Arquivo diário: 10/11/2015

Dilema no banco

Kyle Anderson fez excelente Summer League em Las Vegas e ajudou, ao lado de Jonathan Simmons, o San Antonio Spurs a conquistar o torneio. O ala foi eleito como melhor do campeonato ao registrar boas médias de 22 pontos e 5,8 rebotes por partida.

Anderson em ação contra o Heat (Reprodução/Pounding The Rock)

Anderson em ação contra o Heat (Pounding The Rock)

Depois deste começo de temporada animador, esperava-se que Anderson fosse ter um papel expressivo na equipe principal do técnico Gregg Popovich. Pois bem, sete jogos se passaram para o time de San Antonio desde o início da temporada regular, e o que estamos vendo até aqui é completamente diferente do que era esperado. O camisa #1 está jogando mal e, sem confiança, vem perdendo espaço para o veterano Rasual Butler.

Por que Anderson está jogando mal?

Simplesmente porque ele é incompatível com a segunda unidade do Spurs. Como vimos na Summer League, Anderson é aquele tipo de jogador cerebral, que precisa ter a bola e conduzir o jogo para ser realmente útil. Observe o vídeo a seguir:

No time principal, no entanto, Manu Ginobili e Patty Mills têm esse papel no time reserva, forçando Anderson a atuar de uma forma que encobre suas habilidades, ou seja, sem a bola e dependendo muito do seu irregular arremesso e de sua inexistente velocidade.

Muito por isso, Pop dá mais espaço a Butler, que fez um bom trabalho sempre que entrou.

Em números: diferença entre Anderson e Butler até aqui (Foto: nba.com)

Em números, a diferença entre Anderson e Butler até aqui (nba.com)

E como encaixar Anderson no sistema?

Honestamente, acho improvável que o camisa #1 jogue como gosta ainda nesta temporada, ou seja, conduzindo a bola e comandando o ataque. É claro que muita coisa ainda vai acontecer, mas Anderson, pelo que estamos vendo até aqui, vai ter um papel bem limitado na segunda unidade do Spurs e jogará bons minutos apenas no garbage time. 

Vejo, porém, dois cenários em que o ala pode se encaixar – um a curto e outro a longo prazo:

A curto prazo, vejo o camisa #1 substituindo Ginobili em back-to-back games, ou seja, em jogos em dias seguidos. Popovich gosta de descansar seus velhinhos em partidas assim para evitar um desgaste desnecessário. Sem o argentino, Anderson terá mais liberdade para armar os reservas ao lado de Patty Mills, podendo mostrar o seu real valor.

A longo prazo, por fim, Ginobili vai se aposentar ao fim da temporada e abrirá uma vaga no elenco. Se tudo correr como esperado, Anderson deverá então herdar seu papel.

Obviamente, isso tudo é muito hipotético, mas tratam-se de possibilidades plausíveis.

Para melhorar

Para assumir o posto do camisa #20, Anderson precisa melhorar em alguns pontos.

No ataque, é primordial que o ala melhore seu arremesso. Como disse lá em cima, seu chute ainda é muito inconsistente e pouco confiável. Se melhorar nesse aspecto, Anderson pode se tornar uma peça interessante até para jogar como um spot-up shooter, ou seja, aquele jogador que fica no cantinho só esperando receber a bola livre para atirar (estilo Danny Green).

Na defesa, por outro lado, o camisa #1 está longe de ser um primor. Tem melhorado, é verdade, mas ainda precisa trabalhar muito para ser considerado bom. Sua velocidade (ou falta de) atrapalha seu desenvolvimento – tanto que o ala é conhecido como slow-mo, referência a slow motion (câmera lenta em inglês) – e é outro ponto que merece cuidados.

Enfim, ainda há muita coisa que Anderson precisa trabalhar para virar peça importante na segunda unidade e ainda há muita temporada por rolar. Pelo que vi até aqui, todavia, tenho preferido Butler, que é mais experiente e tem contribuído melhor nos dois lados da quadra.

Spurs (5-2) @ Kings (1-7) – Bote fatal

assinatura SA Br''

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Nesta segunda-feira (9), o San Antonio Spurs alcançou a sua quinta vitória da temporada 2015/2016 da NBA ao superar o Sacramento Kings, na Califórnia, pelo placar de 106 a 88. O triunfo veio após um ótimo quarto período dos texanos e outra boa atuação de Kawhi Leonard. O próximo compromisso do alvinegro será na quarta-feira, mais uma vez fora de casa, dessa vez contra o Portland TrailBlazers. Vamos, a seguir, aos destaques da partida:

Kawhi Leonard mais uma vez foi o cestinha do jogo (NBAE/Getty Imges)

All-Star!

Já virou redundância falar que Kawhi Leonard é o dono do time neste início de campeonato. Na vitória desta segunda, o camisa #2 foi dominante dos dois lados da quadra e terminou mais uma vez como cestinha do jogo, desta vez com um aproveitamento extraordinário de 77% nos arremessos de quadra (10-13). Ele ainda somou três rebotes, duas assistências, duas roubadas de bola e dois tocos. O primeiro All-Star Game vem!

Mills foi decisivo no último quarto (NBAE/Getty Images)

Corrida aussie

Apesar do resultado final elástico, o equilíbrio marcou boa parte do confronto desta segunda-feira na Sleep Train Arena. Mesmo comandando o marcador desde o segundo período, a equipe do treinador Gregg Popovich não conseguia deslanchar no placar – muito por conta da inconstância e da falta de entrosamento apresentados pela segunda unidade – e, ao fim de três quartos, a vantagem do time de San Antonio sobre o da Califórnia era de somente três pontos.

Porém, no quarto derradeiro, com uma formação que contava com titulares e reservas mesclados, o armador Patty Mills desequilibrou a favor da equipe visitante: anotando sete pontos, distribuindo seis assistências e roubando quatro bolas em pouco mais de oito minutos, o australiano comandou uma corrida de 17 a 2 a favor do Spurs, que a partir desse momento caminhou para carimbar mais um triunfo fora de casa. Boa, Patty!

Pelas beiradas

LaMarcus Aldridge visivelmente ainda não está confortável no esquema do Spurs, mas mesmo assim vem contribuindo de maneira importante. Após primeiro tempo abaixo da crítica, o camisa #12 se soltou na segunda etapa e, sem alarde, fechou o jogo com 16 pontos, oito ressaltos e dois tocos. Já seu parceiro de garrafão Tim Duncan, mesmo sem entrar em quadra no último quarto, chegou ao double-double, com 11 pontos e 14 rebotes em 23 minutos.

Devendo

Nem tudo foram flores para o alvinegro no triunfo em Sacramento. Dono de um contrato de 11 milhões anuais, o ala-armador Danny Green manteve o baixo nível de atuação, convertendo apenas dois arremessos de quadra em seis arriscados e apenas um do perímetro em seis tentativas. Em seis jogos, o aproveitamento do camisa #14 nos chutes é de apenas 29,2%.

Destaques da partida

San Antonio Spurs

Kawhi Leonard – 24 pontos, 3 rebotes, 2 assistências, 2 roubos de bola e 2 tocos

LaMarcus Aldridge – 16 pontos, 8 rebotes e 2 tocos

Tony Parker – 13 pontos

Tim Duncan – 11 pontos e 14 rebotes

Patty Mills – 9 pontos, 8 assistências e 4 roubos de bola

Sacramento Kings

DeMarcus Cousins – 21 pontos, 12 rebotes, 3 assistências, dois roubos de bola e 1 toco

Marco Belinelli – 17 pontos e 5 assistências