As Torres Gêmeas 2.0

Na noite de sexta-feira, na vitória do San Antonio Spurs por 99 a 94 sobre o New Orleans Hornets, Tiago Splitter fez parte do quinteto inicial do time texano ao lado de Tim Duncan pelo quarto jogo consecutivo e parece, enfim, ter vencido a concorrência de Boris Diaw e DeJuan Blair para se tornar titular da equipe. Com a nova função do brasileiro na rotação, o técnico Gregg Popovich dá mostras de que está disposto a repetir a maneira de jogar das Torres Gêmeas, dupla de garrafão histórica da franquia formada pelo lendário camisa 21 e por David Robinson entre 1997 e 2003.

Eis a nova edição das Torres Gêmeas (Darren Abate/Express-News)

Desde que o Almirante se aposentou, Duncan não teve outro parceiro de presença no garrafão dos dois lados da quadra como Splitter. O ala-pivô conviveu com defensores interiores, como Rasho Nesterovic, Nazr Mohammed, Fabrício Oberto e Kurt Thomas e com jogadores da posição quatro que atuavam mais afastados da cesta, como Robert Horry e Antonio McDyess. Nenhum desses tem a habilidade do brasileiro para pontuar perto da cesta.

Splitter chegou ao time titular por merecimento. Suas médias em jogos em que começa no quinteto inicial são de 11,5 pontos e 6,7 rebotes por exibição, contra 5,9 pontos e 4,2 rebotes de Blair e 5,4 pontos e 3,4 rebotes de Diaw. Além disso, com o brasileiro em quadra, o Spurs fez 69 pontos a mais do que levou neste campeonato, marca que fica atrás apenas de Tim Duncan (145), Manu Ginobili (140), Tony Parker (136) e Danny Green (76).

De acordo com dados coletados pelo site 82games.com, a dupla Duncan – Splitter aparece em três dos vinte quintetos mais utilizados por Pop na temporada até aqui. Além disso, a combinação formada por Tony Parker, Gary Neal, Manu Ginobili, Tim Duncan e Tiago Splitter é a segunda mais eficiente do Spurs no campeonato, marcando, no total, 26 pontos a mais do que os adversários. A unidade campeã tem Tony Parker, Danny Green, Kawhi Leonard, Boris Diaw e Tim Duncan, com 30 pontos de vantagem em relação aos rivais.

Em quadra, Duncan e Splitter ainda estão aprendendo a jogar juntos. Prova disso é que sempre apenas um se destaca – dificilmente os dois deixam a mesma partida com bons números. Além disso, o protagonista do Spurs, hoje, é Parker, e a equipe utiliza um jogo de alta velocidade, baseado em pick-and-rolls, para potencializar a produção do francês. Isso tende a ajudar falsos jogadores de garrafão que na verdade atuam longe da cesta, como Boris Diaw e Matt Bonner. Por isso, Popovich terá de trabalhar para adaptar a agilidade de seu armador à presença física de sua nova dupla de pivôs.

Para isso, o treinador pode trazer de volta algumas características da época das Torres Gêmeas. As jogadas a seguir foram mostradas no blog Bola Presa quando Mike Brown assumiu o Los Angeles Lakers e disse que pretendia usar Pau Gasol e Andrew Bynum na equipe como Duncan e Robinson eram utilizados no Spurs. A primeira delas mostra os dois jogadores se aproveitando de sua estatura; um para cortar em direção a cesta e se posicionar para o arremesso e o outro para encontrar seu companheiro com um passe alto.

A segunda mostra o estrago que uma dupla deste porte físico pode causar. Duncan e Robinson eram passadores acima da média para seu tamanho – como Splitter também é – e conseguiram se encontrar facilmente no garrafão no caso de dobras.

Por fim, acredite ou não, o entrosamento de Duncan e Robinson era tão grande que o Spurs utilizava até mesmo o pick-and-roll entre os dois, em uma das raras vezes na NBA em que dois pivôs eram utilizados tão perto um do outro em uma jogada desenhada.

David Robinson é uma lenda, que apresentou médias de 21,1 pontos, 10,6 rebotes e três tocos por partida em sua carreira na liga americana e teve sua camisa imortalizada pelo San Antonio Spurs. Tiago Splitter acaba de começar sua trajetória como titular da franquia. Apesar da óbvia diferença, nunca o time esteve tão perto de reeditar o sistema utilizado com maestria pelas Torres Gêmeas. Será o que faltava para a equipe voltar às finais da NBA?

Sobre Lucas Pastore

Um dos fundadores do Spurs Brasil. Formado em Jornalismo na Universidade Presbiteriana Mackenzie em 2010, é editor assistente do UOL Esporte. Cobriu o basquete olímpico na Olimpíada de 2016 pelo LANCE!. Trabalhou também para Basketeria e mob36.

Publicado em 22/12/2012, em Na linha dos 3. Adicione o link aos favoritos. 11 Comentários.

  1. Realmente acho dificil repetir as torres, ate pode dar certo os 2 mas nao com a mesma eficiencia . Ainda acho que o tiago tem muito que provar principalmente nos offs ele ainda tem que ser mais dominate nos 2 lados da quadra enfim ele tem qualidade espero que ele melhore cada vez mais ps: bela materia

  2. seria muito bom que eles usassem a temporada regular para calibrar essa forma de jogo, mas sem perder a caracteristica veloz e de movimentação de bola que hj eh parte da cara do spurs…

    se conseguirem jogar nos dois estilos sem dificuldades para trocar entre eles, pode ser um as e tanto na manga de um tecnico “simples” como pop…

    go spurs go!!!

  3. Sem brincadeira, me vêm lágrimas nos olhos ver novamente esses vídeos. Que saudade do Almirante! Como eu queria ver uma única temporada que fosse com uma formação titular com Parker – Manu – Bowen – Duncan – Robinson, todos em boa forma física. Pena que por pouquíssimo tempo isso não foi possível.
    O Tiago nunca vai ser o David, isso é óbvio. São jogadores diferentes, com características diferentes. É bem evidente que o objetivo não é comparar os dois. Mas sem dúvidas isso pode funcionar. Apesar de não negar de forma alguma que o basquete evoluiu de maneira positiva nessa década, algumas coisas do passado ainda podem ser úteis, como as saudosas duplas de garrafão. Se não estiver enganado (por favor me corrijam), além das Torres Gêmeas do Alamo, a última grande dupla de garrafão foi Webber-Divac no Kings e agora Randolph-Gasol no Memphis. Tivemos O’Neal e Garnett no Boston, mas Shaq estava nas últimas então não vou incluir.
    De qualquer forma, hoje o Grizzlies joga com um time assim, assim como o Jazz e Denver. Vejam como esses times nos dão trabalho.
    Seria ótimo reviver isso. Os dois são ótimos jogadores, muito técnicos e inteligentes, e Pop é genial, não deve ter problemas pra cirar um esquema pros dois atuarem lado a lado. Vejo isso com muita esperança.

  4. Gosto demais da idéia das torres gêmeas, e sem dúvida Splitter tem basquete de sobra pra isto!!! acho somente que com isto nosso banco fica mais fraco, Era tão bom ver Manu/Splitter entrando e dando problemas pro adversário!!!

    • Concordo em absoluto com isso, acho que os Spurs fica mais fortes começando com Duncan e Blair ou Diaw, vindo do banco o Splitter, que a seguir ao Duncan é o melhor jogador interior da equipa.

      Apesar de começar no banco, acho que depois ele pode ficar no campo nos momentos decisivos

  5. Ah, o Splitter não é tão forte e tão rápido como o Duncan jovem ou o David Robinson, mas ele tem uma certa noção de passe e é alto, com os adversários do Oeste é mais inteligente que usar o Blair

  6. Bem, comecei a torcer pelo Spurs graças ao mito David Robinson. Torço para que Splitter consiga 100% de entrosamento com a outra lenda, Duncan

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