O fator Haslem

Com todo respeito ao Indiana Pacers, mas acredito que o San Antonio Spurs enfrentará o Miami Heat na decisão da NBA. A equipe da Flórida abriu 3 a 2 na série, válida pela final da Conferência Leste, e só será eliminada se perder duas partidas consecutivas, o que não acontece há 62 jogos. Assim, imagino ver, a partir da próxima quinta-feira (6), a franquia texana tendo de encarar LeBron James, Dwyane Wade, Chris Bosh e companhia. Mas, por incrível que pareça, não é um desses três jogadores que me salta aos olhos a princípio. Me preocupa pensar como o time de Gregg Popovich lidará com a presença de Udonis Haslem.

Duncan x Haslem, duelo para observar de perto (D. Clarke Evans/NBAE/Getty)

Claro que o ala-pivô não é o principal jogador do Heat. Talvez não esteja nem entre os cinco melhores do elenco da franquia da Flórida. A questão é que, no encaixe entre os dois times, o camisa #40 pode ser um fator de desequilíbrio à defesa que imagino que Pop irá propor – assim como tem sido na série contra o Pacers. Eu explico a seguir.

Principalmente no perímetro, acho que o Spurs está bem servido para combater os astros do Heat no mano a mano. Danny Green evoluiu a ponto de se tornar um defensor confiável o bastante para receber a missão de marcar Wade – principalmente com o ala-armador estando limitado por problemas no joelho direito. E Kawhi Leonard tem a rara combinação de agilidade e força física que o credencia à quase impossível tarefa de tentar limitar LeBron. Além disso, o Spurs deve contar com as excelentes rotações coletivas que ajudaram a conter Dwight Howard na série contra o Los Angeles Lakers, Stephen Curry no duelo contra o Golden State Warriors e, principalmente, Zach Randolph no confronto contra o Memphis Grizzlies.

Mesmo assim, de cara o Spurs terá de passar por ajustes. Isso porque Bosh, que, por ser o mais alto e pesado jogador do quinteto titular do Heat, teoricamente é o pivô da equipe da Flórida, tem jogado afastado da cesta, abusando de seus mortais arremessos de média e até de longa distância, que servem para tirar os homens de garrafão do adversário de perto do aro e, assim, abrir espaço para as infiltrações de LeBron e Wade. O gráfico de arremessos do ala-pivô ao longo da série contra o Pacers mostra isso*:

Reprodução/stats.nba.com

Reprodução/stats.nba.com

Perceba que, na final do Leste, foram 30 arremessos de média ou longa distância, contra 18 de dentro do garrafão. Com isso, Bosh passou a ser acompahado pelo big man mais ágil do adversário – foi assim como David West, do Pacers, designado para defendê-lo. Enquanto isso, Roy Hibbert era liberado para marcar Haslem, que teoricamente não é um fator ofensivo e que fica em quadra mais para fazer o trabalho sujo, como estabelecer corta-luzes e brigar por rebotes ofensivos. Assim, o pivô da equipe de Indianápolis podia se posicionar mais perto do aro para combater as investidas dos homens de perímetro do Heat.

Mas e se, de uma hora para a outra, Haslem também se tornasse um fator de desequilíbrio ofensivo? Foi o que aconteceu na série contra o Pacers. O ala-pivô do Heat passou a aproveitar-se da defesa de ajuda de Hibbert, que se posicionava próximo ao garrafão para proteger o aro, para começar a acertar suas bolas de média distância. Foi assim que o camisa #40 do time da Flórida anotou 17 pontos no jogo 3, 16 pontos no jogo 5 e, com aproveitamento de 66,7% nos arremessos de quadra na série, tem sido, talvez, o principal coadjuvante de LeBron no confronto. Repare, no gráfico abaixo, a eficiência do jogador nos tiros longos de dois pontos próximos à linha de fundo na final do Leste. São dez acertos em treze tentativas*:

Haslem

Reprodução/stats.nba.com

As atuações de Haslem criaram um cobertor curto para a eficientíssima defesa do Pacers. Se fica livre, o ala-pivô acerta seus arremessos. Se atrai a marcação de Hibbert, o garrafão fica aberto para as infiltrações de LeBron e Wade. E se a ajuda para marcar o camisa #40 do Heat vem do perímetro, são os arremessadores Mario Chalmers, Ray Allen e Shane Battier que têm a chance de um tiro livre da linha dos três pontos. Como lidar?

A princípio, acredito que Pop utilizará estratégia semelhante à do Pacers. Tiago Splitter deve começar defendendo Bosh, mas essa função se tornará trabalho para Boris Diaw ou Matt Bonner ao longo das partidas. Enquanto isso, o brasileiro se revezará com Tim Duncan na proteção do garrafão, tendo a cobertura, e não a marcação de Haslem, como prioridade. E é aí que o ala-pivô do Heat pode desequilibrar a série.

Neste sábado, às 21h30 (de Brasília), o Heat visita o Pacers com chance de fechar a série e se classificar para enfrentar o Spurs na final, que começa na quinta-feira. Resta saber se a boa forma de Haslem nos arremessos vai durar até lá. Se isso acontecer, Pop terá de propor mais um de seus ajustes para dar um jeito de frear o ataque do Heat. Será possível?

* Agradecimento especial a Matheus Rodrigues pela ajuda com os gráficos

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Sobre Lucas Pastore

Um dos fundadores do Spurs Brasil, seu maior orgulho na carreira jornalística. Formado em Jornalismo na Universidade Presbiteriana Mackenzie em 2010, é redator do UOL. Cobriu o basquete olímpico na Olimpíada de 2016 pelo LANCE!. Trabalhou também para Basketeria e mob36.

Publicado em 01/06/2013, em Na linha dos 3. Adicione o link aos favoritos. 8 Comentários.

  1. ótima analise do jogo… mas tem o fator garra do Pacers que fez mais uma vez a diferença! Eu gostaria de ver uma final contra o Heat, é claro. Uma vitória contra o Heat teria um destaque muito maior nas mídias! De qualquer forma, a série deles terminar só no 7 jogo é ótimo pro Spurs… dessa forma, Heat ou Pacers, chegará mais cansado na final!

  2. Felipe Ladislau

    penso que uma final contra o Heat seria melhor para os Spurs, não só pelo fato da mídia mas porque na minha opinião o Pacers é mais perigoso para os Spurs, tenho acompanhado a final do Leste e o garrafão do Heat e nada é a mesma coisa, já o garrafão do Pacers está destruindo. Contra o Heat os Spurs fariam um jogo focado no garrafão com o Duncan e o Tiago, levaríamos vantagem.

  3. Lucas Pastore, vai dar Pacers! vc tera que fazer outra análise.. brincadeiras a parte! rsrsrs
    GO SPURS!

  4. Gustavo Alves

    Diferente do que Felipe comentou, acho q o Heat é infinitamente mais perigoso para o Spurs, pelo simples fato de que o Heat tem LeBron e Wade, que em dias de inspiração, acabam com qualquer jogo, coisa que é muito mais difícil de acontecer com Paul George.
    Enquanto vs o Pacers vc terá um jogo de garrafão mais complexo (ou não, considerando que o Spurs ja treinaram bem vs P.Gasol+Howard e M.Gasol+Randolph) terá um perímetro mais liberado pra enfiar bolas de 3 adoidado, enquanto VS o Heat vc terá um garrafão mais liberado no ataque, mas bemmm complexo na defesa, como foi comentado na análise, com Bosh fora do garrafão, levando consigo um big man.
    É o que disse antes, acredito em um jogo muito mais equilibrado contra o Pacers, mas com chances maiores de vitória em TODOS os jogos.
    Contra o Heat, é um apagão no terceiro quarto e o time perde todos os jogos.

    • Felipe Ladislau

      Porém perderam 3 jogos contras os pacers, sendo que quase perdemo 1° jogo. O wade está mal na série e fisicamente. O Heat pode até vencer hoje mais o Pacers me parece chegar mais inteiro para esse jogo 7.

  5. fato casa do miami pesa contra times que ainda não tem um evolvimento grande com torcidas . uma cara feia de lebron e todo mundo acha que tem que respeitar o nervosinho . o indiana peidou muito no ultimo jogo em miami , começou bufando ,ouviu só um latido e o miami deitou . e digo mais , não há um time em miami , é bola pra lebron e se der certo tá ótimo . muitos na liga respeitam imprensa ,talvez até o indiana , no ultimo jogo lebron só jogou tranquilo por causa dos acertos de média distancia de haslem , o que há de salientar : tem muito jogador que prefere acertar a mão pra se sentir num time ,pq é horrenda a distribuição do jogo lá , tudo pro lebron , pois toda hora o cara pontua …a marcação deve ser cerrada a punhos e joelhos de aço , se for esse time na final , muito pão com ovo , farofismo , mucado de modinha vendo os jogos , um favor imenso pro prestígio de ambas as equipes mas sem muita coisa . não tenho mais como analisar o spurs pq fez uma excelente temporada , decaiu derepente ao término e no playoff cada jogo foi gradativo , aprenderam a se reencontrar como um time e ninguem está decidindo sozinho , mesmo parker roubando a cena . não temo miami , mas se o pacers passar , não será facil mesmo a analise sobre o haslem sendo mega brilhante ,digna de hall da fama ,mas o miami não me mete mais medo . só pq fui inventar de ver um jogo deles . mídia pura . perguntam por aí : quem prefere na final ?? basta o spurs ser campeão , pode ser até a lady gaga ou o willian boner , time é time, srssrsr spurs sempre foi um . seria amargo perder pro heat numa final , time ruim do ”baralho” , com todo respeito .

  6. ps : doe a estatística pro espn , está realmente brilhante .

  1. Pingback: Prévia de Heat x Spurs – Final da NBA | Spurs Brasil

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