Arquivo diário: 11/05/2013

Parker x alas altos: a solução

Foi assim como Thabo Sefolosha, do Oklahoma City Thunder, nas finais da Conferência Oeste em 2012, e tem sido assim com Klay Thompson, do Golden State Warriors, nas semifinais deste ano. Tony Parker, o principal jogador do San Antonio Spurs ao longo da temporada regular, mostrou, nos últimos dois playoffs, que encontra dificuldades para manter sua produção quando é defendido por alas altos. Porém, na sexta-feira (10), no jogo 3 da série – vencido pela equipe texana, que recuperou o mando de quadra -, o armador francês apresentou ajustes em seu modo de pontuar que permitiram que ele brilhasse novamente.

Thompson chegou a complicar a vida de Parker (Eric Gay/AP)

Na primeira fase dos playoffs, durante a varrida sobre o Los Angeles Lakers, Parker se manteve como o principal jogador do Spurs, apresentando médias de 22,3 pontos, 6,5 assistências e 3,3 rebotes em 31,8 minutos por exibição. Porém, contra o Warriors, o armador começou a série com dificuldades para manter a produção. No jogo 1, o francês precisou de duas prorrogações e 26 arremessos para anotar 28 pontos, além de oito assistências e oito rebotes. No jogo 2, única derrota do time texano até aqui, foram 20 pontos em 17 arremessos, além de seis rebotes e apenas três assistências. Até que o camisa #9 explodiu no jogo 3, com 32 pontos em 23 arremessos, cinco assistências e cinco rebotes.

A produção relativamente menor de Parker nos dois primeiros duelos se deu porque o armador apresentou claras dificuldades para fazer seu jogo fluir quando defendido por Thompson. Até aqui na série, o Spurs sofreu 5,3 pontos a mais do que marcou enquanto os dois estavam em quadra, e marcou 4,3 a mais do que sofreu nos minutos em que o francês estava em quadra e o ala-armador adversário estava no banco. Mas, no jogo 3, isso mudou.

Para explicar os ajustes, mostro abaixo o gráfico de arremessos de Parker durante a temporada regular, disponível no site oficial da NBA.

Parker chart

A imagem mostra claramente o quanto Parker gosta de pontuar no garrafão: na zona restrita, o francês converteu 299 cestas (!) ao longo do campeonato. Por isso, é de se imaginar que, enfrentando um adversário maior – e, consequentemente mais lento -, o armador teria dificuldade para explorar a velocidade e pontuar próximo ao aro. Porém, não é bem assim. No ano passado, o blog Bola Presa fez um post que, entre outras coisas, listava as jogadas características de vários atletas da NBA. A do camisa #9 era justamente um artifício utilizado por ele nas infiltrações: usar a bola para empurrar o adversário e, assim, abrir espaço para a bandeja. Confira no vídeo abaixo:

Não é nem preciso dizer que é mais difícil fazer isso contra Klay Thompson, que pesa 93 kg, do que contra Stephen Curry, que pesa 84 kg, ou Jarrett Jack, que pesa 89 kg. Se não bastasse isso, o garrafão do Warriors, principalmente com Festus Ezeli e Andrew Bogut, tem feito um excelente trabalho fechando a porta das infiltrações para Parker. Por isso, a solução foi apelar para a segunda jogada preferida do astro do Spurs, o tiro de média distância.

No gráfico de arremessos de Parker mostrado acima, é possível notar que o francês tem como preferência arremessar do lado esquerdo do garrafão – ali, em todas as regiões, seu aproveitamento foi acima da média da NBA (zonas marcadas em verde) e ele marcou 79 cestas na temporada regular, oito a mais do que do outro lado. Para isso, o camisa #9 costuma contar com corta-luzes bem estabelecidos por Duncan.

Naturalmente, é mais fácil prender um jogador grande como Thompson em um corta-luz do que um pequeno e ágil como Curry e Jack. No vídeo abaixo, é possível ver como a chegada de Duncan afetou a marcação do ala-armador do Warriors, que se preparou para tentar evitar um possível bloqueio estabelecido pelo ala-pivô do Spurs e acabou driblado, dando a Parker um arremesso de média distância livre da zona preferida do armador do Spurs.

A procura de Parker por um arremesso de média distância nem sempre acontece com o armador conduzindo a bola. Às vezes, o francês passa para Duncan e o ala-pivô, com a bola em mãos, estabelece um bloqueio para prender o marcador de seu companheiro, que então se posiciona onde quer receber a bola para o arremesso. O gráfico abaixo, disponível no site Hotshot Charts, reforça a preferência de Parker por arremessos perto da cesta, seguido por tiros de média distância do lado esquerdo do garrafão, e mostra que a maioria das 163 assistências dadas por The Big Fundamental durante a temporada foram para o camisa #9.

Duncan to Parker

Clique na imagem para ampliá-la

Olhando de fora, é impossível detectar se os ajustes foram iniciativa de Parker ou se foram propostos pelo técnico Gregg Popovich, conhecido por sua habilidade de fazer seu time explorar as fraquezas do adversário. Fato é que a mudança na abordagem do armador francês melhorou sua produção ofensiva, criando arremessos fáceis e fazendo com que o atleta voltasse a ser o líder da equipe. Agora, além do placar, o Spurs também está no comando da série na questão dos matchups. Será que Mark Jackson, treinador do Warriors, encontrará uma resposta para isso a tempo?

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Spurs (2) @ (1) Warriors – 19 mil calados

102×92

Quando todo o mundo da NBA estava falando dos garotos do Golden State Warriors, os veteranos do Spurs visitaram uma Oracle Arena lotada com mais de 19 mil fanáticos e venceram os donos da casa por 102 x 92. Se nos jogos passados o time de Oakland dominou por boa parte do jogo, nesta sexta-feira a equipe texana foi superior por boa parte do jogo. O grande nome da noite foi Tony Parker, que foi o cestinha da 32 pontos. O próximo jogo é no domingo, ainda na Calofórnia.

O experiente Tim Duncan fez mais um bom jogo (NBA/Getty Images)

O bom e velho Spurs

Os fãs do Spurs com certeza respiraram aliviados após a vitória fora de casa. Não só porque o time conseguiu retomar a liderança da série da série, mas porque voltou a jogar como todos estão acostumados a ver. Como disse o próprio Parker após a vitória, o time voltou a atuar no seu próprio estilo, pontuando com facilidade e defendendo razoavelmente bem.

O primeiro quarto foi o mais destoante, com o Spurs conseguindo a vantagem que carregaria até o fim do jogo. O Warriors conseguiu tirar a diferença e até virar por poucos momentos, mas o time texano se recuperou bem em todas as oportunidades.

Tony Parker foi o nome do jogo (NBA/Getty Images)

Superioridade

A diferença de postura era perceptível desde o início do jogo. Com uma marcação bem apertada, o equipe texana conseguiu, em pouco, tempo impor ao time de Golden State vários erros de arremessos. O Warriors só acertou 39,3%, errando 54 tiros de quadra e acertando apenas 35. Já o Spurs converteu 40 em 79 tentativas, um aproveitamento de 50,6%.

Como comparação, no jogo 2, quando estava acertou tudo, Klay Thompson acertou sete arremessos de três só no primeiro tempo. Na noite de sexta, o Warriors completo só conseguiu fazer seis bolas do perímetro.

Quem sabe nenhum?

Ao final do jogo 2, Gregg Popovich torceu para que no terceiro jogo nem Thompson e nem Curry tivessem uma grande noite. E não é que deu certo? Com o ala-armador sendo marcado por Kawhi Leonard e o armador por Danny Green, a dupla da equipe californiana passou longe do aproveitamento dos jogos anteriores.

Thompson marcou 17 pontos, acertando 7 de 20 tiros de quadra, enquanto Curry fez 16 pontos, acertando cinco chances em 17 tentativas. A produção dos dois somados nesse jogo, 33 pontos, não chega ao número que cada um colocou nos dois primeiros duelos – Curry fez 44 pontos no jogo 1 e Thompson fez 34 no jogo 2.

Green e sua marcação são os grandes responsáveis por esses números. Curry só conseguiu fazer quatro pontos em todos os três jogos sendo marcado pelo ala-armador do Spurs. Leonard também teve uma boa apresentação, sendo o jogador de preto e prata que mais tempo passou em quadra – 44 minutos – e anotando 15 pontos.

Revolução Francesa

Apontado durante toda a semana como o elo fraco defensivamente do Spurs, Tony Parker teve sua grande noite nos playoffs de 2013. Com a mão quente e uma marcação mais ajustada, o francês foi nome do jogo, anotando 32 pontos, cinco assistências e cinco rebotes. TP também foi responsável por quatro bolas de três, o que não é sua especialidade. Outro francês bem no jogo foi Boris Diaw, que contribuiu com nove pontos.

Bem e mal

Timmy fez um bom jogo, conseguindo um duplo-duplo com 23 pontos e dez rebotes. Bem marcado por Andrew Bogut, o camisa 21 do Spurs fez pontos importantes no contexto do jogo que ajudaram bastante o time. Já o argentino Manu Ginobili não foi bem novamente. Apesar de aparecer nos momentos importantes e levar faltas decisivas, o ala-armador teve mais um noite difícil nos arremessos. Ele acertou apenas uma bola de três em oito tentativas.

Destaques da Partida

San Antonio Spurs

Tony Parker – 32 pontos, 5 assistências e 5 rebotes

Tim Duncan – 23 pontos e 10 rebotes

Kawhi Leonard – 15 pontos e 7 rebotes

Manu Ginobili – 12 pontos e 5 rebotes

Golden State Warriors

Klay Thompson – 17 pontos e 8 rebotes

Stephen Curry – 16 pontos e 8 assistências

Carl Landry – 14 pontos e 7 rebotes

Harrison Barnes – 12 pontos e 8 rebotes

Andrew Bogut – 11 pontos e 12 rebotes

Jarrett Jack – 11 pontos