Festus Ezeli, o destino e o San Antonio Spurs

Entre as dezenas de novatos que se preparam para a próxima temporada da NBA, um deles me inspirou para ser tema desta coluna: Festus Ezeli. O pivô nigeriano, de 22 anos de idade e 2,11 m de altura, se prepara para estrear na liga profissional americana com a camisa do Golden State Warriors, equipe em que terá de suar para ganhar minutos em meio a David LeeAndrew Bogut e Carl Landry. Mas o que ele tem a ver com o San Antonio Spurs? É uma longa história…

Até que a camisa azul caiu bem… (Nick Laham/Getty Images North America)

Nesta pré-temporada, Ezeli tem se aproveitado da situação de Bogut, que ainda se recupera de lesão sofrida no último campeonato, para começar as partidas no posto de pivô titular. Em cinco jogos até aqui, o nigeriano apresentou médias de 6,2 pontos (81,3% FG, 45,5% FT), cinco rebotes e dois tocos por exibição. Números que mostram que o jogador tem potencial para fazer o chamado trabalho sujo no garrafão.

Apesar de ser nigeriano, Ezeli fez carreira no basquete universitário dos Estados Unidos. Em sua quarta e última temporada por Vanderbilt, o big man apresentou médias de 10,1 pontos (53,9% FG, 60,4% FT), 5,9 rebotes e dois tocos em 23,2 minutos por partida. Seu desempenho chamou a atenção dos sites especializados em Draft: o NBADraft.net listou a força física, a defesa e o rebote entre as principais virtudes do pivô, enquanto o DraftExpress comparou seu jogo ao de Samuel Dalembert. De acordo com os relatos, parece um ótimo reforço para o Spurs, certo?

O problema é que, no último Draft, o time de San Antonio teve acesso apenas a Marcus Denmon, 59º e penúltimo novato a ser selecionado no recrutamento. Enquanto isso, o Warriors usou a 30ª escolha para selecionar Ezeli. O número parece familiar? Pois foi justamente o bônus enviado quando a franquia texana recebeu o ala Stephen Jackson e enviou Richard Jefferson para a Califórnia.

Entendam: esta coluna não se trata de uma crítica. Longe disso! Primeiro porque o Spurs sempre se sai bem no Draft. Segundo porque seria completamente impreciso cravar que o time também selecionaria Ezeli na 30ª posição. Por fim, porque hoje apontamos a defesa de garrafão como uma carência porque a franquia solucionou outra, mais urgente: a ala, com a chegada de Jackson e também do jovem e promissor Kawhi Leonard.

O objetivo deste meu texto é apenas mostrar o desdobramento de uma decisão que a franquia tomou na última temporada e que, até hoje, tem impacto na NBA. Em uma liga competitiva como a americana de basquete, qualquer detalhe, qualquer diferença, qualquer contratação pode fazer a diferença. Hoje, de olho no garrafão, o Spurs vê Derrick Brown, Josh Powell e Eddy Curry brigarem pela última vaga do elenco. Que, em um universo paralelo, poderia ser de Ezeli.

Sobre Lucas Pastore

Um dos fundadores do Spurs Brasil. Formado em Jornalismo na Universidade Presbiteriana Mackenzie em 2010, é editor assistente do UOL Esporte. Cobriu o basquete olímpico na Olimpíada de 2016 pelo LANCE!. Trabalhou também para Basketeria e mob36.

Publicado em 20/10/2012, em Na linha dos 3. Adicione o link aos favoritos. 3 Comentários.

  1. cinco rebotes e dois rebotes por exibição? tá mal

  2. Esses exercícios de “SE” são interessantes. Uma viagem pelo mundo do Draft pode revelar que algumas franquias são campeãs ou fracassadas devido a escolhas de Draft e principalmente pela troca de antemão desses escolhas. Às vezes acontece por acaso, como as trocas que acabaram fazendo o Lakers ter a pick #1 no Draft de Magic Johnson, às vezes acontece por burrice mesmo – por que diabos o Blazers escolheu Sam Bowie em lugar de Michael Jordan, ou o Pistons escolheu Milicic em lugar de Carmelo Anthony, Dwyane Wade ou Chris Bosh? – às vezes por planejamento e um tiquinho de sorte, como nas picks do nosso Spurs em David Robinson e Tim Duncan.

    Às vezes chego a passar horas conversando com amigos sobre os desdobramentos que teriam certas decisões de picks de Draft, caso tivessem sido tomadas de maneira ligeiramente diferente. E chegamos a muitos resultados absurdos para os padrões da Liga hoje, porém bem realisticos, como um Utah (na época New Orleans) Jazz multicampeão com Magic Johnson e Moses Malone, ou um Lakers com enorme diferença de títulos pro Celtics e qualquer outra franquia, tendo vencido quase todos os títulos na década de 80 por ter um time simplesmente composto por Magic, Jabbar e Larry Bird. Doidera, não?

    Mas realmente o Spurs sempre vai bem no Draft (Manu na #56 e Parker na #28 são os maiores exemplos), e eu realmente acredito que Marcus Denmon seja um jogador muito melhor que sua alta pick revela. Vamos aguardar.

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