Reservas de Parker em ação

Entre os seis jogadores do San Antonio Spurs que estiveram ou estão a serviço de suas seleções nos torneios continentais classificatórios para o Mundial de 2014, que será disputado na Espanha, figuram, coincidentemente, os três atletas que brigam pelos minutos mais concorridos do elenco texano. O australiano Patrick Mills, o canadense Cory Joseph e o francês Nando De Colo, que lutam pelo tempo de quadra que sobra na armação durante o repouso de Tony Parker, reduziram as férias para jogar por suas equipes nacionais. E, diante de uma briga tão intensa, a confiança com que voltarem pode fazer diferença.

Joseph é um dos armadores do Spurs em ação na offseason (Samuel Vélez/Fiba Americas)

Joseph é um dos armadores do Spurs em ação na offseason (Samuel Vélez/Fiba Americas)

O primeiro a entrar em quadra na offseason foi Mills – e o fez de maneira positiva. O armador do Spurs guiou a Austrália à vitória nos dois jogos contra a Nova Zelândia e ao consequente título do Fiba Oceania. O fez com média de 20,5 pontos, 4,5 roubadas de bola e 3,5 rebotes em 29,5 minutos por exibição, sendo o principal cestinha e o principal ladrão de bolas do campeonato. Não à toa, foi eleito o melhor jogador do torneio. Mas as atuações estão longe de surpreender. Não custa lembrar que, em 2012, o atleta havia deixando Londres com 21,2 pontos por exibição, sendo nada mais nada menos do que o principal anotador da Olimpíada.

Joseph, por outro lado, pode ser considerado a surpresa positiva desta offseason. Com médias de 16,2 pontos e 4,8 assistências em 33 minutos por exibição na Copa América, disputada em Caracas (VEN), o canadense é um dos principais destaques da competição, ficando, por enquanto, em sexto entre os maiores cestinhas e em terceiro entre os melhores passadores do campeonato. Uma atuação animadora se lembrarmos que, em 2011, no mesmo torneio – seu último oficial até então pela equipe nacional -, o armador havia apresentado médias de 3,8 pontos e 2,6 assistências em 19,5 minutos por jogo.

Enquanto isso, De Colo parece ter alguma dificuldade para engrenar. É bem verdade que ele está longe de ser referência na França como Mills e Joseph são em suas respectivas seleções. Mas se esperava uma evolução um pouco maior do armador, que apresentou médias de sete pontos, 2,7 rebotes e 2,3 assistências em 21,2 minutos por jogo na Olimpíada de 2012 e, nos três primeiros jogos do Eurobasket deste ano, obteve, em média, 9,3 pontos, 1,3 rebotes e uma assistência em 19,7 minutos por exibição.

As atuações, certamente, carregam a confiança adquirida no fim da última temporada. Nos playoffs, Joseph foi promovido ao posto de reserva imediato de Parker, e apresentou médias de 4,5 pontos, 1,9 rebotes e 1,9 assistências em 13,9 minutos por jogo na fase de classificação e três pontos, 1,6 rebotes e 1,1 assistências em 9,6 minutos por compromisso no mata-mata. Mills, antes de se machucar, ficava como opção no banco de reservas, e obteve, em média, 5,1 pontos, 1,1 assistências e 0,9 rebotes por jogo na fase de classificação e 1,3 pontos, 0,3 rebotes e 0,2 assistências em 3,4 minutos por exibição no mata-mata. E, por último, De Colo chegou a ser colocado na lista de inativos na pós-temporada, e sustentou médias de 3,8 pontos, 1,9 rebotes e 1,9 assistências em 12,8 minutos por duelo na fase de classificação e 0,8 pontos, 0,8 rebotes e 0,4 assistências em 2,8 minutos por embate no mata-mata.

Agora, depois de tanto tempo brigando por minutos juntos no Texas, cada um dos armadores tomou seu caminho pelo mundo antes de se reencontrarem para a temporada 2013/2014. Mas, não custa lembrar, vale ressaltar que o Spurs mostrou que tem planos para dois deles. Joseph e De Colo foram testados em funções diferentes das que estão habituados a exercer na Summer League de Las Vegas – o canadense deixou o torneio com médias de 10,3 pontos e 4,5 assistências em 28,3 minutos por exibição, enquanto o francês anotou 11,3 pontos e quatro assistências em 31,8 minutos por jogo.

Dos três, De Colo é quem parece ser mais talentoso. Mas o francês terá de saber lidar com a frustração de ter perdido espaço na rotação do Spurs – e, vale ressaltar, ele chegou a reclamar publicamente da situação. E também não custa lembrar o quanto Tiago Splitter teve dificuldades ao defender o Brasil na Copa América de 2011, quando se apresentou enferrujado após sua temporada de novato – Gregg Popovich, técnico do Spurs, não costuma dar muito tempo de quadra para seus calouros. No entanto, talvez a estadia com Les Bleus seja a ideal para o camisa #12 recuperar a confiança e voltar renovado para o Texas.

Enquanto isso, Joseph e Mills – que levam vantagem na defesa e, por isso, costumam ser usados por Pop como companheiros de Manu Ginobili na segunda unidade – certamente voltarão cheios de ânimo e moral para a temporada 2013/2014 após boas atuações por suas seleções. Desde já, a briga por minutos na reserva de Parker promete!

Sobre Lucas Pastore

Um dos fundadores do Spurs Brasil. Formado em Jornalismo na Universidade Presbiteriana Mackenzie em 2010, é editor assistente do UOL Esporte. Cobriu o basquete olímpico na Olimpíada de 2016 pelo LANCE!. Trabalhou também para Basketeria e mob36.

Publicado em 07/09/2013, em Na linha dos 3. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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