Arquivo diário: 18/05/2013

Buraco, literalmente, mais embaixo

Agora, o foco será completamente outro. Depois de conseguir neutralizar o impressionante perímetro do Golden State Warriors e vencer o adversário por 4 a 2 pelas semifinais da Conferência Oeste, o San Antonio Spurs agora se prepara para enfrentar o Memphis Grizzlies na próxima etapa dos playoffs da NBA. Justamente o time que venceu a equipe texana na primeira rodada em 2011, em uma das eliminações mais traumáticas da história da franquia, graças, principalmente, à dupla formada por Zach Randolph e Marc Gasol. Por isso, a partir de domingo (19), os pivôs do time alvinegro, que foram coadjuvantes de sucesso na fase anterior, estarão sob os holofotes.

Splitter x Gasol e Randolph (Eric GayAP)

Antes de enfrentar o Spurs, o Warriors venceu o Denver Nuggets na primeira rodada dos playoffs graças a um ajuste simples promovido pelo técnico Mark Jackson. O time do Colorado tentou usar a solução que está no manual do basquete para frear um arremessador de perímetro: defenda-o com um adversário mais alto, de maior envergadura, e tire dele a visão da cesta. Andre Iguodala parecia ser o homem certo para limitar Stephen Curry. Mas aí entrou o dedo do treinador: nem bem chegava à quadra ofensiva, o armador já recebia um corta-luz. Enquanto saía do bloqueio e ia em direção à linha de três pontos, o astro tinha então três opções: arremessar, se livre; usar a velocidade para infiltrar, se a defesa reagiu ao início da jogada com uma troca; ou achar um homem livre em caso de dobra. E o mais novo xodó da NBA acabou sendo mortal executando todas as três.

A mesma tática não deu certo para o Spurs a princípio, quando Kawhi Leonard tentou defender Curry. Por ser o homem mais alto e de maior porte físico do perímetro do Spurs, o ala ficava constantemente preso nos bloqueios estabelecidos pelos pivôs do Warriors perto da metade da quadra. A resposta de Gregg Popovich, então, foi tirar seus pivôs do garrafão – por mais estranho que isso possa soar. Sempre que o armador do time de Oakland recebia um corta-luz alto, um big man tomava posição para contestar seu arremesso enquanto o defensor de perímetro do time texano se recuperava. Não era necessário acompanhar o grandalhão adversário, já que Andrew Bogut, Festus Ezeli, Carl Landry, David Lee e Andris Biedrins não são ameaças na linha dos três pontos.

Agora, no entanto, o buraco, literalmente, é mais embaixo. o Spurs precisará defender um time que concentra toda sua produção ofensiva no garrafão, nas mãos de Randolph e Gasol. Um novo plano de jogo defensivo terá de ser elaborado por Pop – provavelmente baseando-se nas atuações do Grizzlies contra o Oklahoma City Thunder, série que acabou 4 a 1 para a franquia de Memphis. E, assistindo às partidas do confronto, pude notar que o ataque da equipe costuma basear-se em um padrão.

O Grizzlies costuma começar seus ataques com Mike Conley centralizado, com Tony Allen e Tayshaun Prince bem abertos e com os dois pivôs na cabeça do garrafão, na formação conhecida como “horns” – na figura abaixo, é possível notar como, do armador aos alas, o desenho parece o de dois chifres.

Grizzlies horns

Conley então passa pelo bloqueio de um dos pivôs, que, em seguida, corta em direção à cesta. Mas o armador costuma acionar o outro big man na cabeça. Geralmente esse homem é Gasol, que é um passador acima da média para sua posição, quem recebe a bola, enquanto Randolph tenta estabelecer uma boa posição no garrafão. Isto posto, dá a impressão que Tim Duncan, aquele que melhor consegue manter os adversários afastados do aro, é a melhor opção para defender o ala-pivô. Mas não é bem assim.

Contra outros jogadores pesados, como Serge Ibaka e Kendrick Perkins, Z-Bo usou e abusou dos arremessos de média distância e do ataque aos pivôs adversários nas infiltrações. Duncan já não é nenhum garoto para acompanhá-lo, e não há cenário mais perigoso nessa série para o Spurs do que ter seu melhor jogador de garrafão carregado por faltas.

Por isso, Pop deverá delegar a função a Tiago Splitter – justamente ele, que, em 2011, era a quinta opção no garrafão, atrás de Duncan, Antonio McDyess, Matt Bonner e DeJuan Blair. Se conseguir manter Z-Bo longe da cesta e se fizer com que o ala-pivô gaste mais energia do que o normal na defesa, o pivô será o responsável por fazer com que o Spurs comece a série em vantagem na questão dos duelos individuais e force Lionel Hollins, o bom técnico do Grizzlies, a fazer alguns ajustes em seu ataque. Resta saber se o brasileiro conseguirá ser a solução para o problema, que, dessa vez, é mais embaixo.

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Prévia de Spurs x Grizzlies – Final do Oeste

Hora de Splitter tentar segurar Gasol (Jerry Lara/San Antonio Express-News)

Está na hora da revanche! Eliminado pelo Memphis Grizzlies na primeira rodada dos playoffs de 2011, o San Antonio Spurs agora terá a chance de dar o troco na final da Conferência Oeste deste ano, que começará a ser disputada no domingo (19). Antes de chegar a essa fase, a franquia texana venceu o Los Angeles Lakers por 4 a 0 e, em seguida, o Golden State Warriors por 4 a 2. A equipe do Tennessee, por sua vez, eliminou Los Angeles Clippers em seis jogos e Oklahoma City Thunder em cinco.

Na temporada regular, o Spurs terminou em segundo e o Grizzlies em quinto. Por isso, a equipe alvinegra começa a série com a vantagem do mando de quadra em mãos. Isso pode fazer a diferença, já que, até aqui, quem atuou em seus domínios venceu. Foram quatro jogos no campeonato, com dois triunfos para cada lado. Relembre as partidas a seguir:

01/12/2012 – Spurs 99 x 95 Grizzlies

Após a polêmica multa imposta por David Stern ao Spurs, que havia poupado seus titulares no jogo anterior, contra o Miami Heat, o time texano respondeu dentro de quadra e, em casa, venceu o Grizzlies na prorrogação. O destaque do alvinegro naquela noite foi Tony Parker, com 30 pontos, seis assistências e quatro rebotes.

11/01/2013 – Spurs 98 @ 101 Grizzlies

Pela segunda vez em dois jogos, Spurs e Grizzlies decidiram o jogo na prorrogação. Porém, na primeira visita à casa do rival, o Spurs foi derrotado pelo adversário pela primeira vez na temporada. Mais uma vez Tony Parker, com 22 pontos, sete assistências e três roubadas de bola, acabou como o cestinha da equipe.

16/01/2013 – Spurs 103 x 82 Grizzlies

Com grande atuação no terceiro período, o Spurs impôs ao Grizzlies a maior vitória sobre o adversário na temporada. Tim Duncan liderou o time de San Antonio naquela noite com 19 pontos, oito rebotes, cinco tocos e quatro assistências.

01/04/2013 – Spurs 90 @ 92 Grizzlies

Mais uma viagem do Spurs a Memphis e mais uma derrota diante do Grizzlies. Apesar do resultado negativo, Tony Parker, com 25 pontos e quatro assistências, foi o cestinha da noite. Manu Ginobili, Kawhi Leonard e Tim Duncan não atuaram naquela partida.

E agora? Será que o mando de quadra continuará sendo tão importante assim na pré-temporada? A seguir, os blogueiros do Spurs Brasil respondem a essa e a outras perguntas e dão seus palpites para a série. Confira:

Bruno Alves

Palpite: Spurs 4 a 3
Só de pensar no Grizzlies, o torcedor do Spurs já tem calafrios, fruto das memórias reminiscentes dos playoffs de 2011. O garrafão do time de Memphis, com Zach Randolpg e Marc Casol, talvez seja o mais forte da NBA, e vai conseguir muitos rebotes ofensivos em cima da nossa rotação de pivôs, que, embora tenha melhorado de 2011 pra cá, continua não sendo o ponto forte do elenco. Além disso, Mike Conley e Tony Allen são dois excepcionais defensores, e vão complicar e muito a vida de Tony Parker e Manu Ginobili, que já mostraram não estar com a mão totalmente calibrada nestes playoffs. Os texanos vão precisar usar sua perfeição tática e uma defesa muito forte para superar a equipe adversária.
Peça-chave do Spurs: Kawhi Leonard
Peça-chave do Grizzlies: Marc Gasol

Leonardo Sacco

Palpite: Grizzlies 4 a 2
Fim da linha para o Spurs. O time pegará a melhor defesa da liga, com uma dupla de pivôs bastante sólida e uma marcação de perímetro boa. O Grizzlies não conta com um destaque individual como Stephen Curry, mas tem Marc Gasol em fase exuberante, seguido ainda de boas atuações de Mike Conley e Zach Randolph. A chance do time texano estará em uma melhora significativa de Tony Parker, que deverá melhorar seu arremesso de média distância e tentar menos infiltrações, já que o garrafão adversário é muito bem fechado.
Peça-chave do Spurs: Tony Parker
Peça-chave do Grizzlies: Marc Gasol

Lucas Pastore

Palpite: Grizzlies 4 a 2
Na temporada, o Grizzlies foi o 11º time que mais pegou rebotes na NBA, enquanto o Spurs foi apenas o 21º. No número de rebotes ofensivos, mais uma vez vantagem para a franquia de Memphis, que ficou em terceiro, enquanto os texanos foram os penúltimos. Além disso, o time de San Antonio foi o 13º que mais cedeu segundas chances para os oponentes, enquanto o rival foi quem menos ofereceu em toda a liga. Foi assim que a equipe do Tennessee venceu a do Texas nos playoffs de 2011… Até acho que o alvinegro está mais forte com Danny Green, Kawhi Leonard, Boris Diaw e Tiago Splitter ocupando os minutos que eram de George Hill, Richard Jefferson, Antonio McDyess e DeJuan Blair. Mas o mesmo pode ser dito do outro lado, principalmente com Tayshaun Prince, Quincy Pondexter e Jerryd Bayless assumindo as funções que eram de Shane Battier, Sam Young e O.J. Mayo. Espero estar errado.
Peça-chave do Spurs: Tiago Splitter
Peça-chave do Warriors: Mike Conley

Sergio Neto

Palpite: Spurs 4 a 3
Será a melhor série dos playoffs, tudo o que se espera de um Spurs x Grizziles. O time de Memphis virá com um fortíssimo garrafão com Marc Gasol e Zach Randolph, que será o maior problema da equipe texana. Pelo lado do alvinegro, acredito que o diferencial será a rotatividade do perímetro com Tony Parker, Danny Green, Kawhi Leonard, Manu Ginobili, Cory Joseph… O Memphis não será páreo, apesar de boas atuações de Mike Conley e Tayshaun Prince. A defesa e a experiencia da franquia de San Antonio serão o diferencial.
Peça-chave do Spurs: Tony Parker
Peça-chave do Grizzlies: Zach Randolph

Victor Moraes

Palpite: Spurs 4 a 2
O Grizzlies chega na final do Oeste em um momento mais favorável e jogando com mais regularidade que o Spurs. O ponto forte, todos sabem, é o poderoso garrafão formado por Zach Randolph e Marc Gasol, que deve impor um jogo físico desde o primeiro segundo em quadra. Mas vale lembrar que este time terminou apenas em quinto na temporada regular, e a equipe texana leva vantagem em dois aspectos: banco de reservas e mando de quadra (nos confrontos diretos na temporada, cada equipe venceu seus dois jogos em casa). Olho no trabalho de Tiago Splitter, hoje muito mais ambientado que na série em 2011, e em Boris Diaw, que sequer fazia parte do elenco naquela ocasião. A presença de ambos deve dar um upgrade defensivo para a franquia texana.
Peça-chave do Spurs: Tiago Splitter
Peça-chave do Grizzlies: Zach Randolph

Vinicius Esperança

Palpite: Spurs 4 a 3
Revivendo um dos piores momentos da historia do Spurs, o time enfrentará o forte Grizzlies, tendo uma lembrança dos playoffs de 2011, quando o alvinegro texano foi desclassificado após ter feito a melhor campanha da Conferência Oeste na temporada regular. A equipe de Memphis tem um garrafão muito forte, que sempre cresce durante as finais, além do defensor do ano, o pivô Marc Gasol. Porém, diferentemente de 2011, a rotação da franquia texana conta agora com um Tim Duncan jogando como garoto, e com um Tiago  Splitter cada vez melhor na defesa, sendo capaz, assim, de frear o ímpeto ofensivo do adversário.
Peça-chave do Spurs: Tim Duncan
Peça-chave do Memphis: Marc Gasol

Olho neles!

Parker Splitter

Entre os seis blogueiros do Spurs Brasil que participaram da prévia, dois optaram por destacar Tony Parker e dois escolheram Tiago Splitter. O pivô brasileiro deverá ajudar Tim Duncan a combater o imponente garrafão adversário, enquanto o armador francês será importante para levar o foco do confronto para o perímetro.

Dos seis blogueiros do Spurs Brasil que opinaram, três apontaram Marc Gasol como peça-chave do Grizzlies na série. No ataque, o espanhol pode causar estragos com passes e arremessos de média distância e, do outro lado da quadra, o pivô, que foi eleito o melhor defensor da temporada, terá a missão de conter Tim Duncan.