Arquivo diário: 20/07/2013

Balanço positivo em Las Vegas

Mais do que o resultado, o mais importante para uma franquia de NBA na Summer League é o desenvolvimento e a observação de jogadores. Se o San Antonio Spurs ficou longe do título no primeiro ano em que a competição coroará um campeão, essas duas etapas foram cumpridas de maneira satisfatória. A diretoria e a comissão técnica do alvinegro texano vêem a equipe deixar Las Vegas provavelmente com boas ideias para um futuro próximo.

Udoka executou bem o plano do Spurs na Summer League (NBAE/Getty Images)

Isso passa, obviamente, pelos jogadores que já integram o plantel principal do Spurs. Para muitos torcedores do time, a prioridade para a offseason deveria ser a contratação de um pivô de presença física no garrafão, de preferência um bom defensor. Mas talvez esse jogador já estivesse no elenco. Estou falando de Aron Baynes, que deixa a Summer League com médias de 12 pontos, 10,5 rebotes e 1,3 tocos em 26,3 minutos por exibição – na minha opinião, suas atuações representam o que de melhor aconteceu para a franquia texana na competição.

Entre todos os jogadores que representaram o Spurs na Summer League, Baynes foi o que teve adversários mais duros pela frente. O australiano trombou com Bismack Biyombo na vitória sobre o Charlotte Bobcats, com Jonas Valanciunas na derrota para o Toronto Raptors e com Tyler Zeller no revés diante do Cleveland Cavaliers. Só não encarou um pivô com experiência como titular da NBA durante o triunfo sobre o Atlanta Hawks, quando encarou o brasileiro Lucas Bebê – escolha de primeira rodada do Draft deste ano.

Baynes é um pivô de presença física interior, carência do Spurs desde as saídas dos já veteranos Fabrício Oberto e Kurt Thomas, que não causaram muito impacto no time. Com boas atuações, o australiano se credencia a uma vaga na rotação da equipe no garrafão – que ficou mais concorrida com as renovações do brasileiro Tiago Splitter e do francês Boris Diaw e a contratação de Jeff Pendergraph. Tim Duncan e Matt Bonner completam o setor.

Além de Baynes, mais dois jogadores que já fazem parte do elenco principal do Spurs desde a última temporada participaram da Summer League: Cory Joseph e Nando De Colo. Eles disputam o pouco tempo de quadra que sobra na armação nos minutos de descanso de Tony Parker – a briga ainda conta com o australiano Patrick Mills, que recentemente renovou seu contrato com a franquia texana. E o canadense e o francês tiveram atuações irregulares em Las Vegas. Mas, ao contrário de Baynes, foram escalados por Ime Udoka, que foi o técnico da equipe na competição, fora da zona de conforto.

De todos os possíveis reservas de Parker, De Colo me parece ser o mais talentoso. É o que melhor pode atuar como armador puro, principalmente por seu talento nos passes e no comando do pick-and-roll. O problema é que os alas da segunda unidade na próxima temporada devem ser Manu Ginobili, que acaba de renovar seu contrato com o Spurs, e Marco Belinelli, principal contratação da franquia texana na offseason. E os dois também se destacam por terem os mesmos talentos que o francês.

Para desenvolver habilidades complementares e poder atuar ao lado de Ginobili e Belinelli enquanto o argentino e o italiano comandarem o ataque do time reserva, De Colo foi escalado como ala-armador por Udoka. Assim, teve de defender adversários mais altos e fortes e trabalhar como arremessador, colocando à prova dois de seus pontos fracos. E, entre boas e más atuações, deixou a Summer League com médias de 11,3 pontos, com apenas 22,2% no aproveitamento nos tiros de três pontos, e quatro assistências em 31,8 minutos por exibição.

Nos jogos em que Parker foi poupado, sem dúvidas De Colo é a melhor opção para assumir o lugar de armador titular do time. Mas, para jogar ao lado de Ginobili e Belinelli, acredito que a melhor opção seja Joseph. O canadense é sólido na defesa, principalmente quando tem de marcar armadores mais rápidos, e se movimenta melhor sem a bola, finalizando cada vez melhor perto da cesta em bandejas contestadas.

O problema é que, como armador puro, Joseph não é confiável. O canadense ainda terá de conviver com a eterna sombra de George Hill, que exercia a função de combo guard defensivo antes de sua chegada e que comandava o ataque muito melhor. A questão é que o hoje jogador do Indiana Pacers chegou à NBA pronto após passar quatro anos no basquete universitário, enquanto o atleta do Spurs passou apenas um e, sem dúvidas, era muito mais cru quando chegou à liga. Assusta ver que Hill é SEIS anos mais velho do que Joseph.

Por isso, para evoluir, Joseph foi usado por Udoka como comandante do show. Também alternou boas e más atuações e deixou a Summer League com médias de 10,3 pontos e, mais importante, 4,5 assistências em 28,3 minutos por exibição.

Claro que observar os prospectos também foi importante, mas para um futuro mais distante. DeShaun Thomas começou bem, com 17 pontos por exibição nos três primeiros jogos, mas caiu nas partidas finais e a média despencou para 12,4. Marcus Denmon, por outro lado, foi crescendo ao longo da competição, acertou 38,5% de seus tiros de três pontos e fez 10,3 pontos por jogo. E Ryan Richards, quando eu estava pronto para desistir dele, se destacou e mostrou ter talento, ainda que bruto, na vitória sobre o Milwaukee Bucks.

Mas os três ainda parecem imaturos e devem passar a próxima temporada na Europa. Enquanto isso, o Spurs terá Baynes batalhando no garrafão, De Colo tentando se encaixar ao lado de Ginobili e Belinelli e Joseph buscando melhorar como armador principal. Por isso, é possível dizer que o saldo da Summer League foi positivo para o time texano.

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