D-League não é o fim do mundo

A maneira com que o San Antonio Spurs tem lidado com seus novatos vindos de fora dos Estados Unidos tem assustado um pouco os fãs da franquia. Isso porque o francês Nando de Colo rapidamente encantou os torcedores com suas habilidades na hora do passe, enquanto o australiano Aron Baynes chegou como esperança de melhorar a defesa de garrafão da equipe. No entanto, ao longo da temporada, os dois jogadores foram enviados para o Austin Toros, time da D-League, a liga de desenvolvimento da NBA, filiada à franquia texana. Mas, acredite: a aparente despromoção não é o fim do mundo.

É a vez de Baynes passar pela D-League (D. Clarke Evans/NBAE/Getty Images)

Não é segredo para ninguém que o treinador Gregg Popovich não costuma dar muito espaço para seus novatos na rotação. Foi assim com George Hill, DeJuan Blair, Tiago Splitter e até com Kawhi Leonard, que só assumiu a titularidade na última temporada com a saída de Richard Jefferson e, mesmo assim, perdeu espaço ao longo dos playoffs. Porém, De Colo e Baynes têm uma dificuldade a mais do que seus colegas na briga por afirmação: nunca o elenco do Spurs foi tão rico em opções.

Para conseguir seus minutos, De Colo precisa brigar com Tony Parker, Manu Ginobili, Danny Green e Gary Neal, jogadores já estabelecidos nas posições 1 e 2, além de Patrick Mills, que também procura seu espaço. No garrafão, o panorama não é muito diferente para Baynes, que disputa tempo de quadra com Tim Duncan, Boris Diaw e Matt Bonner, além dos já citados Splitter e Blair.

A situação dos dois, no entanto, é bem diferente da de Cory Joseph, por exemplo. O armador foi uma aposta ousada do Spurs na primeira rodada do Draft de 2011, mas ainda era um jogador cru no momento de sua chegada em San Antonio. Por isso, o canadense joga pelo Toros para se desenvolver. E parece estar funcionando: entre as duas temporadas, o camisa #5 pulou de 13,8 pontos (45,9% FG, 36,7% 3 PT, 92,3% FT), 5,1 rebotes e 5,1 assistências para 19,9 pontos (46,0% FG, 41,7% 3 PT, 80,2% FT), 5,5 rebotes e 4,8 minutos por exibição na D-League.

Joseph, no entanto, é de uma escola em que o Spurs não tem encontrado sucesso. Apelando para universitários no Draft e tentando explorar seu potencial, a franquia texana não conseguiu bons resultados com jogadores como Malik Hairston, Jack McClinton e, mais recentemente, James Anderson. No entanto, a equipe é unanimidade na hora de detectar talento internacional, casos de De Colo e Baynes.

O armador francês e o pivô australiano não precisam da D-League para desenvolver seu jogo. Os dois são atletas prontos. Precisam, sim, usar o Toros para ganhar ritmo de jogo. Isso porque, apesar da riqueza de opções de Pop, os dois têm características escassas no elenco texano. E, por isso, o treinador pode precisar deles a qualquer momento.

Não sou o primeiro a tocar no assunto. Leonardo Sacco, meu colega de Spurs Brasil, acha que De Colo pode se beneficiar da D-League. A opinião é parecida com a de Bruno Pongas, do blog Destino Riverwalk. O francês e o australiano deverão passar mais tempo na D-League até o fim da temporada. E não será o fim do mundo.

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Sobre Lucas Pastore

Um dos fundadores do Spurs Brasil, seu maior orgulho na carreira jornalística. Formado em Jornalismo na Universidade Presbiteriana Mackenzie em 2010, é redator do UOL. Cobriu o basquete olímpico na Olimpíada de 2016 pelo LANCE!. Trabalhou também para Basketeria e mob36.

Publicado em 02/02/2013, em Na linha dos 3. Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. Perfeito.
    A D-League é uma ótima escola, já que tem vários jogadores por lá que já atuaram pelas equipes principais da NBA. Os jogos são duros e em pleno ritmo de NBA mesmo. De Colo e Baynes são ótimos jogadores, estrelas na Europa, mas tem que se adaptar ao estilo e ritmo da liga americana. Vejam De Colo: um passe refinado, visão de jogo que poucos armadores americanos têm, uma espécie de Manu francês, mas seu ritmo controlando a bola resulta em muitos TOs.
    Baynes, por outro lado, provavelmente era dominante dentro do garrafão europeu pela sua força física, mas na NBA ele tem que reaprender posicionamento e tempo de bola pra dominar aqui também. Tá certo que ele já chegou enterrando e pegando 9 rebotes, mas convenhamos que o Bobcats não tem aquele garrafão. Quanto mais acostumados eles estiverem com o jogo NBA-like, melhor. Vamos precisar de toda ajuda possível nos playoffs.

  1. Pingback: Baixa inestimável | Destino Riverwalk

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