Power ranking dos stashs do Spurs

Por Gabriel Andrade*

O San Antonio Spurs há tempos escolhe estrangeiros no recrutamento de calouros da NBA para colocá-los em desenvolvimento na Europa, prática conhecida como draft-and-stash, algo que vem se tornando mais comum com a internacionalização da liga e que dá flexibilidade ao teto salarial para franquias que não podem aloprar muito na hora de gastar. Pioneiro neste tipo de projeto, a equipe, naturalmente, acumula uma vasta coleção de atletas no Velho Continente. Ao todo, o alvinegro tem nada mais nada menos que DOZE direitos de jogadores fora da NBA, desde caras que nunca vão pisar em quadras americanas e já se encaminham para o fim da carreira, como o experientíssimo Robertas Javtokas, até alguns talentos que têm toda a chance de um dia se mudarem para o Texas. Com o objetivo de conhecê-los melhor, apresentamos, abaixo, um Power Ranking dos principais nomes nessa situação.

Davis Bertans é um dos stashs do Spurs (Reprodução/marca.com)

Para entender melhor como vai funcionar o ranqueamento, vamos apresentar os critérios:

– Coloco aqui apenas jogadores com chances reais, especulativas ou ainda em idade para se desenvolver e melhorar, caso os dois primeiros pontos não sejam satisfeitos;

– A ordem leva em conta bastante o encaixe na NBA moderna. Não adianta ser o mais produtivo, mas sim aquele com os melhores recursos físico-técnicos para uma boa adaptação;

– Apenas prospectos atuando pela Europa foram colocados. O motivo para isso é ter algum critério real, baseado no que vi. Se não assistir o jogador realmente, não consigo avaliá-lo.

1 – Davis Bertans

Posição: Ala/Ala-Pivô
Altura: 2,05 m
Idade: 23
País: Letônia
Draft: Escolhido em 2011 na posição 42
Clube: Laboral Kutxa Baskonia
Tipo de Jogador: Spot Up Shooter / Strecht Four
Comparação Otimista: Ryan Anderson
Comparação Casual: Mirza Teletovic
Fim do contrato: 2017

Médias em 2015-2016:

Euroliga: 7,9 pontos (54,4% FG, 50% 3 PT, 89,5% FT) e 2,1 rebotes em 19,9 minutos
Liga ACB: 9,8 pontos (42,9% FG, 46,3% 3 PT, 86,7% FT) e 3,5 rebotes em 25,4 minutos

Habilidades de NBA: Bertans tem um arremesso muito bom, e essa é sua maior arma para a NBA. A maior parte de seu volume de jogo vem dos tiros de três (73.3% de seus chutes), e ele consegue usá-los em uma infinidade de maneiras. Para isto, movimenta-se muito sem a bola, usando cortes em zíper e pindowns para se separar de seu defensor, utilizando sua mobilidade de elite para alguém de seu tamanho para ficar livre. Não é alguém que só arremessa parado: pode receber em movimento e se elevar para o chute. A mecânica é alta, fluida e rápida, tornando-o difícil de ser marcado, com grande eficiência. Exibe flashes de que pode arremessar após o drible, principalmente em handoffs. Arma o corpo facilmente.

Ainda é um jogador um pouco unidimensional, mas mostra sólida habilidade atlética (que precisa ser mais utilizada), que proporciona lances como este:

Bandeiras Vermelhas: Agilidade lateral mediana para marcar alas e falta de braços compridos e força para pegar rebotes. Não sabemos se será um ala, como Kyle Korver, ou um strecht four. Para se adaptar à NBA, terá que saber usar seu tamanho para brigar por rebotes e melhorar os instintos como playmaker e infiltrador. Por enquanto, só o chute é de elite.

2 – Adam Hanga

Posição: Ala
Altura: 2,00 m
Idade: 27
País: Hungria
Draft: Escolhido em 2011 na posição 59
Clube: Laboral Kutxa Baskonia
Tipo de Jogador: Defensor Versátil / Slasher
Comparação Otimista: Shawn Marion
Comparação Casual: Al-Farouq Aminu
Fim do contrato: 2017

Médias em 2015-2016:

Euroliga: 8,2 pontos (45,2% FG, 27,9% 3 PT, 70,7% FT) e 5,1 rebotes em 29 minutos
Liga ACB: 9,2 pontos (54,3% FG, 31,1% 3 PT, 73,% FT) e quatro rebotes em 24,9 minutos

Habilidades de NBA: Altura, envergadura, impulsão, explosão, mobilidade, força e agilidade lateral de elite para a NBA. Usando de todos esses recursos, muita energia e técnica defensiva, Hanga foi um dos principais marcadores de toda a Europa, terceiro na corrida de DPOY na Euroliga, mas aclamado como primeiro pela mídia especializada. Defendeu quatro posições em alto nível na temporada, um terror no mano a mano. Ofensivamente, consegue bater a bola para infiltrar, agraciado com seu primeiro passo, bastante eficaz em transição, mas não é particularmente bom mudando de direções. Bom passador tanto parado quando em movimento, capaz de fazer passes do estilo drive-and-dash e jogadas de kickout. Ótimo alvo para lobs, agraciado por sua habilidade atlética. Nos melhores dias, pode acertar bolas de três em sequência, com arremesso inconsistente, mas não quebrado.

Bandeiras Vermelhas: Arremesso muito inconsistente, o que pode complicar um pouco sua vida. Para a NBA, o ideal é que se encaixasse como 3-and-D e, para isso, precisa ser mais eficiente. É um jogador ofensivamente limitado, incapaz de criar qualquer coisa após o drible. Suas infiltrações são mais físicas do que técnicas, o que atrapalha um pouco seu potencial como slasher. Com 27 anos, não tem muito horizonte para aprimorar seu jogo.

3 – Nikola Milutinov

Posição: Pivô
Altura: 2,16 m
Idade: 21
País: Sérvia
Draft: Escolhido em 2015 na posição 26
Clube: Olympiacos
Tipo de Jogador: Bruiser / Protetor de Aro / Rim Runner
Comparação Otimista: Andrew Bogut com jogo de meia distância
Comparação Casual: Jusuf Nurkic
Fim do contrato: 2018

Médias em 2015-2016:

Euroliga: 3,7 pontos (54,2% FG, 77,8% FT) e 2,7 rebotes em 10,8 minutos
Greek A1: 4,6 pontos (63,4% FG, 60,5% FT) e 3,4 rebotes em 12,4 minutos

Habilidades de NBA: Difícil ver alguém tão grande ser tão rápido. Em termos de mobilidade e agilidade, é um dos sete pés mais impressionantes do mundo, o que se soma a seus braços gigantes. Ganhou muita força e já tem um corpo relativamente trabalhado. Passou a jogar mais fisicamente com os papeis que lhe eram passados. Possui bom QI de basquete, que permite que distribua bons passes da cabeça do garrafão. A mecânica de arremesso é limpa e pode ser mais usada. Está sendo mais agressivo, fator em que era cobrado na época do Draft.

Bandeiras Vermelhas: Muito cru ainda para encarar o basquete da NBA. Não possui jogo de costas para a cesta e precisa de maior entendimento para o jogo em velocidade. Não é um cara muito atlético, apesar de ser veloz. Tem dificuldade em se elevar para o aro e sofre com caras mais fortes e físicos. Se complica com faltas rapidamente demais, e ainda falta melhor posicionamento e controle corporal para ser efetivo na defesa por longos minutos.

4 – Nemanja Dangubic

Posição: Ala-Armador/Ala
Altura: 2,06 m
Idade: 23
País: Sérvia
Draft: Escolhido em 2014 na posição 54
Clube: Crvena Zvezda Belgrado
Tipo de Jogador: Defensor Versátil
Comparação Otimista: Nenhum fit parecido em alto nível
Comparação Casual: Thabo Sefolosha mais alto
Fim do contrato: 2016 com opção para 2017

Médias em 2015-2016:

Euroliga: 5,2 pontos (55,1% FG, 45,3% 3 PT, 69,2% FT) e 1,9 rebotes em 15,9 minutos
ABA Liga: 4,8 pontos (39% FG, 33,3% 3 PT, 62,5% FT) e 1,5 rebotes em 15,4 minutos

Habilidades de NBA: Dangubic é muito alto e comprido para um swingman. O seu corpo lembra bastante o de Paul George, astro do Indiana Pacers. Além disso, o sérvio apresenta deslocamento lateral de primeira linha e muita impulsão, capaz de gerar impressionantes enterradas. É ainda bom passador, embora não espetacular. Foi bastante eficiente finalizando em 2015-2016, embora não faça jogadas ofensivas complexas. Quando esteve em quadra, mostrou sólido impacto defensivo no mano a mano e no pick and roll. Conquistou espaço e evoluiu bastante com o decorrer da temporada, de fim de banco a titular nos últimos jogos.

Bandeiras Vermelhas: Ainda é jogador muito cru ofensivamente, incapaz de mudar de direção e criar após o drible. Comete muito erros no ataque, resultado do controle de bola rudimentar e jogo de pés quase inexistente. Reboteiro e ladrão de bola desapontador para alguém de seus atributos físicos. Tecnicamente decepcionante para alguém de sua idade, precisa de um longo caminho de treino de fundamentos para pensar em NBA.

5 – Georgios Printezis

Posição: Ala/Ala-Pivô
Altura: 2,03 m
Idade: 31
País: Grécia
Draft: Escolhido em 2007 na posição 58
Clube: Olympiacos
Tipo de Jogador: Strecht Four / Face Up Four
Comparação Otimista: Nenhum fit parecido.
Comparação Casual: Nenhum fit parecido.
Fim do contrato: 2017

Médias em 2015-2016:

Euroliga: 14,1 pontos (51,3% FG, 36,4% 3 PT, 69,8% FT) e 5,5 rebotes em 25 minutos
Greek A1: Nove pontos (50,7% FT, 34,5% 3 PT, 55,6% FG) E 4,4 rebotes em 20,1 minutos

Habilidades de NBA: Um dos melhores finalizadores da Europa, com excelentes mãos para receber passes, além de fazer os floaters mais bonitos do basquete mundial. Excelente jogo de média e curta distância com bom arremesso de três pontos. É ainda excelente passador para alguém da posição. Erra pouquíssimo e tem grande QI de basquete. Jogador decisivo, que acumula atuações valiosas em diferentes finais. Bastante aguerrido e inteligente na defesa, compensando suas limitações atléticas com uso de força e posicionamento e sendo ótimo em situações de ajuda. Muito experiente e premiado.

Bandeiras Vermelhas: Baixo e pouco comprido para um ala-pivô, pouco ágil e atlético para um ala, Printezis é o típico caso de tweener para a NBA, sem um encaixe defensivo lógico. Não é bom reboteiro, e o seu arremesso não é o mais consistente e ainda pode sofrer um pouco com a maior distância da liga americana. Como seu jogo old school, o astro da seleção da Grécia seria efetivo contra defesas mais atléticas? Aos 31 anos, com muito títulos e identificação com o Olympiacos, é improvável que um dia queira jogar nos Estados Unidos.

6 – Livio Jean-Charles

Posição: Ala/Ala-Pivô
Altura: 2,06 m
Idade: 22
País: França
Draft: Escolhido em 2013 na posição 28
Clube: Asvel Villeurbanne
Tipo de Jogador: Face Up Four
Comparação Otimista: Tobias Harris
Comparação Casual: James Johnson
Fim do contrato: 2016

Médias em 2015-2016:

LNB PRO A: 6,1 pontos (55,7% FG, 12,5% 3 PT, 67,7% FT) e 4,7 rebotes em 21,4 minutos
FIBA Euro Cup: 8,8 pontos (59,6% FG, 100% 3 PT, 76,9% FT) e 6,3 rebotes em 24,3 minutos

Habilidades de NBA: Ótimo tamanho e envergadura para um ala-pivô de NBA, com excelentes instintos como reboteiro e passador. Projetado como bom defensor pelo conjunto atlético que possui. Mecânica de arremesso a ser trabalhada, mas que mostra bom alcance. Sabe botar a bola dentro da cesta por meio de infiltrações e do jogo de curta distância.

Bandeiras Vermelhas: Fora de forma, Jean-Charles vem jogando poucos minutos em clube que está longe de ser de elite. Ainda muito fraco para encarar um basquete mais físico. Seu jogo é baseado em instintos, e falta melhor compreensão da dinâmica da partida. Defensor desatento, que não consegue permanecer muito em quadra por conta de seus defeitos. Arremessador muito inconsistente. Preso entre as posições de ala e ala-pivô, sem chute para jogar no perímetro e força para atuar no garrafão. Até agora vem se mostrando uma decepção, sem conseguir produzir profissionalmente, que mostra investimento errôneo vindo da primeira rodada do Draft. Há dúvidas quanto a seu foco e disciplina.

* Este texto foi produzido por Gabriel Andrade. Você pode me encontrar no Twitter e no TimeOut Brasil. Escrevo quase diariamente sobre basquete na Europa, passando por Euroliga, prospectos ainda não draftados, prospectos já draftados e tretas do mundo FIBA. Se gostou deste texto sobre jogadores em stash, acesse a série sobre no TimeOut Brasil, em que passaremos por 17 clubes diferentes.

Sobre Equipe Spurs Brasil

Seu site de notícias sobre o San Antonio Spurs em português. Ativo desde fevereiro de 2008.

Publicado em 18/05/2016, em Análises. Adicione o link aos favoritos. 9 Comentários.

  1. Nenhum PG com potencial, Gabriel?

    • Não tem um armador pertencente ao Spurs atuando na Europa. O mais próximo disso é o Marcus Denmon, ala-armador, que joga no Enel Brindisi, na Itália, mas não vi muitos jogos dele não, logo não sei muito o que dizer sobre ele. Mas ele não está mal, com médias de 14.4 pontos, 2.9 rebotes e 2.0 assistências. Ouvi dizer por meio de jornalistas italianos que é um bom pontuador, mas essa não é a melhor medida, porque cestinhas americanos são artigo na Europa, um bom caminho para americanos.

  2. Só o Milutinov e o Bertans se poderia pensar San Antônio no futuro, mas não tenho esperança nenhum deles. Bertans é especulado em todo início de temporada, mas acho que não nunca virá.
    Eu particularmente, entre selecionar incógnitas européias e incógnitas americanas, fico com o segundo.

    • Incógnita é um conceito horrível pra um prospecto. Os clubes tem scouts pra isso. Só é incógnita pra quem não estuda jovem atletas. Não é uma boa desculpa.

      • Scouts não dizem quase nada, por acaso prospectos são certeza? Não são, por tanto, são incógnitas e são muito poucos os jogadores não americanos, comparados em porcentagem com os americanos que tem destaque na NBA.
        Como tu é muito estudioso de jovens jogadores com certeza perceberá que a maioria dos jovens nunca consegue destaque. Incognita cabe muito bem para isso, se for analisar só pelos numeros ou pontos fortes, nenhum jogador dos citados por ti tem qualquer chance em qualquer franquia da NBA.

    • Nenhum prospecto é certeza pela condição jovem deles, mas isto é diferente de incógnita. Scouts não garantem uma carreira, obviamente, mas daí a ser uma incógnita são outros 500. Os olheiros existem para conhecer as habilidade dos jogadores e a desculpa da incógnita é para justificar que um jogador seja totalmente desconhecido, sem qualquer previsão de suas habilidades. Todos os jovens passarão por transição profissional e erros e acertos acontecem tanto com prospectos americanos quanto internacionais. Greg Oden, Wesley Johnson, Anthony Bennett (canadense, mas vindo do NCAA), Derrick Williams, Thomas Robinson. Existe um certo preconceito com prospectos europeus, mas se for para pegarmos o histórico recente, apenas Vesely foi um real bust. Schroeder, Antetokounmpo, Gobert, Porzingis, olha o que esses caras estão fazendo.

      Pontos fortes e pontos fracos servem para projeção, mas encará-los como alienígenas, que nada adianta conhecer as características, melhor usar apenas da força nominal, como dito pelo Bola Presa.

  3. Gosto muito do Printezis pela versatilidade defensiva e por pontuar de várias maneiras, é o mais talentoso destes prospectos na minha opinião, porém ele já tem 31 anos…

    • gabrielandradepaula

      Pois então, se o ranking fosse baseado em talento puro, certamente ele seria o primeiro, ou mesmo em produtividade. Mas aí entra a questão de que não teria o usg% que tem Europa, a idade e a vontade de ir. E mesmo assim, Printezis tem alguns limitantes físicos pra NBA, fora o time já ser recheado de garrafão. Vejo que teria dificuldade de achar seu nicho.
      Os outros, que não são tão importantes pra seus times agora, e destaco Bertans e Hanga, tem um nicho tem bem destacado. Bertans tem as ferramentas pra entrar na rotação que qualquer time como chutador e Hanga como defensor/enérgico. A NBA é um encaixe mais fácil pra ambos, e devem executar os mesmo roles da Europa lá, isso porque o Laboral Kutxa jogou num estilo de NBA, de quadra espaçada, velocidade, contra-ataque e decisões rápidas, com PACE comparável a times de nível atlético como Thunder e Warriors.

  1. Pingback: Bertans e Jean-Charles reforçam o Spurs em Bertans | Spurs Brasil

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