O que muda com Patrick Mills?

Além das chegadas do ala-armador Marco Belinelli e do ala-pivô Jeff Ayres, a principal mudança na rotação do San Antonio Spurs neste início de temporada 2013/2014 aconteceu na armação. Patrick Mills, que vinha esquentando o banco desde sua chegada ao Texas, desbancou Nando De Colo – que começou o campeonato anterior como o principal reserva – e Cory Joseph – que foi o mais acionado durante os playoffs -, assumindo todos os minutos do descanso do titular Tony Parker. Mas o que muda com a utilização do australiano?

Mills é a “surpresa” de Pop no ano (D. Clarke Evans/NBAE/Getty Images)

Mills está longe de ser um armador puro. Na verdade, seu talento é justamente encontrar caminhos para fazer cestas. Até aqui, o australiano anota 21,1 pontos por 100 posses de bola, número que, no elenco do Spurs, só fica atrás de Tony Parker (28,7), Tim Duncan (24,0) e do surpreendente Boris Diaw (24,3). Nas seis primeiras partidas do time texano na temporada, Patty apresenta médias de 6,2 pontos e 1,7 assistências em 14,4 minutos por exibição. E seu número mais impressionante está nas bolas de três pontos. Por enquanto, o camisa #8 não errou nenhum dois oito arremessos de longa distância que tentou!

A utilização de um armador que ataque tanto a cesta é possível, principalmente, com a chegada de Belinelli. Até aqui, o técnico Gregg Popovich tem trabalhado sua rotação de duas maneiras. Na primeira opção, o time reserva joga com o ex-jogador do Chicago Bulls ao lado de Manu Ginobili nas alas. Com dois jogadores com criatividade e habilidade para comandar o pick-and-roll em quadra, Mills fica livre para trabalhar como pontuador. Outra alternativa do treinador é usar o argentino ou o italiano mais tempo com os titulares, trazendo Danny Green para atuar como ala da segunda unidade. Neste caso, o australiano passa a ter mais responsabilidades de criação, trabalhando como um condutor de bola secundário.

Os números da SportsVU, recentemente divulgados no site oficial da NBA, mostram bem isso. Ginobili recebe a bola 47,6 vezes por jogo, contra 25,4 de Marco Belinelli e 35,4 de Mills. O argentino opta pelo passe em 67,6% dessas posses, sendo que 8% viram assistências, e arremessa em 23,1% delas. O italiano, por sua vez, passa a bola 66,9% das vezes, sendo que 5% viram assistências, e arremessa em 24,4% delas. Por fim, o australiano passa 81,9% das bolas que recebe, transformando 5% em assistências, e arremessa em 12,7% de suas posses.

Em outras palavras, Mills participa bastante do jogo e até inicia algumas jogadas, mas é Ginobili quem tem a responsabilidade de criar arremessos para seus companheiros na segunda unidade. Com isso, o australiano vira um condutor de bola secundário, caso Green seja o terceiro jogador de perímetro em quadra, ou até mesmo um puro pontuador, caso Belinelli esteja ao lado dele e do argentino no quinteto acionado por Pop.

Isso abre espaço para que um armador reserva com menos criatividade, mas com mais poder de fogo, possa ganhar espaço na rotação. Na temporada passada, quando os três ganharam minutos relevantes e a comparação pode ser justa, Mills obteve 4,6 assistências a cada 100 posses de bola, contra 7,5 de De Colo e 6,7 de Joseph. Em compensação, neste mesmo recorte, o australiano anotou 22 pontos, contra 15,9 do canadense e 15 do francês.

Pop não precisa de um armador, de fato, na segunda unidade. Na ausência de um jogador da posição 3 em seu banco de reserva, o treinador precisa de alguém que possa ser uma ameaça às defesas adversárias enquanto Ginobili e Belinelli carregam a bola. Mills pode ser esse jogador – muito mais do que Joseph e De Colo. Por isso, o australiano sai na frente.

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Sobre Lucas Pastore

Um dos fundadores do Spurs Brasil, seu maior orgulho na carreira jornalística. Formado em Jornalismo na Universidade Presbiteriana Mackenzie em 2010, é redator do UOL. Cobriu o basquete olímpico na Olimpíada de 2016 pelo LANCE!. Trabalhou também para Basketeria e mob36.

Publicado em 09/11/2013, em Na linha dos 3. Adicione o link aos favoritos. 4 Comentários.

  1. danilovboas

    E assim o Pop testa uma estratégia pra enfrentar o small ball.

  2. até hoje não entendo, porque ele não fez isso temporada passada e sacrificou o gary neal…o Pop as vezes é difícil de entender…e teria ficado com o Neal e dispensado o Bonner….

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