duncan. Em 2011, o Indiana Pacers recrutou Kawhi Leonard na 15ª colocação e o enviou para o Spurs em troca de George Hill. Foi a escolha mais alta desde que o lendário camisa #21 começou a defender a equipe de San Antonio.

Para entender a posição do Spurs rumo ao Draft, é preciso entender como funciona a loteria. Todo ano, as franquias que estão fora dos playoffs se reúnem para um sorteio que define quem serão os quatro primeiros a escolher. As equipes de pior campanha têm mais chances de ganharem as primeiras soluções. A partir do quinto lugar, tudo é ordenado de acordo com os recordes do time.

Do jeito que a classificação da NBA ficou com a pausa, o Spurs tem a 11ª pior campanha da liga. Se fosse assim para a loteria, a franquia texana teria 2% de chance de saltar para a primeira posição, 2,2% de chances de saltar para a segunda, 2,4% de chances de saltar para a terceira e 2,8% de chances de saltar para a quarta de acordo com o site Tankathon. O alvinegro teria ainda 77,6% de chance de conservar a 11ª colocação, 12,6% de ser ultrapassado por uma franquia e cair para 12º, 0,4% de ser ultrapassado por duas franquias e cair para 13º e uma possibilidade ínfima de ser ultrapassado por três franquias e cair para 14º.

Em outras palavras, o Spurs teria sua melhor escolha desde o Draft de Tim Duncan mesmo no cenário mais pessimista possível. E a possibilidade de selecionar um calouro desde as quatro primeiras posições até a 14ª faz com que seja necessário para a franquia analisar a maior quantidade possível de prospectos. Sem, claro, esquecer quais são suas necessidades.

Em 2017, de acordo com matéria publicada pela agência de notícias Associated Press, Brad Stevens, técnico do Boston Celtics e uma das mentes mais brilhantes da NBA, disse acreditar que hoje existem apenas três posições no basquete. Para ele, os papeis que se vê hoje em quadra são condutor de bola, ala e homem de garrafão, ainda que existam jogadores capazes de exercer duas ou mais funções. A abordagem moderna ajuda a perceber como há um buraco no elenco do Spurs.

Dejounte Murray, enquanto não aprender a arremessar, precisa jogar como condutor de bola para não estagnar o ataque do Spurs. O mesmo pode ser dito de DeMar DeRozan, que, apesar da possibilidade de deixar a franquia, tem a opção de renovar unilateralmente seu contrato para a próxima temporada. Derrick White e Lonnie Waker podem atuar sem a laranja porque são ameaças do perímetro, mas parecem funcionar melhor com ela em mãos.

Enquanto isso, o Spurs tem LaMarcus Aldridge, talvez melhor jogador do elenco, como homem de garrafão. Além disso, Jakob Poeltl será agente livre restrito ao fim da temporada, e seus bons momentos pelo alvinegro levam a crer que será feito o possível para mantê-lo. Ainda há Luka Samanic, que tem contrato garantido para a próxima temporada, Trey Lyles, que tem contrato parcialmente garantido, e Chimezie Metu, que tem contrato não garantido. Por fim, a franquia texana tem os direitos de Nikola Milutinov, sólido pivô do Olympiacos.

Embora seja possível acreditar que White, Walker, Samanic, Lyles e Metu possam jogar como alas, fica claro que essa é a função em que o Spurs tem o maior buraco. O pivô croata jogou apenas 12 minutos nesta temporada, e os dois últimos não tem permanência assegurada. Os únicos jogadores que parecem ser mais naturais da função e que têm contrato garantido para 2020/2021 são Patty Mills, que faz boa temporada como arremessador, Keldon Johnson, promissor mas ainda inexperiente, e Rudy Gay, já em natural curva decadente de fim de carreira.

Para a sorte do Spurs, existem alas sólidos na loteria. Veja, a seguir, quem combinaria bem com o que o Spurs precisa.

Deni Avdija

Ala de 19 anos de idade e 2,05m de altura, Deni Avdija tem tamanho para jogar como ala-pivô na NBA e habilidade e criatividade de um armador, combinação que chama atenção. Desde o começo do ano, o jogador tem ganhado espaço na rotação do Maccabi Tel Aviv, fazendo boas partidas tanto no campeonato nacional quanto na Euroliga. Na temporada, apresenta médias de 7,7 pontos e 4,1 rebotes em 19,8 minutos por exibição, convertendo 51,4% de suas tentativas de quadra, 33,6% de suas bolas de três pontos e 52% de seus lances livres. Sua mecânica de arremessos preocupa olheiros, mas melhorou ao longo da campanha. É candidato às três primeiras escolhas do Draft, e o Spurs teria que dar sorte para conseguir selecioná-lo.

Isaac Okoro

Ala de 19 anos de idade e 1,98m de altura, Isaac Okoro tem as ferramentas típicas de um ala da NBA. Considerado um dos melhores defensores da NCAA, ainda contribui ofensivamente com seu controle de bola e sua visão de jogo, além de se dedicar às partes que exigem mais ética de trabalho do jogo, como rebotes. Existe, no entanto, preocupação com sua mecânica de arremesso e, consequentemente, com seu impacto sem a bola. Nesta temporada, sua primeira no basquete universitário americano, teve médias de 12,9 pontos e 4,4 rebotes em 31,5 minutos por exibição por Auburn, com 51,4% de aproveitamento nos arremessos de quadra, 29% nas bolas de três e 67,2% nos lances livres. Deve estar disponível nas quatro primeiras colocações, mas dificilmente chegaria à 11ª.

Tyrese Haliburton

Armador de 20 anos de idade 1,96m de altura, Tyrese Haliburton é um jogador de muito QI de basquete e altruísmo, o que o faz parecer um fit natural para o Spurs. Como tem grande aproveitamento nos arremessos, mas abre mão de bolas fáceis para assistir seus companheiros com frequência, é adorado por franquias que valorizam os números, mas levanta preocupação de quem prefere observar os prospectos mais de perto. De qualquer jeito, funcionaria bem ao lado de um condutor de bola como Dejounte Murray ou DeMar DeRozan, já que tem altura e fundamentos bons o bastante para marcar jogadores da posição dois, por exemplo. Na temporada, sua segunda no basquete universitário americano, apresenta médias de 15,2 pontos, 6,5 assistências, 5,9 rebotes e 2,5 roubadas de bola em 36,7 minutos por exibição por Iowa State, convertendo 50,4% de seus arremessos de quadra, 41,9% de seus tiros de três e 82,2% de seus lances livres. Pode estar disponível quando a 11ª escolha chegar.

Saddiq Bey

Ala de 20 anos de idade e 2,03m de altura, Saddiq Bey é o típico jogador que franquias da NBA buscam para colocar ao redor de seus astros. Especialista em defesa e em tiros do perímetro, marcou jogadores das posições 1, 2, 3 e 4 na NCAA. Na temporada, sua segunda no basquete universitário americano, tem médias de 16,1 pontos e 4,7 rebotes em 33,9 minutos por exibição por Villanova, convertendo 47,7% de seus arremessos de quadra, 45,1% de suas bolas de três e 76,9% de seus lances livres. Deve estar disponível quando a 11ª escolha chegar.

Devin Vassell

Ala-armador de 19 anos de idade e 1,98m de altura, Devin Vassell viu sua cotação ir subindo ao longo da temporada por ser o role player dos sonhos da NBA moderna. Apesar de não ter um controle de bola que o permita atacar a cesta e nem um atleticismo de destaque, é um bom defensor e converte tiros do perímetro com antecedência, o que o torna um bom encaixe em qualquer equipe. Na temporada, sua segunda no basquete universitário americano, apresentou médias de 12,7 pontos e 5,1 rebotes em 28,8 minutos por exibição por Florida State, convertendo 49% de seus arremessos de quadra, 41,5% de suas bolas de três e 73,8% de seus lances livres. Deve estar disponível quando a 11ª escolha chegar.

O que o Spurs deve fazer com DeMar DeRozan?

Idolatrado por uns e perseguido por outros, DeMar DeRozan talvez seja o jogador mais polarizador do elenco do San Antonio Spurs neste momento. Em meio à pior temporada do alvinegro desde 1997, começa a surgir a possibilidade de o ala-armador deixar a equipe. O que, então, a franquia deve fazer com o ala-armador?

DeRozan em ação contra o Nets (Reprodução/nba.com/spurs)

Durante participação em programa da ESPN americana, Jabari Young, jornalista da CNBC e ex-setorista do Spurs no site The Athletic, afirmou que DeRozan está insatisfeito em San Antonio. Disse, porém, que o problema é mais esportivo, já que o ataque do time não estava funcionando da maneira que o ala-armador gostaria, do que de relacionamento com a franquia. O camisa #10 depois negou publicamente a informação.

De qualquer modo, onde há fumaça a fogo. Saber se a insatisfação de DeRozan é pontual e pode ser resolvida com um time mais competitivo ou se ele gostaria de deixar San Antonio é importante porque ele tem total controle sobre seu futuro. O contrato do ala-armador dá a ele a possibilidade de renovação unilateral para a próxima temporada por US$ 27.739.975,00, salário que ele dificilmente conseguiria em outro lugar. Em outras palavras, o jogador escolhe se quer ser agente livre em 2020 ou 2021.

Se DeRozan escolher sair, então, o Spurs terá US$ 27.739.975,00 para gastar com reforços? Não é bem assim. Para saber entender como ficaria a posição do alvinegro na disputa por agentes livres, é preciso entender um pouco como funciona o sistema salarial da NBA.

A princípio, estima-se que o teto salarial seja de US$ 115 milhões na próxima temporada. Sem contar com os ordenados de DeRozan, o Spurs já parte com US$ 84.520.245,00 comprometidos. Grande parte diz respeito aos oito jogadores que têm contratos garantidos com a franquia para 2020/2021: LaMarcus Aldridge (US$ 24 milhões), Rudy Gay (US$ 14,5 milhões), Dejounte Murray (US$ 14.286.000,00), Patty Mills (US$ 13.285.714,00), Derrick White (US$ 3.516.284,00), Lonnie Walker (US$ 2.892.000,00), Luka Samanic (US$ 2.824.320,00) e Keldon Johnson (US$ 2.048.040,00).

Também estão comprometidos os US$ 6.167.887,00 que DeMarre Carroll receberia na próxima temporada. O ala foi dispensado, mas seu contrato com a franquia previa esse salário garantido em 2020/2021, o que faz com que o valor continue contando contra o teto. Além disso, Trey Lyles terá ordenado de US$ 5.500.000,00, mas somente US$ 1 milhão garantido – resto é pago com o andamento da campanha caso ele não seja dispensado.

Mais dois jogadores têm salários não garantidos para 2020/2021. O primeiro é Chimezie Metu, cujo ordenado de US$ 1.663.861,00 será pago conforme os dias trabalhados caso ele não seja dispensado. Além disso, o vínculo de Jakob Poeltl inclui uma qualifying offer de US$ 5.087.871,00 para a próxima temporada. Isso significa que ele pode receber propostas de outras franquias, mas o Spurs tem direito de cobri-las se quiser mantê-lo. Se o pivô não tiver ou não aceitar nenhuma oferta de fora, renova automaticamente pela quantia inicialmente estabelecida.

Em outras palavras, o Spurs terá US$ 30.479.755,00 para gastar com reforços caso DeRozan saia, Lyles e Metu sejam dispensados antes mesmo da próxima temporada começar e a franquia texana abra mão do direito de cobrir propostas por Poeltl e deixe que ele se torne um agente livre irrestrito. Parece improvável principalmente por causa do jovem pivô, que, aos 24 anos de idade, fez bons jogos com a camisa alvinegra, especialmente defensivamente.

Se por um lado times como o Houston Rockets passam a impressão de que pivôs estão em extinção na liga, equipes como o Los Angeles Lakers mostram que tamanho ainda pode ser importante na briga pelo título da NBA. Assim, em um cenário em que DeRozan saia e o Spurs tenha de pagar US$ 8 milhões para Poeltl em 2020/2021, a franquia terá menos dinheiro para investir em reforços do que pagaria ao ala-armador mesmo se dispensar Lyles e Metu.

Além disso, a lista de agentes livres de 2020 está longe de ser uma das mais atrativas dos últimos tempos. Anthony Davis, Brandon Ingram, Bogdan Bogdanovic, Andre Drummond, Gordon Hayward e Evan Fournier podem engrossar a lista de maneira condicional, como DeRozan, mas é difícil imaginar cenários que levariam um deles a San Antonio. Entre os irrestritos, nomes de destaque são Fred VanVleet, Montrezl Harrell, Danilo Gallinari, Joe Harris e os velhos conhecidos do Spurs Davis Bertans e Aron Baynes. Bons jogadores, mas que dificilmente mudariam o patamar em que o time texano se encontra no momento.

Fazendo um balanço, em todos os cenários o melhor a se fazer é torcer para que DeRozan exerça sua opção para prorrogar seu contrato com o Spurs até o fim da temporada 2020/2021. Mesmo que o futuro do ala-armador não seja em San Antonio, a franquia texana tem mais chances de conseguir repor sua saída por meio de uma troca do que buscando um agente livre para substitui-lo.

Mas há, também, a possibilidade de mantê-lo no elenco por mais um ano como escudo para os mais jovens. Por um lado, é difícil ver Dejounte Murray, Derrick White e Lonnie Walker tendo minutos reduzidos, especialmente em uma rotação em que Bryn Forbes e Marco Belinelli têm tanto tempo de quadra. Por outro, em um momento de histórica pressão sobre a franquia, é bom que as jovens promessas tenham um tempo extra de desenvolvimento sem precisarem assumir as rédeas da franquia, que hoje estão nas mãos de DeRozan e de LaMarcus Aldridge. Assim, quando o ala-armador sair, os garotos estarão mais prontos para a responsabilidade que os aguarda.

Uma proposta de rotação pata o Spurs

Com apenas seis vitórias nos primeiros 18 jogos do campeonato, o San Antonio Spurs faz início de temporada historicamente ruim na era Gregg Popovich. A campanha abaixo da crítica já faz com que rumores de troca apareçam e com que torcedores cobrem mudanças imediatas no plantel. Mas será que não é possível obter um melhor desempenho com o elenco atual do alvinegro?

Murray e DeRozan em ação contra o Lakers; dupla não tem funcionado (Reprodução/nba.com/spurs)

Pop começou o ano com Dejounte Murray, Bryn Forbes, DeMar DeRozan, Trey Lyles e LaMarcus Aldridge formando seu quinteto titular. Recentemente, resolveu retomar o time que começava os jogos na temporada passada, sacando o armador e o ala-pivô e promovendo as entradas de Derrick White e Jakob Poeltl. Além disso, tem dado mais minutos a DeMarre Carroll, o que tira tempo de quadra de Marco Belinelli.

As mudanças tentam atacar dois problemas graves facilmente identificáveis. O primeiro deles é a defesa, costumeiramente um ponto forte dos times de Pop. O Spurs permitiu 115,3 pontos por jogo a seus adversários, sexta pior marca da NBA. As equipes que enfrentam o alvinegro marcam 113,8 pontos a cada 100 posses de bola, o que faz com que a equipe texana tenha a quinta pior defesa da liga.

Parte disso se dá graças à ausência de especialistas em defesa de perímetro na rotação. Na última parcial que fez do Spurs, o site NBA Math mostrou um pouco o tamanho do problema.

O gráfico mostra o resultado de cada jogador do Spurs em estatísticas avançadas dos dois lados da quadra. Quanto mais para direita um atleta aparece, melhor é seu desempenho ofensivo na temporada. Quanto mais para cima, melhor seu desempenho defensivo.

Em outras palavras, Bryn Forbes, Patty Mills e Marco Belinelli são os três piores defensores do Spurs na temporada segundo as métricas avançadas do site. O australiano compensa sendo o melhor jogador ofensivo do elenco desde o início do campeonato. Então, fica aqui a primeira proposta: trocar definitivamente os outros dois por Lonnie Walker e DeMarre Carroll na rotação.

O segundo problema claro do Spurs é a falta de compatibilidade de alguns dos seus principais jogadores. Murray, DeRozan e Aldridge funcionam melhor com a bola nas mãos e, juntos no time titular, não conseguiram fazer com que a equipe fluísse. Segundo o site oficial da NBA, o alvinegro ficou 238 minutos com os três em quadra nesta temporada e sofreu 71 pontos a mais do que marcou neste recorte. É o pior saldo de qualquer combinação de três jogadores do elenco. Assim, não é de se espantar que o armador tenha virado reserva.

O mesmo vale para combinações entre dois desses três atletas. O Spurs jogou 518 minutos com DeRozan e Aldridge juntos e sofreu 81 pontos a mais do que marcou. Com Murray e DeRozan juntos, são 264 minutos e saldo negativo de 83 pontos. Com Murray e Aldridge juntos, são 262 minutos e saldo negativo de 87 pontos. São as três piores marcas de qualquer dupla do alvinegro na temporada.

Será que separar Murray dos dois astros é a melhor solução? Eu particularmente acho que não. O armador tem como pontos fortes a defesa e os rebotes, mas não é um playmaker. Não tem criatividade e não combina com a movimentação de bola da segunda unidade, hoje capitaneada por Patty Mills e Rudy Gay.

Dos três, Aldridge é claramente quem joga melhor sem a bola. Tem 34,5% de aproveitamento nos arremessos de três pontos, contra 22,2% de Murray. Em estatística que assusta, DeRozan tentou apenas quatro bolas do perímetro na temporada e errou as quatro. Além disso, o ala-pivô se destaca no trabalho sujo. Pegou 37 rebotes de ataque na temporada, segunda melhor marca do elenco, perdendo apenas para os 41 de Poeltl. Se destaca também na proteção do aro, limitando os adversários a aproveitamento de 54,8% nos arremessos dados a menos de seis pés da cesta, ficando atrás somente dos 50% de Poeltl e dos 52% de Carroll no plantel. Por fim, é um dos melhores de toda a NBA em abrir espaço para companheiros pontuarem om corta-luzes.

Em outras palavras, Aldridge é o menos indicado para ser isolado dos outros dois. E as pistas dadas acima mostram que talvez esse papel caiba para DeRozan. Murray aparece no gráfico do NBA Math como melhor defensor do elenco na temporada, o que pode torná-lo mais adequado para um papel reduzido. Enquanto isso, o ala-armador dá 4,6 assistências por jogo, contra 4,3 do armador, e seu desempenho abaixo da crítica na defesa e nos arremessos do perímetro mostra que ele não tem muita utilidade quando não está com a bola em mãos. Então, que tal deixar o camisa #10 no comando da segunda unidade?

Claro que colocar um jogador com a grife de DeRozan no banco pode causar problemas no vestiário. Também pode tirar sua confiança, já que se trata de um atleta assumidamente frágil psicologicamente. Mas é possível mantê-lo no quinteto titular e substitui-lo cedo, devolvendo-o para a quadra com os arremessadores da segunda unidade.

Assim, o time titular poderia ter Murray puxando contra-ataques em alta velocidade e, no ataque de meia-quadra, teria como premissa acionar Aldridge no poste baixo. A falta de criatividade do armador poderia ser compensada com a presença de playmakers como White e Gay. Seguindo a mesma lógica, Walker poderia ser quem vem do banco de reservas para substituir DeRozan e completar esse quinteto.

A falta de espaçamento seria um problema, que poderia ser compensada caso a defesa funcionasse e Murray, Gay e Aldridge tivessem sucesso brigando por rebotes ofensivos.

Enquanto isso, DeRozan poderia ter um papel semelhante ao que Lou Williams tem no Los Angeles Clippers. O ala-armador da equipe angelina comanda uma segunda unidade baseada no seu entrosamento com Montrezl Harrell nos pick-and-rolls, com arremessadores cercando a dupla. O camisa #10 do Spurs poderia fazer o mesmo com Poeltl, com quem joga junto há quatro temporadas, aproveitando-se do espaçamento que Mills, Carroll e Lyles ofereceriam com suas bolas de três.

Assim, o time titular teria Murray, White, DeRozan, Gay e Aldridge. Walker entraria para substituir DeRozan, que passaria a comandar uma segunda unidade que contaria também com Mills, Carroll, Lyles e Poeltl. Uma abordagem que ao menos minimizaria os evidentes problemas que o Spurs vem apresentando na temporada.

Explorando cenários de troca com o Magic

Nessa semana, o jornalista Kevin O’Connor, do site americano The Ringer, noticiou que o Orlando Magic tem interesse de trocar por DeMar DeRozan, ala-armador do San Antonio Spurs. Será que uma possível negociação pode ajudar a equipe texana, que venceu apenas cinco das primeiras 11 partidas que fez na temporada 2019/2020 da NBA?

DeRozan em ação pelo Spurs contra o Minnesota Timberwolves (Reprodução/nba.com/spurs)

Na temporada, DeRozan tem médias de 20,1 pontos, 4,9 rebotes e 4,8 assistências em 33,3 minutos por exibição. É o maior cestinha e quem dá mais passes decisivos de todo o elenco. Por isso, para liberar o camisa #10, o Spurs teria de dar um jeito de compensar sua produção ofensiva.

Além disso, a saída de DeRozan realçaria um dos principais problemas do alvinegro texano: a falta de tamanho no perímetro. Considerando que Lonnie Walker e DeMarre Carroll estão fora da rotação e que Rudy Gay hoje é um ala-pivô, o camisa #10, de 2,01m de altura, é o maior entre os jogadores das posições 1 e 3, à frente de Dejounte Murray e Marco Belinelli, que têm 1,96m, Derrick White, que tem 1,93m, Bryn Forbes, que tem 1,91, e Patty Mills, que tem 1,83.

Em outras palavras, o Spurs precisaria de ao menos um ala alto e capaz de contribuir no ataque para continuar competitivo sem DeRozan. Também poderia pegar jovens e escolhas de Draft em uma possível troca, mas esse caminho não fez parte da filosofia da franquia desde a chegada de Tim Duncan em 1997.

Considerando que o Magic dificilmente trocaria Jonathan Isaac, a franquia de Orlando tem três jogadores que poderiam atender às necessidades do Spurs: Aaron Gordon, de 2,03m, Evan Fournier, de 2,01m, e Terrence Ross, de 1,98m. Será possível adquiri-los?

Nesta temporada, DeRozan tem salário de US$ 27.739.975,00, e o jogador tem a opção unilateral de renovar pelo mesmo valor para 2020/2021 ou se tornar agente livre irrestrito na próxima offseason. Isso significa que o ala-armador ganha mais do que os três jogadores do Magic citados, mas fica sem contrato antes de dois deles.

Fournier é o segundo maior cestinha do Magic na temporada. Sustenta médias de 15,3 pontos, 3,3 rebotes e 3,1 assistências em 28,5 minutos por exibição, com aproveitamento de 38,2% nos arremessos de três pontos. Tem contrato com estrutura parecida com a do vínculo de DeRozan: ganha US$ 17.150.00,00 milhões nesta temporada e tem a opção unilateral de renovar pelo mesmo valor para 2019/2020 ou se tornar agente livre na próxima offseason.

Gordon, por sua vez, é quem tem o contrato mais indigesto. Tem mais três anos garantidos pela frente, com salário que vai diminuindo: ganha US$ 19.863.636,00 nesta temporada, US$ 18.136.364,00 na próxima e US$ 16.409.091,00 em 2021/2022. Na temporada, o ala tem médias de 14 pontos, 6,2 rebotes e 3,1 assistências em 31,1 minutos por exibição, convertendo 31,7% de seus arremessos de três pontos e se destacando pela forte defesa.

Por fim, Ross tem mais quatro anos de contrato garantido pela frente, ganhando US$ 12.500.000,00 nesta temporada, US$ 13.500.000,00 na próxima, US$ 12.500.000,00 em 2020/2021 e US$ 11.500.000,00 em 2021/2022. Reserva nesta campanha, tem médias de 9,1 pontos e três rebotes em 22,6 minutos por exibição, convertendo 23,9 minutos por exibição. O Spurs já teve interesse no ala no passado.

Isto posto, o melhor cenário para o Spurs seria adquirir Fournier na troca. Assim, teria o ala sob contrato no máximo até o fim da próxima temporada, o que coincidiria com o fim dos vínculos de Aldridge, Gay e Mills, entre outro. Hoje, a franquia texana só tem Murray com salário garantido para 2021/2022.

Porém, uma troca pau a pau entre DeRozan e Fournier não funcionaria porque o Magic estouraria o teto salarial permitido pela NBA. A transação poderia funcionar se a franquia texana enviasse junto o ala-pivô Chimezie Metu, dono do menor ordenado do elenco, e recebesse também o armador DJ Augustin, que tem salário expirante de US$ 7.250.000,00.

Se sob o ponto de vista salarial adquirir Fournier parece a opção mais vantajosa, esportivamente a melhor aposta seria Gordon. Trata-se de um ala de 24 anos, com grande capacidade e versatilidade defensiva e que teria considerável potencial de crescimento atuando no Spurs, uma franquia que nos últimos anos tem histórico de desenvolvimento de jogadores muito melhor que o do Magic.

Como o salário de Gordon é maior do que o de Fournier, o Spurs poderia aproveitar para envolver Belinelli, que vem de começo de temporada abaixo da crítica, na troca. De qualquer modo, teria que receber junto o expirante de Augustin para fazer a transação funcionar.

O Spurs também pode pedir pacotes que incluam Ross se assim desejar. Ao adquirir mais salários considerados ruins, a franquia texana teria mais chances de conseguir escolhas de Draft em uma possível transação. Mas por enquanto o ala não é elegível para troca, já que seu contrato foi assinado na última offseason. O mesmo vale para seus colegas de equipe Michael Carter-Williams, Al-Farouq Aminu, Amile Jefferson, Nikola Vucevic e Khem Birch. Do lado texano, estão nesta situação DeMarre Carroll, Rudy Gay e Trey Lyles. Todos estes jogadores só podem ser negociados a partir do dia 15 de dezembro.

Com Fournier ou Gordon, o Spurs conseguiria alguém capaz de contribuir ofensivamente e que funcionaria melhor sem a bola do que DeRozan, o que seria um encaixe melhor em uma equipe titular que já conta com Murray e Aldridge. Resta saber se a franquia priorizaria a melhor opção salarial ou esportiva caso decidisse trocar seu astro.

Quem o Spurs escolheu no Draft de 2019

Um ala-pivô e dois alas-armadores: esse foi o saldo do San Antonio Spurs no Draft de 2019, realizado nessa quinta-feira (20), em Nova York. Carente principalmente de opções para as posições 3 e 4, a franquia texana, que tradicionalmente seleciona o melhor jogador disponível, parece ter olhado com um pouco mais de carinho para as necessidades de seu elenco ao escolher Luka Samanic na 19ª colocação e Keldon Johnson na 29ª. Na segunda rodada, o alvinegro fugiu um pouco do script ao fisgar Quinndary Weatherspoon na 49ª posição.

Como dito na análise pré-Draft do Spurs Brasil, as alas foram o principal problema do time de San Antonio na temporada 2018/2019. Entre as opções disponíveis, apenas DeMar DeRozan e Davis Bertans seguem sob contrato. Rudy Gay é agente livre irrestrito, embora a imprensa americana trabalhe com a informação de que ele tende a renovar contrato com a franquia.

Vale lembrar, porém, a postura conservadora que o treinador Gregg Popovich costuma adotar com os seus novatos. A maioria não costuma ganhar muitos minutos competitivos, especialmente em jogos importantes. Com isso, é de se esperar que Samanic e Johnson vão passar um ano prioritariamente se desenvolvendo e aprendendo o esquema tático do time no Austin Spurs antes de tentarem entrar na rotação da equipe de San Antonio.

Se de fato manter Gay e não renovar com Quincy Pondexter, Dante Cunningham e Donatas Motiejunas, o Spurs terá 12 jogadores sob contrato para a temporada 2019/2020. Com Samanic e Johnson, esse número sobe para 14, deixando só uma vaga aberta. Ela pode ser um de agente livre, de um stash como Nikola Milutinov ou de Weatherspoon, que também pode assinar um contrato no formato two-way. Em outras palavras, as grandes novidades para a próxima campanha devem ser o retorno de lesão de Dejounte Murray e o processo de maturação de Lonnie Walker e Chimezie Metu, que concluíram o tal ano de adaptação na G-League e podem enfim disputar tempo de quadra na equipe de Popovich.

Isto posto, vamos ao que se pode esperar dos novos jogadores ligados ao Spurs a médio e longo prazo. Para isso, tomemos como base análises de Jonathan Givony, da ESPN, e Sam Vecenie, do The Athletic, respeitados analistas de prospectos da imprensa americana.

Luka Samanic

Comissário da NBA, Adam Silver recebe Luka Samanic (Reprodução/foxsports.com)

Comissário da NBA, Adam Silver recebe Luka Samanic (Reprodução/foxsports.com)

Quem acompanhou o noticiário ligado ao Spurs nas últimas semanas sabia o quanto a franquia estava interessada em Samanic. General Manager da franquia, R.C. Buford foi pessoalmente até a Europa para observar o jogador, que ainda fez treinos privados com representantes da comissão técnica do alvinegro e teve bom desempenho no Combine, principal evento pré-Draft para os prospectos de destaque. Porém, quando a escolha 19 chegou, nomes como Nassir Little e Brandon Clarke, que estavam projetados para o top 10, ainda estavam disponíveis, o que fez com que o recrutamento do europeu provocasse certa decepção.

Ala croata de 19 anos de idade e 2,10m de altura, Samanic teve médias de oito pontos (48,4% FG, 33,8% 3 PT, 72,2% FT) e 4,8 rebotes em 18,4 minutos por exibição na última temporada, sua primeira como profissional, defendendo as cores do Union Olimpija. Algumas das suas qualidades casam perfeitamente com o que o Spurs costuma procurar e valorizar, já que trata-se de um jogador habilidoso, inteligente e com boa visão de quadra.

Com sua combinação de ferramentas físicas e técnicas, Samanic pode se tornar uma grande arma ofensiva no pick-and-roll. Isso porque tem capacidade para arremessar, para atacar o aro ou para passar a bola após receber passes em movimento. Além disso, pode jogar de costas para a cesta, pode espaçar a quadra como arremessador do perímetro e pode até mesmo usar a habilidade para atacar adversários mais lentos a partir do drible. Tudo isso porque, apesar do tamanho, se destaca pela coordenação motora, pela agilidade e pela fluidez dos movimentos.

Porém, apesar de saber fazer um pouco tudo, Samanic não é elite em nenhum fundamento ofensivo e ainda precisa trabalhar em todas as áreas do jogo. Além disso, costuma ter dificuldades para finalizar sob contato, e a tradicional temporada de novato em Austin será importantíssima para que ele aprenda a lidar com o nível de atleticismo da NBA. Por fim, precisa trabalhar também o aspecto mental, já que costuma reagir mal quando erra arremessos seguidos e precisa manter-se focado para ser consistente em momentos de adversidade.

Na defesa, a versatilidade de Samanic parece ser ainda mais importante do que no ataque. Isso porque o ala-pivô tem pés leves o bastante para defender jogadores de perímetro em trocas de marcação. Além disso, a dificuldade que ele tem para produzir sob contato ofensivamente não existe aqui, e sua capacidade de ser “duro” na marcação e na proteção do aro foi uma das maiores evoluções do seu jogo em sua primeira temporada como profissional.

Em outras palavras, se conseguir se desenvolver bem, Samanic pode atuar ao lado de qualquer jogador de garrafão do elenco do Spurs. Pode espaçar a quadra para LaMarcus Aldridge e Jakob Poeltl e pode jogar como pivô tradicional quando Davis Bertans ou Rudy Gay estiverem na posição 4. Além disso, tem potencial para formar dupla de interessante versatilidade dos dois lados da quadra com Chimezie Metu. Analisando o plantel, talvez tenha de fato um encaixe mais natural do que Brandon Clarke teria. Mas talvez a franquia se arrependa de não ter selecionado Nassir Little, que parece ser justamente o ala que a equipe estava precisando.

Keldon Johnson

Keldon Johnson com boné do Spurs (Reprodução/kentucky.com)

Quando a escolha 29 chegou, a maioria dos jogadores interessantes com tamanho de um ala moderno da NBA já havia sido escolhida. Neste cenário, restou ao Spurs selecionar Keldon Johnson. Ala-armador de 19 anos de idade e 1,98m de altura, acaba de concluir sua primeira temporada no basquete universitário americano, na qual apresentou médias de 13,5 pontos (46,1% FG, 38,1% 3 PT, 70,3% FT) e 5,9 rebotes em 30,7 minutos por exibição defendendo as cores de Kentucky. Com sua listagem oficial de tamanho, já se torna o segundo jogador mais alto de perímetro do elenco, superando Dejounte Murray, Marco Belinelli e Lonnie Walker, todos com 1,96m, e ficando atrás somente de DeMar DeRozan, que tem 2,01m.

Apesar de não ter exatamente a altura de que o Spurs sente falta, Johnson compensa com força física e uma enorme envergadura, o que pode fazer até com que ele exerça a função de Rudy Gay como um ala-pivô mais leve em escalações mais baixas. Além disso, tem outras virtudes que podem ser muito úteis nesse plantel. Entre elas, duas chamam atenção por serem características que a franquia costuma valorizar: a dedicação na defesa e o caráter no vestiário, que combina bem com a cultura que o alvinegro tenta desenvolver.

É justamente na defesa que Johnson pode encontrar seu caminho para o sucesso no Spurs. Marcador e reboteiro competitivo, costuma jogar deste lado da quadra com firmeza, confiança e intensidade. Por isso, é de se imaginar que o ala-armador pode ser alguém útil mesmo se não evoluir muito em outras habilidades. Porém, ainda precisa desenvolver um pouco seus instintos e aprender como pode ser efetivo ao tentar conter jogadores menores e mais rápidos.

No ataque, Johnson pode usar a força física para atacar o aro se tiver uma rota aberta para isso, especialmente em transição, e é capaz de converter bolas de três pontos se estiver livres e com os dois pés estabelecidos no chão. Porém, não é um arremessador dinâmico, tem uma mecânica lenta e não consegue produzir para ele mesmo ofensivamente com consistência.

Em outras palavras, o prospecto pode se tornar um complemento útil em um elenco cheio de jogadores capazes de criarem com a bola nas mãos, como Dejounte Murray, Derrick White, DeMar DeRozan e LaMarcus Aldridge. Qualquer coisa além disso será uma agradável surpresa.

Quinndary Weatherspoon

Vai demorar até a gente aprender a escrever Weatherspoon (Reprodução/clarionledger.com)

Na segunda rodada, em uma altura em que o Draft já estava caminando para a sua reta final, o Spurs pareceu olhar menos para as necessidades do elenco e simplesmente pegou o jogador que mais lhe interessava. Ala-armador de 22 anos de idade e 1,93m de altura, Quinndary Weatherspoon acaba de concluir a sua quarta e última temporada no basquete universitário americano, na qual apresentou médias de 18,5 pontos (50,8% FG, 39,6% 3 PT, 80,9% FT) e 4,7 rebotes em 34 minutos por exibição defendendo as cores de Mississippi State.

A princípio, é difícil imaginar como um jogador desse tamanho pode entrar em uma rotação que tem Dejounte Murray, Patty Mills, Bryn Forbes, Derrick White, DeMarDeRozan e Marco Belinelli para as posições 1 e 2. Mas Weatherspoon compensa a falta de altura com envergadura típica de um ala-pivô e muita força física, o que dá ao jogador muita versatilidade, especialmente na defesa. Assim, é comparado a Gary Harris, titular do Denver Nuggets.

A velocidade dos seus pés, seu espírito competitivo e sua perícia em antecipações fazem com que Weatherspoon seja uma escolha de valor nesta altura do Draft. Além disso, ele se tornou um arremessador confiável em sua última temporada na NCAA, convertendo bolas de três pontos quando conseguia plantar os dois pés no chão apesar da mecânica lenta. Além disso, pode funcionar como um condutor de bola secundário, já que é capaz de criar a partir do pick-and-roll.

O ala-armador se apresentou bem no Portsmouth Invitational e no Draft Combine, dois importantes eventos para prospectos nos Estados Unidos no processo que antecede o recrutamento de calouros, e foi premiado com a escolha do Spurs. Agora, vai precisar batalhar muito para conseguir cavar uma vaga no elenco profissional e se firmar na rotação de Popovich.