Powell, Wilkerson e o mito do pivô

Durante toda a offseason, defendi a tese de que o San Antonio Spurs precisava encontrar um jogador de garrafão com presença física e boa capacidade defensiva para entrar definitivamente na lista dos favoritos ao título da NBA. Acredito que a equipe, que chegou a jogar o melhor basquete da liga no último campeonato, principalmente entre o fim da temporada regular e a final da Conferência Oeste, tenha sido eliminada pelo Oklahoma City Thunder principalmente por conta da força dos pivôs do adversário. No entanto, vendo agora que Tyler Wilkerson e Josh Powell foram as únicas peças adicionadas para o setor, começo a pensar que a solução pode ser outra.

Wilkerson em ação pelo Spurs na Summer League; será que ele pode ser solução?

Claro que encontrar um pivô com as características certas seria a solução ideal para lidar com garrafões como o do Thunder, que tem os físicos Serge Ibaka e Kendrick Perkins. Mas não é a única alternativa. Prova disso é o atual campeão Miami Heat, que, na final, usou apenas Chris Bosh no garrafão para superar o rival. A teórica desvantagem no tamanho foi superada pela agilidade da formação colocada em quadra e pelo atleticismo de jogadores como Dwyane Wade e LeBron James no perímetro.

Na última temporada, o próprio Spurs provou ser possível enfrentar garrafões mais fortes sem necessariamente contar com ajuda de pivôs de presença física. Poucos dias depois de deixar Andrew Bynum pegar 30 rebotes, a equipe texana, com os ajustes corretos, contou com ajuda dos homens de perímetro, viu Boris Diaw fazer ótimo trabalho sobre Pau Gasol, mantendo-o longe da cesta, e venceu o Los Angeles Lakers com facilidade.

Cito esses exemplos para explicar que acredito que encontrar uma solução tática seja melhor do que confiar em Powell ou Wilkerson. O primeiro, no alto de seus 2,06 m de altura, é um especialista no trabalho sujo. Porém, na temporada 2010/2011, quando pisou em uma quadra de NBA pela última vez, o ala-pivô apresentou médias de 7,4 rebotes e 0,3 tocos a cada 36 minutos pelo Atlanta Hawks, o que está longe de ser animador para uma franquia que precise de jogadores bons em combater infiltrações.

Wilkerson, por sua vez, seria uma aposta para o futuro se contratado. O ala-pivô, de apenas 24 anos de idade, apresentou médias de médias de 16,6 pontos e 6,7 rebotes por partida atuando pelo Maccabi Haifa, de Israel, na última temporada. Teve a chance de defender o Spurs na Summer League, saiu do banco de reservas na maioria das partidas e sustentou médias de 9,3 pontos e cinco rebotes por partida. Mas o jogador não tem qualquer experiência na NBA e dificilmente conseguiria causar impacto imediato.

Por isso, entre os jogadores que brigam pela 15ª vaga no elenco do Spurs, meu favorito é Derrick Brown (escrevi mais sobre ele em minha última coluna). Atlético e versátil, o ala daria uma interessante alternativa para o técnico Gregg Popovich: revezar-se com Kawhi Leonard e Stephen Jackson nas posições 3 e 4 na formação conhecida como small-ball, em que só um jogador de garrafão fica em quadra. Deu certo com o Heat, que usou LeBron e Shane Battier nas alas na final, forçando Ibaka a sair de perto da cesta.

Claro que encontrar o jogador certo seria o ideal para solucionar o problema do Spurs em enfrentar garrafões mais fortes. Mas, olhando mais de perto para o elenco de 18 jogadores que fará a pré-temporada da equipe, uma solução alternativa parece mais perto. Confio mais na capacidade de Pop de encontrá-la do que no poder que Powell e Wilkerson podem ter para alterar este panorama.

Sobre Lucas Pastore

Um dos fundadores do Spurs Brasil. Formado em Jornalismo na Universidade Presbiteriana Mackenzie em 2010, é editor assistente do UOL Esporte. Cobriu o basquete olímpico na Olimpíada de 2016 pelo LANCE!. Trabalhou também para Basketeria e mob36.

Publicado em 29/09/2012, em Na linha dos 3. Adicione o link aos favoritos. 4 Comentários.

  1. Concordo inteiramente com essa análise, cheguei a fazer um comentário com esse teor no post sobre Derrick Brown, acho que pode sim funcionar.

  2. Francisco Neto

    Ótima matéria como sempre Pastore.

    Apesar da necessidade de mais um BIG, acho que SA vai acabar apostando na versatilidade do Brown que consegue jogar de 3 e 4.

    Pra mim o Derrick Brown ganha a última vaga da roster que inicia o campeonato.

    abraço

  3. Força Spurs! Jogaremos sempre para ganhar! E com o MVParker, Ginobili e Duncan temos hipóteses.

  1. Pingback: Que comecem as batalhas | Spurs Brasil

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