Uma proposta de rotação pata o Spurs

Com apenas seis vitórias nos primeiros 18 jogos do campeonato, o San Antonio Spurs faz início de temporada historicamente ruim na era Gregg Popovich. A campanha abaixo da crítica já faz com que rumores de troca apareçam e com que torcedores cobrem mudanças imediatas no plantel. Mas será que não é possível obter um melhor desempenho com o elenco atual do alvinegro?

Murray e DeRozan em ação contra o Lakers; dupla não tem funcionado (Reprodução/nba.com/spurs)

Pop começou o ano com Dejounte Murray, Bryn Forbes, DeMar DeRozan, Trey Lyles e LaMarcus Aldridge formando seu quinteto titular. Recentemente, resolveu retomar o time que começava os jogos na temporada passada, sacando o armador e o ala-pivô e promovendo as entradas de Derrick White e Jakob Poeltl. Além disso, tem dado mais minutos a DeMarre Carroll, o que tira tempo de quadra de Marco Belinelli.

As mudanças tentam atacar dois problemas graves facilmente identificáveis. O primeiro deles é a defesa, costumeiramente um ponto forte dos times de Pop. O Spurs permitiu 115,3 pontos por jogo a seus adversários, sexta pior marca da NBA. As equipes que enfrentam o alvinegro marcam 113,8 pontos a cada 100 posses de bola, o que faz com que a equipe texana tenha a quinta pior defesa da liga.

Parte disso se dá graças à ausência de especialistas em defesa de perímetro na rotação. Na última parcial que fez do Spurs, o site NBA Math mostrou um pouco o tamanho do problema.

O gráfico mostra o resultado de cada jogador do Spurs em estatísticas avançadas dos dois lados da quadra. Quanto mais para direita um atleta aparece, melhor é seu desempenho ofensivo na temporada. Quanto mais para cima, melhor seu desempenho defensivo.

Em outras palavras, Bryn Forbes, Patty Mills e Marco Belinelli são os três piores defensores do Spurs na temporada segundo as métricas avançadas do site. O australiano compensa sendo o melhor jogador ofensivo do elenco desde o início do campeonato. Então, fica aqui a primeira proposta: trocar definitivamente os outros dois por Lonnie Walker e DeMarre Carroll na rotação.

O segundo problema claro do Spurs é a falta de compatibilidade de alguns dos seus principais jogadores. Murray, DeRozan e Aldridge funcionam melhor com a bola nas mãos e, juntos no time titular, não conseguiram fazer com que a equipe fluísse. Segundo o site oficial da NBA, o alvinegro ficou 238 minutos com os três em quadra nesta temporada e sofreu 71 pontos a mais do que marcou neste recorte. É o pior saldo de qualquer combinação de três jogadores do elenco. Assim, não é de se espantar que o armador tenha virado reserva.

O mesmo vale para combinações entre dois desses três atletas. O Spurs jogou 518 minutos com DeRozan e Aldridge juntos e sofreu 81 pontos a mais do que marcou. Com Murray e DeRozan juntos, são 264 minutos e saldo negativo de 83 pontos. Com Murray e Aldridge juntos, são 262 minutos e saldo negativo de 87 pontos. São as três piores marcas de qualquer dupla do alvinegro na temporada.

Será que separar Murray dos dois astros é a melhor solução? Eu particularmente acho que não. O armador tem como pontos fortes a defesa e os rebotes, mas não é um playmaker. Não tem criatividade e não combina com a movimentação de bola da segunda unidade, hoje capitaneada por Patty Mills e Rudy Gay.

Dos três, Aldridge é claramente quem joga melhor sem a bola. Tem 34,5% de aproveitamento nos arremessos de três pontos, contra 22,2% de Murray. Em estatística que assusta, DeRozan tentou apenas quatro bolas do perímetro na temporada e errou as quatro. Além disso, o ala-pivô se destaca no trabalho sujo. Pegou 37 rebotes de ataque na temporada, segunda melhor marca do elenco, perdendo apenas para os 41 de Poeltl. Se destaca também na proteção do aro, limitando os adversários a aproveitamento de 54,8% nos arremessos dados a menos de seis pés da cesta, ficando atrás somente dos 50% de Poeltl e dos 52% de Carroll no plantel. Por fim, é um dos melhores de toda a NBA em abrir espaço para companheiros pontuarem om corta-luzes.

Em outras palavras, Aldridge é o menos indicado para ser isolado dos outros dois. E as pistas dadas acima mostram que talvez esse papel caiba para DeRozan. Murray aparece no gráfico do NBA Math como melhor defensor do elenco na temporada, o que pode torná-lo mais adequado para um papel reduzido. Enquanto isso, o ala-armador dá 4,6 assistências por jogo, contra 4,3 do armador, e seu desempenho abaixo da crítica na defesa e nos arremessos do perímetro mostra que ele não tem muita utilidade quando não está com a bola em mãos. Então, que tal deixar o camisa #10 no comando da segunda unidade?

Claro que colocar um jogador com a grife de DeRozan no banco pode causar problemas no vestiário. Também pode tirar sua confiança, já que se trata de um atleta assumidamente frágil psicologicamente. Mas é possível mantê-lo no quinteto titular e substitui-lo cedo, devolvendo-o para a quadra com os arremessadores da segunda unidade.

Assim, o time titular poderia ter Murray puxando contra-ataques em alta velocidade e, no ataque de meia-quadra, teria como premissa acionar Aldridge no poste baixo. A falta de criatividade do armador poderia ser compensada com a presença de playmakers como White e Gay. Seguindo a mesma lógica, Walker poderia ser quem vem do banco de reservas para substituir DeRozan e completar esse quinteto.

A falta de espaçamento seria um problema, que poderia ser compensada caso a defesa funcionasse e Murray, Gay e Aldridge tivessem sucesso brigando por rebotes ofensivos.

Enquanto isso, DeRozan poderia ter um papel semelhante ao que Lou Williams tem no Los Angeles Clippers. O ala-armador da equipe angelina comanda uma segunda unidade baseada no seu entrosamento com Montrezl Harrell nos pick-and-rolls, com arremessadores cercando a dupla. O camisa #10 do Spurs poderia fazer o mesmo com Poeltl, com quem joga junto há quatro temporadas, aproveitando-se do espaçamento que Mills, Carroll e Lyles ofereceriam com suas bolas de três.

Assim, o time titular teria Murray, White, DeRozan, Gay e Aldridge. Walker entraria para substituir DeRozan, que passaria a comandar uma segunda unidade que contaria também com Mills, Carroll, Lyles e Poeltl. Uma abordagem que ao menos minimizaria os evidentes problemas que o Spurs vem apresentando na temporada.

Sobre Lucas Pastore

Um dos fundadores do Spurs Brasil. Formado em Jornalismo na Universidade Presbiteriana Mackenzie em 2010, é editor assistente do UOL Esporte. Cobriu o basquete olímpico na Olimpíada de 2016 pelo LANCE!. Trabalhou também para Basketeria e mob36.

Publicado em 27/11/2019, em Análises, Artigos. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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