Arquivo diário: 27/08/2012

Efeito placebo

O bom filho à casa torna. Depois de um longo e tenebroso inverno, volto a preencher linhas aqui no Spurs Brasil, blog do qual sou idealizador e, confesso, tenho como maior orgulho de minha carreira jornalística até o momento. Sai desempregado e em formação; volto como integrante da redação do Yahoo! Esportes e quase formado. Mas como o assunto aqui é basquete, vamos direto ao ponto.

Decisivos. Mas até quando? (NBAE/Getty Images)

Volto ao blog com a sensação de que muita coisa mudou na NBA, mas poucas mudaram efetivamente em San Antonio. Nos últimos anos, o Spurs teve boas – para não dizer ótimas – campanhas na temporada regular, mas pecou na hora de disputar os playoffs. Primeiro a eliminação para o Memphis Grizzlies; depois, na temporada que acabou, queda diante do Oklahoma City Thunder.

Não foram poucos os torcedores que se acostumaram a ver no Spurs um time de chegada, desses que cresce na hora do vamos ver. A situação, hoje, inverteu. E nem falo por questões de falta de jogadores para decidir. Apenas aceito que o tempo passa para todos, e tem passado cada vez mais para os ainda ótimos Tim Duncan e Manu Ginobili. A lenha dos dois continua queimando, mas a dependência do time em ambos para vencer tem atrasado – e muito – qualquer projeto de renovação.

Afinal, nos últimos dois anos, muito se falou que a presença de alguns jogadores mais jovens já dava indícios de que Gregg Popovich executava um projeto de renovação ao mesmo tempo em que mantinha Manu, Duncan e Tony Parker na condução da equipe. Enquanto o terceiro chega perto de seu ápice técnico e é cada vez mais protagonista, os dois outros jogadores já não são os mesmos de outrora. Não que estajam mal. Mas não estão mais em nível de competição com os astros que surgiram nesse meio tempo. A juventude do time do Thunder, por exemplo, torna quase impossível uma vitória texana em outra eventual série.

Deixando de lado o Big Three, questiono mais do que a presença dos três – que é indiscutível –, a falta de jovens que possam realmente fazer a diferença no futuro. Com quantos jogadores o Spurs conta hoje para se manter entre os maiores daqui cinco anos? Vejo Parker e o ótimo segundoanista Kawhi Leonardo como únicas opções confiáveis para o futuro. É pouco para daqui alguns anos e muito pouco para hoje. Duncan e Manu precisam de reservas que possam, se não manter o nível, disputar com outros times em pé de igualdade. Falta isso ao Spurs hoje.

Para o presente, confio em playoffs. Título? Acho improvável – para não dizer impossível – com dois times muito melhores no próprio Oeste e o atual campeão vindo do Leste. Se o planejamento do Spurs não envolve trocas miraculosas como a que levou Dwight Howard ao Los Angeles Lakers, continuemos nos armando aos poucos. Mas sem achar que boas temporadas regulares servem para algo além de funcionar como placebo. O Spurs precisa de mais. Tony Parker, cada vez mais sozinho, não fará tantos verões como se imagina.

3 pontos

– Parece que só sei cornetar o time. Não é. As campanhas recentes me surpreenderam positivamente, apenas acho que não podemos considerá-las parte do processo de renovação do elenco.

– Espero ver Patrick Mills mais ativo nessa temporada que começará. Pouco usado nos playoffs, ele chegou à NBA como promessa que não vingou. Na última temporada regular, quando teve chances, foi bem.

– Steve Nash, Kobe Bryant, Metta World Peace, Pau Gasol e Dwight Howard. O Oeste, ao que parece, terá novo dono nessa temporada.

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Spurs Brasil entrevista Marcus Denmon

English Version (Versão em inglês)

Marcus Denmon é mais uma aposta de segunda rodada do Draft do San Antonio Spurs. O ala-armador, oriundo da universidade de Missouri, havia apresentado médias de 17,7 pontos (46% FG, 40,7% 3 PT, 89,6% FT) e cinco rebotes em 34,6 minutos por exibição na última temporada.

Marcus Denmon em ação na Summer League (Shep McAllister/Spurs.com)

Selecionado na 59ª escolha do recrutamento de calouros desta temporada, o jogador de 22 anos de idade teve a oportunidade de atuar pelo Spurs na Summer League. No torneio, Denmon apresentou médias de 5,4 pontos e 1,8 rebotes em 14,6 minutos por partida.

O excesso de jogadores nas posições 1 e 2 no elenco do Spurs fez com que Denmon se tornasse um projeto para o futuro da franquia. Por isso, o atleta assinou contrato com o Elan Chalon, time francês que defenderá na próxima temporada.

Com ajuda da assessoria de imprensa de seu novo clube, Denmon respondeu às perguntas do Spurs Brasil. Entre outras afirmações, o ala-armador disse que não teve dificuldades para aprender o esquema tático do time texano e que sua prioridade na Europa será aprender a atuar como armador principal. Confira a entrevista na íntegra a seguir:

Spurs Brasil – Como surgiu a ideia de ir para o Chalon? A posição 2 parece ser uma das necessidades da equipe. O time entrou em contato com você? O Spurs ajudou nas negociações?

Marcus Denmon – Sim, a equipe entrou em contato com meu agente e as duas partes pensaram que o Chalon seria uma ótima opção para mim.

SB – Outros jogadores da NBA, como Thabo Sefolosha e Udonis Haslem, já atuaram no Chalon. Isso facilitou a decisão de jogar pela equipe?

MD – Sim, porque, deste modo, eu sei que outros bons jogadores obtiveram sucesso jogando pelo Chalon.

Denmon em ação na Summer League (Shep McAllister/Spurs.com)

SB – Como você acha que vai se sair jogando no nível do basquete Europeu? Você se sente confiável para manter o nível de exibições que você conseguiu apresentar em sua universidade?

MD – Sim, eu me sinto. Eu realmente trabalho duro e espero que tenha sorte o bastante para me manter saudável e jogar bem.

SB – Como você se sentiu quando foi selecionado pelo San Antonio Spurs no último Draft? A franquia já tinha falado com você sobre recrutá-lo ou foi uma surpresa para você?

MD – Eu sabia que o Spurs estava interessado em mim. Me senti ansioso durante toda a noite do Draft porque queria ver qual time ia me selecionar.

SB – Na Summer League, você teve a chance de aprender um pouco sobre o sistema do Spurs, certo? Foi difícil de aprendê-lo?

MD – Sim, eu joguei com alguns dos jogadores jovens do Spurs e aprendi com sua boa comissão técnica. Eu aprendi o sistema rapidamente no curto período em que estive lá.

SB – Alguém do Spurs manteve contato com você depois que você assinou com o Chalon? Quais partes do seu jogo a franquia quer que você desenvolva enquanto estiver na Europa?

MD – Sim, durante toda a minha estadia aqui o Spurs vai manter contado. Continuar desenvolvendo todo o meu jogo é importante, mas, principalmente, quero saber comandar uma equipe e ser eficiente jogando como armador.

SB – Quais partes do seu jogo você acha que precisa desenvolver antes de jogar na NBA?

MD – Jogar em um sistema tático exercendo a função de armador.

SB – Alguns analistas compararam seu estilo ao de Eddie House antes do Draft. Você concorda com isso?

MD – Temos habilidades semelhantes no arremesso, mas acho que sou diferente em muitas maneiras e essa não é uma boa comparação.

SB – Quem são seus ídolos no basquete? Quem te inspirou a jogar?

MD – Michael Jordan era meu ídolo enquanto eu crescia como um jovem jogador, e meu tio e meu irmão me inspiraram para que eu continuasse jogando.