Arquivo diário: 18/07/2021

O Spurs em 2020/2021 – O futuro

Por Matheus Gonzaga, do Layups & Threes

Na quarta e última parte da análise da temporada 2020/2021 do San Antonio Spurs, é hora de falar do futuro da franquia texana. Antes, publicamos uma visão geral da equipe, a avaliação dos jogadores que fizeram parte da rotação do time e uma prévia da offseason.

Dejounte Murray antes de jogo do San Antonio Spurs contra o Brooklyn Nets (Reprodução/nba.com/spurs)

Em vista de tudo que foi escrito, penso na próxima temporada como uma chance de diagnóstico do núcleo jovem do Spurs. É hora de vermos o que temos e se alguém se projeta como possível estrela. Será que Dejounte Murray vem para um grande salto? Será que Keldon Johnson pode mostrar sinais de que um dia pode ser um All-Star? Lonnie tem salvação? Quanto Devin Vassell irá evoluir? Luka Samanic vai finalmente ser um jogador de rotação? O jogador escolhido no Draft terá qual tipo de potencial? Para mim, o objetivo de 2021/2022 é responder essas perguntas, dando todo o protagonismo para os jovens. Se formos competitivos, bom. Se não formos, teremos uma boa escolha em busca da possível estrela futura da franquia. 

Em um aspecto mais tático, gostaria de ver mais arremessos de 3, mesmo que o aproveitamento não seja tão bom. A dificuldade de Murray de chegar no aro, que tanto o prejudica, pode ser reduzida com espaçamento melhor, além do que isso otimizar os talentos de Johnson e Walker. O playbook do Spurs provavelmente tem que ser remodelado em busca dessa melhoria. Gostaria de mais ações de movimentação sem bola e jogadas offscreen buscando arremessadores – precisamos ver se atletas como Walker e Vassell podem ser mais que chutadores de catch & shoot, além de isso ajudar na já mencionada questão de espaçamento. 

Murray e Poeltl são os pilares de nossa defesa, que tem tudo para ser fortíssima na próxima temporada, e devem possuir duas das maiores minutagens da equipe. O armador, aliás, também deve ser nossa principal opção ofensiva e precisa evoluir. Eu espero igualmente um salto de Johnson enquanto criador e que ele tenha um papel grande no ataque. Walker deve herdar o papel de sexto homem e terá que ser muito mais eficiente, e Vassell terá de mostrar uma arremesso melhor e mais versátil.

Pensando nisso, eu vejo o Spurs com as seguintes possibilidades de rotação pensando em possíveis contrações e no draft:

Time titular:

G – Dejounte Murray
G – Derrick White (Duncan Robinson)
F  – Keldon Johnson
F – Devin Vassell (Lauri Markkanen ou John Collins)
C – Jakob Poeltl

Segunda unidade:

6th – Lonnie Walker / Derrick White
7th- Patty Mills / Lonnie Walker / Tre Jones / (Armador FA) / (Escolha do Draft)
8th – Luka Samanic / Devin Vassell / (Escolha do Draft)
Backup C – Drew Eubanks / (Pivô FA) / (Escolha do Draft)

Alguns jogadores aparecem tanto como titulares quanto na segunda unidade. Estes são jogadores que vejo vindo do banco em caso de contratações. Por exemplo: se Duncan Robinson for contratado, imagino que White irá se tornar o sexto homem, passando Lonnie para o cargo de sétimo no lugar de Patty Mills, ou, no caso de sua saída, de Tre Jones ou outro armador.

Caso o time contrate Lauri Markkanen ou John Collins, Vassell pegará provavelmente o espaço na rotação de alas vindo do banco, tirando o espaço de Samanic. E em caso de um pivô contratado ou draftado na primeira rodada, ele  provavelmente deve pegar o lugar de Drew Eubanks. Aqui estou assumindo uma rotação de nove jogadores, e evidentemente ela pode ser maior, permitindo que o novato jogue quase que certamente ou que Samanic tenha bastante minutos. Também assumi as saídas de DeMar DeRozan e Rudy Gay, que vejo como muito prováveis.

No geral, estamos em um processo de reconstrução, que foi assumido na última campanha, e encontramos uma identidade defensiva que pode ser base para o futuro. Essa próxima temporada é para conhecer o elenco e consolidá-lo, buscando no draft de 2022 melhorá-lo e tentar completar o rebuild na offseason de 2023. Talvez, mesmo comandados pelos jovens, nossa defesa e alguns saltos nos levem ao play-in, ou talvez fiquemos de fora, por volta da décima segunda ou décima terceira colocação da Conferência Oeste. De qualquer modo, o desenvolvimento será o mais importante – devemos nos preocupar com o processo, não com os resultados.