Arquivo diário: 20/04/2013

Hora de T-Mac!

Uma das minhas maiores expectativas em relação à participação do San Antonio Spurs na pós-temporada é para ver como o técnico Gregg Popovich vai utilizar Tracy McGrady na série contra o Los Angeles Lakers, que começará neste domingo (21). O ala-armador, contratado no último dia 16, estava atuando no basquete chinês e não jogava uma partida de NBA desde os playoffs do ano passado, quando defendeu o Atlanta Hawks. Mesmo assim, acho que o jogador pode ser muito útil na campanha rumo ao pentacampeonato.

Ele está entre nós

Ele está entre nós

É natural que, jogando em um basquete menos competitivo como o chinês, T-Mac conseguiria bons números: foram 25 pontos, 7,2 rebotes e 5,1 assistências em 31,6 minutos de média ao longo dos 29 jogos que ele disputou com a camisa do Qingdao Eagles. O novo camisa #1 do Spurs foi o 15º maior cestinha da liga local. Mas o ala-armador se destacou mesmo nos passes decisivos, se colocando na sexta colocação no campeonato e voltando a exibir uma característica que o marcou em seus últimos anos de NBA: a criatividade.

Em sua fase de veterano na liga americana, McGrady viveu seu melhor momento com a camisa do Detroit Pistons na temporada 2010/2011, com oito pontos, 3,5 assistências e 3,5 rebotes em 23,4 minutos por exibição. Claramente prejudicado fisicamente, o astro reinventou seu jogo, que passou a depender mais da técnica – algo que acompanhamos Tim Duncan fazer gradativamente ao longo dos anos. Resultado: o antigo ala-armador explosivo e pontuador virou um point-forward que saía do banco de reservas para comandar a segunda unidade em quadra. Funcionou com primazia.

Nas 25 vitórias que conseguiu com o Pistons daquela temporada, T-Mac foi usado em 20% das posses da bola enquanto esteve em quadra. Nas 47 derrotas, por outro lado, apenas 18,4% das jogadas passaram por suas mãos. Ou seja: mesmo aos 31 anos de idade e prejudicado pelas inúmeras lesões que o atrapalharam ao longo da carreira, o jogador ainda conseguia ser relevante em um time de NBA.

Porém, na temporada 2011/2012, o Hawks, que teve em seu elenco os armadores Jeff Teague, Kirk Hinrich, Jannero Pargo e Donald Sloan – além de Joe Johnson, responsável pela condução de bola na reta final das partidas -, resolveu tirar McGrady do comando das jogadas e devolvê-lo à função de pontuador no perímetro. Resultado: o atleta teve a bola em mãos em só 18,2% das posses enquanto esteve em quadra e viu suas médias caírem para 5,3 pontos, três rebotes e 2,1 assistências em 16,1 minutos por exibição.

Na semana passada, defendi a promoção de Manu Ginobili para o quinteto titular do Spurs. O problema seria o enfraquecimento da segunda unidade, já reduzida por conta da dispensa de Stephen Jackson. Mas é exatamente aí que está a deixa para T-Mac. O reforço da franquia texana serviria como reserva de Kawhi Leonard, mas para fazer uma função diferente da do ala segundanista: armar o jogo enquanto os suplentes estiverem em quadra.

Com Ginobili efetivado no quinteto inicial, a segunda unidade passaria a ter, no perímetro, McGrady como point-forward e Gary Neal e Danny Green funcionando como arremessadores no ataque. Na defesa, Green ficaria encarregado do adversário mais perigoso; dos dois que sobrassem, Neal pegaria o mais baixo e T-Mac o mais alto. No garrafão, não tem jeito: é aturar Matt Bonner e DeJuan Blair até Boris Diaw voltar de contusão, já que duvido que Pop vá confiar em Aron Baynes durante os playoffs.

Pop já declarou que quer Leonard em quadra por 35, 40 minutos em quadra na pós-temporada. Por isso, T-Mac deverá ter, no máximo, 13 minutos para mostrar serviço – tempo que parece apropriado para um veterano com o físico avariado. Mas, mesmo nesse tempo reduzido, o camisa #1 tem talento para provar que pode armar um jogo com mais maestria do que Nando De Colo, Cory Joseph e Patrick Mills fizeram ao longo da temporada regular. Se isso acontecer, o banco do Spurs voltará a assustar.