A questão dinástica

Torcida fala em dinastia após o tetra em 2007. Você concorda?

Respeitável público,

O dicionário online Michaelis apresenta a seguinte definição para a palavra dinastia: “série de soberanos pertencentes à mesma família”. Na prática, se voltarmos às nossas aulas de História do Brasil, lembraremos da famosa Dinastia dos Bragança, a família real portuguesa responsável pela transferência da corte lusitana de Lisboa para o Rio de Janeiro no início do século XIX. Na NBA, existe uma discussão sobre como um time alcança o nível dinástico.

Certa vez, presenciei uma discussão entre um torcedor do Los Angeles Lakers e um do San Antonio Spurs sobre os quatro títulos conquistados pela equipe de Tim Duncan entre 1999 e 2007 e se estes deveriam representar uma dinastia ou não. O fã do Lakers dizia que não, já que, para ele, o Spurs tinha quase todos os atributos, com a exceção de dois títulos em anos seguidos, obrigatoriedade em sua opinião. Já o do Spurs afirmava que o importante era que a base das equipes campeãs era a mesma, e que, por se tratar de quatro canecos em nove anos, estava aí representado o domínio texano na Liga, sendo, logo, uma dinastia.

Torcedores se concentram para a River Parade no Alamo, reduto de comemorações do Spurs

Negar que o Spurs foi um dos principais times da década de 2000 é dar murro em ponta de faca. Com inteligência e espírito empreendedor, os dirigentes fizeram com que a franquia fosse a que mais cresceu no período, imprensada em um centro economicamente nanico, se comparado às metrópoles Los Angeles, Nova York e Chicago, por exemplo. Não existe uma fórmula irrefutável ou um caminho a ser perseguido até o “topo dinástico”. A questão é, de fato, de opinião, então cada um que tenha sua maneira de pensar. No DVD oficial da NBA sobre o tricampeonato do Spurs em 2005, após a final contra o Detroit Pistons, a Liga consagra o time como uma “dinastia em ascensão”, enquanto que na edição do campeonato de 2007 fala de “um dos maiores times de basquete de todos os tempos”. No meu caso, em alguns momentos tenho a propensão de achar que realmente há uma dinastia sendo escrita, afinal, foi para a maioria destes jogadores que sempre torcemos, nos emocionamos nas vitórias e sofremos nas derrotas. Em outros, já penso em concordar com o torcedor angelino sobre a história do bicampeonato “legítimo”, ou seja, dois títulos em dois anos seguidos. Peço a opinião dos prezados leitores abaixo sobre o assunto.

Dinastia ou não, faltando apenas três dias para o começo da série final da Conferência Oeste contra o Oklahoma City Thunder, o Spurs nunca esteve tão próximo da quinta conquista do troféu Larry O’Brien. Hoje, os comandados de Gregg Popovich formam, com sobra, o melhor time da NBA. Poucas vezes trocas de meia-temporada se encaixaram tão bem numa equipe como no Spurs. Méritos para a diretoria e para Gregg Popovich, que, como eu costumo definir, fez este time “pegar na veia”. Fora isso, os adversários estão enfraquecidos, provavelmente o Thunder é o maior oponente dos texanos nesta pós-temporada, já que o galático Miami Heat não consegue se encontrar no lado Leste. Com o quinto título em quatorze anos, a discussão dinástica estaria mais acesa do que nunca. Que a levemos adiante.

Publicado em 24/05/2012, em Interferência. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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