Cory Joseph e os selecionáveis do Spurs

Antes da temporada 2013/2014 da NBA começar, o mundo do basquete continuará movimentado. Em todos os continentes, as seleções masculinas da modalidade disputarão campeonatos classificatórios de olho no Mundial de 2014, que será disputado na Espanha. E é óbvio que, por ser uma das franquias mais internacionais da liga americana, o San Antonio Spurs terá vários jogadores envolvidos neste circuito. Entre todos os convocados, um deles terá uma trajetória que merece ser acompanhada de perto: o armador Cory Joseph.

Joseph deve jogar pelo Canadá na Copa América (Reprodução/Facebook.com/FIBA)

Como destacado por Giancarlo Giampietro, do blog Vinte Um, o Canadá vem na contramão das outras seleções e deverá contar com uma legião de jogadores da NBA na Copa América, que acontece entre 30 de agosto e 11 de setembro, na Venezuela, e dará quatro vagas para o Mundial. Enquanto o Brasil não terá Tiago Splitter, Nenê, Anderson Varejão e Leandrinho; a Argentina não terá Manu Ginobili, Carlos Delfino e Pablo Prigioni e a República Dominicana não terá Al Horford e Charlie Villanueva, Joseph fará parte de uma equipe que tem uma geração promissora e que sonha com vôos mais altos no continente.

A convocação oficial do Canadá ainda não saiu, mas, além do armador do Spurs, Andrew Nicholson, do Orlando Magic, e Tristan Thompson, do Cleveland Cavaliers, parecem estar confirmados. Essa geração ainda conta com Robert Sacre, do Los Angeles Lakers, e Kris Joseph, que passou por Brooklyn Nets e Boston Celtics na última temporada. Isso sem falar em Anthony Bennett, selecionado pelo Cavs na primeira escolha do Draft deste ano; Kelly Olynyk, escolhido pelo Celtics em 13º; e Andrew Wiggins, favorito absoluto a ser o primeiro no recrutamento de calouros do ano que vem.

E a responsabilidade de Joseph nesse projeto parece ser grande. Entre tantos nomes promissores que fazem o Canadá sonhar em estabelecer-se como segunda potência do continente nos próximos anos, o jogador do Spurs é o único armador. Terá a responsabilidade de comandar o ataque desse time, escolher o jogador certo para acionar na hora certa e envolver todos os pontuadores da seleção na ofensiva. Em seu discurso, o jovem mostra que está ciente do fardo que deverá carregar com a equipe nacional.

“Eu aprendi muito desde que comecei a jogar pelo Spurs. Estar em uma franquia como essa me ajudou a crescer não só como jogador, mas também como líder. Sei que posso contribuir muito com a minha seleção e vou dar o máximo para meu país”, disse Joseph, sobre a participação na Copa América, em entrevista concedida ao site oficial da Fiba.

A palavra chave desse discurso? “Líder”. Com apenas 21 anos de idade, Joseph já apresenta bons fundamentos na marcação de outros armadores e, a cada temporada, melhora sua finalização perto da cesta em bandejas contestadas – acertou 62,75% dos arremessos desse tipo que tentou no último campeonato, contra 33,33% no anterior, apresentando evolução mais do que satisfatória. Mas o canadense não pode esquecer que é um armador. E, na armação pura, no comando do ataque, na liderança do time é onde ele mais precisa crescer. Esse projeto começou na Summer League desse ano e vai continuar na seleção de seu país.

Claro que, quando um protagonista como Tony Parkerpré-convocado para a França – ou Manu Ginobili é convocado para sua seleção, o temor de uma possível lesão é o sentimento que se instala. Mas, para os coadjuvantes do elenco, defender suas respectivas equipes nacionais representa uma oportunidade de jogar por um time diferente e, com papel diferente, desenvolver habilidades diferentes. Sob a pressão de classificar o Canadá para o Mundial, Joseph terá uma excelente chance de desenvolver sua liderança – algo que ele não teve no elenco principal do Spurs, por ser coadjuvante, e nem na Summer League, por se tratar de um ambiente pouco competitivo.

O mesmo pode ser dito de Nando De Colo, que, após jogar pouco em sua temporada como novato – e inclusive reclamar disso -, terá a chance de estar em quadra em minutos importantes pela França no Eurobasket, entre 4 e 22 de setembro, na Eslovênia. Marco Belinelli, que deve defender a Itália, pode comandar o ataque da seleção, função que deve exercer na segunda unidade do Spurs. Patrick Mills e Aron Baynes, se convocados, poderão experimentar a função de protagonistas na Austrália. E Matt Bonner, caso consiga a naturalização, pode exercer o papel de veterano do elenco canadense ao lado de Joel Anthony, pivô do Miami Heat.

Por ser uma franquia internacional, o Spurs tem mais essa vantagem: a de ver seus coadjuvantes atuando em alto nível e se desenvolvendo durante a offseason. Chance para Joseph trabalhar sobre a tutela de Steve Nash, General Manager do Canadá, e aprimorar suas habilidades como armador principal. Oportunidade e professor não faltam!

Sobre Lucas Pastore

Um dos fundadores do Spurs Brasil. Formado em Jornalismo na Universidade Presbiteriana Mackenzie em 2010, é editor assistente do UOL Esporte. Cobriu o basquete olímpico na Olimpíada de 2016 pelo LANCE!. Trabalhou também para Basketeria e mob36.

Publicado em 27/07/2013, em Na linha dos 3. Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s