Hora de recomeçar

Vestiario Feminino

Na sexta-feira (16), a bola subiu para a WNBA em 2014. Até agora, o San Antonio Stars já teve duas partidas e uma jogadora machucada. Em quadra, perdeu o primeiro jogo, fora de casa, contra o Atlanta Dream, atual campeão da Conferência Leste. Do segundo, porém, saiu com vitória ao derrotar o Tulsa Shock, no AT&T Center. Nenhum dos compromissos teve a participação de Becky Hammon, que está afastada por lesão.

Começo do San Antonio Stars em 2014 não está perfeito, mas mostra que as peças estão se encaixando (D. Clarke Evans)

Começo do Stars em 2014 não está perfeito, mas mostra que as peças estão se encaixando; Hammon deve retornar de lesão no próximo jogo (D. Clarke Evans)

Dentre as diversas partidas do dia de abertura, o Stars deu sua largada ao enfrentar o Dream, fora de casa, na Philips Arena. O jogo foi parelho, com os dois times invertendo a liderança no placar. O resultado só foi definido nos segundos finais, depois de um erro da novata Kayla McBride. O placar final ficou 79 a 75 para as donas de casa.

Algumas considerações sobre o duelo. O grande nome foi Danielle Robinson (23 pontos, oito arremessos certos de nove tentados). Como já comentado neste Vestiário Feminino em diversas ocasiões, a jovem armadora assumiu uma postura de liderança no Stars. Em alguns jogos, ela é a maior pontuadora, em outros distribui importantes assistências. Mas a sua evolução da primeira temporada para a atual é clara.

A ausência de Hammon em 2013 obviamente foi um dos motivos para que Robinson tivesse mais destaque. Enquanto na temporada de 2012 a armadora teve média de 28,9 minutos por partida, no ano passado foram 32,5 por exibição. Em relação aos pontos por partida, seus números tiveram um salto de 9,9 para 11,2 de um ano para o outro.

Em seu ano de novata, 2011, Robinson foi titular em nove dos 34 compromissos do Stars. Nos dois anos seguintes, não houve um jogo sequer do qual fez parte que não começasse no quinteto principal (exceto os que esteve machucada).

Danielle Adams domina o garrafão, a zona morta e a linha de três pontos; é a sexta mulher do San Antonio Stars (D. Clarke Evans)

Adams domina o garrafão, a zona morta e a linha de três pontos; é a sexta mulher do Stars (D. Clarke Evans)

Voltando à partida da sexta-feira, mais uma Danielle mostrou que não é uma enganação na WNBA. Adams anotou 18 pontos e jogou 23 minutos vindo do banco. Na verdade, a ala é uma sexta jogadora. Conhecida por seu poder de fogo em momentos decisivos, a jogadora é uma arma que o Stars pode sacar a qualquer momento. Um fato, no entanto, é interessante sobre ela. Muitos duvidaram de seu rendimento na liga profissional.

A camisa #23 da equipe de San Antonio foi muito bem no universitário com a Texas A&M e até conquistou um título do campeonato, mas, devido ao seu físico, bem acima do que normalmente espera-se de uma atleta, muitos duvidaram de seu rendimento na WNBA. O julgamento era que aconteceria o mesmo de Courtney Paris, boa em sua faculdade, sem relevância no campeonato principal. Sorte de Dan Hughes, que a escolheu no Draft de 2011. A comentarista da partida da equipe texana contra o Dream foi bem consistente quando disse a seguinte frase: “A jogadora que mais calou a boca de todos nós – e não tem um que possa negar isso – é Danielle Adams”.

E é verdade. Se for julgar pelo seu porte físico, muitos jamais diriam que a ala é uma atleta. Mas quando ela está em quadra, não tem como negar o talento nato para o basquete. Arremessos em situações de aperto e movimentação eficiente embaixo da cesta são suas marcas registradas. Hoje, o Stars não pode, de jeito nenhum, perder Adams. É uma das forças da equipe e uma das melhores com menos de cinco anos no profissional. Precisa ser menos afobada em alguns momentos, sim, mas é uma grande jogadora.

Outro ponto importante, que vale para os dois jogos, é a atuação de Sophia Young-Malcom. Sim, a ala, que finalmente voltou, se casou enquanto se recuperava de lesão e agora tem nome composto – algo comum nos Estados Unidos. Depois de um ano sem jogar, é de se imaginar que uma atleta tenha dificuldade em quadra. Mas é de se espantar que ela estivesse um tanto perdida nesses dois jogos. Seus números não foram de todo ruim (oito pontos e 12 rebotes contra o Dream; oito pontos e oito rebotes contra o Shock), foi a sua atuação que assustou um pouco. Para alguém do calibre dela, esperava-se, ao menos, um pouco mais.

Sobre o segundo jogo, contra o Shock, que aconteceu no sábado (17), no AT&T Center, um bom resultado, com muita emoção, permitiu ao Stars terminar a primeira rodada da temporada de 2014 da WNBA no terceiro lugar do Oeste. O placar final foi de 80 a 76 para o elenco texano, que contou com um pouco de sorte pelos dois lances livres perdidos por Courtney Paris faltando um segundo no último quarto. Neste momento, o resultado era 78 a 76 e duas conversões levariam a uma prorrogação. Sem acerto, acompanhado de uma falta a favor da estrelas, os quatro pontos de vantagem foram um alívio.

Desta vez, Jia Perkins foi o grande nome do Stars. Dentro dos seus 20 tentos positivos da partida, está o arremessos de três pontos a 21 segundos do fim do último quarto, quando o placar apontava vitória por 76 a 75 para as visitantes. Vale ressaltar que de longa distância a ala foi impecável, com 100% de aproveitamento.

Jia Perkins, com cinco pontos seguidos, foi o nome principal da vitória do San Antonio Stars contra o Tulsa Shock (D. Clarke Evans)

Perkins, com cinco pontos seguidos, foi o nome principal da vitória do Stars contra o Shock (D. Clarke Evans)

O que se viu nos dois primeiros jogos que o Stars protagonizou em 2014 foi um time que está, novamente, pronto para a briga. O Dream foi três vezes finalistas da WNBA e não encontrou facilidade para vencer a equipe texana. O Shock ganhou os dois compromissos na pré-temporada, mas também não conseguiu supera o esquadrão de Hughes no momento certo.

O time ainda está se recompondo e pode ter dificuldades. Nesta semana, a agenda tem jogos importantes. O Phoenix Mercury é o próximo adversário, na sexta-feira (23), às 22 horas, no US Airways Center, em Phoenix. No domingo (25), logo depois da lasanha com a família, às 15h30, a visita é praiana, na Califórnia, para enfrentar o Los Angeles Sparks. São times fortes, completos, tradicionais e com elencos experientes. Difícil prever o que pode acontecer.

Sobre Hammon, a jogadora torceu o tornozelo esquerdo durante os treinos e ficou de fora dos compromissos contra o Dream e o Shock. É preocupante – não por correr risco de ter de descansar a temporada inteira, mas pela fragilidade de seu corpo atualmente. A ala-armadora não é jovem. São 37 aninhos na conta e apesar de todo o seu papel em quadra, já é hora de pensar a aposentadoria (se uma lágrima escorreu de seu olho, eu entendo perfeitamente).

Danielle Robinson, indomável e em constante evolução (D. Clarke Evans)

Robinson, indomável e em constante evolução (D. Clarke Evans)

Para encerrar, uma breve nota sobre as brasileiras: Damiris Dantas, em sua primeira temporada, teve bom começo pelo Minnesota Lynx. Foi titular nos dois jogos que apareceram na agenda – Washington Mystics e Connecticut Sun – e teve, respectivamente, 31 e 40 minutos em quadra, seis e oito pontos, 12 e nove rebotes. Sempre como ala de força.

Érika, para variar, faz do garrafão o seu parquinho. Contra o Stars, na abertura, começou já com um duplo-duplo de 23 pontos e 11 rebotes. Ao enfrentar o Indiana Fever, quase chegou ao feito novamente: 17 pontos e nove rebotes. Nádia Colhado, que também está no Atlanta Dream, não figurou em quadra ainda na liga profissional americana.

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Até a próxima semana!

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Publicado em 19/05/2014, em San Antonio Silver Stars, Vestiário Feminino. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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