Arquivo diário: 06/07/2013

Spurs acerta a contratação de Jeff Pendergraph

O San Antonio Spurs acertou, neste sábado, (6), a contratação de seu segundo reforço para a temporada 2013/2014 da NBA. Trata-se do ala-pivô Jeff Pendergraph, que disputou a última temporada pelo Indiana Pacers. Antes, a franquia havia trazido o ala-armador Marco Belinelli.

Pendergraph é nosso! (AP)

De acordo com Adrian Wojnarowski, jornalista do Yahoo! Sports, o Spurs assinou um vínculo de duas temporadas com Pendergraph. Os valores do contrato não foram revelados.

Na última temporada, atuando com a camisa do Pacers, Pendergraph teve médias de 3,9 pontos e 2,8 rebotes em dez minutos por exibição na fase de classificação e 1,8 pontos e dois rebotes em 7,9 minutos por partida nos playoffs. Ele provavelmente vem para ocupar a vaga do elenco que era de DeJuan Blair, que é agente livre nesta offseason e deve deixar o Spurs.

Veja quem pode chegar e quem pode deixar o San Antonio Spurs

Pivôs custam caro

Confesso que, a princípio, me surpreendi com a notícia de que o San Antonio Spurs renovou com Tiago Splitter por quatro anos e um total de US$ 36 milhões – ou seja, provavelmente US$ 9 milhões por temporada. Não achava que a franquia texana estaria disposta a investir um valor tão alto no brasileiro, que, apesar de ter virado titular no último campeonato, perdeu espaço ao longo da final contra o Miami Heat. No entanto, olhando para a folha salarial da equipe alvinegra, é possível afirmar: o novo vínculo do pivô não vai sair tão caro assim.

Splitter em ação na final contra o Heat (NBAE/Getty)

Na próxima temporada, Tim Duncan vai receber US$ 10.361.446,00 do Spurs. Se Splitter de fato dividiu os US$ 36 milhões igualmente, sem aumentos ou decréscimos salariais no período, a franquia texana gastará US$ 19.361.446,00 em sua dupla titular de garrafão. Quantia que pode ser considerada pequena em uma liga com pivôs supervalorizados. Quer uma prova?

Nos playoffs de 2012, o Spurs estreou contra o Los Angeles Lakers, da badalada dupla Pau Gasol e Dwight Howard, que recebeu US$ 38.261.200,00 na temporada passada. O Golden State Warriors, mesmo tendo no perímetro seu ponto forte, pagou seus maiores ordenados para David Lee e Andrew Bogut, que, juntos, ganharam US$ 25.894.000,00 da franquia. Os outrora temidos Zach Randolph e Marc Gasol, do Memphis Grizzlies, combinaram para US$ 30.391.359,00 em rendimentos. Todos duetos mais caros do que o campeão da Conferência Oeste! E até mesmo o Miami Heat, que joga sem pivôs de ofício, pagou US$ 21.605.000,00 para Udonis Haslem e Chris Bosh.

Se Boris Diaw, Matt Bonner e Aron Baynes forem adicionados na conta, o Spurs deverá gastar um total de US$ 28.797.838,00 com toda a sua rotação de garrafão na próxima temporada. Valor mais barato do que Lakers e Grizzlies pagaram só para suas duplas titulares!

Além do acerto com Splitter, a principal movimentação do Spurs no mercado foi a renovação do contrato de Manu Ginobili. O argentino assinou com a franquia texana até o fim da temporada 2014/2015, mesmo prazo em que Duncan continuará vinculado ao alvinegro de San Antonio. Com isso, pode-se concluir que o time ainda tem pela frente dois anos para tentar um último título com seus dois astros. E, nesse contexto, manter o brasileiro foi importantíssimo.

Todos sabem que o sistema do técnico Gregg Popovich é rígido e que jogadores demoram para se adaptar a ele. Perder Splitter significaria ter de encontrar um substituto e submetê-lo ao processo de aprendizado – ou seja, consumir um tempo precioso dos prováveis últimos anos das carreiras de Ginobili e Duncan. Além disso, entre defeitos e virtudes, o brasileiro possui uma qualidade que, se não o torna o jogador dos sonhos dos torcedores, o faz ser um pivô adequado às necessidades do Spurs: a execução no pick-and-roll.

A grande maioria das jogadas do time texano começa com Tony Parker, na primeira unidade, e Manu Ginobili, na segunda, chamando um bloqueio. Se os astros não conseguem espaço para um arremesso ou uma infiltração, podem acionar o pivô, que, após estabelecer o corta-luz, corre em direção à cesta. Neste fundamento, Splitter pode ser considerado um dos mais eficientes da NBA. Basta ver que o brasileiro recebeu uma parcela considerável das assistências do francês na última temporada, no gráfico disponível no site HotShot Charts:

Parker

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A participação de Splitter nas assistências de Manu é ainda mais significativa:

Manu

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Um possível desenrolar do pick-and-roll é o pivô receber a bola e, com seu marcador batido, receber a ajuda de um defensor que estava combatendo o perímetro. E o que torna Splitter tão eficiente é sua habilidade de cortar em direção à cesta, finalizar próximo ao aro e, se preciso, encontrar um arremessador livre com um bom passe. Em outras palavras: o brasileiro é eficiente em toda a construção e em todas as possibilidades da jogada. Em seu gráfico de assistências, fica claro como a maioria delas acontece de dentro para fora do garrafão.

Splitter

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Com as renovações de Splitter e Manu e a chegada de Marco Belinelli, o Spurs parece estar perto de fechar seu elenco para a temporada 2013/2014. Por já estar acima do teto salarial, a franquia texana, como também estourou o limite no campeonato anterior, só poderia usar a mini-MLE para contratar. Esse valor é de US$ 3 milhões, e possivelmente parte dele foi usado no acerto com o italiano. Restaria à equipe de San Antonio apelar às exceções. Uma delas é o contrato de novatos. Com isso, o time alvinegro poderia se reforçar com Marcus Denmon, Adam Hanga, Davis Bertans, DeShaun Thomas, Livio Jean-Charles, Viktor Sanikidzke, Erazem Lorbek, Ryan Richards e/ou Robertas Javtokas, prospectos ligados ao clube.

Outra exceção que o Spurs pode usar para se reforçar é o contrato mínimo de veteranos. Porém, de todos os possíveis reforços especulados para a franquia texana, acredito que somente John Lucas III, Anthony Morrow e Dorell Wright aceitariam assinar pelo valor. Entre os três, o único que considero útil é o ala, de quem sou fã declarado desde 2012. Seria uma ótima opção para a reserva de Kawhi Leonard, última vaga aberta no elenco.

Com Splitter, o Spurs traz de volta seu pivô titular, usado para vencer, nos playoffs, alguma das duplas de garrafão mais baladas da NBA. O brasileiro saiu caro? Talvez. Mas a folha salarial da franquia texana continua barata, com um elenco que esteve a um dedo de se tornar campeão na temporada passada. Apesar de todos os rumores, a diretoria do time de San Antonio mostra que sua aposta é a continuidade do plantel. Parece justo.