Arquivo diário: 17/08/2013

A aposta de Thomas e as opções do Spurs

O San Antonio Spurs faz com DeShaun Thomas o mesmo que fez com Marcus Denmon no ano passado. Selecionado pela franquia texana na 58ª escolha do Draft deste ano, o ala será enviado para o basquete Europeu, mais especificamente para a França, para se desenvolver na esperança de que retorne pronto para jogar na NBA. A princípio, a movimentação parece ser boa para todas as partes, já que a equipe mantém os direitos sobre o prospecto, enquanto o jogador ganha tempo para evoluir com calma atuando no Velho Continente. No entanto, alguns dados mostram que a decisão pode causar impacto negativo sobre o futuro do atleta.

Thomas deve ir parar no Velho Continente (Mike Carter/USA Today)

O Spurs retém os direitos sobre Thomas porque ele ainda não participou de um acampamento de pré-temporada com a franquia. Caso fosse convidado e, depois, cortado, o ala perderia seu vínculo com a franquia de San Antonio e teria de começar do zero sua vida na NBA. Em entrevista ao jornal americano The Columbus Dispatch, o prospecto afirmou que, diante da indefinição do alvinegro texano – que ainda não sabe o que fazer com a 15ª e última vaga que tem no elenco para a temporada 2013/2014 -, tinha medo de ser dispensado e ter que jogar na D-League, que paga salários muito menores do que os do Velho Continente. Isso porque o jogador tem um filho de pouco menos de um ano e meio para sustentar.

Thomas deu mostras de que, na pior das hipóteses, pode se tornar um pontuador útil na NBA. Na última temporada, sua terceira no basquete universitário americano, o prospecto apresentou médias de 19,8 pontos (44,5% FG, 34,4% 3 PT, 83,4% FT) e 5,9 rebotes em 35,4 minutos por exibição. Neste ano, após ser draftado, o jogou a Summer League com o Spurs e obteve, em média, 12,4 pontos (41,4% FG, 37,5% 3 PT, 88,9% FT) e cinco rebotes em 28,6 minutos por partida. No entanto, é bem verdade, também, que ele pode nunca passar disso.

Mas chama atenção a personalidade um pouco fora da curva do padrão adotado pelo Spurs que Thomas aparenta ter. Primeiramente, por ter negado dar seu telefone para representantes da franquia antes do Draft. Segundo, pela negociação frustrada com o Estudiantes, da Espanha, que chegou a ser confirmada por sites especializados antes de ser frustrada pelo agente do atleta, que falou com o The Columbus Dispatch. Por fim, pela entrevista dada pelo prospecto ao jornal, em que ele dá a entender que a indefinição do alvinegro o atrapalhou.

Por isso, a ideia de ir para a Europa soa como uma definição mais financeira do que esportiva. O envio de prospectos para o Velho Continente, de olho em desenvolvê-los, parece uma ótima ideia do ponto de vista teórico. Porém, de acordo com levantamento do site americano SB Nation, dos 27 jogadores que atuaram no basquete universitário americano e que foram draftados na segunda rodada e em seguida enviados para o outro lado do oceano desde 2002, somente nove voltaram para jogar na NBA. Entre os que obtiveram sucesso, está Matt Bonner, que jogou um ano na Itália após ser selecionado pelo Toronto Raptors na 45ª escolha do Draft de 2003. Marcus Denmon, por outro lado, segue ligado ao Spurs, mas ainda tenta retornar – ele vai jogar na Turquia na próxima temporada.

Como já falei em outra coluna, esportivamente Thomas dá mostras de que parece ter sido mais um acerto do Spurs. Porém, ele dá a entender que, talvez, precise se desenvolver fora das quadras para poder se enquadrar na franquia. Jogar profissionalmente em outro país, longe dos Estados Unidos, tendo a responsabilidade de sustentar sua família pode ser uma opção mais interessante do que dar a ele um contrato na NBA e, em seguida, enviá-lo para o Austin Toros, ambiente menos competitivo do que as ligas do Velho Continente.

Enquanto isso, o Spurs mantém uma vaga aberta no elenco e pode partir para mais uma contratação. De acordo com rumores divulgados na imprensa americana, as opções que surgiram até agora foram os armadores Bobby Brown e Seth Curry e o ala-pivô Antawn Jamison. Nada de muito empolgante. Por isso, eu gostaria que a franquia texana olhasse para a Europa para sanar o buraco que há no elenco, já que, após a saída de Stephen Jackson, o time não tem um reserva para Kawhi Leonard na posição 3.

Eu considero que Viktor Sanikidze, selecionado pelo Atlanta Hawks na 42ª escolha do Draft de 2004 e em seguida trocado para o Spurs, seria uma opção interessantíssima para a função. O prospecto, de 27 anos de idade, é agente livre após vestir a camisa do Siena, da Itália, na última temporada, e apresentar médias de 5,7 pontos (46,6% FG, 23,1% 3 PT, 57,5% FT) e 5,1 rebotes em 17,5 minutos por exibição na Euroliga e 5,5 pontos (53% FG, 38,5% 3 PT, 64,9% FT) e 4,8 rebotes em 17,1 minutos por partida no campeonato nacional. O prospecto é um ala moderno, que pode atuar nas posições 3 e 4, mais ou menos como Leonard fez na última final da NBA. A diferença é que o georgiano, que estará em ação por sua seleção no Eurobasket deste ano, consegue fazê-lo dando mais qualidade na coleta de ressaltos. No ano passado, ele chegou a falar sobre a possibilidade de atuar em San Antonio.

Enquanto Thomas investe na vida pessoal, o Spurs investe no desenvolvimento fora das quadras de seu prospecto e conserva uma vaga aberta no elenco – que pode continuar livre para uma contratação no meio da temporada, como aconteceu com Boris Diaw, Patrick Mills, Aron Baynes e Tracy McGrady recentemente, ou até mesmo para economizar dinheiro. Resta saber se o ala fará valer sua aposta e conseguirá voltar para a NBA posteriormente.