Obrigado, Duncan!

Nossa geração de torcedores do San Antonio Spurs é privilegiada. Assim como os torcedores do Chicago Bulls que puderam acompanhar Michael Jordan jogando e os do Boston Celtics que vira Larry Bird em quadra, estamos presenciando a carreira do maior jogador da história da nossa franquia predileta, Tim Duncan. No auge de seus 37 anos de idade, o ala-pivô ainda consegue ser um fator de impacto dos dois lados da quadra e desequilibrar uma série difícil como a contra o Memphis Grizzlies, válida pela final da Conferência Oeste e que terá seu jogo 3 neste sábado (25), Por isso, só nos resta admirar e agradecer.

Nem o adversário consegue resistir (Reprodução/sportige.com/)

Nesta temporada, Duncan foi escolhido para integrar o time ideal da NBA. Foi escalado como pivô em um quinteto que contava ainda com Chris Paul, Kobe Bryant, LeBron James e Kevin Durant. Olhando esses nomes, é possível se ter uma noção do tamanho do feito. E a realização é ainda maior justamente por conta dos 37 anos de idade do ala-pivô, que o tornam o segundo jogador mais velho da história a integrar a seleção. Só Kareem Abdul-Jabbar, indicado aos 38, o supera. É mole?

O currículo de Duncan é de fazer inveja a qualquer um. São quatro títulos da NBA acompanhados de três MVPs das finais e dois da temporada regular. Além disso, o ídolo do Spurs participou 14 vezes do All-Star Game, sendo eleito o jogador mais valioso do evento em 2000. Na sua coleção de realizações, ainda está o troféu de novato do ano em 1998, a indicação para a seleção de novatos daquele mesmo ano, dez figurações no time ideal da liga e oito no quinteto defensivo ideal. É difícil pensar que um outro atleta da franquia texana conseguirá algum dia algo parecido. Mas não para por aí.

Ao longo da temporada 2010/2011, Duncan deu claros sinais de decadência, principalmente física. As médias do big man naquela temporada foram de 13,4 pontos e 8,9 rebotes, as mais baixas de sua carreira, em 28,4 minutos por exibição. A partir daí, o camisa #21 percebeu que era necessário melhorar. O astro, então, decidiu mudar sua alimentação para aliviar o peso no claramente avariado joelho esquerdo. Deu certo.

Em um passe de mágica, Duncan começou a melhorar fisicamente ao invés de piorar mesmo passando da barreira dos 35 anos de idade. Neste campeonato, suas médias saltaram para 17,8 pontos e 9,9 rebotes em 30,1 minutos por partida, seus melhores números desde então. Alguém aí notou mais alguma coincidência entre as temporadas 2010/2011 e 2012/2013?

No ano em que Duncan deu sinais de decadência física, o Spurs enfrentou o Grizzlies na primeira rodada dos playoffs. Com seu principal defensor de garrafão limitado em mobilidade, sem conseguir acompanhar alas-pivôs mais ágeis, a missão de limitar Zach Randolph ficou a cargo de Antonio McDyess, Matt Bonner e DeJuan Blair. Não preciso lembrar vocês do tamanho do estrago, certo? Ainda dói olhar os números de Z-Bo naquela série: 21,5 pontos e 9,2 rebotes em cerca de 37,2 minutos por exibição.

Dessa vez, Duncan, mais saudável, é quem tem ido para o mano a mano com Randolph. E o resultado fica evidente: o ala-pivô do Grizzlies, que abusou de jogadores mais pesados como Serge Ibaka e Kendrick Perkins na série contra o Oklahoma City Thunder, tem tido dificuldade para produzir contra The Big Fundamental e apresentado médias de apenas 8,5 pontos em 37 minutos por partida.

Claro que o trabalho coletivo da defesa do Spurs e a maturidade de Tiago Splitter, hoje pronto para defender um pivô do calibre de Marc Gasol, ajudam. Mas o impacto de Duncan é inegável. Tanto que, no jogo 2, que terminou em vitória da equipe texana por 93 a 89, Z-Bo só deslanchou quando o ídolo do Spurs teve problemas com faltas – um risco que a equipe texana corre nessa série ao executar este plano.

Duncan é um ídolo, um mito, talvez o maior que o Spurs produzirá em toda a sua história. Nós, torcedores do time texano, temos de nos sentir orgulhosos por testemunhá-lo – principalmente nós, brasileiros, que vivemos na época em que a NBA tem a sua maior exposição no país. Para nós, resta agradecer e admirar. Quem sabe não sobra um espaço para comemorar?

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Sobre Lucas Pastore

Um dos fundadores do Spurs Brasil, seu maior orgulho na carreira jornalística. Formado em Jornalismo na Universidade Presbiteriana Mackenzie em 2010, é redator do UOL. Cobriu o basquete olímpico na Olimpíada de 2016 pelo LANCE!. Trabalhou também para Basketeria e mob36.

Publicado em 25/05/2013, em Na linha dos 3. Adicione o link aos favoritos. 8 Comentários.

  1. E ainda ganhará seu quinto anel, esse ano, para coroar tão brilhante carreira

  2. Rodrigo Pereira

    Comecei a torcer para os Seus, quando assistir O Duncan jogar.

  3. Rodrigo Pereira

    Spurs!

  4. Roney Lira

    Lenda.

  5. Comecei a torcer pelo Spurs por causa do Timmy em 2003.
    Ele é um dos meus maiores ídolos! Uma lenda!

    Caras como ele, Manu e tantos outros não deveriam envelhecer…

  6. danilovboas

    Já gastei o vocabulário aqui elogiando o Duncan. De todas as formas esse cara é um gênio. Se conseguir o título este ano, pra mim, indepentendemente de Jordan, Bird, Magic, Jabbar ou qualquer outro, ele será o maior. Não importa o que digam os adversários, os críticos ou o diabo a quatro, Duncan extrapolou o significado de atleta e se tornou o sinônimo de uma franquia. Casamento perfeito entre Spurs, Pop e Duncan, com Manu e Parker como padrinhos e Robinson como mentor. Quem viu este grupo de gênios em ação viu o que de melhor esta franquia produziu na sua história, e provavelmente a mais perfeita sintonia entre treinador-atleta-time em toda a história do esporte.
    Apreciem sem moderação.

  7. Òtimo post Lucas! Porém, eu não sei se ele teria sido melhor ou mais importante do que o fantástico David Robinson, “The Admiral”, daí porque colocaria os dois juntos como os maiores da franquia….

  1. Pingback: Spurs (3) @ Grizzlies (0) – Final do Oeste | Spurs Brasil

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