Limitado como nunca antes

Mesmo para quem torce para o San Antonio Spurs, é preciso admitir que o jogador mais midiático das finais era LeBron James. Assim, ao longo da série decisiva, ganhou espaço na imprensa internacional o bom trabalho que a equipe texana estava fazendo para limitar as infiltrações do ala do Miami Heat. Isso porque é natural que estrelas desse porte sejam pressionadas para que consigam, noite após noite, exibições sobre-humanas, especialmente no ataque – o que, obviamente, nem sempre é possível. Mas, em meio a altos e baixos de The King, algo decisivo passou despercebido: a excelente defesa que a franquia da Flórida, agora tricampeã da NBA, fez sobre Tony Parker.

Parker sempre teve de encarar marcação dupla (NBAE/Getty)

O armador francês acaba de fazer seu melhor campeonato com a camisa do Spurs. Com médias de 20,3 pontos, 7,6 assistências e três rebotes por exibição, Parker se tornou o principal jogador do time texano. Por isso, obviamente, quem quisesse vencer a equipe teria de limitá-lo. E o Heat obteve sucesso na missão com tanto sucesso que chega a ser assustador.

Com o camisa #9 assumindo o papel de protagonista do alvinegro texano, o Spurs passou a utilizar, mais do que nunca, o pick-and-roll como base de seu sistema ofensivo. Isso porque, ao sair de um corta-luz, o francês pode atacar a cesta, finalizando perto do aro, ou partir para um de seus igualmente mortais arremessos de média distância dos lados da cabeça do garrafão, especialmente pela esquerda. O gráfico de arremessos do atleta ao longo da temporada regular mostra essa tendência:

Reprodução/stats.nba.com/

Reprodução/stats.nba.com

No entanto, diante do Heat, Parker encontrou uma defesa que tinha os ingredientes certos para limitá-lo. Isso porque Erik Spoelstra e a diretoria da franquia fazem um trabalho cada vez melhor em cercar LeBron James, Dwyane Wade e Chris Bosh com bons coadjuvantes – especialmente na defesa. Dentro do trio, o ala-armador é forte o bastante para não passar vergonha marcando pivôs, enquanto o ala-pivô tem agilidade rara para homens de seu tamanho para combater jogadores de perímetro. A versatilidade das estrelas na marcação acabou pautando a identidade desse plantel, que tem, no elenco de apoio, Mario Chalmers, Shane Battier e Udonis Haslem, que também carregam essa virtude.

Para conter o pick-and-roll e limitar Parker, o Heat decidiu então abusar da versatilidade de seu elenco, especialmente a velocidade. Toda a vez em que o francês chamava o bloqueio, tanto seu defensor quando o defensor do pivô atacavam o armador, tirando-o a possibilidade de infiltrar facilmente ou arremessar livre de média distância. Além disso, com a dobra, o passe para dentro do garrafão também fica mais difícil. É possível notar a estratégia defensiva com mais clareza no vídeo abaixo, com um lance dessas finais:

Claro, Parker é um jogador acima da média e, às vezes, conseguia finalizar perto do aro em algumas ocasiões mesmo assim. Em outras, conseguia encontrar o pivô que fez o corta-luz – especialmente Tim Duncan – que, com o desenrolar da jogada, acabava ficando livre após o bloqueio. E é aí que o Heat usava sua versatilidade defensiva: os outros três homens que não estavam dobrando no armador francês se apressavam rapidamente para combater The Big Fundamental no garrafão e evitar uma cesta fácil. E, com uma velocidade impressionante, a equipe da Flórida conseguia rodar rapidamente o bastante para não deixar ninguém livre no perímetro. Uma verdadeira aula de defesa coletiva.

Observando o gráfico de arremessos de Parker ao longo da série contra o Heat e comparando-o ao da temporada regular, exibido acima, é impressionante notar como o arremesso de média distância – aquele, que o armador francês tenta ao sair do bloqueio – foi completamente negado pela equipe de Miami na série final da NBA:

Reprodução/stats.nba.com

Reprodução/stats.nba.com

O mesmo Parker, que teve média de 20,3 pontos por jogo na temporada regular, tentando quase 15,1 arremessos por jogo e convertendo 52,2% deles, anotou “apenas” 15,7 pontos por exibição na série contra o Heat, tentando 14,6 tiros e acertando 41,2%, mesmo com sua média de minutos subindo de 32,9 para 35,2 por jogo.

Assim como o Spurs fez, o Heat baseou sua defesa na arma mais perigosa do adversário. No entanto, me parece claro que Parker, um craque, não é do mesmo nível de LeBron, que tem absolutamente todas as ferramentas que um jogador de basquete pode ter. E vale lembrar que, mesmo com a defesa cerrada, o armador francês ainda conseguiu converter bolas importantes, especialmente no jogo 1 e no jogo 6. Uma pena que não foi o bastante…

Anúncios

Sobre Lucas Pastore

Um dos fundadores do Spurs Brasil, seu maior orgulho na carreira jornalística. Formado em Jornalismo na Universidade Presbiteriana Mackenzie em 2010, é redator do UOL. Cobriu o basquete olímpico na Olimpíada de 2016 pelo LANCE!. Trabalhou também para Basketeria e mob36.

Publicado em 22/06/2013, em Na linha dos 3. Adicione o link aos favoritos. 3 Comentários.

  1. A defesa foi realmente boa, mas acredito que os problemas físicos ajudaram a limitar Parker!

    • danilovboas

      Sem dúvidas. Jamais querendo desmerecer o LeBron, mas o Parker inteiro seria outro jogador, e a sensacional defesa de pick n’ roll do Heat teria mais problemas do que teve.

  1. Pingback: Moral para o líder | Spurs Brasil

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s