Arquivo diário: 19/04/2014

Prévia de Spurs x Mavs – Primeira rodada dos playoffs

Parker pode desequilibrar o confronto (NBAE/Getty Images)

Demorou, mas a hora chegou! Neste domingo (20), o San Antonio Spurs estreia nos playoffs de 2014 após intermináveis 82 partidas que nos separam do fatídico jogo 7 da final do ano passado, que terminou com vitória do Miami Heat e que nós preferimos esquecer. Na primeira rodada da pós-temporada, a equipe texana, que venceu 62 jogos na fase regular, melhor marca de toda a NBA, terá pela frente clássico estadual contra o Dallas Mavericks, que registrou 49 triunfos e 33 derrotas em sua campanha.

A série Spurs x Mavs começa já neste domingo (clique aqui e confira a agenda completa do confronto). Ao longo da temporada regular, as duas equipes se enfrentaram quatro vezes, e o alvinegro levou a melhor em todas elas. Relembre estas partidas a seguir:

26/12/2013 – Spurs 116 @ 107 Mavericks

O primeiro clássico texano do ano foi disputado na casa do Mavs, mas mesmo assim teve vitória do Spurs. Os astros Tony Parker, com 23 pontos e três assistências, e Tim Duncan, com 21 pontos e 13 rebotes, comandaram o time, e Danny Green colaborou com mais 22 pontos. Pelos mandantes, o destaque foi Dirk Nowitzki, com 25 pontos e cinco rebotes.

08/01/2014 – Spurs 112 vs 90 Mavericks

No primeiro clássico disputado no AT&T Center nesta temporada, o Spurs obteve a vitória mais larga das quatro que conseguiu sobre o rival no campeonato. Mais uma vez, Tony Parker foi o cestinha do alvinegro: dessa vez, foram 25 pontos e sete assistências. Do lado do Mavericks, o ala-armador Monta Ellis, que anotou 21 pontos, se destacou.

02/03/2013 – Spurs 112 vs 106 Mavericks

Novo clássico no AT&T Center e nova vitória do Spurs, mas dessa vez obtida com muito mais suor do que a anterior. Mais uma vez Tony Parker, que acabara de voltar após ficar afastado por lesão, foi o cestinha do alvinegro: o armador francês deixou a quadra com 22 pontos e sete assistências. Dirk Nowitzki, com 22 pontos e sete rebotes, foi o destaque do Mavericks.

10/04/2013 – Spurs 109 @ 100 Mavericks

Já na reta final da temporada regular, o Spurs voltou a Dallas para trazer na bagagem mais uma vitória sobre o rival. Dessa vez sem Tony Parker, poupado, o destaque do alvinegro foi seu reserva, o armador australiano Patrick Mills, que deixou a quadra com 26 pontos. Monta Ellis, com 24, foi o cestinha do Mavericks no jogo.

Agora, chegou a hora do Spurs medir forças com seu rival texano pelos playoffs de 2014. A seguir, os blogueiros do Spurs Brasil contam o que esperam da série e dos jogadores que poderão ajudar a decidi-la. Confira as análises abaixo:

Leonardo Sacco

Palpite: Spurs 4 a 1
Durante toda a temporada regular, o Spurs se mostrou muito superior ao Mavericks, encaixando perfeitamente sua forte defesa ao ataque adversário – que é o setor no qual os rivais mais se destacam. Ainda mais calejado em pós-temporadas após a ida às finais no ano passado, o alvinegro não deve e não pode ter dificuldades. Perder poucos jogos nessa série significa ganhar mais tempo de descanso e preparação para eventuais duelos contra Houston Rockets ou Portland TrailBlazers na semifinal de conferência. Com a segunda varrida consecutiva em temporadas regulares, ficaria fácil apostar em mais uma. Mas Dirk Nowitzki e companhia não deverão se entregar facilmente e, em casa, podem até obter uma vitória. Ao time de San Antonio, basta repetir a fórmula dos últimos dois anos e não menosprezar o adversário. Afinal, já diria o outro, clássico é clássico e vice-versa.
Jogador-chave do Spurs: Tony Parker
Jogador-chave do Mavericks: Dirk Nowitzki

Lucas Pastore

Palpite: Spurs 4 a 1
Fosse qualquer outro time da NBA com esse elenco, eu apostaria em uma varrida do Spurs, que tem um encaixe muito favorável. Monta Ellis e José Calderón para marcar Tony Parker e Manu Ginobili? Esquece. Deslocar Shawn Marion para defender um dos dois? Parece uma boa a princípio, mas tirar o ala de perto da tabela significa enfraquecer ainda mais a capacidade de coletar rebotes de um time cujo poder defensivo do garrafão depende dos últimos suspiros de Samuel Dalembert. É um cobertor curto. Porque 4 a 1, então? Porque imagino que a rivalidade pode dar motivação extra para o Mavericks, que pode estar vendo Dirk Nowitzki disputar uma série de playoff pela última vez em sua carreira. Mesmo assim, o confronto não deve apresentar grandes dificuldades para o alvinegro.
Jogador-chave do Spurs: Tony Parker
Jogador-chave do Mavericks: Dirk Nowitzki

Renan Belini

Palpite: Spurs 4 a 0
O que um dia foi uma das grandes rivalidades da liga virou freguesia de uns anos para cá. Nos últimos nove jogos entre as equipes, foram nove vitórias do Spurs, que vem em uma temporada impecável. O Mavericks vem em uma uma campanha inconsistente, com raros pontos altos, como as duas vitórias sobre o Oklahoma City Thunder. Dirk Nowitzki, que continua sendo a principal arma do time, ganhou a companhia do “chuta-chuta” Monta Ellis, um jogador explosivo, que tanto pode ter um aproveitamento pífio nos arremessos como armar uma tremenda bagunça dentro de um jogo. Mas não acho que ele terá sucesso diante de um bom marcador como Danny Green, que deve levar vantagem também no ataque, já que o oponente não é bom defensor. De resto, o Mavs é um time com muitos veteranos e com uma rotação muito inferior à do alvinegro. Se o time de San Antonio tem no banco Manu Ginobili, Marco Belinelli, Patrick Mills e Boris Diaw, o de Dallas tem como referências os rodados Vince Carter e Devin Harris. Não creio em zebras na série. Preparem as vassouras…
Peça-chave do Spurs: Danny Green
Peça-chave do Mavericks: Monta Ellis

Robson Kobayashi

Palpite: Spurs 4 a 1
O elenco do Spurs é bem superior ao do Mavericks, tanto que será a disputa entre o primeiro e o oitavo da Conferência Oeste. Não será tarefa fácil, principalmente se Dirk Nowitzki estiver inspirado. Gregg Popovich deve dobrar a marcação em cima do alemão e, se os titulares do Spurs jogarem bem, devem conseguir avançar sem problemas na série.
Peça-chave do Spurs: Tony Parker
Peça-chave do Mavericks: Dirk Nowitzki

Sergio Neto

Palpite: Spurs 4 a 0 Mavs
Sim, varrida logo de primeira. Não subestimando o Mavericks, que deu uma aula de basquete para o Miami Heat nas finais há três anos, mas o rival texano não tem elenco para segurar o Spurs (que nessa temporada é campeão e ponto final). Além do confronto mais esperado por muitos, entre Tim Duncan e Dirk Nowitzki, também estou ansioso para ver Tony Parker x Monta Ellis. E, para mim, a equipe de Dallas para por aí. Shawn Marion e Vince Carter (do qual sou fã assumido) não são mais os mesmos de antes e dificilmente farão alguma diferença contra os “coadjuvantes” do alvinegro. Darão trabalho sim, mas não serão decisivos.
Peça-chave do Spurs: Tim Duncan
Peça-chave do Mavericks: Dirk Nowitzki

Vinicius Esperança

Palpite: Spurs 4 a 0
O Spurs já vem de dois anos seguidos varrendo o Mavericks na temporada regular. Ofensivamente, o time de Dallas é perigoso. Um elenco que conta com jogadores como Dirk Nowitzki, Monta Ellis e Vince Carter não pode ser considerado fraco. Porém, é uma equipe sem rotação e sem uma defesa consistente. A não ser que o ala-pivô alemão ou o ala-armador titular façam jogos espetaculares juntos, o alvinegro passará sem dificuldades.
Peça-chave do Spurs: Danny Green
Peça-chave do Mavericks: Dirk Nowtizki

Olho neles!

Três dos seis blogueiros que participaram da prévia elegeram Tony Parker como peça-chave – Danny Green, com dois votos, e Tim Duncan, com um, foram os outros jogadores lembrados. Na temporada regular, o armador francês não tomou conhecimento de Monta Ellis e José Calderón e obteve médias de 23,3 pontos e 5,7 assistências em 31,3 minutos por exibição nos três jogos que disputou contra o Mavericks. Não disputou o último para ser poupado. E agora, como estará a sua saúde?

Cinco dos seis blogueiros que opinaram na prévia acham que Dirk Nowitzki será a peça-chave do Mavericks na série. Nos quatro jogos contra o Spurs que fez na temporada regular, o ala-pivô alemão obteve média de 18,5 pontos e 5,8 rebotes em 32,1 minutos por exibição. Se quiser guiar seu time à próxima fase dos playoffs, o astro do time texano precisará de uma produção muito melhor… Curiosamente, Monta Ellis, que foi o outro atleta a receber voto na análise, foi o cestinha da equipe de Dallas na série, com 21,3 pontos por partida, além de 5,5 assistências e 3,3 rebotes.

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Um outro olhar – o lado do Mavericks

Por Christiano Araújo*

Quem vai levar a melhor no jogo? (D. Clarke Evans/NBAE/Getty Images)

Os torcedores do Houston Rockets que me desculpem, mas o grande clássico texano desde o começo do seculo é entre Dallas Mavericks e San Antonio Spurs. A partir deste domingo (20), teremos o sexto duelo entre essas duas equipes em playoffs (com três vitorias para o Spurs e duas para o Mavericks). Um confronto que não marca apenas uma grande rivalidade local, mas também o encontro das franquias que mais marcaram presença na pós-temporada desde 2001 (o time alvinegro tem 17 participações consecutivas, enquanto o alvianil teve sua sequência de 12 temporadas seguidas encerrada no ano passado), o embate entre os dois melhores alas-pivôs da liga na era pós-Karl Malone (nada pessoal viu Kevin Garnett?), e o duelo de duas franquias que, apesar de optarem por meios diferentes de gestão, conseguiram se tornar grandes exemplos de sucesso na NBA.

De um lado, os comandados de Gregg Popovich chegam com a melhor campanha da liga no geral e um time que não precisou usar nenhum de seus jogadores por mais de 30 minutos por partida durante a temporada regular, o que mostra a profundidade desse elenco. Não focarei em fazer a analise tática do time de San Antonio aqui, pois acredito que os autores desse blog já o tenham feito muito bem e com mais qualidade do que eu poderia fazer.

Já os comandados por Rick Carlisle chegam nessa série com a esperança de que a rivalidade imposta pelo confronto possa fazer com que seus jogadores deem aquele “algo a mais” no duelo. Afinal, já dizia o folclórico Jardel… “Clássico é clássico e vice-versa”.

A verdade é que o time de Dallas sofre com grande problemas nas últimas duas temporadas, nas quais teve dinheiro para contratar na free agency, mas não conseguiu trazer os jogadores que eram mais desejados por Mark Cuban, dono da franquia, restando assim apenas os chamados “planos b” para montar o time, contratando o que havia sobrado no mercado e montando o resto do elenco com vínculos de um ano de vínculo.

O time atual do Mavs se mostra bem ofensivamente, muito em parte pela qualidade de pontuar do Dirk Nowitzki e pela versão repaginada do Monta Ellis, que resolveu deixar o premio de pior shot chart da liga neste ano para o Josh Smith. Ainda sim, muitas vezes observamos em quadra um time que parece “manco”, principalmente na defesa, sendo que, no time titular, o único jogador que consegue se destacar nesse quesito é o bom e velho Shawn Marion de guerra. A rotação de três pivôs usada por Carlisle demonstra a falta de confiança em um jogador nesse elenco (Samuel Dalambert fisicamente não está bem e nunca foi um grande jogador ofensivamente, Brandan Wright ainda peca pela falta de experiência e uma defesa muito crua, enquanto DeJuan Blair sofre com a sua baixa estatura para a função, apesar de tecnicamente ser o melhor entre os 3). A chegada de José Calderon deixou os fãs do pick n’ roll em êxtase, já que a combinação dessa jogada entre o espanhol e o alemão poderia se tornar umas das mais difíceis de se marcar na liga, mas infelizmente o que vimos durante a temporada foi uma insistência muito grande do ala-pivô em ficar no isolation e utilizar o seu arremesso no fadeaway, além do fato de que o armador tem dividido muito mais do que o esperado o comando das jogadas ofensivas com Ellis. Outro problema que ficou bem claro durante a temporada regular é a falta de profundidade no elenco, cabendo a Vince Carter o papel de ser o 6th man, o que infelizmente ele parece não ter mais idade para fazer.

O Spurs é sem dúvidas favorito, mas por toda a historia que esses dois times nos presentearam nos últimos anos em playoffs, não posso esperar nada menos que uma série disputada e física, além, é claro, de torcer pro alemão continuar sua saga de doutrinação.

* Christiano Araújo é torcedor do Mavs e convidado do Spurs Brasil para o texto