Buraco, literalmente, mais embaixo

Agora, o foco será completamente outro. Depois de conseguir neutralizar o impressionante perímetro do Golden State Warriors e vencer o adversário por 4 a 2 pelas semifinais da Conferência Oeste, o San Antonio Spurs agora se prepara para enfrentar o Memphis Grizzlies na próxima etapa dos playoffs da NBA. Justamente o time que venceu a equipe texana na primeira rodada em 2011, em uma das eliminações mais traumáticas da história da franquia, graças, principalmente, à dupla formada por Zach Randolph e Marc Gasol. Por isso, a partir de domingo (19), os pivôs do time alvinegro, que foram coadjuvantes de sucesso na fase anterior, estarão sob os holofotes.

Splitter x Gasol e Randolph (Eric GayAP)

Antes de enfrentar o Spurs, o Warriors venceu o Denver Nuggets na primeira rodada dos playoffs graças a um ajuste simples promovido pelo técnico Mark Jackson. O time do Colorado tentou usar a solução que está no manual do basquete para frear um arremessador de perímetro: defenda-o com um adversário mais alto, de maior envergadura, e tire dele a visão da cesta. Andre Iguodala parecia ser o homem certo para limitar Stephen Curry. Mas aí entrou o dedo do treinador: nem bem chegava à quadra ofensiva, o armador já recebia um corta-luz. Enquanto saía do bloqueio e ia em direção à linha de três pontos, o astro tinha então três opções: arremessar, se livre; usar a velocidade para infiltrar, se a defesa reagiu ao início da jogada com uma troca; ou achar um homem livre em caso de dobra. E o mais novo xodó da NBA acabou sendo mortal executando todas as três.

A mesma tática não deu certo para o Spurs a princípio, quando Kawhi Leonard tentou defender Curry. Por ser o homem mais alto e de maior porte físico do perímetro do Spurs, o ala ficava constantemente preso nos bloqueios estabelecidos pelos pivôs do Warriors perto da metade da quadra. A resposta de Gregg Popovich, então, foi tirar seus pivôs do garrafão – por mais estranho que isso possa soar. Sempre que o armador do time de Oakland recebia um corta-luz alto, um big man tomava posição para contestar seu arremesso enquanto o defensor de perímetro do time texano se recuperava. Não era necessário acompanhar o grandalhão adversário, já que Andrew Bogut, Festus Ezeli, Carl Landry, David Lee e Andris Biedrins não são ameaças na linha dos três pontos.

Agora, no entanto, o buraco, literalmente, é mais embaixo. o Spurs precisará defender um time que concentra toda sua produção ofensiva no garrafão, nas mãos de Randolph e Gasol. Um novo plano de jogo defensivo terá de ser elaborado por Pop – provavelmente baseando-se nas atuações do Grizzlies contra o Oklahoma City Thunder, série que acabou 4 a 1 para a franquia de Memphis. E, assistindo às partidas do confronto, pude notar que o ataque da equipe costuma basear-se em um padrão.

O Grizzlies costuma começar seus ataques com Mike Conley centralizado, com Tony Allen e Tayshaun Prince bem abertos e com os dois pivôs na cabeça do garrafão, na formação conhecida como “horns” – na figura abaixo, é possível notar como, do armador aos alas, o desenho parece o de dois chifres.

Grizzlies horns

Conley então passa pelo bloqueio de um dos pivôs, que, em seguida, corta em direção à cesta. Mas o armador costuma acionar o outro big man na cabeça. Geralmente esse homem é Gasol, que é um passador acima da média para sua posição, quem recebe a bola, enquanto Randolph tenta estabelecer uma boa posição no garrafão. Isto posto, dá a impressão que Tim Duncan, aquele que melhor consegue manter os adversários afastados do aro, é a melhor opção para defender o ala-pivô. Mas não é bem assim.

Contra outros jogadores pesados, como Serge Ibaka e Kendrick Perkins, Z-Bo usou e abusou dos arremessos de média distância e do ataque aos pivôs adversários nas infiltrações. Duncan já não é nenhum garoto para acompanhá-lo, e não há cenário mais perigoso nessa série para o Spurs do que ter seu melhor jogador de garrafão carregado por faltas.

Por isso, Pop deverá delegar a função a Tiago Splitter – justamente ele, que, em 2011, era a quinta opção no garrafão, atrás de Duncan, Antonio McDyess, Matt Bonner e DeJuan Blair. Se conseguir manter Z-Bo longe da cesta e se fizer com que o ala-pivô gaste mais energia do que o normal na defesa, o pivô será o responsável por fazer com que o Spurs comece a série em vantagem na questão dos duelos individuais e force Lionel Hollins, o bom técnico do Grizzlies, a fazer alguns ajustes em seu ataque. Resta saber se o brasileiro conseguirá ser a solução para o problema, que, dessa vez, é mais embaixo.

Anúncios

Sobre Lucas Pastore

Um dos fundadores do Spurs Brasil, seu maior orgulho na carreira jornalística. Formado em Jornalismo na Universidade Presbiteriana Mackenzie em 2010, é redator do UOL. Cobriu o basquete olímpico na Olimpíada de 2016 pelo LANCE!. Trabalhou também para Basketeria e mob36.

Publicado em 18/05/2013, em Na linha dos 3. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s