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Prévia de Warriors x Spurs – Primeira rodada

Ginobili precisa ajudar Aldridge para o Spurs ter chance (Reprodução/nba.com/spurs)

Depois de terminar a temporada regular na sétima colocação da Conferência Oeste, o San Antonio Spurs estreia nos playoffs contra o Golden State Warriors, atuais campeões da NBA e vice-líderes da classificação. O alvinegro começa a série sem Kawhi Leonard, enquanto os californianos têm Stephen Curry e Patrick McCaw como desfalques.

Spurs e Warriors começam a se enfrentar neste sábado (14), na Oracle Arena, casa do adversário. Ao longo da temporada regular, as duas equipes mediram forças quatro vezes, com apenas uma vitória a favor dos texanos. Relembre como foram todos estes confrontos a seguir:

Confrontos na temporada (1-3):

02/11/2017 – Spurs 92 vs 112 Warriors

Sem Tony Parker, Kawhi Leonard e Joffrey Lauvergne, o Spurs não foi páreo para o Warriors e acabou derrotado em casa. LaMarcus Aldridge, com 24 pontos e dez rebotes, se destacou.

10/02/2018 – Spurs 105 @ 122 Warriors

No segundo duelo da temporada, o Warriors levou a melhor de novo. Na ocasião, Kyle Anderson anotou 20 pontos, seis rebotes, quatro assistências, três roubadas de bola e dois tocos.

08/03/2018 – Spurs 107 @ 110 Warriors

Sem Kawhi Leonard e Pau Gasol, o Spurs visitou o Warriors e até conseguiu equilibrar o jogo, mas acabou derrotado. LaMarcus Aldridge, com 30 pontos e 17 rebotes, se destacou.

19/03/2018 – Spurs 89 x 75 Warriors

A única vitória do Spurs sobre o Warriors na temporada regular aconteceu no AT&T Center, em jogo em que os californianos não puderam contar com Stephen Curry, Klay Thompson e Kevin Durant e ainda perderam Draymond Green durante a partida. LaMarcus Aldridge, com 33 pontos, 12 rebotes e dois tocos, se destacou pelo alvinegro de San Antonio na ocasião.

Agora, chegou a hora de o Spurs medir forças com o time californiano na série válida pela primeira rodada dos playoffs da Conferência Oeste. A seguir, blogueiros do Spurs Brasil contam o que esperam do confronto e dos jogadores que poderão ajudar a decidi-lo. Confira abaixo:

Lucas Pastore

Palpite: Warriors 4 a 1
A ausência de Kawhi Leonard faz com que o Spurs não tenha um jogador que possa defender Kevin Durant – Danny Green, que é quem chega mais perto disso, é baixo demais para a função. Por outro lado, o Warriors também não tem um marcador capaz de deter LaMarcus Aldridge no mano a mano. A diferença está nos elencos de apoio: enquanto os californianos contam com Klay Thompson, Andre Iguodala e Draymond Green, o alvinegro vive do último suspiro de veteranos e de lampejos de jogadores mais jovens. Se não bastasse, ainda cerca o camisa #12 com gente que não arremessa bem, como Dejounte Murray, Tony Parker e Kyle Anderson, o que deve fazer com que os adversários dobrem a marcação sobre o ala-pivô toda hora. Infelizmente, trata-se de um oponente com poder de fogo demais.
Peça-chave do Spurs:
 Manu Ginobili
Peça-chave do Warriors:
 Draymond Green

Sonia Cury

Palpite: Warriors 4 a 2
Playoffs se trata, acima de tudo, de consistência. É preciso um elenco equilibrado para suportar toda a grande carga emocional e física que a fase eliminatória demanda. Apesar de não poder contar com Stephen Curry, o Warriors segue com um elenco forte e entrosado, diferente do Spurs, que sofreu com diversos desfalques ao longo da temporada e oscilou muito em seu desempenho. Mesmo com o crescimento notável de jogadores como Kyle Anderson, que teve muito mais tempo de quadra e destaque, e Dejounte Murray, o time texano depende muito das ações e liderança de LaMarcus Aldridge para se impor em um confronto. Já o time de Oakland, mesmo com a ausência de sua principal estrela, conta com nomes como Klay Thompson e Kevin Durant, que estão em sua melhor forma e momento, além de um banco de reservas que responde às expectativas do técnico Steve Kerr. O que pode ajudar o alvinegro é a experiência e a maneira como os jogadores com mais tempo na franquia crescem em momentos decisivos, assim como Gregg Popovich, que sabe extrair o que seus comandados têm de melhor a oferecer em situações decisivas. Manu Ginobili vem de uma boa sequência na reta final, Rudy Gay está aparecendo no boxscore com mais frequência, Tony Parker voltou a fazer boas atuações e até peças como Danny Green e Patty Mills – com suas bolas de três – tiveram algumas boas atuações, e é aí que está o problema: a equipe é inconsistente nessa temporada. E se tratando de playoffs, cada oscilada é um risco. Mesmo assim, é esperado um grande duelo.
Peça-chave do Spurs: Manu Ginobili
Peça-chave do Warriors: Klay Thompson

Vinicius Esperança

Palpite: Warriors 4 a 1
Atuais campeões da NBA, com um dos melhores times de todos os tempos e com dois dos melhores jogadores na atualidade, contra um Spurs enfraquecido sem sua principal estrela. O Warriors é amplo favorito no confronto. Mesmo com a ausência de Stephen Curry, que perderá toda a primeira rodada dos playoffs, o time californiano, que aparentemente tirou o pé nessa temporada regular, ainda apresenta suas armas com Draymond Green, Kevin Durant e Klay Thompson. O banco adversário, que já foi um dos melhores da NBA, agora não parece ser tão produtivo, porém, não pode-se duvidar. Por outro lado, LaMarcus Aldridge vive, talvez, a melhor temporada de sua carreira, o que pode ser um ponto positivo para equipe texana. A experiência que Dejounte Murray obteve nos playoffs passados pode ajudar, e Manu Ginobili, que nesse fim de temporada mostrou-se fisicamente e mentalmente muito forte, pode ser um ponto de desequilíbrio. Entretanto, os comandados de Steve Kerr não devem ter dificuldades em “atropelar” os comandados de Gregg Popovich. Por fim, não pode-se deixar de pensar que o velho Pop pode surpreender com algum de seus coelhos tirados da cartola. Tony Parker, que vem fazendo temporada bem sofrível, pode tornar as partidas mais equilibradas.
Peça-chave do Spurs:
 Tony Parker
Peça-chave do Warriors:
 Draymond Green

Olho neles!

LaMarcus Aldridge é o destaque do Spurs na temporada por muito, o que deve fazer com que o Warriors dobre a marcação sobre ele. Quem melhor pode ajudá-lo é Manu Ginobili, criativo para envolvê-lo em jogadas de pick-and-roll e confiável para converter cestas de três e ajudar a espaçar a quadra para o colega. Na temporada, o argentino teve médias de 8,9 pontos e 2,5 assistências em vinte minutos por exibição. Nos quatro jogos contra os californianos, esses números foram de seis pontos e 2,3 assistências em 16,4 minutos por partida.

Além de ser um coadjuvante de luxo para Durant no ataque, o que Aldridge não tem, Draymond Green pode desequilibrar de vez a série se conseguir marcar Aldridge no mano a mano, sem a necessidade de dobras na defesa. Na temporada regular, o ala-pivô do Warriors apresentou médias de 11 pontos, 7,6 rebotes e 7,3 assistências em 32,7 minutos por exibição. Considerando somente os quatro confrontos com o alvinegro de San Antonio, esses números foram de 11 pontos, sete rebores e 6,8 assistências em 28,2 minutos por partida.

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Detectando problemas na rotação do Spurs

No dia 21 de janeiro, Dejounte Murray começou sua trajetória como armador titular do San Antonio Spurs em derrota para o Indiana Pacers no AT&T Center. Na ocasião, a equipe ocupava a terceira colocação na Conferência Oeste e estava só 3,5 jogos atrás do Houston Rockets, então vice-líder. Desde então, o alvinegro venceu apenas seis dos 16 jogos que fez, caindo para a sexta posição na tabela e vendo sua vaga para os playoffs ficar ameaçada. Claro que ninguém em sã consciência considera que o jovem de 21 anos de idade é o problema do time na temporada. Mas os dados mostram que a ausência de Kawhi Leonard criou um problema para Gregg Popovich: encontrar um modelo de rotação competitivo e sustentável.

Forbes deve ganhar espaço na segunda unidade? (Reprodução/nba.com/spurs)

A titularidade de Murray veio no quarto jogo após Leonard ser afastado novamente devido à sua lesão no quadríceps da perna direita. Isso pode ser uma pista de que Pop havia montado sua rotação na primeira metade da temporada apenas para esperar o retorno de seu principal jogador. No entanto, quando o ala voltou a sentir, o técnico pode ter percebido que era hora de pensar em alternativas, já que o retorno do camisa #2 antes dos playoffs virou dúvida.

A ideia de usar Murray como titular faz sentido porque tê-lo no lugar de Tony Parker, que passou a sair do banco, ajuda na defesa do quinteto inicial, claramente desfalcada com a ausência de Leonard. No entanto, solucionar um problema criou outros para Popovich, o que ajuda a dar a dimensão do tamanho do problema que é para o Spurs não ter seu principal jogador.

Brad Stevens, técnico do Boston Celtics e uma das mentes mais brilhantes da NBA, foi questionado recentemente sobre as posições do basquete moderno e respondeu dizendo que hoje elas são apenas três: condutor de bola, ala ou pivô. A análise faz sentido quando pensamos no que estamos acostumados a ver do Spurs nos últimos anos: quantas jogadas começaram com Tony Parker ou Manu Ginobili em corta-luz de Tim Duncan, enquanto três arremessadores espaçavam a quadra para aumentar a eficiência do pick-and-roll?

O problema é que na temporada passada Murray tinha poucas oportunidades de trabalhar como condutor de bola, já que o trabalho era de Leonard, que costumava ser apoiado por Parker e/ou Ginobili quando necessário. É possível lembrar de outros jogadores, como Kyle Anderson e Jonathon Simmons, que recebiam a função antes do jovem armador.

Isso ajuda a entender porque o Spurs não aceitou pagar caro por Simmons, que teve seus principais momentos pelo time quando assumiu protagonismo no ataque – o que esperava-se que não precisaria acontecer quando Parker e Leonard voltassem – e também o tamanho da responsabilidade de Murray, que de quinto ou sexto condutor de bola virou o primeiro.

Entre os inúmeros quintetos que o Spurs utilizou na atual campanha, o que tem Dejounte Murray, Danny Green, Kyle Anderson, LaMarcus Aldridge e Pau Gasol, opção de time titular desde a mudança feita por Pop no jogo contra o Pacers, sofreu 21 pontos a mais do que marcou nos 147 minutos em que esteve em quadra. A formação está na posição 250 entre as escaladas na temporada quando ordenada por saldo, o que mostra que ela é insustentável.

No último jogo em que teve só Leonard como baixa, Pop escalou Mills como titular ao lado de Murray, Anderson, Aldridge e Gasol, trazendo Green do banco na vitória sobre o Cleveland Cavaliers em Ohio. Mesmo assim, ainda é possível detectar problemas na rotação do Spurs, que podem ser sanados com mais mudanças entre as unidades do time. São elas:

Qual a posição de Aldridge?

Quando o Spurs contratou Aldridge, dizem que um dos trunfos da franquia texana foi prometer que a maioria de seus minutos seria como ala-pivô, o que o deixaria mais confortável. No entanto, em uma NBA que cada vez tem menos a ver com as posições tradicionais, o jogador que o camisa #12 é tem muito mais a ver com a posição 5 do que com a posição 4.

Nesta temporada, Aldridge foi quem mais tocou na bola dentro do garrafão de todo o elenco da equipe de San Antonio: foram 506 vezes, contra 270 de Gasol, segundo colocado. Foi também quem mais vezes recebeu a bola de costas para a cesta: 780 vezes, contra 196 do espanhol, que também é o segundo colocado na estatística. Por fim, coletou 188 rebotes de ataque nesta campanha, contra 95 do camisa #16, vice-líder em mais esta estatística.

Do outro lado da quadra, Gasol e Aldridge são os jogadores de garrafão do Spurs que melhor defendem o aro. O primeiro restringe os adversários a 48,7% em arremessos realizados de dentro da zona restrita, enquanto o segundo restringe os adversários a 54%. Davis Bertans restringe os adversários a 54,6%, e Joffrey Lauvergne a 71,1%. Não seria, então, melhor trazer o espanhol do banco de modo a garantir que sempre um dos dois esteja em quadra?

Isso permitiria que o Spurs voltasse a mostrar uma característica sua que ficou marcada nos últimos anos: o uso da segunda unidade como uma equipe independente do time titular. Hoje, a equipe começa com dois pivôs mais tradicionais como LaMarcus Aldridge e Pau Gasol, tendo como reservas dois alas-pivôs que jogam abertos como Davis Bertans e Rudy Gay. Colocar um dos últimos dois no quinteto inicial e passar a trazer o espanhol do banco de reservas pode criar essa possibilidade para Pop sem a necessidade de malabarismos para que um dos dois protetores de aro esteja sempre em quadra cercado por quatro reservas e sem a necessidade de improvisar o letão como pivô ou usar Lauvergne regularmente.

Por que não Parker?

Em uma temporada em que o Spurs parece não ter chances de título devido à campanha do Houston Rockets e ao potencial mostrado pelo Golden State Warriors nos últimos anos, faz sentido dar a titularidade a Murray, talvez o jogador mais promissor do elenco, e acelerar seu desenvolvimento. No entanto, desde que Duncan foi draftado em 1997, tankar não faz parte da filosofia da franquia. Por isso, há de se imaginar que alternativas para que o time vá o mais longe possível são estudadas. E uma delas poderia ser a volta de Parker ao time titular.

Se hoje Murray é peça intocável no quinteto inicial, o francês pode ocupar a vaga que Mills ganhou. Assim, serviria como uma espécie de seguro para quando a inexperiência do jovem na regência da equipe pesar. Com isso, o australiano pode voltar para a segunda unidade, sempre ao lado de Ginobili, deixando o comando do ataque nas mãos do argentino, minimizando sua incapacidade na armação e potencializando sua qualidade como arremessador.

Vale lembrar que Ginobili se tornou sexto homem no Spurs justamente porque ele e Parker eram melhores aproveitados como organizadores do ataque. Por isso, fazia sentido sempre ter um ou o outro em quadra, minimizando seus minutos juntos. Hoje, os dois atuam lado a lado na segunda unidade, o que não faz sentido quando consideramos a história recente da franquia.

Além disso, há outro benefício na possível mudança: ter Murray e Parker pode fazer com que os dois aprendam a jogar sem a bola. O treinamento seria importante pensando no retorno de Leonard ou até mesmo nos minutos em que Ginobili está em quadra.

Tamanho x Kyle Anderson

A ausência de Leonard cria um problema quando olhamos para o elenco do Spurs. Com Bertans e Gay efetivados como jogadores da posição 4, restam apenas Green e Anderson com tamanho para jogar como ala. E o segundo, que vem sendo usado como titular devido à lesão do astro, não consegue estourar mesmo já estando em seu quarto ano na NBA. Até aqui, na temporada, suas médias são de 8,1 pontos e 5,7 rebotes em 27,4 minutos por exibição.

Anderson não convence como arremessador, convertendo somente 29,7% de suas bolas de três pontos na atual campanha. Considerando todo o elenco do Spurs, está à frente apenas de Brandon Paul, com 28,6%, Dejounte Murray, com 25%, Tony Parker, com 20,8%, e Joffrey Lauvergne, que errou os cinco tiros do perímetro que fez na temporada. Além disso, como condutor de bola, perdeu espaço com a ascensão do jovem Murray e segue menos confiável do que os veteranos Parker e Ginobili. Seu bom índice nos rebotes sugere que sua função ideal pode ser como ala-pivô, ficando atrás de Bertans e Gay na rotação para a posição.

Por isso, talvez seja o caso de voltar a ter Green como ala titular e de usar uma segunda unidade mais baixa, com Bryn Forbes completando o perímetro ao lado de Patty Mills e Manu Ginobili. O ala-armador tem médias de 18,1 pontos e 3,7 rebotes a cada 100 posses de bola, convertendo 37,6% de seus arremessos de três. No mesmo recorte, Kyle Anderson tem 14,8 pontos e 10,4 rebotes, com o já citado aproveitamento de 29,7% em tiros do perímetro.

Os números mostram que Forbes é mais útil do que Anderson sem a bola, algo fundamental em uma rotação que já tem Murray, Parker e Ginobili e que pode ter Leonard. O jovem armador e o argentino se revezariam na defesa de jogadores mais altos quando Green estivesse fora.

Conclusões

Seguindo o raciocínio, o time titular teria Murray e Parker como armadores. O fraco desempenho dos dois como arremessadores seria compensado pelas presenças de Green e Bertans nas alas. Aldridge passaria a ser o pivô desta formação, centralizado as ações ofensivas da equipe e se aproveitando do maior espaço que teria para operar no garrafão.

A segunda unidade teria Ginobili comandando o ataque, com Mills e Forbes trabalhando como arremessadores. Gasol seria o pivô, com Gay jogando na posição 4. Há quem possa argumentar a favor da titularidade do camisa #22 no lugar de Bertans, mas ele já está entrosado com os demais reservas. Por enquanto, o jogador esteve em quadra com Ginobili por 464 minutos, com Mills por 455 minutos e com Forbes por 336 minutos. Só passou mais tempo em quadra com Aldridge – foram 472 minutos, e a dupla pode se repetir no fechamento de jogos mais acirrados.

Assim, Anderson jogaria quando algum jogador posição 4 estivesse lesionado, servindo também como primeira alternativa no perímetro seguido por Brandon Paul, novato com experiência no basquete europeu, e Derrick White, que dá seus primeiros passos como jogador profissional. Lauvergne seria acionado quando Aldridge ou Gasol estivessem fora.

Claro que o problema do Spurs não está só dentro de quadra – é perceptível o quanto o time piorou desde a exposição dos problemas internos causados pela suposta insatisfação de Leonard. Mas o bom desempenho no começo da temporada mostra que achar uma rotação sustentável é fundamental para que o time possa retomar o caminho das vitórias.

As primeiras impressões sobre Brandon Paul

O San Antonio Spurs teve uma offseason sem muitas contratações de impacto, mas cheia de rumores. Os principais boatos eram sobre armadores: Chris Paul, Derrick Rose e até mesmo Kyrie Irving tiveram seus nomes especulados na franquia texana. Porém, com o início da temporada, nenhum grande nome da posição foi anunciado, e o único reforço vindo de fora do Draft na armação era Brandon Paul, jogador desconhecido que até então atuava na Turquia.

San Antonio Spurs v Sacramento Kings

Brandon Paul pode se tornar uma importante peça na rotação (Reprodução/nba.com/spurs)

Ao chegar no Texas, Paul trouxe consigo dúvidas para a torcida do Spurs. Seu jogo parecia pouco desenvolvido, principalmente no ataque, e para piorar a situação o armador veio para o lugar de Jonathon Simmons, que em dois anos com o time virou um xodó dos torcedores devido à sua história, ao seu estilo atlético de jogar e às suas boas exibições nos últimos playoffs.

Porém, Gregg Popovich é excelente em observar talentos para o seu sistema coletivo e discreto, e com Paul não foi diferente. Apesar de não possuir muito talento ofensivo, o armador tem um arremesso de três pontos excelente e espaça a quadra, dando liberdade para LaMarcus Aldridge e Kawhi Leonard operarem no garrafão. Na temporada, em sete partidas, tem quase 64% de aproveitamento nos chutes de longa distância. Apesar de poucas tentativas, 11 no total, a mecânica e confiança do jogador indicam o grande potencial no fundamento.

A área de destaque de Paul é a defesa. Essa foi a característica que mais chamou a atenção de Popovich. Sua raça e dedicação na marcação são muito importantes para o sistema do time. Apesar de poucos jogos, o técnico aproveitou bem o armador no período em que ele esteve em quadra. O reforço já foi responsável pela marcação de DeMar DeRozan, Kyle Lowry e Kyrie Irving. A estratégia do treinador é incorporar seu novo jogador ao time com o tempo em situações onde a equipe tenha que impedir a qualquer custo seus adversários. E ao pedir para seu comandado marcar grandes nomes, Pop busca acostumar o camisa #3 ao ritmo de jogo e à pressão de combater as principais estrelas da liga profissional americana de basquete.

Apesar de pouco tempo de temporada, Paul aproveitou seu tempo em quadra, e aos poucos, conquista a confiança de Popovich. Durante a temporada, o armador deve trabalhar em seu arremesso e em sua defesa para se tornar um confiável “3&D”. Com sua característica, o jogador tem potencial para se tornar um importante jogador no sistema do Spurs.

Comparações com Simmons são inevitáveis, mas Paul tem um potencial ofensivo maior graças ao seu arremesso, e sua defesa já é melhor que a do ex-camisa #17. Só faltam mais chances.

Resta à torcida esperar para ver a evolução ou a decadência do armador, afinal, sete jogos é uma amostra muito pequena para conclusões definitivas. Mas os sinais são promissores.

Com Dejounte Murray, o futuro é agora

A torcida do Spurs está acostumada com Tony Parker comandando a equipe, afinal, desde 2001 o francês está no elenco, quase sempre como armador titular. O jogador já venceu quatro títulos e foi eleito o jogador mais valioso das finais em 2007, no tetracampeonato dos texanos. Assim, nos playoffs de 2016, foi difícil ver o ídolo sair carregado da quadra com uma grave lesão.

Dejounte Murray em ação contra o Wolves (Reprodução/nba.com/spurs)

Com a nova temporada, foi anunciado que Parker estaria fora até novembro, e isso provocou um aparente problema para o técnico Gregg Popovich. Com a ausência do camisa nove, quem assumiria a sua função no time? Patrick Mills é um bom reserva, mas nunca vingou como armador titular, e todos os outros possíveis nomes não possuem experiência. Porém, o empecilho rapidamente se mostrou passageiro, pois o treinador nomeou o segundanista DeJounte Murray como armador principal da equipe de San Antonio.

Apesar de uma insegurança surgir entre a torcida durante a pré-temporada, o jovem rapidamente se mostrou a escolha certa. O atleta treinou durante toda a offseason e melhorou em muito seu jogo. Murray sempre foi conhecido como um bom slasher, ou seja, como um jogador com habilidade de entrar na defesa e finalizar próximo a cesta. Mas nas primeiras partidas, o armador mostrou a confiança para arremessar e inclusive acertou algumas tentativas, algo positivo e que certamente irá fazer a marcação ser mais forte, facilitando as infiltrações.

É função do armador saber o momento certo de envolver cada um de seus companheiros, identificar possíveis mismatches e garantir que todos se posicionem corretamente em quadra. Durante as duas primeiras partidas, Murray mostrou uma visão de jogo e liderança acima das expectativas para um garoto tão novo e com tão pouca experiência, um sinal promissor.

O Spurs é um time defensivo, costuma deixar seus oponentes com menos de 90 pontos e é adepto do estilo mais “chato” do basquete: técnico e com marcação sufocante. E Murray chega para contribuir nessa área. Ao contrário de Parker, considerado um defensor abaixo da média, o segundanista mostrou uma enorme evolução e soube marcar seus oponentes nos momentos um contra um, além de ler bem as rotas de passe e possuir uma grande envergadura, que facilita nos roubos de bola e na hora de contestar arremessos de seus adversários.

Murray mostrou enorme evolução, aprendeu com seus colegas e se tornou um jogador perfeito para o Popovich. Um armador coletivo, que faz o passe certo, evoluiu como líder e é bom defensor, podendo ser excelente. Apesar dos poucos jogos, a tendência é a manutenção dessas atuações. Se isso acontecer, pode ser a primeira vez de Parker como reserva.

O futuro promete, e Murray mostrou ser parte dele. Só resta esperar para saber quando o armador irá definitivamente se tornar o titular e líder da equipe. A posição e o legado de Parker estão a salvo, pois seu substituto superou expectativas nos primeiros jogos e deve evoluir ainda mais, para a alegria de Popovich do Spurs e da torcida do alvinegro texano.

Análise do elenco I: Os armadores

A offseason está finalmente no fim, e o San Antonio Spurs anunciou nessa segunda-feira (25) a lista de jogadores que irão participar de sua pré-temporada. No total, 19 atletas estarão nos treinos, com a esperança de impressionar e garantir vaga no elenco de Gregg Popovich.

Dejounte Murray em ação pelo Spurs na última temporada (USA Today Sports)

Para analisar os jogadores, será feita uma divisão, e primeiro serão analisados os armadores. Esse é o setor mais inchado do Spurs, sem dúvidas, e muitos torcedores se perguntam sobre a necessidade de tantos atletas para a mesma posição. No total, são nove nomes na lista, divididos em quatro armadores “principais” e cinco alas-armadores.

Os listados como armadores de ofício são Tony Parker, Patrick Mills, Bryn Forbes e London Perrantes. Entre esses quatro, apenas um está com sua situação indefinida: o novato Perrantes, contratado após passar em branco no Draft. Os outros três, por serem veteranos e terem a confiança do técnico, devem estar garantidos no elenco caso não ocorra nada inesperado.

Esse setor não evoluiu, mas também não piorou. Parker, apesar de ter se lesionado, mostrou que ainda tem muita lenha pra queimar e teve boas atuações nos playoffs. Sua importância na temporada regular é menor, já que o francês é bastante poupado. Mills teve mais uma boa temporada e ainda deve comandar a segunda unidade, deixando o jogo mais dinâmico e com ritmo mais rápido. Forbes, mesmo com pouco tempo em quadra, mostrou sinais promissores, possui bom arremesso e tem potencial defensivo; ou seja, se encaixa bem com o sistema.

Os outros cinco jogadores são Derrick White, Dejounte Murray, Danny Green, Manu Ginobili, Darrun Hilliard e Brandon Paul. Os três veteranos devem ter seu lugar garantido, deixando a batalha para os dois novatos. Paul veio da Europa e deve exercer uma função mais defensiva, não possui muita experiência e deve tentar aproveitar ao máximo suas oportunidades. Hilliard deve atuar no Austin Spurs após assinar two-way contract e tem dois anos de bagagem na NBA, ambos atuando pelo Detroit Pistons. Não recebeu muitas oportunidades e deve ser um jogador apenas para compor elenco. Entrar no time parece uma possibilidade distante.

No geral, a posição de armador parece um setor inchado da equipe, mas até o fim da pré-temporada irão acontecer cortes para estabilizar a quantidade de jogadores. Com exceção dos novatos, os componentes são quase os mesmos, e por terem conhecimento prévio do sistema e do estilo de jogo exigido por Popovich, os veteranos devem ter lugar de destaque.

A posição pode parecer uma fraqueza, mas possui atletas versáteis, que podem ser usados dependendo do adversário, para adaptar a defesa ou o ataque do Spurs, visando neutralizar as táticas adversárias. Nas mãos de Popovich essa versatilidade se transforma em vitórias, e por isso o setor deve ser importante para o time texano na próxima temporada.

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