Parker x alas altos: a solução

Foi assim como Thabo Sefolosha, do Oklahoma City Thunder, nas finais da Conferência Oeste em 2012, e tem sido assim com Klay Thompson, do Golden State Warriors, nas semifinais deste ano. Tony Parker, o principal jogador do San Antonio Spurs ao longo da temporada regular, mostrou, nos últimos dois playoffs, que encontra dificuldades para manter sua produção quando é defendido por alas altos. Porém, na sexta-feira (10), no jogo 3 da série – vencido pela equipe texana, que recuperou o mando de quadra -, o armador francês apresentou ajustes em seu modo de pontuar que permitiram que ele brilhasse novamente.

Thompson chegou a complicar a vida de Parker (Eric Gay/AP)

Na primeira fase dos playoffs, durante a varrida sobre o Los Angeles Lakers, Parker se manteve como o principal jogador do Spurs, apresentando médias de 22,3 pontos, 6,5 assistências e 3,3 rebotes em 31,8 minutos por exibição. Porém, contra o Warriors, o armador começou a série com dificuldades para manter a produção. No jogo 1, o francês precisou de duas prorrogações e 26 arremessos para anotar 28 pontos, além de oito assistências e oito rebotes. No jogo 2, única derrota do time texano até aqui, foram 20 pontos em 17 arremessos, além de seis rebotes e apenas três assistências. Até que o camisa #9 explodiu no jogo 3, com 32 pontos em 23 arremessos, cinco assistências e cinco rebotes.

A produção relativamente menor de Parker nos dois primeiros duelos se deu porque o armador apresentou claras dificuldades para fazer seu jogo fluir quando defendido por Thompson. Até aqui na série, o Spurs sofreu 5,3 pontos a mais do que marcou enquanto os dois estavam em quadra, e marcou 4,3 a mais do que sofreu nos minutos em que o francês estava em quadra e o ala-armador adversário estava no banco. Mas, no jogo 3, isso mudou.

Para explicar os ajustes, mostro abaixo o gráfico de arremessos de Parker durante a temporada regular, disponível no site oficial da NBA.

Parker chart

A imagem mostra claramente o quanto Parker gosta de pontuar no garrafão: na zona restrita, o francês converteu 299 cestas (!) ao longo do campeonato. Por isso, é de se imaginar que, enfrentando um adversário maior – e, consequentemente mais lento -, o armador teria dificuldade para explorar a velocidade e pontuar próximo ao aro. Porém, não é bem assim. No ano passado, o blog Bola Presa fez um post que, entre outras coisas, listava as jogadas características de vários atletas da NBA. A do camisa #9 era justamente um artifício utilizado por ele nas infiltrações: usar a bola para empurrar o adversário e, assim, abrir espaço para a bandeja. Confira no vídeo abaixo:

Não é nem preciso dizer que é mais difícil fazer isso contra Klay Thompson, que pesa 93 kg, do que contra Stephen Curry, que pesa 84 kg, ou Jarrett Jack, que pesa 89 kg. Se não bastasse isso, o garrafão do Warriors, principalmente com Festus Ezeli e Andrew Bogut, tem feito um excelente trabalho fechando a porta das infiltrações para Parker. Por isso, a solução foi apelar para a segunda jogada preferida do astro do Spurs, o tiro de média distância.

No gráfico de arremessos de Parker mostrado acima, é possível notar que o francês tem como preferência arremessar do lado esquerdo do garrafão – ali, em todas as regiões, seu aproveitamento foi acima da média da NBA (zonas marcadas em verde) e ele marcou 79 cestas na temporada regular, oito a mais do que do outro lado. Para isso, o camisa #9 costuma contar com corta-luzes bem estabelecidos por Duncan.

Naturalmente, é mais fácil prender um jogador grande como Thompson em um corta-luz do que um pequeno e ágil como Curry e Jack. No vídeo abaixo, é possível ver como a chegada de Duncan afetou a marcação do ala-armador do Warriors, que se preparou para tentar evitar um possível bloqueio estabelecido pelo ala-pivô do Spurs e acabou driblado, dando a Parker um arremesso de média distância livre da zona preferida do armador do Spurs.

A procura de Parker por um arremesso de média distância nem sempre acontece com o armador conduzindo a bola. Às vezes, o francês passa para Duncan e o ala-pivô, com a bola em mãos, estabelece um bloqueio para prender o marcador de seu companheiro, que então se posiciona onde quer receber a bola para o arremesso. O gráfico abaixo, disponível no site Hotshot Charts, reforça a preferência de Parker por arremessos perto da cesta, seguido por tiros de média distância do lado esquerdo do garrafão, e mostra que a maioria das 163 assistências dadas por The Big Fundamental durante a temporada foram para o camisa #9.

Duncan to Parker

Clique na imagem para ampliá-la

Olhando de fora, é impossível detectar se os ajustes foram iniciativa de Parker ou se foram propostos pelo técnico Gregg Popovich, conhecido por sua habilidade de fazer seu time explorar as fraquezas do adversário. Fato é que a mudança na abordagem do armador francês melhorou sua produção ofensiva, criando arremessos fáceis e fazendo com que o atleta voltasse a ser o líder da equipe. Agora, além do placar, o Spurs também está no comando da série na questão dos matchups. Será que Mark Jackson, treinador do Warriors, encontrará uma resposta para isso a tempo?

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Sobre Lucas Pastore

Um dos fundadores do Spurs Brasil. Formado em Jornalismo na Universidade Presbiteriana Mackenzie em 2010, é editor assistente do UOL Esporte. Cobriu o basquete olímpico na Olimpíada de 2016 pelo LANCE!. Trabalhou também para Basketeria e mob36.

Publicado em 11/05/2013, em Na linha dos 3. Adicione o link aos favoritos. 6 Comentários.

  1. Meu ele só jogou assim ontem porque eu tava vestindo a regata dele, de boa ..kkk’
    Mas falando sério, ontem o Spurs venceu um jogo crucial para se manter vivo e além disso mostrar quem realmente é o contender. Spurs leva o 4 em Oakland e vence o 5 em S.A, fechando a série em 4×1. Que venha o Grizzlies…

    GO SPURS !

  2. viniciusnordiesperanca

    Ótimo post Pastore, como todos os seus de análise!
    O time do Spurs é muito experiente, e o Pop sabe aproveitar das fraquezas do adversário. Espero que no jogo 4 o Parker consiga também essa atuação.

  3. pelo bem do basquete, seria bom se mark jackson conseguisse achar uma resposta pra isso… mas como spurs’ fan eu torço mesmo é pra ele continuar pensando “que esses caras sentem a pressão na hora h”

    GO SPURS GO!!!

  4. No 2º paragrafo as estatísticas do Tony Parker referem-se aos jogos com os Warriors, não contra os Lakers.

  1. Pingback: Spurs (2) vs (1) Warriors – Semifinal do Oeste | Spurs Brasil

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