E o Texas?

Em uma época não tão distante, o Texas poderia se orgulhar de ser o estado com maior número de representantes de peso na NBA. San Antonio Spurs, Houston Rockets e Dallas Mavericks, seus três times, vinham sempre fortes para a temporada regular e chegavam ainda melhores para os playoffs. Os títulos recentes de Spurs e Mavs provam isso. Mas e hoje? O que o Texas pode falar sobre suas franquias na liga?

O cenário na última temporada não foi dos melhores. Mesmo defendendo o título inédito, o Mavericks fez péssimo mercado, perdeu peças importantes – principalmente o pivô Tyson Chandler – e rendeu muito abaixo do esperado na busca pelo bicampeonato. Para 2012/2013 o time de Mark Cuban parece, aos poucos, acertar os ponteiros. Mesmo assim não se coloca, como foi em outros anos, como um dos favoritos ao título.

Não vai ser fácil para o alemão na próxima temporada...

Não vai ser fácil para o alemão na próxima temporada…

O Dallas possui hoje um time honesto. E só. A chegada de Chris Kaman e a reprodução do garrafão da Alemanha com ele e Dirk Nowitzki não me parece tão impressionante quanto para outras pessoas. Mesmo com os jogadores se completando, ficará faltando algo. Kaman não chega aos níveis de defesa que Chandler teve na campanha que culminou com o título. Também não é nenhuma máquina no ataque. A equipe seguirá dependendo do ala-pivô, já que não tem no perímetro alguém tão confiável para auxiliá-lo ofensivamente – defensivamente, Shawn Marion vem realizando um trabalho interessante.

Já em Houston a situação é um pouco diferente. Depois de perder Yao Ming para as lesões e apostar em um time reformulado que não deu em nada, o Rockets volta a mirar suas atenções para a China. Trouxe o armador Jeremy Lin, sensação do New York Knicks na última temporada. Mercadologicamente, uma transição interessante. Dentro de quadra, superestimada como é o próprio jogador. Lin fez no ano passado uma série de ótimos jogos e se machucou. Os holofotes em Nova York brilham mais e o atleta viu seu jogo ganhar contornos que não são reais.

Jeremy Lin: hype ou craque?

Jeremy Lin: hype ou craque?

Ao lado do pivô Omer Asik, Lin custou caro ao Rockets. Nenhum dos dois jogadores, porém, é capaz de aumentar tão significativamente o nível da equipe dentro de quadra. Asik seria ótimo reserva, como era no Chicago Bulls. O tipo de pivô que faz o jogo sujo, que defende mais do que ataca. Mas Houston anistiou Luis Scola e viu seu melhor jogador em termos ofensivos ir embora de graça – o dinheiro foi usado quase que por inteiro nas duas contratações. A franquia ainda conta com o scorer Kevin Martin, que ainda não se adaptou por lá, e com o argentino Carlos Delfino, que já mostrou em outras oportunidades não encaixar no estilo de jogo da NBA.

Sobra para o Texas o Spurs. Sobra em modo de falar. Porque é o melhor time do estado. Mantém a base e, mesmo com a renovação a passos lentos, é a única das franquias locais que tem chances reais de ir longe na temporada. Se o título é difícil, deverá ser aquela equipe que os favoritos Los Angeles Lakers e Oklahoma City Thunder gostarão – e muito – de evitar no caminho até a grande final. Caso Tony Parker mantenha o nível da última temporada, Manu Ginobili consiga se manter inteiro e os reservas assimilem sua devida importância, é o time a ser batido no estado.

Os tempos mudaram e o Texas parece ter parado um pouco no tempo em relação a basquete. Em comum, vejo três times com dificuldades de se organizar em torno de necessidadas renovações. Para o presente, o Spurs ainda é o melhor. Para o futuro, o Rockets se apresenta como candidato caso consiga manter o time e adicionar um all-star ao elenco. E o Mavericks parece estacionado, admirando a inédita taça, que fica cada vez mais longe de ser repetida.

3 pontos

1 – A questão da anistia de Scola é completamente financeira. Por alguns momentos, tive a esperança de que o Spurs pudesse contar com o jogador que draftou, mas passou de graça ao Rockets.

2 – O problema de times parados no tempo não se enquadra apenas aos citados. A dinâmica da NBA mudou e a inversão de favoritos aconteceu. Dos times que eram considerados fortes há cinco anos, apenas Spurs e Lakers se mantiveram no bolo. Thunder e Heat apareceram com ótimas movimentações de mercado.

3 – Em breve teremos aqui no Spurs Brasil uma ótima entrevista que fiz com o Alex Garcia, na qual ele fala sobre seleção e, é claro, sua passagem pelo Spurs.

Sobre Leonardo Sacco

É jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero. Cravou a opção pelo jornalismo no estouro do cronômetro, quando criou o Spurs Brasil em uma madrugada de domingo para segunda. Escreve para o Yahoo! Esportes e dá seus pitacos no @leosacco.

Publicado em 03/09/2012, em Zona Morta. Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. Chances reais de título somente para o Spurs mesmo. Mesmo assim é bom ficar de olho nos concorrentes. E embora não seja exatamente a divisão que salta aos olhos, mas a Sudoeste vai ser osso duro de roer.

    Não acho que o Spurs tenha exatamente dificuldade de se renovar. Só que, aparentemente, na cebaça dos dirigentes ainda não é hora de dizer adeus a Manu e Duncan. A torcida também não está pronta pra isso. E sem se livrar dos salários deles fica difícil fazer uma renovação adequada.

    E, como você falou, não acho que somos galinhas mortas. Se nosso Big 3 ao menos mantiver o nível da temporada passada, Kawhi evoluir o que esperamos dele, Pat Mills se firmar na reserva e os coadjuvantes conseguirem manter nos offs o nível da temporada regular, o San Antonio vai ser de novo um adversário terrível de se enfrentar no mata-mata.

  2. eu acho o dallas melhor que o san antonio spurs

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