Arquivo diário: 29/09/2012

Powell, Wilkerson e o mito do pivô

Durante toda a offseason, defendi a tese de que o San Antonio Spurs precisava encontrar um jogador de garrafão com presença física e boa capacidade defensiva para entrar definitivamente na lista dos favoritos ao título da NBA. Acredito que a equipe, que chegou a jogar o melhor basquete da liga no último campeonato, principalmente entre o fim da temporada regular e a final da Conferência Oeste, tenha sido eliminada pelo Oklahoma City Thunder principalmente por conta da força dos pivôs do adversário. No entanto, vendo agora que Tyler Wilkerson e Josh Powell foram as únicas peças adicionadas para o setor, começo a pensar que a solução pode ser outra.

Wilkerson em ação pelo Spurs na Summer League; será que ele pode ser solução?

Claro que encontrar um pivô com as características certas seria a solução ideal para lidar com garrafões como o do Thunder, que tem os físicos Serge Ibaka e Kendrick Perkins. Mas não é a única alternativa. Prova disso é o atual campeão Miami Heat, que, na final, usou apenas Chris Bosh no garrafão para superar o rival. A teórica desvantagem no tamanho foi superada pela agilidade da formação colocada em quadra e pelo atleticismo de jogadores como Dwyane Wade e LeBron James no perímetro.

Na última temporada, o próprio Spurs provou ser possível enfrentar garrafões mais fortes sem necessariamente contar com ajuda de pivôs de presença física. Poucos dias depois de deixar Andrew Bynum pegar 30 rebotes, a equipe texana, com os ajustes corretos, contou com ajuda dos homens de perímetro, viu Boris Diaw fazer ótimo trabalho sobre Pau Gasol, mantendo-o longe da cesta, e venceu o Los Angeles Lakers com facilidade.

Cito esses exemplos para explicar que acredito que encontrar uma solução tática seja melhor do que confiar em Powell ou Wilkerson. O primeiro, no alto de seus 2,06 m de altura, é um especialista no trabalho sujo. Porém, na temporada 2010/2011, quando pisou em uma quadra de NBA pela última vez, o ala-pivô apresentou médias de 7,4 rebotes e 0,3 tocos a cada 36 minutos pelo Atlanta Hawks, o que está longe de ser animador para uma franquia que precise de jogadores bons em combater infiltrações.

Wilkerson, por sua vez, seria uma aposta para o futuro se contratado. O ala-pivô, de apenas 24 anos de idade, apresentou médias de médias de 16,6 pontos e 6,7 rebotes por partida atuando pelo Maccabi Haifa, de Israel, na última temporada. Teve a chance de defender o Spurs na Summer League, saiu do banco de reservas na maioria das partidas e sustentou médias de 9,3 pontos e cinco rebotes por partida. Mas o jogador não tem qualquer experiência na NBA e dificilmente conseguiria causar impacto imediato.

Por isso, entre os jogadores que brigam pela 15ª vaga no elenco do Spurs, meu favorito é Derrick Brown (escrevi mais sobre ele em minha última coluna). Atlético e versátil, o ala daria uma interessante alternativa para o técnico Gregg Popovich: revezar-se com Kawhi Leonard e Stephen Jackson nas posições 3 e 4 na formação conhecida como small-ball, em que só um jogador de garrafão fica em quadra. Deu certo com o Heat, que usou LeBron e Shane Battier nas alas na final, forçando Ibaka a sair de perto da cesta.

Claro que encontrar o jogador certo seria o ideal para solucionar o problema do Spurs em enfrentar garrafões mais fortes. Mas, olhando mais de perto para o elenco de 18 jogadores que fará a pré-temporada da equipe, uma solução alternativa parece mais perto. Confio mais na capacidade de Pop de encontrá-la do que no poder que Powell e Wilkerson podem ter para alterar este panorama.

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