Arquivo diário: 11/11/2020

Spurs segundo os números: Os alas

Por Matheus Gonzaga, do Layups & Threes

Parte 1: Os armadores

Bryn Forbes

Bryn Forbes (Reprodução/nba.com)

Bryn Forbes (Reprodução/nba.com)

Bryn Forbes é provavelmente o segundo jogador mais odiado pela torcida do San Antonio Spurs (atrás apenas de Marco Belinelli). Seu skillset limitado e seu tenebroso desempenho defensivo fazem com que sua titularidade e até sua presença na rotação tenham sido alvos de muitas críticas. Mas será que o arremessador é tão ruim assim? Será que ele realmente inútil?

Forbes jogou 63 jogos na temporada 2019/2020, tendo sido titular em 62. Em 25 minutos por partida, o arremessador teve médias de 11,2 pontos, dois rebotes e 1,7 assistências, com aproveitamento de 42% de quadra, 39% de três pontos (número bom e em volume considerável) e 83% da linha de lance livre.

Vamos começar pelo ponto forte de Forbes, seu arremesso: em suas 131 tentativas na zona morta, ele teve 40,5% de aproveitamento, enquanto teve 38,8% em 343 tentativas acima do arco, números muito bons, ainda que não de elite. Outro fato positivo é sua capacidade de atirar vindo do drible: em suas 90 tentativas de pull up threes, o camisa #11 teve excelente aproveitamento de 40%,enquanto teve 39,5% em situações de catch and shoot (281 tentativas).

Mesmo quando marcado, Forbes tem bom aproveitamento: converteu 37,8% em arremessos contestados. Esses números indicam que, ainda que não seja um dos melhores da liga, o jogador do Spurs é um arremessador talentoso e versátil.

Mas isso é basicamente tudo de positivo a se dizer sobre ele: Forbes não é capaz de comandar pick and rolls, nem pontuar no 1×1… Talvez ele apresente certo potencial infiltrando ao atacar closeouts da defesa, já que teve um aproveitamento sólido arremessando em infiltrações e finalizando no aro, mas nada digno de nota.

Defensivamente… algumas estatísticas avançadas já nos passam uma ideia: Forbes foi considerado o oitavo pior defensor da liga segundo o Defensive Player Impact Plus-Minus do site Wins Added, além de ser o sétimo pior defensor da NBA segundo o Defense Box Plus-Minus. Mas não é necessário ir tão a fundo para ver o péssimo desempenho do jogador nesse lado da quadra: a defesa do Spurs é seis pontos por 100 posses melhor com ele fora de quadra (defensive rating de 108,6) do que com ele dentro (defensive rating de 114,8)!

É claro que isso também se deve a rotações e aos companheiros de time em cada uma das situações, mas juntando essa última informação com a péssima performance indicada pelas métricas de desempenho avançadas, há fortes indícios de que ao menos parte da responsabilidade cai sobre Forbes.

Falando sobre aspectos mais específicos da defesa, o jogador cedeu 1,23 pontos por posse em isolações, número absurdamente ruim (mas com um asterisco bem grande pelo fato de ter marcado apenas 26 posses, uma amostra pequena). O ala-armador foi ainda pior fazendo closeouts: adversários em spot up tiveram 1,23 pontos por posse contra ele (o que faz com que o atleta do Spurs seja pior que 90% da liga), algo que indica uma coisa constatada pelo teste visual: Forbes muitas vezes fica perdido na defesa e deixa jogadores adversários livres. Nas demais categorias defensivas, ele é abaixo da média da liga, mas não tão ruim (não que isso signifique muita coisa).

Forbes não é um jogador inútil: trata-se de um arremessador muito bom e que é capaz de converter bolas de 3 em diversas circunstâncias. Por outro lado, o jogador tem extrema dificuldade na defesa, sendo um dos piores nesse lado da quadra de toda a NBA, algo que reflete diretamente no desempenho defensivo da equipe. A questão sobre ele é quanto o problema excede o valor de sua produção ofensiva (que é boa). Talvez em uma equipe defensiva mais forte, o ala-armador pudesse ser escondido e não comprometesse tanto. Mas, no Spurs atual, trata-se de um jogador com impacto ruim.

Lonnie Walker IV

Lonnie Walker (Reprodução/nba.com)

Lonnie Walker provavelmente é o jogador do Spurs com maior teto, e talvez um dos com menor piso. Em alguns momentos, ele pareceu uma estrela em desenvolvimento, principalmente na virada que ele liderou sobre o Houston Rockets. Em outros, chegou a lembrar jogadores como Iman Shumpert. Vamos investigar no que o ala-armador se saiu bem e no que ele precisa melhorar.

Começando pelo básico: Walker jogou 61 jogos na temporada (12 como titular, oito deles na bolha em Orlando), tendo tido média de 16 minutos por partida, 6,4 pontos, 2,3 rebotes e 1,1 assistências, com aproveitamentos de 43% de quadra e 40% do perímetro (em apenas 1,7 tentativas por partida). 

Uma primeira questão do jovem ala-armador do Spurs é sua agressividade excessiva em finalizações. Seu atleticismo é incrível, e ele tem muito potencial no quesito, mas atualmente isso faz com que ele tente jogadas muito difíceis e não consiga convertê-las bem. Nos seus 99 arremessos em infiltrações na temporada, Walter teve um tenebroso aproveitamento de 38,4%, pior número do Spurs e décimo primeiro pior de toda a liga entre jogadores com volume significativo. Por outro lado, o camisa #1 ao menos não é propício a desperdiçar a bola ao infiltrar e está um pouco acima da média encontrando companheiros nessa jogada.

Essa dificuldade em finalizar se reflete diretamente em seus aproveitamentos de arremesso: Walter teve aproveitamento de apenas 56,5% no aro e apenas de 27% (!) na parte mais distante do garrafão (mas em cerca de apenas uma tentativa por partida). Esses números ruins em finalizações também fazem com que o jovem tenha desempenho muito ruim operando o pick and roll: em cerca de uma posse por partida, o jovem só conseguiu 0,58 pontos, número péssimo (e ocorre um fenômeno parecido também na transição).

Enquanto arremessador. Walker demonstra muito potencial: seu volume é muito baixo para tirarmos conclusões definitivas, mas o aproveitamento de 40% é extremamente promissor, ainda mais considerando que 70% das tentativas vêm fora da zona morta, e nessas ele têm 44,3% de acerto. Por outro lado, ele deixou a desejar em tentativas no corner (34,5%, mas foram apenas 29 tentativas). A maior parte dos chutes do jovem veio de catch and shoot, e não temos amostra o suficiente para falar de seu potencial em pull ups (foram 14 tentativas, e ele teve aproveitamento digno de 36%), mas no geral ele se projeta como um bom atirador (inclusive tendo bom aproveitamento arremessando de handoffs), ainda que no momento não saiba criar seu arremesso.

No lado defensivo, Walker tem potencial. Cedeu 0,86 pontos por isolação marcada (melhor que 58% da NBA), mas não é exatamente um jogador polido e tem dificuldades em algumas leituras – foi pior que 70% da liga marcando pick and rolls e fazendo closeouts. O ala-armador brilhou em alguns matchups defensivos, especialmente contra Harden (isso já está se tornando comum de falar quando o assunto é jovens do Spurs), cedendo aproveitamento de menos de 0,8 pontos por posse para o Barba, o que novamente destaca sua incrível capacidade de defesa mano a mano.

Walker é um prospecto no sentido mais puro da palavra: há potencial ali, mas ainda trata-se de um talento bruto e que precisa de muito polimento (algo que é bem normal, considerando que a última temporada foi a primeira em que ele fez de fato parte da rotação), especialmente na seleção de arremessos ao finalizar no aro e em algumas leituras defensivas. Entretanto, ele demonstra já ser um passador digno, um ótimo defensor de mano a mano e um bom arremessador (que pode se tornar mais perigoso ainda caso desenvolva um jogo de pull up). Ainda é muito cedo para saber se o ala-armador pode ser uma estrela ou se seu teto é um 3 and D que consegue às vezes atacar a cesta, mas de qualquer modo ele se projeta como um jogador muito útil para o Spurs nos próximos anos.

Marco Belinelli

Marco Belinelli (Reprodução/nba.com)

Agora chegou o momento que todos esperavam: a hora de falar de Marco Belinelli, o jogador mais adorado pela torcida do Spurs. Não preciso dizer que a frase anterior está inteiramente carregada de ironia: o italiano é muito desprezado pelos fãs do time texano, e sua presença na rotação da equipe causou muitas críticas. Mas será que os números trazem algum motivo para justificar seus minutos? Será que ele agrega valor em algum lugar?

Como sempre, vamos começar pelo básico: nas 57 partidas que atuou – todas como reserva – Belinelli teve médias de 15,5 minutos, 6,3 pontos, 1,7 rebotes, 1,2 assistências e apenas 0,3 turnovers. Seus aproveitamentos foram de 39% de quadra e 37% da linha de três pontos (de onde se deram mais de metade de suas tentativas).

Belinelli é um arremessador: esse é seu papel e o motivo de ele estar na NBA. Por mais que para jogadores que também tenham outros papéis o aproveitamento de 37% seja bom, para um especialista como ele esse número deixa a desejar. Esse aproveitamento é uma junção de dois números bem diferentes: Belinelli teve 44% de aproveitamento dos cantos da quadra e de apenas 35% above the break, de onde se deu a maior parte de suas tentativas. Além disso, a maior parte delas foram catch and shoots. Basicamente, nessa temporada, ele se tornou um arremessador de zona morta, que não cria muitos arremessos do drible (tem sucesso mediano quando cria), um papel que executa bem, mas que é pequeno.

Um ponto que me irrita muito no jogo dele é a insistência em pull ups de meia distância – o ala tentou 76 arremessos do tipo na temporada e teve aproveitamento tenebroso de 33%, que não seria bom nem se essas bolas valessem três pontos e é muito pior quando valem dois. 

Mas existe um ponto bem positivo no jogo do italiano: ele não desperdiça a bola e sabe fazer boas leituras passando, tendo uma razão de aproximadamente quatro assistências para cada desperdício de bola. Não se trata de um playmaker, mas é um jogador que sabe manter a movimentação da bola e não cometer erros graves, algo que explica (mas não justifica na minha opinião) o motivo de ele ser usado por Gregg Popovich.

Na defesa, ele foi bem ok: o Spurs teve uma defesa três pontos por posse melhor com ele em quadra do que com ele fora, algo que pode não ter tanto a ver com ele, mas indica que ele não é tão ruim. De qualquer modo, Belinelli foi um marcador razoável de mano a mano e fazendo closeouts – nada demais, mas nada horrível. Entretanto, ele foi muito mal marcando pick and rolls (percentil 17% da NBA). Como um todo, parece um defensor bem mediano (o que, sendo sincero, é bem melhor do que eu imaginava).

Belinelli é um jogador extremamente limitado e um arremessador bom, mas mais limitado à zona morta, e que tem problemas de seleção de chutes e é mediano no outro lado da quadra. Não é tão ruim quanto parece – especialmente por saber cuidar bem da bola, mas não acho que deveria estar na rotação de uma equipe em reconstrução, especialmente quando isso tira minutos de jogadores mais jovens – e possivelmente até melhores hoje – como Lonnie Walker e Keldon Johnson.

Keldon Johnson

Keldon Johnson (Reprodução/nba.com)

É complicado avaliar a temporada de Keldon Johnson: o calouro passou quase toda a temporada na G-League, como normalmente ocorre com os novatos do Spurs, e apenas participou de 17 partidas na NBA. Desse modo, é extremamente difícil falar sobre sua performance, e tudo que for dito no texto deve ser lido com um asterisco devido à amostragem pequena.

Na última temporada, as médias do calouro foram de 9,1 pontos, 3,4 rebotes, 0,9 assistências e 0,8 roubos de bola em 18 minutos por partida. Johnson teve ótimos aproveitamentos de quadra (59,6%) e de três pontos (59,1%), que absolutamente não são sustentáveis, mas podem ser um bom indício.

Sua capacidade de finalização é incrível: ele teve 70% de acertos no aro em 40 tentativas. Outro aspecto positivo do jogo do jovem foi sua capacidade de cavar faltas infiltrando – ele sofreu faltas em 18% das vezes que bateu para a cesta, número que seria o melhor da NBA caso ele tivesse uma amostragem significativa. Além disso, foi capaz de acertar 50% dos tiros de quadra nessa jogada, um número que não é notório, mas já é acima da média da liga.

Quanto ao arremesso de três pontos – onde Johnson teve números inacreditáveis – seus splits foram ótimos tanto na zona morta (de onde se deu a maioria das tentativas) quando fora dela. Do drible, só tentou dois chutes, então é impossível tirarmos qualquer coisa disso.

Falando sobre jogadas específicas, o novato converteu arremessos em seis dos dez pick and rolls que operou e também foi muito bem cortando para a cesta e na transição (nas tabelas das demais jogadas disponibilizadas pela Synergy Stats, ele sequer apareceu).

Defensivamente, Johnson se mostrou excelente fazendo closeouts (melhor que 77% da liga) – e abaixo da média marcando o pick and roll (mas novamente, amostras muito pequenas). O sinal mais promissor da capacidade do ala, entretanto, vem dos dados de on-court/off-court: o defensive rating o Spurs com o novato em quadra foi de 103,2, número de elite e nove pontos por 100 posses melhor que a média do time na temporada. É claro que esse valor não deve ser sustentável, mas é um bom indício.

A amostragem de partidas de Johnson é muito pequena, mas o fato de quase todos os sinais serem positivos é extremamente promissor. Ainda que seus números sejam insustentáveis, eles são sinais de um ótimo arremessador de catch & shoot, capaz de infiltrar e ótimo defensor off-ball. Não existem certezas sobre o novato, mas ele aparenta ter bastante potencial.

DeMar DeRozan

DeMar DeRozan (Reprodução/nba.com)

DeMar DeRozan é possivelmente o jogador mais difícil de avaliar da NBA: ele tem forças e fraquezas extremamente bem definidas e que compõem um perfil de jogo muito peculiar. Curiosamente, essas forças e fraquezas não exatamente as imaginadas pela maioria do público.

Vamos então aos números básicos do franchise player do Spurs: em 68 partidas, teve médias de 34,1 minutos, 22,6 pontos (líder do time), 5,6 assistências (líder do time), 5,5 rebotes (quinto do time), 2,4 turnovers (líder do time) e um roubo de bola. Além disso, teve aproveitamento de quadra de 53%, maior marca da carreira e número altíssimo para um jogador de sua posição. Juntando isso com sua capacidade razoável de cavar faltas e boa de converter lances livres, ele obtém uma TS% de 60,3% (número que está entre os 20% melhores da liga, o que é ainda mais impressionante considerando que ele não arremessa bolas de três pontos).

Mas como o camisa #10 consegue esses números tentando arremessos tão pouco eficientes? Seu jogo de meia distância é tão bom assim?

A resposta é não. Não me entenda mal: DeRozan é um arremessador muito acima da média em eficiência de mid-range, o que é bem impressionante considerando seu altíssimo volume (foi o terceiro jogador que mais tentou esses arremessos na liga inteira). Mesmo assim, o aproveitamento dele é de 45,9%, excelente para bolas dessa região, mas que não é um número bom para ações ofensivas em geral (0,92 pontos por posse não é horrível e nem torna a jogada inutilizável, mas definitivamente não é o suficiente para ser um foco ofensivo). Como o astro consegue pontuar tanto de forma tão eficiente sendo que não é excelente em uma das jogadas que mais tenta?

A resposta está no garrafão. O aspecto mais subestimado em relação ao jogador do Spurs é sua capacidade de finalizar no aro: DeRozan teve 70% de aproveitamento (entre os 20% melhores de toda a liga) próximo à cesta em volume bem considerável. Esse número, junto de seu desempenho digno em floaters, faz com que ele seja um dos melhores da NBA em infiltrações. Ninguém infiltrou nem converteu mais arremessos infiltrando que o camisa #10, e o mais impressionante: ele fez isso com o absurdo aproveitamento de 56,7%. Apenas o MVP Giannis Antetokounmpo teve aproveitamento de arremessos melhor nessa jogada. Por outro lado, o ala-armador não se destaca em conseguir lances livres nessa situação, sendo apenas próximo à média da liga. 

Além de ser eficiente arremessando, o franchise player do Spurs também sabe cuidar da bola, desperdiçando ela apenas em cerca de 5% das vezes que bate para dentro, número melhor que o de mais de 80% da liga.

A já mostrada habilidade de DeRozan em infiltrações possibilita diversos passes para seus companheiros de equipe, e o atleta do Spurs sabe acioná-los bem, ainda que não em nível de elite. Ele foi o sétimo jogador que mais assistiu aos jogadores de seu time a partir de infiltrações, mas isso se deve mais a seu volume de tentativas: seu percentual de assistências na jogada é mediano, algo que indica que ele é um passador capaz, mas apenas isso.

Esses números em infiltrações fazem com que o ala tenha uma capacidade incrível de pontuar em isolações (ainda que em volume baixo): em cerca de duas tentativas por jogo, o veterano conseguiu 1,13 pontos por posse (mesmo só tentando arremessos de dois pontos e cavando faltas). Esse número é O MAIOR DE TODA A NBA entre jogadores com no mínimo 100 tentativas. Nem James Harden é mais eficiente (ele tem 1,12 pontos por posse). Vale ressaltar de novo que o volume de tentativas do jogador do Spurs é baixo, mas ainda assim é um número muito impressionante.

DeRozan também é um jogador de elite operando pick and rolls. Seus 1,05 pontos por posse são a sétima maior marca da liga inteira (mínimo 100 posses), e nesse caso seu volume é bem alto.

É inegável que se trata de alguém extremamente talentoso, mas é válido levantar o questionamento de quanto ele realmente melhora a performance ofensiva de um time. Quando não tem a bola nas mãos, DeRozan, por não saber arremessar de três pontos, pode acabar comprometendo o espaçamento da equipe e travando as jogadas. De qualquer modo, isso não pareceu prejudicar o Spurs em quadra na temporada passada. O ataque do time com ele em quadra teve rating de 111,8, enquanto sem ele caiu para 108, uma diferença bem significativa (a título de comparação, 111,8 é o offensive rating do Utah Jazz, nono melhor ataque da liga, enquanto 108 é bem próximo do do Orlando Magic, o vigésimo terceiro).

Isso pode levar o leitor a perguntar. Se DeRozan é tão bom ofensivamente assim, como o Spurs não vai longe com ele?

A questão é a defesa. Se por um lado o astro é extremamente subestimado ofensivamente, sendo um dos melhores criadores de arremessos e finalizadores da liga, muito pouco é falado sobre quão ruim ele é defensivamente.

Eu já falei sobre quão melhor o desempenho ofensivo do Spurs é com ele em quadra, mas na média, a equipe tem saldo de pontos melhor sem ele. Isso ocorre porque a equipe texana tem defensive rating melhor em cinco pontos sem ele em quadra: Considerando apenas os minutos com ele, o time teria a vigésima sétima defesa da liga (pior que a do Golden State Warriors, por exemplo), enquanto considerando apenas os minutos sem o mesmo, a defesa do time subiria para o quinto lugar, bem próximo ao nível do Boston Celtics.

É claro que esse último número provavelmente não seria sustentável em uma amostragem maior e que as falhas defensivas de sua equipe com ele em quadra não são exclusivamente sua culpa (dividir muitos minutos com Bryn Forbes certamente não ajuda no defensive rating do time com ele em quadra), mas esses números mostram uma tendência forte de que DeRozan é um defensor ruim.

Se você não está convencido ainda, aqui vão outros números: o astro cedeu 1,16 pontos por posse marcando em um contra um, marca pior que a de 85% da liga (foram apenas 37 posses, mas é um indício bem preocupante), além de ceder 1,05 pontos por posse marcando ball handlers em pick and roll (pior que 90%) e 1,18 em spot ups de adversários (pior que 85%). Por outro lado, ele se saiu curiosamente bem marcando handoffs e perseguindo adversários entre corta-luzes.

É muito esquisito avaliar DeRozan. Ele é ofensivamente uma estrela, talvez até uma superestrela. Suas capacidades de finalizar, de infiltrar e de criar arremessos (seja no um contra um ou no pick and roll) são de elite e batem de frente com qualquer jogador da liga. Por outro lado, trata-se de um péssimo defensor on-ball (um dos piores da liga) e horrível em closeouts (só ver os números de spot up dos adversários), algo que diminui muito o seu valor. Isso pode ser parcialmente culpa do esquema e dos jogadores a sua volta, mas com certeza ele tem uma boa parcela de responsabilidade. Se o Spurs quiser manter seu franchise player e subir de nível, essa questão defensiva precisa ser resolvida urgentemente.