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Kawhi Leonard teria pedido para ser trocado

Por Pedro Vinícius

A paciência de Kawhi Leonard com o San Antonio Spurs aparentemente acabou. Depois de decepcionante temporada em que o ala fez apenas nove jogos em meio ao tratamento de uma lesão no quadríceps da perna direita, o jogador, segundo reportagem da ESPN americana, pretende solicitar para a franquia texana uma troca. O camisa #2 gostaria de ser enviado para uma equipe da região da Califórnia, preferencialmente o Los Angeles Lakers.

Leonard deve estar de saída (Thearon W. Henderson/Getty Images)

O jogador, obtido por meio de troca com o Indiana Pacers em 2011, em negocio que envolveu George Hill, teve números formidáveis nas últimas duas temporadas. Seus 23,4 pontos e 6,3 rebotes por exibição, com 50% de aproveitamento nos arremessos de quadra e 41% nas bolas de três pontos, ajudaram a colocar os Spurs nos playoffs em dois anos seguidos. Além disso, o ala foi eleito o melhor defensor da liga em 2014/2015 e 2015/2016.

O repórter Chris Haynes, da ESPN, publicou que “o ala estaria insatisfeito pela forma como a franquia lidou com sua lesão”. Consolidando essa informação, o jornalista Adrian Wojnarowski informou que Los Angeles Lakers e Boston Celtics estariam dispostos a negociar pela estrela.

Mas porque Leonard aparentemente decidiu sair dos Spurs? Porque o jogador que foi considerado o futuro da franquia desistiu do plano e deseja uma troca?

A recuperação após a lesão foi um verdadeiro desastre. A franquia de San Antonio e o grupo de apoio de Leonard não cooperaram entre si, e a única coisa que aconteceu foi uma prolongação do período em que Leonard ficou afastado das quadras durante a temporada.

Matéria publicada pela ESPN deu indícios que explicavam o problema. Leonard nunca foi um jogador da mídia, sempre esteve quieto e cooperando para o bem da franquia. Porém, nesse caso o seu entorno apareceu para debater com o Spurs formas de recuperar o atleta.

A franquia nunca recebeu de bom grado palpites externos, e os métodos emplacados por Gregg Popovich e sua comissão sempre foram suficientemente satisfatórios. Com tal ação, o Spurs, em palavras proferidas por seu técnico, era uma organização impotente e frustrada, aguardando que o principal jogador da franquia e seu estafe dissessem o que viria pela frente.

Apesar da questão ter sido tratada internamente, algumas declarações ajudam a entender o que acontece nos bastidores. Segundo relatos da imprensa americana, houve reunião de jogadores em que Tony Parker, Manu Ginobili, Danny Green e Rudy Gay participaram para entender o que passava na cabeça de Leonard. Em declaração pública, o armador francês afirmou que sua lesão foi “100 vezes pior” do que a do camisa #2, deixando vazar certa insatisfação com o astro.

Popovich sempre saía em defesa do ala publicamente, mas também fazia declarações contra o grupo de Leonard, como em dezembro. “Vocês vão ter que perguntar para o grupo dele”, disse o técnico, quando questionado sobre quando o ala voltaria a jogar. Mesmo assim, sempre existiu entre os torcedores a esperança de que o treinador pudesse resolver a questão.

No início dessa semana, foi noticiado que Popovich e Leonard estavam tentando marcar uma reunião para aparar as arestas e tentar ajustar o relacionamento. No entanto, antes que o encontro pudesse acontecer, surgiu a informação de que o ala deseja deixar o Spurs.

Vaivém: Veja quem chega, quem sai e rumores envolvendo o Spurs

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Prévia de Warriors x Spurs – Primeira rodada

Ginobili precisa ajudar Aldridge para o Spurs ter chance (Reprodução/nba.com/spurs)

Depois de terminar a temporada regular na sétima colocação da Conferência Oeste, o San Antonio Spurs estreia nos playoffs contra o Golden State Warriors, atuais campeões da NBA e vice-líderes da classificação. O alvinegro começa a série sem Kawhi Leonard, enquanto os californianos têm Stephen Curry e Patrick McCaw como desfalques.

Spurs e Warriors começam a se enfrentar neste sábado (14), na Oracle Arena, casa do adversário. Ao longo da temporada regular, as duas equipes mediram forças quatro vezes, com apenas uma vitória a favor dos texanos. Relembre como foram todos estes confrontos a seguir:

Confrontos na temporada (1-3):

02/11/2017 – Spurs 92 vs 112 Warriors

Sem Tony Parker, Kawhi Leonard e Joffrey Lauvergne, o Spurs não foi páreo para o Warriors e acabou derrotado em casa. LaMarcus Aldridge, com 24 pontos e dez rebotes, se destacou.

10/02/2018 – Spurs 105 @ 122 Warriors

No segundo duelo da temporada, o Warriors levou a melhor de novo. Na ocasião, Kyle Anderson anotou 20 pontos, seis rebotes, quatro assistências, três roubadas de bola e dois tocos.

08/03/2018 – Spurs 107 @ 110 Warriors

Sem Kawhi Leonard e Pau Gasol, o Spurs visitou o Warriors e até conseguiu equilibrar o jogo, mas acabou derrotado. LaMarcus Aldridge, com 30 pontos e 17 rebotes, se destacou.

19/03/2018 – Spurs 89 x 75 Warriors

A única vitória do Spurs sobre o Warriors na temporada regular aconteceu no AT&T Center, em jogo em que os californianos não puderam contar com Stephen Curry, Klay Thompson e Kevin Durant e ainda perderam Draymond Green durante a partida. LaMarcus Aldridge, com 33 pontos, 12 rebotes e dois tocos, se destacou pelo alvinegro de San Antonio na ocasião.

Agora, chegou a hora de o Spurs medir forças com o time californiano na série válida pela primeira rodada dos playoffs da Conferência Oeste. A seguir, blogueiros do Spurs Brasil contam o que esperam do confronto e dos jogadores que poderão ajudar a decidi-lo. Confira abaixo:

Lucas Pastore

Palpite: Warriors 4 a 1
A ausência de Kawhi Leonard faz com que o Spurs não tenha um jogador que possa defender Kevin Durant – Danny Green, que é quem chega mais perto disso, é baixo demais para a função. Por outro lado, o Warriors também não tem um marcador capaz de deter LaMarcus Aldridge no mano a mano. A diferença está nos elencos de apoio: enquanto os californianos contam com Klay Thompson, Andre Iguodala e Draymond Green, o alvinegro vive do último suspiro de veteranos e de lampejos de jogadores mais jovens. Se não bastasse, ainda cerca o camisa #12 com gente que não arremessa bem, como Dejounte Murray, Tony Parker e Kyle Anderson, o que deve fazer com que os adversários dobrem a marcação sobre o ala-pivô toda hora. Infelizmente, trata-se de um oponente com poder de fogo demais.
Peça-chave do Spurs:
 Manu Ginobili
Peça-chave do Warriors:
 Draymond Green

Sonia Cury

Palpite: Warriors 4 a 2
Playoffs se trata, acima de tudo, de consistência. É preciso um elenco equilibrado para suportar toda a grande carga emocional e física que a fase eliminatória demanda. Apesar de não poder contar com Stephen Curry, o Warriors segue com um elenco forte e entrosado, diferente do Spurs, que sofreu com diversos desfalques ao longo da temporada e oscilou muito em seu desempenho. Mesmo com o crescimento notável de jogadores como Kyle Anderson, que teve muito mais tempo de quadra e destaque, e Dejounte Murray, o time texano depende muito das ações e liderança de LaMarcus Aldridge para se impor em um confronto. Já o time de Oakland, mesmo com a ausência de sua principal estrela, conta com nomes como Klay Thompson e Kevin Durant, que estão em sua melhor forma e momento, além de um banco de reservas que responde às expectativas do técnico Steve Kerr. O que pode ajudar o alvinegro é a experiência e a maneira como os jogadores com mais tempo na franquia crescem em momentos decisivos, assim como Gregg Popovich, que sabe extrair o que seus comandados têm de melhor a oferecer em situações decisivas. Manu Ginobili vem de uma boa sequência na reta final, Rudy Gay está aparecendo no boxscore com mais frequência, Tony Parker voltou a fazer boas atuações e até peças como Danny Green e Patty Mills – com suas bolas de três – tiveram algumas boas atuações, e é aí que está o problema: a equipe é inconsistente nessa temporada. E se tratando de playoffs, cada oscilada é um risco. Mesmo assim, é esperado um grande duelo.
Peça-chave do Spurs: Manu Ginobili
Peça-chave do Warriors: Klay Thompson

Vinicius Esperança

Palpite: Warriors 4 a 1
Atuais campeões da NBA, com um dos melhores times de todos os tempos e com dois dos melhores jogadores na atualidade, contra um Spurs enfraquecido sem sua principal estrela. O Warriors é amplo favorito no confronto. Mesmo com a ausência de Stephen Curry, que perderá toda a primeira rodada dos playoffs, o time californiano, que aparentemente tirou o pé nessa temporada regular, ainda apresenta suas armas com Draymond Green, Kevin Durant e Klay Thompson. O banco adversário, que já foi um dos melhores da NBA, agora não parece ser tão produtivo, porém, não pode-se duvidar. Por outro lado, LaMarcus Aldridge vive, talvez, a melhor temporada de sua carreira, o que pode ser um ponto positivo para equipe texana. A experiência que Dejounte Murray obteve nos playoffs passados pode ajudar, e Manu Ginobili, que nesse fim de temporada mostrou-se fisicamente e mentalmente muito forte, pode ser um ponto de desequilíbrio. Entretanto, os comandados de Steve Kerr não devem ter dificuldades em “atropelar” os comandados de Gregg Popovich. Por fim, não pode-se deixar de pensar que o velho Pop pode surpreender com algum de seus coelhos tirados da cartola. Tony Parker, que vem fazendo temporada bem sofrível, pode tornar as partidas mais equilibradas.
Peça-chave do Spurs:
 Tony Parker
Peça-chave do Warriors:
 Draymond Green

Olho neles!

LaMarcus Aldridge é o destaque do Spurs na temporada por muito, o que deve fazer com que o Warriors dobre a marcação sobre ele. Quem melhor pode ajudá-lo é Manu Ginobili, criativo para envolvê-lo em jogadas de pick-and-roll e confiável para converter cestas de três e ajudar a espaçar a quadra para o colega. Na temporada, o argentino teve médias de 8,9 pontos e 2,5 assistências em vinte minutos por exibição. Nos quatro jogos contra os californianos, esses números foram de seis pontos e 2,3 assistências em 16,4 minutos por partida.

Além de ser um coadjuvante de luxo para Durant no ataque, o que Aldridge não tem, Draymond Green pode desequilibrar de vez a série se conseguir marcar Aldridge no mano a mano, sem a necessidade de dobras na defesa. Na temporada regular, o ala-pivô do Warriors apresentou médias de 11 pontos, 7,6 rebotes e 7,3 assistências em 32,7 minutos por exibição. Considerando somente os quatro confrontos com o alvinegro de San Antonio, esses números foram de 11 pontos, sete rebores e 6,8 assistências em 28,2 minutos por partida.

Minha experiência no AT&T Center

Por Bruno Speltz*

Bruno Speltz (ao centro) no AT&T Center (Arquivo pessoal)

Quando passei no vestibular, meus pais iam me dar um carro, mas eu tinha um sonho maior: ir ao AT&T Center assistir a um jogo do Spurs e ver Manu Ginobili atuar. Fui ver logo um jogo com as maiores estrelas da NBA, com a equipe texana enfrentando o Cleveland Cavaliers e vencendo LeBron James e companhia. A única pena é que o argentino não jogou, mas já fiquei muito feliz só por poder ver ele no banco.

Bruno arremessa no AT&T Center (Foto: Arquivo Pessoal)

O AT&T Center é sensacional, cheio de telões, fotos das equipes e de jogadores que defenderam o Spurs e times vinculados a ele – como o San Antonio Stars e o Rampage -, além de imagens de rodeios realizados no ginásio, muitas decorações do Texas, do Alamo e de cowboys e um playground com cestas de basquete. Os troféus ficam bem expostos nos corredores de acesso aos assentos e são maiores do que eu imaginava. As cheerleaders ficam na entrada dos setores da arena para os torcedores poderem tirar foto com elas. A torcida, o animador e o Coyote são demais.

Quando já tinha acabado o jogo, eu fiquei mais um tempo sentado admirando a arena, e uma senhora veio até mim e disse que já estavam fechando o AT&T Center e estavam fazendo a limpeza. Ao ver que estava emocionado, ela me perguntou o que tinha acontecido, e eu contei sobre meu sonho e disse que era do Brasil. Então, ela me convidou para fazer um arremesso dentro da quadra, e claro que eu não neguei! Com certeza, se não foi o melhor, foi um dos melhores dias da minha vida. E já tenho planos para voltar para San Antonio!

GO SPURS GO!

*Bruno Speltz é torcedor do Spurs e fez este texto a convite do Spurs Brasil

Stashes do Spurs #1 – Adam Hanga

Por Gabriel Andrade*

Assim como na temporada passada, voltamos aqui para falar sobre os jogadores que o San Antonio Spurs drafta e deixa em desenvolvimento na Europa. O objetivo é fazer uma análise contextual, sobre sua situação em seu clube, as habilidades que oferecem e seu provável encaixe como jogador da franquia texana. Para começar a série de matérias, o primeiro escolhido é Adam Hanga, considerando o principal stash do alvinegro no Velho Continente.

ADAM HANGA

Altura: 1,99 metros

Envergadura: 2,02 metros

Idade: 28 anos

Posição listada: Ala

Clube: Baskonia

Situação contratual: Agente Livre nesta offseason

Médias na Liga ACB: 11,9 pontos, 4,0 rebotes, 2,4 assistências, 1,3 roubos, 0,6 tocos, 47.2% FG, 32,5% 3PT e 78% FT em 28,2 minutos por compromisso.

Médias na Euroliga: 10,5 pontos, 4,4 rebotes, 2,4 assistências, 1,3 roubos, 0,7 tocos, 44.9% FG, 33,6% 3PT e 66,7% FT em 28 minutos por compromisso.

Adam Hanga, ao centro, em meio à defesa adversária (Reprodução/eurohoops.net)

Contexto profissional

Adam Hanga vem fazendo sua segunda temporada como ala titular do Baskonia, um dos três principais clubes da Espanha, semifinalista de Euroliga na temporada 2015/2016 e que caiu nas quartas de finais da atual temporada. Na liga nacional, vai se encaminhando para segunda semifinal seguida, tido como favorito para avançar para a final do torneio.

Na equipe, Hanga é o segundo com mais minutos, atrás só do armador ex-Brooklyn Nets Shane Larkin e bem à frente de outros ex-NBA com Tornike Shengelia (ex-Chicago Bulls e Brooklyn Nets), Rodrigue Beaubois (Ex-Dallas Mavericks), Chase Budinger (Ex-Minnesota Timberwolves e Brooklyn Nets), Andre Bargnani (Ex-Toronto, Brooklyn Nets e New York Knicks) e Nicolas Laprovíttola, que jogou parte da temporada pelo Spurs e, a fim de informação, registra 12 minutos por jogo, chegando a ficar atrás do brasileiro Rafa Luz na rotação.

Em termos de concorrência na posição em que joga, Hanga divide minutos com Chase Budinger, Jaka Blazic e o jovem lituano Tadas Sederkerskis, podendo atuar ao mesmo tempo em quadra que ambos. No geral, tem grande vantagem em minutos.

Em termos de impacto, quando Hanga sai de quadra, o Baskonia é pior em oito pontos por 100 posses de bola no Net Rating (saldo de cesta por 100 posses), liderando a equipe.

Sua função no clube é geralmente a de defender o ala mais perigoso adversário, fazer a defesa de cobertura (e por isso marca pouco armadores), correr em transição, cortar sem a bola, ser criador secundário e eventualmente arremessar de três pontos.

Perfil físico

Em termos de altura e envergadura, o húngaro não possui medidas lá muito chamativas, mas são o suficiente para jogar como ala e ala-armador na NBA, as posições em que mais atua. Considerando seu físico, o que mais impressiona é sua capacidade atlética. Supera sua envergadura mediana com um conjunto explosão, agilidade lateral, capacidade de salto e primeiro passo de elite. Não existe jogador mais atlético que Hanga na Europa. Por conta de sua velocidade em quadra aberta, explosão, passada larga e instintos, é bastante usado em transição, seja ele mesmo carregando a bola do ataque para a defesa com finalizações rápidas ou enterradas, seja sem a bola para receber um passe:

Também por conta da capacidade atlética acima da média, o ala húngaro é usado em cortes sem a bola. Além do físico, é bastante inteligente lendo movimentações e enxergando espaços na defesa adversária para conseguir bandejas ou enterradas livres:

Por ser um jogador explosivo e de grande alcance vertical, possui jogadas desenhadas para que receba passes por cima do aro para finalizar com enterradas ou bandejas. Ajuda o fato de que Hanga não é apenas bom fisicamente, como também possui ótimas mãos para completar bandejas no ar caso o passe não seja executado com a precisão ideal:

Defesa

Após ser o favorito para ganhar o prêmio de melhor defensor da Euroliga na temporada 2015/2016 e acabar não recebendo, Hanga garantiu o prêmio na atual temporada, mesmo sem ser o favorito desta vez. Sua defesa de perímetro é destaque na Europa e muito tem a ver com seu físico, claro, mas também com disciplina.

Possui instintos de antecipação aguçados para atacar linhas de passe ou fazer eventuais coberturas nas jogadas de garrafão antes que recebam uma assistência ao redor do aro. Feita a roubada, Hanga já acelera em transição e conquista pontos fáceis daí:

Sem a bola, o jogador usa de seus pés rápidos e de sua ótima movimentação por entre bloqueios para contestar chutadores puros, que possuem bastante dificuldade em saírem livres de suas movimentações. Por vezes, pode faltar uma envergadura mais chamativa para contestar adversários que conseguem arremessar em movimento com maior facilidade, embora normalmente o stash do Spurs compense com seu atleticismo:

Além do mais, seus pés rápidos e força corporal fazem com que seja difícil atacá-lo em infiltrações. O mais comum é que Hanga force um contestado chute de meia distância ou dê um toco lá no alto. Além disso, é um defensor de cobertura fantástico, com ótimo raciocínio e QI para rotacionar, caso outros jogadores façam dobras, e contestar pivôs.

Em termos de versatilidade defensiva, sua capacidade atlética e tamanho permitem que marque qualquer posição do perímetro, de armadores a alas. Para jogadores de garrafão, pode ficar encarregado de stretch-fours puros por ser ágil o suficiente para defender o pick and pop, dobrar e recuperar, mas não tem tamanho e envergadura para contestar alguns mais altos (como Kristaps Porzingis e Channing Frye), e o mesmo vale para jogadores com ataque orientado para o poste baixo. Até faz bom trabalho usando de força e fundamentos para tentar ceder o mínimo de espaço, mas precisaria ser mais longo para contestar alas-pivôs e pivôs de costas para a cesta. No geral, seu arsenal deve ser traduzido em trocas no perímetro.

No mais, joga com energia, se esforça em bolas perdidas e não foge de rebotes no tráfego.

Ataque em meia quadra

Fora das ações em transição e em cortes, Hanga é um atleta bastante limitado em meia quadra, ainda que tenha expandido seu jogo recentemente. Nesta temporada, vem sendo usado cada vez mais como criador secundário e atingiu seu melhor número da carreira em assistências. Graças a seu atleticismo, consegue ganhar vantagem em bloqueios e situações de pick and roll. Também dá bastante passes decisivos em contra-ataque e não é alguém que prende a bola, sabendo executar o passe extra assim como Greg Popovich gosta. Na NBA, é provável que não domine muito a bola por conta do controle de bola rudimentar, que não tem jogo de meia distância ou dribles avançados de mudanças de direção. Assim, acaba cometendo erros de execução e não tem uma taxa de assistências por desperdício chamativa.

Em todos os jogos de Hanga que vi para fazer análise, apenas um lance seu em jogadas de pick and roll terminou em cesta que não fosse bandeja ou enterrada – este floater:

No geral, quando recebe a bola em mãos para atacar, geralmente é após um handoff ou pick and roll secundário, em que se aproveita de bloqueio antecipado para usar de seu atleticismo como vantagem para atacar a cesta, utilizando sua ótima capacidade de finalizar ao redor do aro para fazer pontos fáceis, embora pouco use a mão esquerda. Em caso de jogadas isoladas, Hanga só é acionado caso for atacar pivôs que caíram nas trocas de marcação, já que é muito mais veloz que a maioria dos que encontra na Europa.

Seu ponto fraco está no arremesso. Hanga atingiu sua melhor marca em bolas tentadas nesta temporada (cinco por jogo), mas seu aproveitamento é nada mais que medíocre. O ponto de lançamento é baixo e a mecânica é relativamente lenta. Também possui uma tendência de jogar seu corpo para trás em certas tentativas e não mostrou muito alcance para a linha da NBA. Existe uma evolução constante, mas não é um chutador dinâmico, capaz de pontuar após o drible com consistência ou arremessar em movimento. Por vezes até hesita. Pode converter, ao menos, bolas livres da zona morta, sempre comuns para alas do Spurs.

Encaixe

Ala-armador/ala atlético, enérgico, bom defensor, bom infiltrador e com flashes de criador secundário. Podemos falar de Hanga, mas é basicamente o que temos sobre Jonathon Simmons. Aos 28 anos, é difícil dizer que o baskonista vá evoluir muito. Suas habilidades são mais condizentes com a de role player enérgico, para fazer um banco atlético ao lado de Simmons, Davis Bertans e quem mais seguir no Spurs, caso não apostem logo em Dejounte Murray para vaga de armador reserva se não renovarem com Patty Mills.

Contratualmente, sua situação é perfeita: agente livre nesta temporada e com declarado interesse em assinar nesta offseason com Spurs, algo que parece ser mútuo. Caso a franquia texana consiga desenvolver seu arremesso, algo que ajudaria bem na NBA do espaçamento de quadra, é bem capaz de conseguir um papel até maior com o tempo na rotação de Popovich. Se não, é plenamente visto como uma peça útil de toda forma.

* Gabriel Andrade é um blogueiro de basquete que tenta a vida como scout. Me siga no Twitter para análises sobre Basquete Europeu, NBA e Prospectos de draft e acompanhe meu blog no Medium, onde falo bastante de prospectos internacionais, Euroliga, NBA e de vez em quando Mock Drafts com Pokemons e poemas com o pivô Nikola Jokic.

Prévia de Warriors x Spurs – Final do Oeste

Spurs terá de vencer na Califórnia (Reprodução/nba.com/spurs)

Depois de vencer o Houston Rockets por 4 a 2 pelas semifinais da Conferência Oeste, o San Antonio Spurs continua sua trajetória na pós-temporada contra o Golden State Warriors, que vem de varrida sobre o Utah Jazz. O alvinegro começa a série com Tony Parker como baixa e Kawhi Leonard como dúvida, enquanto os californianos têm Kevon Looney como desfalque.

Spurs e Warriors começam a se enfrentar neste sábado, na Oracle Arena, casa do adversário. Ao longo da temporada regular, as duas equipes mediram forças três vezes, com duas vitórias a favor do alvinegro de San Antonio. Relembre como foram todos estes confrontos a seguir:

Confrontos na temporada (2-1):

25/10/2016 – Spurs 129 @ 100 Warriors

Em partida perfeita da equipe, o Spurs, jogando fora de casa, massacrou os atuais campeões da Conferência Oeste com ótimas atuações de LaMarcus Aldridge e Kawhi Leonard.

12/03/2017 – Spurs 107 x 85 Warriors

No segundo duelo entre as melhores equipes da temporada, o que se viu foi um confronto entre os reservas. Por parte do Spurs, Kawhi Leonard, LaMarcus Aldridge, Tony Parker e Dejounte Murray se recuperavam de lesões. Além disso, do lado do time californiano, o técnico Steve Kerr decidiu poupar seus comandados, já que a equipe havia atuado na noite anterior. O jogo foi tranquilo para o alvinegro, que mostrou que seu banco de reservas é bem superior ao do adversário. Patty Mills foi o destaque com 21 pontos e quatro assistências.

29/03/2017 – Spurs 98 x 110 Warriors

Depois de abrir 15 a 0, o Spurs foi derrotado em casa pelo Warriors e praticamente deu adeus à chance de terminar a temporada como o time de melhor campanha. Na ocasião, Kawhi Leonard deixou a quadra com 19 pontos, sete rebotes e cinco assistências e se destacou.

Agora, chegou a hora do Spurs medir forças com o time californiano na série válida pela final da Conferência Oeste. A seguir, blogueiros do Spurs Brasil contam o que esperam do confronto e dos jogadores que poderão ajudar a decidi-lo. Confira abaixo:

Cássio Cutulli

Palpite: Spurs 4 a 3
O medo de protagonizar um fiasco após lavada no primeiro jogo contra o Rockets ficou para trás com ótimas exibições, mesmo com os desfalques de Tony Parker e Kawhi Leonard, que ficou fora do fim do jogo 5 e de todo o jogo 6. Com isso, o Spurs avançou para a final do Oeste para enfrentar o tão temido Warriors. Ao contrário do armador, o ala estará de volta já para o primeiro duelo, e espera-se que consiga impor sua forte defesa junto com Danny Green e Jonathon Simmons, que fizeram ótimos jogos contra a equipe de Houston. Com seu adversário sendo dono de um perímetro destruidor, que dificilmente será completamente anulado, a chance do alvinegro está no garrafão e em LaMarcus Aldridge, que provou que ainda pode ser a peça fundamental que o time precisa, mostrando confiança e agressividade. As chances dos texanos se concentram em suas atuações. Pelo lado californiano, são muitas opções de ataque. Porém, anular Draymond Green e dificultar suas ações na defesa podem ser as chaves para os comandados de Gregg Popovich.
Peça-chave do Spurs: LaMarcus Aldridge
Peça-chave do Warriors: Draymond Green

Lucas Pastore

Palpite: Warriors 4 a 1
Em uma NBA que usa cada vez mais armadores e alas velozes no lugar de jogadores pesados no garrafão, o Spurs me surpreendeu ao conseguir impor o jogo de seus pivôs contra o Rockets, especialmente quando não teve Tony Parker e Kawhi Leonard. Mas a dificuldade de repetir o feito contra o Warriors é muito maior. Isso porque o adversário conta com Stephen Curry, Klay Thompson, Andre Iguodala e Kevin Durant, quatro jogadores que são ameaça tanto no perímetro quando infiltrando, enquanto o time de Houston usava Patrick Beverley e Trevor Ariza quase exclusivamente de modo estático na linha dos três pontos. Some a isso a estranha opção de Gregg Popovich, que prefere dar minutos a David Lee do que a Dewayne Dedmon, e a defesa do alvinegro, carente de proteção de aro quando LaMarcus Aldridge não estiver em quadra. pode virar um cobertor curto. Para poder sonhar com a vitória e com a vaga na final, os texanos vão precisar que Kawhi Leonard esteja 100%, que seu ala-pivô titular jogue como nos tempos de Portland TrailBlazers, que Patty Mills, Manu Ginobili, Jonathon Simmons e Pau Gasol contribuam em alto nível com frequência dos dos lados da quadra e que duas ou três coisas deem errado para o oponente. Parece ser pedir demais…
Peça-chave do Spurs:
 Kawhi Leonard
Peça-chave do Warriors:
 Kevin Durant

Vinicius Esperança

Palpite: Warriors 4 a 2
Estamos na final de conferência novamente! Após dois anos amargando eliminações precoces – para o Los Angeles Clippers, na primeira rodada dos playoffs de 2015, e para o Oklahoma City Thunder, nas semifinais do Oeste de 2016 -, o Spurs, após vencer Grizzlies e Rockets por 4 a 2, enfrenta o Warriors, atual vice-campeão da NBA. O duelo tem tudo para ser parecido com o contra o time de Houston: muitas bolas de três por parte do adversário, mas com movimentação de bola de muito mais qualidade, quatro All-Stars e uma defesa mais sufocante do que a montada por Mike D’Antoni. O poder de fogo do time comandado por Kevin Durant é muito maior do que o regido por James Harden e deve dar mais trabalho ainda. Além do mais, com Kawhi Leonard talvez não jogando 100%, a equipe de Gregg Popovich pode ter problemas para defender no perímetro e para pontuar. LaMarcus Aldridge será peça importante dentro do garrafão ao lado de Pau Gasol. Os oponentes irão muito provavelmente usar em grande parte do tempo sua formação de small-ball, com Stephen Curry, Klay Thompson, Andre Iguodala, Kevin Durant e Draymond Green. Esse tipo de estratégia foi dominada pelo alvinegro em sua última partida, com seu ala-pivô titular enfim se destacando. Agora, usar jogadores mais baixos não será uma boa, então a questão será defender bem no perímetro contra os armadores e alas do líder do Oeste. O banco texano pode desequilibrar caso Manu Ginobili e Jonathon Simmons continuem jogando em alto nível.
Peça-chave do Spurs:
 LaMarcus Aldridge
Peça-chave do Warriors:
 Kevin Durant

Olho neles!

Para ter alguma chance de vencer o Warriors, o Spurs vai precisar de grande contribuição de LaMarcus Aldridge. O astro deve ter alto volume de produção ofensiva para castigar as formações mais baixas do adversário e ainda ter competência e paciência para marcar no perímetro quando trocas o deixarem com Stephen Curry, Klay Thompson ou Kevin Durant. Até aqui, nos playoffs, o ala-pivô titular do Spurs apresenta médias de 16,8 pontos e oito rebotes em 35 minutos por exibição, com 47,5% de aproveitamento nos arremessos tentados.

Mesmo se conseguir equilibrar os jogos e levá-los com o placar apertado até os instantes finais, o Spurs pode ver Kevin Durant assumir controle e matar um jogo. Pontuador de elite e marcador competente, cada vez usando melhor seu tamanho para defender, o ala do Warriors talvez seja quem tem mais condições de machucar Kawhi Leonard na NBA hoje em dia. Se vencer o duelo individual contra o astro do alvinegro, o craque dos californianos, que tem médias de 23,3 pontos, 8,2 rebotes e 3,7 assistências em 32 minutos por jogo nos playoffs, deixa seu time com um pé na final.