Arquivo diário: 01/06/2013

O fator Haslem

Com todo respeito ao Indiana Pacers, mas acredito que o San Antonio Spurs enfrentará o Miami Heat na decisão da NBA. A equipe da Flórida abriu 3 a 2 na série, válida pela final da Conferência Leste, e só será eliminada se perder duas partidas consecutivas, o que não acontece há 62 jogos. Assim, imagino ver, a partir da próxima quinta-feira (6), a franquia texana tendo de encarar LeBron James, Dwyane Wade, Chris Bosh e companhia. Mas, por incrível que pareça, não é um desses três jogadores que me salta aos olhos a princípio. Me preocupa pensar como o time de Gregg Popovich lidará com a presença de Udonis Haslem.

Duncan x Haslem, duelo para observar de perto (D. Clarke Evans/NBAE/Getty)

Claro que o ala-pivô não é o principal jogador do Heat. Talvez não esteja nem entre os cinco melhores do elenco da franquia da Flórida. A questão é que, no encaixe entre os dois times, o camisa #40 pode ser um fator de desequilíbrio à defesa que imagino que Pop irá propor – assim como tem sido na série contra o Pacers. Eu explico a seguir.

Principalmente no perímetro, acho que o Spurs está bem servido para combater os astros do Heat no mano a mano. Danny Green evoluiu a ponto de se tornar um defensor confiável o bastante para receber a missão de marcar Wade – principalmente com o ala-armador estando limitado por problemas no joelho direito. E Kawhi Leonard tem a rara combinação de agilidade e força física que o credencia à quase impossível tarefa de tentar limitar LeBron. Além disso, o Spurs deve contar com as excelentes rotações coletivas que ajudaram a conter Dwight Howard na série contra o Los Angeles Lakers, Stephen Curry no duelo contra o Golden State Warriors e, principalmente, Zach Randolph no confronto contra o Memphis Grizzlies.

Mesmo assim, de cara o Spurs terá de passar por ajustes. Isso porque Bosh, que, por ser o mais alto e pesado jogador do quinteto titular do Heat, teoricamente é o pivô da equipe da Flórida, tem jogado afastado da cesta, abusando de seus mortais arremessos de média e até de longa distância, que servem para tirar os homens de garrafão do adversário de perto do aro e, assim, abrir espaço para as infiltrações de LeBron e Wade. O gráfico de arremessos do ala-pivô ao longo da série contra o Pacers mostra isso*:

Reprodução/stats.nba.com

Reprodução/stats.nba.com

Perceba que, na final do Leste, foram 30 arremessos de média ou longa distância, contra 18 de dentro do garrafão. Com isso, Bosh passou a ser acompahado pelo big man mais ágil do adversário – foi assim como David West, do Pacers, designado para defendê-lo. Enquanto isso, Roy Hibbert era liberado para marcar Haslem, que teoricamente não é um fator ofensivo e que fica em quadra mais para fazer o trabalho sujo, como estabelecer corta-luzes e brigar por rebotes ofensivos. Assim, o pivô da equipe de Indianápolis podia se posicionar mais perto do aro para combater as investidas dos homens de perímetro do Heat.

Mas e se, de uma hora para a outra, Haslem também se tornasse um fator de desequilíbrio ofensivo? Foi o que aconteceu na série contra o Pacers. O ala-pivô do Heat passou a aproveitar-se da defesa de ajuda de Hibbert, que se posicionava próximo ao garrafão para proteger o aro, para começar a acertar suas bolas de média distância. Foi assim que o camisa #40 do time da Flórida anotou 17 pontos no jogo 3, 16 pontos no jogo 5 e, com aproveitamento de 66,7% nos arremessos de quadra na série, tem sido, talvez, o principal coadjuvante de LeBron no confronto. Repare, no gráfico abaixo, a eficiência do jogador nos tiros longos de dois pontos próximos à linha de fundo na final do Leste. São dez acertos em treze tentativas*:

Haslem

Reprodução/stats.nba.com

As atuações de Haslem criaram um cobertor curto para a eficientíssima defesa do Pacers. Se fica livre, o ala-pivô acerta seus arremessos. Se atrai a marcação de Hibbert, o garrafão fica aberto para as infiltrações de LeBron e Wade. E se a ajuda para marcar o camisa #40 do Heat vem do perímetro, são os arremessadores Mario Chalmers, Ray Allen e Shane Battier que têm a chance de um tiro livre da linha dos três pontos. Como lidar?

A princípio, acredito que Pop utilizará estratégia semelhante à do Pacers. Tiago Splitter deve começar defendendo Bosh, mas essa função se tornará trabalho para Boris Diaw ou Matt Bonner ao longo das partidas. Enquanto isso, o brasileiro se revezará com Tim Duncan na proteção do garrafão, tendo a cobertura, e não a marcação de Haslem, como prioridade. E é aí que o ala-pivô do Heat pode desequilibrar a série.

Neste sábado, às 21h30 (de Brasília), o Heat visita o Pacers com chance de fechar a série e se classificar para enfrentar o Spurs na final, que começa na quinta-feira. Resta saber se a boa forma de Haslem nos arremessos vai durar até lá. Se isso acontecer, Pop terá de propor mais um de seus ajustes para dar um jeito de frear o ataque do Heat. Será possível?

* Agradecimento especial a Matheus Rodrigues pela ajuda com os gráficos

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