Arquivo diário: 02/09/2013

Semana polêmica… e as chances finais

Essa semana poderia ter sido marcada como a que o San Antonio Silver Stars deu adeus à temporada de 2013 da WNBA. Porém, isso ainda não aconteceu. O Seattle Storm conquistou sua vaga na pós-temporada, sim, mas o Phoenix Mercury é quem dita as regras agora.

Young (ao centro) causou polêmica (Jonathan Moore/Getty Images)

Com uma campanha de 15 vitórias e 13 derrotas, a equipe de Diana Taurasi tem mais seis jogos até o final da temporada regular. O Silver Stars possui ainda quatro compromissos em sua agenda, sendo dois deles contra Britney Griner e suas companheiras. Caso todos terminem em vitória, o rendimento final das texanas será de 19-19, e o das garotas do Arizona, provavelmente, 19-15. Como o fator determinante para o posicionamento na conferência são as derrotas, não daria para Dan Hughes e suas garotas.

Na semana que está por começar, o Silver Stars tem duelos nos quais as chances de vitórias são grandes. Contra o Mercury, na sexta-feira (6), seu aproveitamento neste ano é de dois êxitos e um revés, e o mesmo se repete em relação ao Tulsa Shock, no domingo. Ou seja: pela lógica, é possível acreditar em três jogos com resultados positivos, uma vez que já, na outra sexta-feira (13) o time do Arizona receberá novamente a equipe texana.

Em resumo, a situação de ambas as equipes – Mercury e Silver Stars – está feia, com um pouco mais de conforto para as adversárias da franquia texana. Não dá para esquecer, também, do Shock, que está logo abaixo, mas bem perto, com nove vitórias e 20 derrotas. No entanto, é praticamente impossível acreditar que o time, que ocupa a lanterna da Conferência Oeste, consiga uma arrancada em seus últimos cinco jogos.

Bom, tendo já discorrido sobre as chances finais de o Silver Stars prosseguir na WNBA em 2013, indo contra a ordem do título, falarei sobre uma polêmica.

No dia 28 de agosto, Sophia Young publicou a seguinte frase em sua conta do Twitter:

Tradução: San Antonio deve ser uma cidade que permite casamentos entre pessoas do mesmo sexo? O meu voto é NÃO.

Levando em consideração a liga na qual a ala atua e suas base de fãs, seu comentário foi, no mínimo, polêmico. A princípio, algumas pessoas acreditavam que o seu perfil no microblog havia sido invadido após a postagem. Igualmente, em seu Instagram, uma foto do salão do Conselho Municipal de San Antonio havia sido publicada com os dizeres de que a jogadora estava em uma sessão em apoio ao voto contra o casamento gay. Para manter o otimismo, os seguidores da All-Star mantiveram o mesmo pensamento de que algum engano havia acontecido. Até Young publicar o seguinte, por meio de seu Twitter pessoal:

Tradução: Meu voto ainda é “não”… San Antonio não deve aceitar casamentos entre pessoas do mesmo sexo.

A casa caiu. 90% dos internautas condenaram sua atitude, mas não somente eles. Lauren Jackson respondeu diretamente sua postagem, e Tully Bevilaqua publicou o seguinte:

Tradução: Acabei de perder todo respeito por uma antiga companheira de equipe – Bevilaqua jogou ao lado de Young no Silver Stars em seus dois últimos anos de carreira. A australiana tem uma esposa, dois filhos e é ativista declarada dos direitos homossexuais.

A situação obrigou até mesmo Laurel Richie, presidente da WNBA, emitir um comunicado referente ao assunto. Bem curto, dizia o seguinte:

“Sophia [Young] tem o direito de expressar seu ponto de vista. Porém, eu não compartilho de sua opinião. A WNBA é a favor da diversidade, e temos um compromisso com o tratamento justo e igual a todas as pessoas”

Mas, a propósito, do que se tratava a sessão no Conselho em que Young estava presente? Ao contrário do que a jogadora se mostrou contra, a pauta naquele dia não era a legalização do casamento gay na cidade, e sim uma lei de proteção a indivíduos em relação a sua sexualidade e gênero. O famoso portal de notícias Huffington Post, que se dedicou a fazer a cobertura desse assunto, escreveu que a ala estava confusa em relação a essa questão.

Diante de tanta movimentação pelos direitos a homossexuais, o discurso entoado por Young, baseado em princípios bíblicos, causa discordância e confusão nos leitores de tais publicações. Normalmente eu evito falar sobre polêmicas, procurando abranger exclusivamente aquilo que acontece nas quadras, mas alguns fatores me obrigaram a postar uma opinião nesta segunda-feira. Primeiro, porque a pivô da discussão é a segunda principal jogadora do time tratado na coluna Vestiário Feminino. Segundo, porque eu acredito que faltam canais de esclarecimento sobre essa situação no Brasil. Sendo assim, vamos lá.

1) Sophia Young é cristã e assume sua fé publicamente;

2) A jogadora faz parte de uma igreja grande no Texas. Esse estado é conhecido por seu tradicionalismo e radicalismo no tratamento a princípios bíblicos;

3) Nenhum desses motivos justifica a atitude da ala – essa que vos escreve é cristã, vem de uma igreja tradicional, e aprendeu que o amor era a base dos ensinamentos de Jesus Cristo;

4) A lei anti-discriminação NÃO diz respeito ao casamento gay;

5) O objetivo da lei é permitir que os homossexuais da cidade de San Antonio tenham direito a benefícios que os demais cidadãos de lá possuem (o que acarretaria, consequentemente, no futuro, na aprovação disso);

6) A WNBA é formada por diversas jogadoras lésbicas assumidas, como Tully Bevilaqua (aposentada), Seimone Augustus (Minnesota Lynx), Britney Griner (Phoenix Mercury) e outras que não declararam oficialmente sua orientação sexual, porém são ávidas defensoras das causas gays, como Lauren Jackson (Seattle Storm);

7) A base de fãs da liga também é composta por inúmeros homossexuais.

Portanto, sua ação foi considerada uma afronta às suas colegas de profissão da liga profissional americana de basquete, e também a seus admiradores.

Ao elencar esses pontos, meu objetivo não é trazer uma defesa da causa gay, mas um esclarecimento em relação ao motivo por tanto barulho. Como Richie disse, todos têm o direito à livre expressão. O ser humano, no entanto, precisa saber respeitar alguns limites, e Young foi, até de certo modo, ingênua, crendo que falar contra o casamento gay afirmaria sua fé. Faltou, nesse caso, bom senso. Por essa causa, algumas pessoas se mostraram a favor da demissão da ala do Silver Stars e, durante o jogo da sexta-feira, alguns cartazes apareceram no AT&T Center em forma de protesto. De acordo com a responsável pelo site oficial de Becky Hammon, a equipe da arena recolheu placas que se expressavam contra a atitude da atleta.

Linda Estepe, mantenedora do site oficial da Becky Hammon (beckyhammon25.com) e uma das principais fontes de informação da jogadora, publicou o seguinte em seu Twitter (tradução): Cartazes como esses foram confiscados durante o jogo do San Antonio Silver Stars na noite passada

Até agora o Silver Stars não se manifestou oficialmente em relação a esse assunto, e os assessores de Young disseram que não haveria um pronunciamento da jogadora. Espero que tudo fique mais calmo até a próxima semana e que o time de San Antonio consiga uma bela largada de vitórias para conquistar sua vaga nos playoffs.

Até a próxima!

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