Arquivo diário: 11/08/2012

Manu e Argentina tentam, mas não impedem show americano

Nesta sexta-feira (10), a Argentina perdeu para a seleção norte-americana por 109 a 83 nas semifinais das Olimpíadas de Londres. O jogo foi bem disputado no primeiro tempo, mas não foi o suficiente para que os sul-americanos derrotassem o Dream Team.

Ginóbili consola Campazzo (Foto: espn.com.br)

A equipe argentina chegou a encostar no placar, mas não conseguiu manter o ritmo e não liderou o placar em nenhum momento da partida.

No primeiro tempo de jogo, os hermanos puderam contar com os arremessos de três pontos de Leo Gutiérrez, com o jogo de garrafão de Luis Scola e com toda a categoria de Manu Ginobili, do San Antonio Spurs, que contribuiu com a sua experiência e liderança no time, acertando uma bola de três pontos no final do segundo quarto que diminuiu a vantagem adversária para somente sete pontos.

No ínicio do segundo tempo, o astro da franquia texana converteu mais três pontos para a Argentina, diminuindo a diferença para apenas quatro pontos a favor do time norte-americano.

Mas a reação argentina acabou por aí. Foi quando começou um show particular de Kevin Durant. O jogador do Oklahoma City Thunder, que foi o cestinha da partida com 19 pontos, converteu quatro bolas de três pontos que abriu de vez a vantagem dos Estados Unidos sobre a Argentina.

Com o jogo praticamente definido, deu-se início ao show time norte-americano no último quarto. Ponte-aéreas, bolas de três pontos, tocos, enterradas… foi um massacre sobre o selecionado sul-americano. Quando o jogo já caminhava para o seu fim, a Argentina colocou seu time reserva em quadra, poupando seus principais jogadores para a disputa do terceiro lugar contra a seleção russa.

Os Estados Unidos irão enfrentar na final, que acontece no dia 12 de agosto, a Espanha, repetindo a decisão dos Jogos Olímpicos de Pequim-2008.

Com virada surpreendente, Espanha derrota a Rússia e disputará o ouro.

A seleção espanhola venceu a equipe russa por 67 a 59 e classificou-se pela segunda vez consecutiva para as finais das Olimpíadas. Dentre os árbitros, estava o brasileiro Marcos Benito, que desempenhou um ótimo trabalho se tratando de um jogo tão importante.

O jogo não começou nada bem para a Espanha, que perdia o primeiro tempo por 13 pontos de diferença. Porém, o time esboçou uma reação no segundo tempo e conseguiu a vitória por oito pontos de vantagem. Pau Gasol e seus companheiros de seleção enfrentarão os Estados Unidos, repetindo a final dos jogos olímpicos de Pequim em 2008, que foi vencida pela equipe norte-americana.

A equipe espanhola chegou à semifinal sendo alvo de polêmicas e críticas devido à derrota para a seleção brasileira na última rodada de classificação do grupo B, o que garantiu o terceiro lugar na classificação à Fúria e evitou confrontos precoces contra Argentina e Estados Unidos. A derrota para o Brasil chegou a ser comemorada pela mídia local, criando uma série de polêmicas sobre a possível “entrega”.

A grande final acontece no dia 12 de agosto e promete ser um jogo muito disputado. A Espanha contará com suas principais forças: Os irmãos Marc e Pau Gasol e o destaque do time Serge Ibaka, jogador do Oklahoma City Thunder naturalizado espanhol.

Anúncios

Não aprendi a dizer adeus

O domingo (12) deverá ser um dia de emoções confusas para os fãs argentinos de basquete. Ao mesmo tempo em que a seleção masculina local, que ficou conhecida como geração de ouro, entrará em quadra na busca por sua terceira medalha olímpica, a partida contra a Rússia, que valerá o bronze nos Jogos de Londres-2012, deverá marcar a despedida deste time e, quem sabe, de Manu Ginobili, o maior astro da história da modalidade no país. E é triste pensar que talvez este momento também esteja chegando para nós, torcedores do San Antonio Spurs.

Ele voltará a vestir esta camisa depois de amanhã? (Foto: Getty Images)

A aposentadoria do ala-armador das competições internacionais ainda não é uma realidade. O próprio jogador ainda não sabe o que fará após as Olimpíadas. Porém, vamos encarar os fatos: Manu já tem 35 anos de idade. Com sua genialidade em quadra, ainda consegue sustentar médias de 19,1 pontos, 5,7 rebotes e 4,3 assistências por exibição em uma competição deste nível. Mas até quanto seu físico o permitirá jogar assim? Talvez até o Mundial de 2014, mas dificilmente até os Jogos do Rio de Janeiro, em 2016.

“Muitas coisas podem acontecer. Tenho 35 anos. Sei que as chances ficam menores a cada ano, mas não posso dizer que vou me aposentar porque eu não sei”, disse Manu, em entrevista à agência de notícias AP, após a derrota por 109 a 83 diante dos Estados Unidos na semifinal olímpica.

As médias do argentino em Londres mostram que sua categoria ainda se sobressai às limitações físicas impostas pela idade. Mas o cansaço, certamente, é cada vez maior. Até quando ele estará disposto a lutar contra isso? Manu só tem mais uma temporada de contrato garantido com o Spurs. Depois disso, talvez, queira atuar na Europa, onde se projetou para o basquete internacional, e/ou em seu país antes de se aposentar.

Ginobili é meu maior ídolo no basquete. Foi por causa de suas atuações espetaculares nas Olimpíadas de Atenas-2004 que me apaixonei pelo basquete e, consequentemente, passei a acompanhar mais de perto o Spurs. Claro que a identificação cresceu depois que eu tomei conhecimento do profissionalismo da franquia, que conseguia competir com times de grandes cidades na base da competência. E a bela história construída por David Robinson, Tim Duncan, Gregg Popovich e tantos outros fez com que eu me tornasse definitivamente um adepto do time de San Antonio.

Mas a idolatria não me cega e não me impede de achar que, hoje, Ginobili é o menos importante do big three texano. Duncan, com minutos limitados por Pop, conseguiu render acima do esperado na última temporada – mais até do que em 2010/2011. Tony Parker acaba de fazer o melhor campeonato de sua carreira, se tornando o melhor jogador do Spurs. Enquanto isso, o argentino sofreu com lesões, teve problemas para se manter saudável e demorou para encontrar o ritmo ideal vindo do banco de reservas. Além disso, o elenco está melhor servido nas alas – com Nando De Colo, Danny Green, Stephen Jackson e Kawhi Leonard – do que em reservas para a armação e o garrafão.

Mas, por mais que se tente ser racional, atuações geniais de Manu, como as que vimos na série contra o Oklahoma City Thunder, me fazem acreditar que o craque ainda tem lenha para queimar e gás para, quem sabe, levar o Spurs ao nível dos super times Miami Heat e, agora, Los Angeles Lakers na próxima temporada. Será possível? Não sei. Só sei que ainda não estou pronto para me despedir de Ginobili.