Como Joffrey Lauvergne pode render no Spurs?

Por Luís Araújo*

Joffrey Lauvergne terminou a última temporada no Chicago Bulls, passou a maior parte dela no Oklahoma City Thunder e jogou dois anos no Denver Nuggets antes disso. Nestes times, o pivô encontrou rotações congestionadas em seu setor e não teve tanto espaço. Mas não quer dizer que não teve flashes interessantes, capazes de torná-lo uma peça útil para Gregg Popovich.

Lauvergne é um dos reforços do Spurs (Reprodução/nba.com/spurs)

Na temporada passada, por exemplo, em um dos 23 jogos que fez com o Bulls (contando também os playoffs), teve uma atuação de 17 pontos, sete rebotes e três assistências em uma vitória sobre o Detroit Pistons. Ele também acertou sete dos 13 arremessos que tentou, incluindo uma bola de três convertida, e ficou em quadra por pouco mais de 28 minutos.

Um olhar mais atento para essa produção ajuda a entender melhor algumas coisas das quais ele é capaz de fazer, além de dar uma base sobre como o jogador pode se encaixar no Spurs.

Logo no primeiro lance do vídeo, dá para ver Lauvergne trabalhando no pick-and-roll com Jimmy Butler, que viu seu marcador passar por cima do bloqueio e ainda se viu cercado por Andre Drummond, que se preocupou em não deixar o caminho livre para ele infiltrar. Foi isso que abriu a possibilidade para o francês ser acionado e finalizar com a mão esquerda diante de Kentavious Caldwell-Pope, que correu para tentar ajudar a proteger a cesta.

Não é difícil imaginar esse tipo de coisa acontecendo no Spurs. Em um time que deixa bastante a bola nas mãos de Kawhi Leonard para iniciar jogadas usando bloqueios de pivôs, Lauvergne pode ser bem explorado e entregar bons resultados nestas oportunidades.

O segundo lance do vídeo mostra uma cesta decorrente de rebote de ataque, algo que também faz parte das principais virtudes do francês. Em seguida, ele cavou falta que o levou a cobrar dois lances livres após receber passe longe da cesta, observar Drummond sair correndo para contestar e botar a bola no chão para driblar. Essa capacidade de fazer o corte também é uma coisa muito boa que ele consegue fazer contra oponentes menos ágeis, mas que só funcionou neste caso porque seu marcador o considerou uma ameaça no chute de média distância.

É justamente um chute de média distância que ele aparece acertando no lance seguinte, aproveitando-se da preocupação que Butler causou na defesa ao entrar no garrafão, fazendo com que Drummond corresse para proteger a cesta. Estatisticamente, Lauvergne ainda não tem um arremesso de fora do garrafão que possa ser considerado extremamente confiável. O potencial para que isso seja uma arma poderosa no seu leque ofensivo existe, e até é possível vê-lo pegando fogo vez ou outra, mas os resultados em linhas gerais ainda variam.

Na sequência do vídeo, Lauvergne faz outra cesta após colocar a bola no chão para driblar o pivô adversário, produz uma com a mão direita a partir do post-up e finaliza uma bola embaixo da cesta depois de Butler mais uma vez atrair a marcação do adversário.

Por fim, um pick-and-pop com Paul Zipser que termina com uma bola de três. É aí que vem mais um potencial interessante no jogo de Lauvergne: há sinais claros de desenvolvimento nos arremessos de longe nos últimos meses. Não dá para saber ao certo como serão os próximos passos, mas dá para criar alguma animação com o que vem acontecendo até agora.

Em suma, além desta questão dos chutes de média e longa distância, Lauvergne é um pivô que sabe o que fazer com a bola nas mãos, seja buscando o corte contra rivais mais lentos ou encaixando bons passes – algo que sempre é muito valioso para quem vai jogar para Popovich. Mas o melhor dele parece ser mesmo sem a bola nas mãos, aproveitando a boa mobilidade para correr a quadra em contra-ataques e a inteligência para se deslocar e cortar para a cesta em momentos precisos. Não é à toa que o pick-and-roll é um dos seus pontos mais fortes.

Sobre isso, aliás, vale a pena também observar essa atuação ainda pelo Nuggets, em jogo contra o Sacramento Kings em fevereiro de 2016. Lauvergne saiu do banco para produzir 22 pontos e sete rebotes em 25 minutos, convertendo dez dos 14 chutes que tentou – incluindo, novamente, um de três. Teve chute de média distância, bola de três e finalizações depois de colocar a bola no chão. Mas o grosso da produção veio mesmo a partir do pick-and-roll.

Defensivamente, Lauvergne também é bom reboteiro. Não dá muitos tocos e não chega a ser um grande protetor do aro, mas é um marcador sólido no um contra um. Além disso, a boa mobilidade o permite se virar bem longe da cesta nas vezes em que for arrastado para reagir a bloqueios. Pelo que mostrou até agora, parece capaz e disciplinado o bastante para se encaixar bem a um sistema defensivo que tem sido um dos melhores da liga já há alguns anos.

Esse conjunto de habilidades nos dois lados da quadra tornam Lauvergne uma aposta mais do que válida. Jogando para um técnico como Popovich e em uma organização como o Spurs, nem chegaria a ser uma surpresa enorme se ele atingisse um nível mais alto nesta trajetória na NBA.

* Especialista no Chicago Bulls, Luís Araújo é dodo do Triple-Double, um dos melhores blogs sobre basquete do Brasil. É possível virar assinante por vários valores e receber conteúdo especial sobre o esporte, além de participar de promoções para brindes exclusivos.

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Sobre Lucas Pastore

Um dos fundadores do Spurs Brasil, seu maior orgulho na carreira jornalística. Formado em Jornalismo na Universidade Presbiteriana Mackenzie em 2010, é redator do UOL. Cobriu o basquete olímpico na Olimpíada de 2016 pelo LANCE!. Trabalhou também para Basketeria e mob36.

Publicado em 25/07/2017, em Análises. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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