Arquivo diário: 26/05/2013

Adaptação é a palavra da vez

Muito bem, para compensar a semana passada:

Saudações, torcedores do San Antonio Spurs (#SóFaltaUma), Austin Toros e San Antonio Silver Stars! Um viva ao espaço democrático que é a caixa de comentários desse blog! É muito legal saber que San Antonio tem uma franquia de basquete capaz de conquistar torcedores e fãs em todas as suas modalidades.

Na sexta-feira (24), a temporada da WNBA finalmente teve início, justamente com o San Antonio Silver Stars, no AT&T Center, puxando a carruagem da competição neste ano. O duelo foi contra o Indiana Fever e o resultado não foi lá dos mais felizes: 79 a 64 para as visitantes. Esse placar aponta as principais dificuldades que o time terá de enfrentar enquanto estiver sem suas principais jogadoras, Becky Hammon (mais umas três semanas fora das quadras devido a uma lesão no dedo do meio da mão direita) e Sophia Young (uma lesão no ligamento cruzado anterior a deixa sem previsão de retorno – o mais otimista seria em agosto).

Desse modo, Dan Hughes precisa analisar suas cartas e montar a melhor sequência para colocar na mesa. E, para que isso dê certo, a melhor opção é adaptar o esquema de jogo do San Antonio Silver Stars para um estilo mais favorável aos arremessos de três pontos e longa distância. Com Becky Hammon e Sophia Young, o playbook da equipe texana está centrado em diversas penetrações que favorecem, principalmente, a movimentação dessas jogadoras.

O San Antonio Silver Stars precisa de um novo estilo de jogo durante o tempo em que suas principais jogadoras ficam fora de quadra devido a lesões

A partida de sexta-feira foi um bom exemplo de que esse é o melhor caminho a se seguir – apesar de ser muito perigoso, e mais embaixo explico o porquê.

O nome que deve assumir a posição de líder enquanto Hammon não volta é Danielle Robinson. A armadora ainda é nova, porém é a que mais tem as características necessárias para essa função. D-Rob, como é chamada, conhece bem as jogadoras do Silver Stars e tem uma postura de comando, talvez até mesmo por causa de sua posição em quadra (1). Dentre as melhores opções do elenco, é a mais completa: tem boa pontaria a média distância, é habilidosa, faz boas infiltrações e distribui as jogadas. Em relação à parte de pontuar, seus arremessos são eficientes e vão ajudar muito.

Agora, analisando por grupo, podemos colocar DeLisha Milton-Jones, Jia Perkins, Shameka Christon e Danielle Adams entre as arremessadoras de três pontos e Danielle Robinson e Shenise Johnson entre as de média distância. Vale ressaltar que Adams pode estar tanto entre aquelas mais eficazes na linha mais distante da cesta quanto ente as que fazem as jogadas a média distância e até mesmo no garrafão. Sim, a mais improvável é a que mais dá resultado.

Essa abertura de jogo, no entanto, causa problemas porque não há muitas opções para o time de San Antonio. Então, fica fácil de as outras equipes sacarem onde precisam neutralizar o ataque. O Indiana Fever entendeu isso e conseguiu anular o Stars, de modo a transformar um placar com um revés de dez pontos de diferença em uma vitória mais larga do que isso.

Um olhar mais profundo

Nessa temporada, em cada edição da coluna vou fazer uma breve sessão sobre coisas importantes que acontecem na WNBA. Como no Brasil as informações sobre a liga ainda são escassas – quanto mais as análises -, gostaria de apresentá-los um contexto do que está acontecendo. Afinal, é o espaço onde o San Antonio Silver Stars atua!

Então, hoje coloco aqui três observações que podem fazer a diferença em 2013:

1 – A regra de três segundos no garrafão passa a valer

Essa é uma novidade na WNBA e já criou problemas para as equipes. No próprio jogo da sexta-feira, contra o Indiana Fever, o Stars foi beneficiado com uma falta técnica logo nos primeiros segundos. Depois disso, não houve mais sinais de confusão quanto a essa regra. Sábado, no entanto, no Atlanta Dream x Tulsa Shock, diversas penalidades foram dadas pelos árbitros devido a essa irregularidade na defesa.

2 – Linha do arremesso de três pontos mais longe

Para este ano e os que estão por vir, a WNBA adotou a medida da FIBA para as linhas de três pontos das quadras, algo próximo dos sete metros da NBA.

3 – Replays em jogadas duvidosas

Assim como na NBA, quando uma jogada for mais difícil de ser analisada pelos árbitros, eles poderão utilizar o recurso do replay para conferir se sua decisão foi correta. Muito bom!

Espero que essas informações ajudem aqueles que não são tão familiarizados com a WNBA a acompanhar os jogos. Os do San Antonio Silver Stars só voltam no sábado (01 de junho), contra o Los Angeles Sparks. Será um duelo importante, com o elenco adversário intacto.

Para fechar essa semana, deixo aqui duas fotos que a Becky Hammon postou em seu Twitter com a mão engessada, um tanto quanto engraçadas!

De acordo com Becky Hammon, nessa foto ela está “andando como um egípcio”

…e nessa ela “chama isso de cobra”. This is Becky Hammon! (fotos publicadas pela jogadora em sua página no Twitter: @BeckyHammon)

Spurs (3) vs Grizzlies (0) – Só falta uma!

104×93

O San Antonio Spurs venceu na prorrogação mais um jogo em que chegou a estar perdendo por 18 pontos de. No Tennessee, o time texano superou o Memphis Grizzlies e abriu 3 a 0 na série, válida pela final da Conferência Oeste. Agora, o próximo jogo acontece na segunda-feira, ainda na casa dos rivais. Em caso de vitória, a franquia texana fecha o confronto com mais uma varrida no ano e parte para sua quinta final da NBA.

Esse jogo é do Spurs, na marra (NBAE/Getty Images)

Trio 

O Spurs conseguiu uma vitória que relembrou os velhos tempos. Nos últimos anos, para o time texano vencer, pelo menos um dos jogadores do Big Three, formado por Tony Parker, Manu Ginobili e Tim Duncan, teria de atuar bem. No caso da partida em questão, todos os três tiveram atuações sólidas. O armador, o ala-armador e o ala-pivô combinaram para 69 pontos. O francês foi o cestinha com 26 pontos, enquanto o camisa #21 fez 24 e o argentino 19.

Parker se destacou novamente pelo Spurs (NBA/Getty Images)

Virada

O Spurs conseguiu se recuperar mesmo depois de um péssimo começo de jogo. Ao fim do primeiro quarto, o placar já estava de 29 a 13 para os donos da casa. O time texano acertou apenas quatro arremessos, errando os outros 15 que tentou. Já no segundo período, tudo mudou. Convertendo 11 de seus 17 tiros de quadra, a equipe comandada por Gregg Popovich foi para os vestiários perdendo por apenas 44 a 40 – ou seja, no lucro!

Time de chegada

O Spurs só assumiu o liderança no placar pela primeira vez no começo do quarto período. O time mais uma vez soube mostrar qualidade no fechamento dos jogos. Apesar de ter tido a chance de vencer ainda no tempo normal, na prorrogação, a equipe texana foi muito superior.

Estatística

O Spurs tem agora a chance de varrer o Grizzlies e voltar para às finais da NBA pela primeira vez desde 2007. Foram 107 vezes na história da liga americana de basquete que um time abriu 3 a 0, e em nenhuma delas houve uma virada.

Bom trabalho 

Zach Randolph anotou 14 pontos e 15 rebotes, e Marc Gasol 16 pontos e 14 rebotes. Apesar dos números parecerem altos, o garrafão do Spurs tem feito uma boa marcação nos dois. Sempre mudando de marcador, Tim Duncan, Tiago Splitter, Boris Diaw… e até Matt Bonner tem se esforçado para limitar a produção da dupla.

Destaques da Partida

San Antonio Spurs

Tony Parker – 26 pontos e 5 assistências

Tim Duncan – 24 pontos e 10 rebotes

Manu Ginobili – 19 pontos e 7 rebotes

Tiago Splitter – 11 pontos e 6 rebotes

Memphis Grizzlies

Mike Conley – 20 pontos e 4 assistências

Marc Gasol – 16 pontos e 14 rebotes

Quincy Pondexter – 15 pontos

Zach Randolph – 14 pontos e 15 rebotes

De Colo admite incômodo por não atuar nos playoffs

Nando De Colo não está satisfeito com seu papel no elenco do San Antonio Spurs. De acordo com reportagem do site americano Project Spurs, o armador francês, que é novato nesta temporada, está incomodado por não estar recebendo tempo de quadra nos playoffs.

#chatiado (Brace Hemmelgarn/USA Today)

“Realmente não é fácil porque, nos mês que antecederam os playoffs, eu jogava de 10 a 15 minutos na reserva do Tony (Parker). De repente, eu ficava mais tempo no banco do que na quadra. Eu joguei a primeira rodada contra o (Los Angeles) Lakers, mas geralmente nos finais dos jogos, quando eles já estavam definidos. Não foi fácil. E, na série contra o Golden State (Warriors), eu fiquei inativo, o que é decepcionante. Vim para cá para jogar. Me preparei a temporada inteira para jogar os playoffs e, no fim, não estou jogando”, disse De Colo, em entrevista ao jornal francês La Voix du Nord.

“A pior parte é um assistente me dizer que vou estar inativo como se fosse algo normal. Na manhã do jogo, eu estava deixando a quadra após o treino de arremessos e ele me disse ‘Nando, tudo bem? Hoje à noite, você estará inativo’. Você pensa, ‘m***a’. Você não sabe o que aconteceu. Você está em uma série nova. Começa a se perguntar porque você e não outro. Não é algo óbvio. No começo, você pensa que será por um jogo ou dois. Os assistentes te dizem que as coisas podem mudar, mas, na verdade, nada muda. Mas isso são decisões do técnico”, completou o armador, que veio do Valencia (ESP).

Ao longo da temporada regular, De Colo disputou 72 jogos pelo Spurs – seis deles como titular -, e apresentou médias de 3,8 pontos, 1,9 assistências e 1,9 rebotes em 12,8 minutos por exibição. Até aqui, nos playoffs, o francês só pisou em quadra em três partidas da primeira rodada, contra o Los Angeles Lakers, obtendo, em média, 1,3 pontos e um rebote em três minutos por noite. A partir da série contra o Golden State Warriors, o novato passou a figurar na lista de inativos, principalmente após Boris Diaw e Tiago Splitter voltarem de contusão e Tracy McGrady ser contratado para ocupar a vaga do dispensado Stephen Jackson.

De Colo também teve passagens pelo Austin Toros, equipe da D-League, a Liga de Desenvolvimento da NBA, filiada ao Spurs. No time da capital texana, o armador disputou três jogos e teve médias de 15,5 pontos, 5,7 rebotes e 4,3 assistências em 35 minutos por exibição.

Segundo De Colo, a pouca quantidade de treinos dificulta seu retorno à lista de ativos.

“Existem treinos pequenos, você não pode retomar sua vaga. Eu tento manter minha confiança e continuo trabalhando. Vou para a musculação, faço minhas sessões individuais no ginásio… Só quero que me digam que eu estou de volta à lista. Mas, na minha opinião, isso só vai acontecer em caso de contusão. Isso com certeza vai durar até o fim”, declarou.

Apesar de admitir o incômodo, De Colo negou que tenha se arrependido de ir jogar na NBA.

“Você não tem certeza até ter tentado. No ano que vem, estarei sob contrato em San Antonio, e não há porque dizer ‘Eu vou voltar para a Europa’. Vou continuar trabalhando. Vou ver com o Spurs se algo precisa ser feito ou não após os playoffs. É frustrante não jogar, mas não há nada além disso para se pensar”, afirmou.