Arquivo diário: 24/05/2012

A questão dinástica

Torcida fala em dinastia após o tetra em 2007. Você concorda?

Respeitável público,

O dicionário online Michaelis apresenta a seguinte definição para a palavra dinastia: “série de soberanos pertencentes à mesma família”. Na prática, se voltarmos às nossas aulas de História do Brasil, lembraremos da famosa Dinastia dos Bragança, a família real portuguesa responsável pela transferência da corte lusitana de Lisboa para o Rio de Janeiro no início do século XIX. Na NBA, existe uma discussão sobre como um time alcança o nível dinástico.

Certa vez, presenciei uma discussão entre um torcedor do Los Angeles Lakers e um do San Antonio Spurs sobre os quatro títulos conquistados pela equipe de Tim Duncan entre 1999 e 2007 e se estes deveriam representar uma dinastia ou não. O fã do Lakers dizia que não, já que, para ele, o Spurs tinha quase todos os atributos, com a exceção de dois títulos em anos seguidos, obrigatoriedade em sua opinião. Já o do Spurs afirmava que o importante era que a base das equipes campeãs era a mesma, e que, por se tratar de quatro canecos em nove anos, estava aí representado o domínio texano na Liga, sendo, logo, uma dinastia.

Torcedores se concentram para a River Parade no Alamo, reduto de comemorações do Spurs

Negar que o Spurs foi um dos principais times da década de 2000 é dar murro em ponta de faca. Com inteligência e espírito empreendedor, os dirigentes fizeram com que a franquia fosse a que mais cresceu no período, imprensada em um centro economicamente nanico, se comparado às metrópoles Los Angeles, Nova York e Chicago, por exemplo. Não existe uma fórmula irrefutável ou um caminho a ser perseguido até o “topo dinástico”. A questão é, de fato, de opinião, então cada um que tenha sua maneira de pensar. No DVD oficial da NBA sobre o tricampeonato do Spurs em 2005, após a final contra o Detroit Pistons, a Liga consagra o time como uma “dinastia em ascensão”, enquanto que na edição do campeonato de 2007 fala de “um dos maiores times de basquete de todos os tempos”. No meu caso, em alguns momentos tenho a propensão de achar que realmente há uma dinastia sendo escrita, afinal, foi para a maioria destes jogadores que sempre torcemos, nos emocionamos nas vitórias e sofremos nas derrotas. Em outros, já penso em concordar com o torcedor angelino sobre a história do bicampeonato “legítimo”, ou seja, dois títulos em dois anos seguidos. Peço a opinião dos prezados leitores abaixo sobre o assunto.

Dinastia ou não, faltando apenas três dias para o começo da série final da Conferência Oeste contra o Oklahoma City Thunder, o Spurs nunca esteve tão próximo da quinta conquista do troféu Larry O’Brien. Hoje, os comandados de Gregg Popovich formam, com sobra, o melhor time da NBA. Poucas vezes trocas de meia-temporada se encaixaram tão bem numa equipe como no Spurs. Méritos para a diretoria e para Gregg Popovich, que, como eu costumo definir, fez este time “pegar na veia”. Fora isso, os adversários estão enfraquecidos, provavelmente o Thunder é o maior oponente dos texanos nesta pós-temporada, já que o galático Miami Heat não consegue se encontrar no lado Leste. Com o quinto título em quatorze anos, a discussão dinástica estaria mais acesa do que nunca. Que a levemos adiante.

Anúncios

Parker é escolhido para o segundo time ideal da NBA

Parker merecia até mais!

O armador Tony Parker, do San Antonio Spurs, foi escolhido nesta quinta-feira (24) para o segundo time ideal da NBA. O jogador foi premiado pela ótima temporada regular – a melhor de sua carreira -, em que registrou médias de 18,2 pontos e 7,7 assistências por noite. Confira abaixo os times ideais anunciados pela liga. 

Primeiro time da temporada

Chris Paul (Los Angeles Clippers): 484 pontos

Kobe Bryant (Los Angeles Lakers): 568 pontos

Kevin Durant (Oklahoma City Thunder): 591 pontos

LeBron James (Miami Heat): 596 pontos

Dwight Howard (Orlando Magic): 476 pontos

Segundo time da temporada

Tony Parker (San Antonio Spurs): 367 pontos

Russell Westbrook (Oklahoma City Thunder): 239 pontos

Kevin Love (Minnesota Timberwolves): 365 pontos

Blake Griffin (Los Angeles Clippers): 170 pontos

Andrew Bynum (Los Angeles Lakers): 400 pontos

Terceiro time da temporada

Rajon Rondo (Boston Celtics): 142 pontos

Dwyane Wade (Miami Heat): 235 pontos

Carmelo Anthony (New York Knicks): 154 pontos

Dirk Nowitzki (Dallas Mavericks): 136 pontos

Tyson Chandler (New York Knicks): 60 pontos

“Vou pra cima dele”, diz Parker sobre duelo com Westbrook

Quem levará a melhor, Parker ou Westbrook?

No dia 4 de fevereiro, no AT&T Center, o San Antonio Spurs enfrentou e venceu o Oklahoma City Thunder por 107 a 96. Antes daquela partida, o técnico Gregg Popovich se direcionou ao armador Tony Parker e o intimou.

“Esqueça de passar a bola. Hoje eu quero que você arremesse pelo menos 30 vezes”.

Parker acatou o pedido do treinador e precisou de “apenas” 29 tiros para marcar 42 pontos – seu recorde na temporada. Curiosamente, naquela noite o francês passou Avery Johnson e se tornou o jogador com mais assistências na história da franquia.

Quase quatro meses depois desse duelo memorável, o camisa 9 volta a encontrar o Thunder. Agora, no entanto, a disputa vale uma vaga na grande final da NBA.

Tony Parker é a grande esperança do San Antonio Spurs na série. Nas duas primeiras rodadas dos playoffs, respectivamente contra Utah Jazz e Los Angeles Clippers, ele pulverizou Devin Harris e Chris Paul.

Na final, o oponente do francês será o explosivo Russell Westbrook, jogador que Parker respeita muito. “Ele é definitivamente o cabeça do time”, disse. “(Kevin) Durant é o cestinha da NBA, mas acho que o ritmo da equipe é ditado pelo Westbrook”, completou.

Para compensar o impacto causado pelo camisa zero de Oklahoma City, TP promete ser agressivo quando estiver com a bola.

“Eu vou pra cima dele, pode ter certeza”, assegurou. “Vai ser diferente do que foi contra o Dallas Mavericks e contra o Los Angeles Lakers (adversários do Thunder nas rodadas anteriores), quando os armadores (Jason Kidd e Ramon Sessions) foram mais contidos. Eu vou pra cima e vou fazê-lo trabalhar um pouco”, pontuou.

Para Boris Diaw, ala-pivô do Spurs e amigo de infância de Tony Parker, o armador é movido a desafios. “Ele gosta de ser desafiado e adora duelar contra os melhores jogadores do mundo. Isso deve lhe dar um pouco mais de adrenalina”, finalizou.

Amigos, amigos. Negócios à parte…

Dados interessantes sobre o embate (retirados do site Spurs Nation)

  • Parker e Westbrook possuem características ofensivas, mas o atleta do Thunder leva uma ligeira vantagem numérica. Russell registrou média de 23,6 pontos durante a temporada regular e foi o quinto maior cestinha da liga. Tony, por sua vez, ficou com o 22º lugar, com 18,3 pontos por noite.
  • Parker fez 42 pontos no dia 4 de fevereiro (seu recorde na temporada), justamente contra Westbrook. O armador do Thunder, por sua vez, conseguiu 36 pontos contra o Spurs no dia 16 de março. Westbrook só conseguiu ultrapassar essa marca em duas oportunidades ao longo do ano.
  • Parker abocanhou o quinto lugar na disputa pelo MVP da temporada. Desde 2007, quando Tim Duncan ficou em quarto, nenhum jogador do Spurs aparecia entre os cinco primeiros. Westbrook terminou em 12º.
  • Em 13 partidas contra o Oklahoma City Thunder desde que Westbrook foi draftado, há quatro temporadas, Parker tem média de 20 pontos e um aproveitamento de 49,3% nos arremessos de quadra. O desempenho do camisa zero é um pouco pior: 14 jogos, 16,3 pontos por noite e 37,3% de aproveitamento.

Um outro olhar: o que diz um torcedor do Thunder sobre a final

Por Guilherme Sacco*

Depois do Oklahoma City Thunder varrer o Dallas Mavericks, atual campeão, e de passar por uma série tranquila contra o Los Angeles Lakers, chegou a hora do grande teste para Kevin Durant e companhia: o San Antonio Spurs. Dona da melhor campanha da Conferência Oeste, a franquia do Texas vem de duas varridas em duas séries nos playoffs, além de uma sequência de 18 vitórias seguidas, e conta com toda a experiência de Tim Duncan, Manu Ginobili e Tony Parker que, para mim, é o melhor armador da NBA hoje.

Pela primeira vez na pós-temporada, o Thunder não entra como favorito para vencer a série, que se inicia neste domingo, em San Antonio. Para conquistar a vaga para a grande final da liga, a equipe de Oklahoma terá de contar com um Kevin Durant jogando tudo o que sabe em todos os jogos, com a eficiência de James Harden vindo do banco e, principalmente, com que Russell Westbrook não repita o que fez na final de conferência da temporada passada, contra o Dallas. Será preciso que o armador não cometa a mesma quantidade de turnovers da final do Oeste de 2011, em que terminou com média de quase cinco erros por jogo, e, mais importante que isso, que ele não tome decisões precipitadas e totalmente erradas como foi contra o Mavericks.

Outro fator que pode fazer a diferença é a marcação de Kendrick Perkins sobre Duncan, além da defesa que Gregg Popovich deve armar para tentar parar Durant. O responsável por brecar o ala deve ser Kawhi Leonard, rookie que é o melhor defensor de perímetro da equipe texana e que tem tudo para diminuir a produção da grande estrela de Oklahoma, mas não pará-la totalmente, pois isso é quase impossível.

Somado a tudo isso temos o mando de quadra favorável ao Spurs, por ter obtido a melhor campanha da conferência. Ou seja, para poder passar para as finais, será necessário vencer pelo menos um duelo no AT&T Center, onde a equipe mandante perdeu apenas cinco partidas em 37 disputadas. Na temporada regular, aconteceu um confronto no ginásio, vencido pelo time da casa por 107 a 96.

Será uma série mais difícil do que a perdida para o Dallas ano passado. Entretanto, o Thunder chega com um time mais experiente, que mostrou ter aprendido com os erros de 2011 e que tem plenas condições de chegar às finais da NBA. Uma disputa que tem tudo para entrar para a história do basquete. Quem gosta do esporte deve assistir e torcer para que termine em sete jogos.

* Guilherme Sacco é estudante, torcedor do Oklahoma City Thunder e blogueiro no Loteria dos Pênaltis, onde escreve sobre os mais diversos esportes. Quem quiser, pode entrar em contato com ele durante a série por meio do seu Twitter pessoal.