Spurs e os rebotes

Com sequência de jogos complicada e derrotas inesperadas nas últimas partidas, o San Antonio Spurs acaba acendendo a luz amarela mesmo com a ótima campanha que praticamente já dá como certa a presença da equipe nos playoffs. Tem chamado a atenção, porém, a dificuldade do time de lidar com equipes que tenham melhor aproveitamento nos rebotes. E aí mora o maior perigo do time na tentativa do pentacampeonato.

Para chegar à grande final da NBA, o Spurs deverá, necessariamente, passar por equipes que têm tido facilidade em trabalhar no garrafão texano, obtendo quase sempre mais rebotes, sejam eles defensivos ou ofensivos. Os casos mais latentes são do Oklahoma City Thunder, do Los Angeles Clippers e do Memphis Grizzlies, curiosamente equipes que disputam cabeça-a-cabeça as primeira posições da Conferência Oeste com os comandados de Gregg Popovich. Resolver este problema é fundamental na escalada ao topo da classificação e, consequentemente, à final.

Getty Images

Splitter tem função que o impede de estar sempre atento aos rebotes

Muito do que acontece com o Spurs em relação à sua dificuldade em pegar mais rebotes do que o adversário passa pelo pivô brasileiro Tiago Splitter. Não porque o jogador é ruim no fundamento, mas sim pelo envolvimento tático no qual ele é inserido e que o impossibilita de estar mais presentes para brigar por bolas desperdiçadas pelo ataque adversário. Isso porque, na maioria das partidas disputadas nesta temporada, o brasileiro acaba saindo do garrafão para contestar chutes e, a partir deste momento, fica impossibilitado de ir atrás de mais rebotes. Soma-se isso ao fato de que o time não atua com jogadores altos e reboteiros no perímetro e chega-se ao problema em si.

Contra o Clippers, por exemplo, não foram poucas as vezes que Splitter saiu do garrafão para contestar chutes de média distância de Blake Griffin. Com isso, restava apenas Tim Duncan para duelar com DeAndre Jordan, que é um especialista no fundamento. Kawhi Leonard, por exemplo, não tem estatura para garantir rebotes ao time como fazem outros alas pela NBA – LeBron James, por exemplo, atua na mesma posição, mas tem muito mais porte físico para duelas por bolas no alto.

A movimentação de Splitter e a ausência de um pivô para pegar mais rebotes fica quase sempre compensada pela eficácia ofensiva do brasileiro em jogadas táticas no ataque, como os pick’n’rolls. Na marcação individual ele também dá canseira em seus adversário e compensa o problema dos ressaltos. Mas, então, por que o Spurs sempre se destaca negativamente nos rebotes quando acaba perdendo uma partida? Simples; por conta da afobação ofensiva.

Se Splitter terá essa função de contestar chutes de média distância (e até de longa, como fez com Rasheed Wallace contra o New York Knicks), o time deverá sempre usar Duncan para fazer o box out no atleta de maior porte físico do adversário, além de esperar que Leonard desenvolva um senso de rebotes mais apurado ao longo do tempo. Na defesa é isso. No ataque, a equipe deverá ser menos afobada e errar menos, além de atingir táticas que permitam mais chutes sem contestação. Se não pega rebotes com tanta eficiência, o Spurs deverá ser melhor nos chutes e melhor no posicionamento.

Há, também, a última cartada. Se DeJuan Blair falhou de novo e Boris Diaw é leve para duelar por rebotes, o Spurs aposta no australiano Aron Baynes, que parece ser especialista no fundamento. Mas sabemos que ele jogará pouco. E que, quando jogar, mudará a forma do garrafão de se comportar. A solução, então, é melhor adaptação tática às saídas para contestação de chutes que Splitter sempre realiza.

Sobre Leonardo Sacco

É jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero. Cravou a opção pelo jornalismo no estouro do cronômetro, quando criou o Spurs Brasil em uma madrugada de domingo para segunda. Escreve para o Yahoo! Esportes e dá seus pitacos no @leosacco.

Publicado em 14/01/2013, em Zona Morta. Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. Aron Baynes, esse cara foi contratato mesmo? Quando chega?

    A deficiência do time em pegar rebotes é pela falta de qualidade mesmo. E no caso do Duncan, pela oscilação.

  2. A fórmula é simples: sem defesa, não tem campeonato. E sem rebotes, não há defesa. É melhor ser um pouco pior em contestar chutes e pegar muitos rebotes do que o contrário. Cada rebote perdido na defesa é um novo ataque pro adversário, com cronômetro zerado e todas as chances novamente. Não adianta muito forçar o adversário a amassar o aro se dermos outra chance pra ele. Os rebotes são a parte mais importante da defesa, todo jogador/treinador de basquete sabe disso.
    Nossa defesa de perímetro é muito boa. Vimos ontem o que um perímetro com Kawhi e Cap Jack pode fazer. O garrafão também está defendendo muito no mano a mano, Duncan e Splitter estão indo muito bem na contestação e forçando erros. Só falta acertar esse mínimo, porém crucial detalhe.

    Só discordo quanto ao Leonard, ele é muito bom reboteiro também. Só que temos de decidir se ele vai ficar lá embaixo marcado o chutador ou se vai subir pra aproveitar o posicionamento dos pivôs e ficar com a sobra.

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.