Arquivo diário: 29/12/2012

Small-ball em San Antonio

Desde que Tiago Splitter virou titular do San Antonio Spurs, o técnico Gregg Popovich resolveu enxugar a rotação entre os alas-pivôs e pivôs que tem no elenco. O brasileiro tem iniciado as partidas ao lado de Tim Duncan e Boris Diaw é o único que tem sido usado com regularidade pelo treinador. Matt Bonner e DeJuan Blair? Só no garbage time. Para que isso seja possível, o time texano tem se utilizado de uma tendência da NBA recentemente: o small-ball, formação que usa um jogador de garrafão cercado por quatro homens de perímetro.

Leonard e Jackson na posição 4? Hum… (D. Clarke Evans/NBAE/Getty)

Blair vinha sendo titular antes da promoção de Splitter. Em termos de eficiência, o camisa #45 até leva certa vantagem: tem médias de 17,5 pontos e 10,9 rebotes a cada 36 minutos, contra 16,3 pontos e 7,7 rebotes. Porém, dois fatores pesam contra o ala-pivô: o desempenho ruim na defesa e a falta de condicionamento físico. O número exposto acima pode enganar um pouco porque o ala-pivô tem dificuldades para manter sua produção.

Quem acompanha o Spurs já cansou de ver jogos em que Blair domina o primeiro quarto e depois some. É fato que o jogador tem dificuldades em lidar com a exigência física da NBA. Prova disso é que, nesta temporada, o ala-pivô jogou, no máximo, 29 minutos – em novembro, na primeira vitória do Spurs sobre o Indiana Pacers na temporada. Resultado? Na soma dos últimos três jogos, o atleta ficou em quadra por apenas 21 minutos.

Bonner vive situação semelhante – soma 23 minutos nas três últimas partidas do Spurs. Apesar do bom aproveitamento de 51,1% nos arremessos de três pontos nesta temporada, o ala-pivô é um jogador unidimensional – ou seja, que colabora em apenas um fundamento. Na defesa e nos rebotes, por exemplo, o Red Rocket deixa a desejar.

A tese pode ser provada na comparação da eficiência dos atletas. Bonner tem média de 6,8 pontos e 5,5 rebotes a cada 36 minutos. Kawhi Leonard, que vem sendo usado por Pop na posição 4, apresenta 11,5 pontos e 7,9 rebotes, com 45% de aproveitamento nos arremessos de três. A vantagem do ala-pivô está apenas nos tiros do perímetro.

Por enquanto, o uso do small-ball ficou restrito à segunda unidade. Tomando como base os minutos concedidos por Pop nos últimos jogos, hoje o time reserva do Spurs é formado por Nando De Colo, Gary Neal, Manu Ginobili, Stephen Jackson e Boris Diaw. Dos homens de perímetro, o Capitão é quem mais tem passado tempo atuando como falso ala-pivô. Uma experiência interessante, mas ainda recente – prova disso é que, segundo o site 82games.com, os 20 quintetos mais utilizados pelo time texano na temporada têm uma dupla de garrafão tradicional, sem improvisações na posição 4.

A utilização do small-ball tem suas vantagens. Primeiro porque o elenco do Spurs é, de fato, mais rico em opções no perímetro do que no garrafão. Com essa nova formação reserva, De Colo ganha espaço na armação e Neal deixa de jogar improvisando, passando a atuar como pontuador, função em que pode render bem mais. Além disso, é bom que Leonard e Jackson estejam acostumados à função para quando forem enfrentar times que também usem esta formação mais baixa, como o Miami Heat e o New York Knicks.

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Spurs (23-8) vs Rockets (16-13) – Em alta velocidade

122×116

Toda a energia que o San Antonio Spurs economizou na vitória sobre o Toronto Raptors foi gasta nesta sexta-feira (28). Novamente atuando em casa, o time texano se saiu melhor no clássico local contra o Houston Rockets em um jogo cheio de correria, que terminou com placar altíssimo: 122 a 116 para os donos da casa. Vamos aos destaques da partida.

Mais uma noite histórica para Tim Duncan (D. Clarke Evans/NBAE/Getty)

Sem pausas para respirar

Spurs e Rockets entraram no jogo como os times que mais haviam pontuado no mês de dezembro. Por isso, era de se esperar um placar alto. Mas, no fim das contas, o ritmo foi ainda mais acelerado do que se podia prever. A tendência foi apoiada pelos treinadores, que apostaram em quintetos mais baixos e velozes durante a partida. Gregg Popovich chegou a usar Tony Parker e Patrick Mills juntos no último período, e também colocou Kawhi Leonard e Stephen Jackson para atuarem na posição 4 ao longo do duelo.

Manu ajudou a marcar Harden (D. Clarke Evans/NBAE/Getty)

Noite histórica para o mito

Com os dois tocos que conseguiu contra o Rockets, Tim Duncan chegou à marca de 2.544 na carreira, deixando Tree Hollins, com 2.542, para trás e assumindo a oitava colocação entre os maiores bloqueadores da história da NBA. O próximo da lista e Shaquille O’Neal, com 2.732. Será que The Big Fundamental chega lá?

Esse é o Big Three!

Não foi só na defesa que Duncan esteve inspirado. O ala-pivô deixou a quadra com 30 pontos, acertando 13 dos 20 arremessos de quadra que tentou, além de cinco rebotes e dois tocos. Contra o Rockets, aliás, a trinca de astros do Spurs brilhou; Tony Parker conseguiu 31 pontos, dez assistências, cinco rebotes e duas roubadas de bola, enquanto Manu Ginobili anotou 23 pontos, três assistências e três roubadas de bola. Aí sim!

O Bruce Bowen alternativo

Geralmente, Kawhi Leonard é comparado a Bruce Bowen por conta de sua excelência na marcação. Mas, contra o Rockets, quem brilhou na defesa foi outro jogador. Danny Green foi quem melhor conseguiu incomodar James Harden – que, mesmo assim, anotou 33 pontos. De quebra, o ala-armador do Spurs ainda acertou cinco dos sete arremessos de três pontos que tentou, se destacando em outra função que era exercida com perícia pelo ex-camisa #12.

Destaques da partida

San Antonio Spurs

Tony Parker – 31 pontos, 10 assistências, 5 rebotes e 2 roubadas de bola

Tim Duncan – 30 pontos, 5 rebotes e 2 tocos

Manu Ginobili – 23 pontos, 3 assistências e 3 roubadas de bola

Danny Green – 17 pontos e 5 rebotes

Houston Rockets

James Harden – 33 pontos, 7 assistências, 5 rebotes e 2 roubadas de bola

Chandler Parsons – 24 pontos, 8 rebotes e 5 assistências

Jeremy Lin – 21 pontos, 8 assistências, 4 rebotes e 4 roubadas de bola