Arquivo diário: 18/10/2012

Qual a melhor opção?

Encontrar um reserva confiável para Tony Parker sempre foi um problema para o San Antonio Spurs. Desde que o francês desembarcou no Texas, em 2001, poucas vezes pôde ir descansar tranquilo durante as partidas. Na função de substituir o francês, muitos já passaram; alguns com mais sucesso, outros com menos, mas entra ano e sai ano e este é um problema que volta à tona.

E quando ele tiver que descansar?

Terry Porter, Speedy Claxton, Jason Hart, Nick Van Exel, Beno Udrih e Jacque Vaughn tiveram a missão, antes de George Hill assumi-la em 2008 e solucionar temporariamente o problema. Mas com a troca do armador para o Indiana Pacers, na negociação que trouxe Kawhi Leonard ao Spurs, em 2011, Gregg Popovich estava novamente com o abacaxi nas mãos para descascar.

O início animador de T.J. Ford na última temporada empolgou os torcedores, que viram no armador um reserva à altura para Tony Parker. Mas um problema crônico na coluna forçou a precoce aposentadoria de Ford e deixou o Spurs sem um substituto para o astro francês, já que Cory Joseph, draftado em 2011, ainda estava muito cru para a NBA.

Neal foi usado na armação na última temporada

A solução encontrada por Popovich foi improvisar Gary Neal na posição, opção mantida durante toda a temporada, mesmo após a chegada do australiano Patrick Mills ao elenco.

Para 2012/2013, o treinador terá novas opções para dar valiosos minutos de descanso à Parker. Primeiro porque Mills está mais ambientado ao esquema tático e vem cheio de confiança depois da boa participação nas Olimpíadas de Londres, liderando a seleção da Austrália.

Outra opção para Pop é o novato Nando De Colo, que já nos jogos de pré-temporada mostrou visão de jogo acima da média e está disponível para atuar como armador principal se necessário.

A escolha de Popovich, no entanto, deve ser mesmo Gary Neal. O treinador já deu declarações que deve manter o ala-armador improvisado na posição, pelo menos no início da temporada. Então Mills e De Colo terão de correr atrás de seus minutos.

Mas manter Neal improvisado como reserva imediato na armação não me parece a melhor decisão quando se tem outros jogadores com características mais condizentes com a função. Não que ele tenha ido mal quando exigido – até conseguiu executar bem o “feijão com arroz” -, mas Neal claramente não tem o “cacoete” de armador.

O ponto forte de seu jogo é o arremesso e atuar na posição 1, sendo obrigado a iniciar as jogadas ofensivas, acaba sacrificando muito sua principal arma. Com a bola nas mãos, Neal tem visão de jogo limitada e, muitas vezes, acaba tomando decisões erradas, forçando chutes desnecessários.

Mills irá para sua segunda temporada em San Antonio. Chegou a hora de brilhar?

Armador de origem, Mills me parece pronto para ter uma oportunidade. Com ótimo controle de bola e habilidade para pontuar, tem características mais parecidas com as de Parker. Depois do período de adaptação que passou na última temporada, entrosamento não deve ser mais um problema.

De Colo também está mais habituado à função do que Neal. O francês se acostumou a jogar com a bola nas mãos durante seu período na Espanha, e, embora seja menos pontuador que Parker, é um excelente passador.

Popovich é um técnico teimoso e quando coloca algo na cabeça é difícil mudar de ideia. Mills e De Colo terão de mostrar no dia a dia, nos treinos e durante as partidas, que podem assumir a posição. Mais até que o trabalho ofensivo, terão de provar evolução defensiva para deixar o técnico com uma boa “dor de cabeça” na hora de decidir a rotação.