Arquivo diário: 12/05/2012

O novo dono da bola

Quando comecei a acompanhar a NBA, Tim Duncan era claramente o franchise player do San Antonio Spurs. Mesmo assim, meu jogador predileto sempre foi Manu Ginobili, que, com o passar do tempo, foi ganhando moral e passou a receber as bolas decisivas do time. Neste ano, estamos presenciando mais uma mudança neste panorama. A cada jogo que passa, Tony Parker tem se tornado mais e mais a cara da equipe texana.

Pontaria, teu nome é Parker

O francês é o mais jovem do Big Three do Spurs. Apesar de ter começado sua trajetória na NBA um ano antes do que Ginobili, Parker tem 29 anos, contra 34 do argentino e 36 de Duncan. Era natural que, mais cedo ou mais tarde, o armador assumisse o controle da equipe. Só não esperava que isso fosse acontecer rapidamente assim e que o camisa #9 fosse herdar o cargo com tanta naturalidade.

A verdade é que o acaso ajudou muito. Vale lembrar que Ginobili havia começado a temporada em grande forma e foi o melhor jogador do Spurs nos primeiros jogos do campeonato. Mas a contusão do argentino redobrou a responsabilidade de Parker. Não demorou para que o armador francês entendesse isso: nessa temporada, ele bateu seu recorde de pontos contra o Oklahoma City Thunder, ao anotar 42, e também superou sua melhor marca em assistências ao distribuir 17 contra o New Orleans Hornets.

Na temporada regular, Parker liderou o Spurs em pontos (18,3), assistências (7,7) e minutos (32) por jogo. O número de passes decisivos por partida é o melhor de sua carreira, assim como o aproveitamento em lances livres: 79,9%. São números que mostram um importante amadurecimento na carreira do jogador. E isso tem se mantido nos playoffs.

Na pós-temporada, Parker novamente é o líder em pontos (21), assistências (6,5) e minutos (32,8) por exibição. Acertou 30 dos 60 arremessos de quadra que tentou, conseguindo um aproveitamento absurdo de 50%. Colocou na cesta a única bola de três pontos que arremessou.

Nos playoffs da NBA, Parker ocupa a quinta colocação em assistências por partida. Usando estatísticas avançadas, o armador francês seria o segundo melhor em assistências a cada 48 minutos, o quinto em pontos marcados a cada 48 minutos e o quinto jogador mais eficiente da pós-temporada em números medidos a cada 48 minutos. É pouco?

Antes do começo da temporada regular, eu achava Parker o jogador menos decisivo do Big Three do Spurs. Mas agora percebo que essa impressão foi construída apenas porque o francês recebia pouco a bola nos minutos finais de jogos apertados. Neste campeonato, quantas vezes vimos o armador sair do corta-luz estabelecido por Duncan para acertar um arremesso de média distância ou um floater? Já perdi a conta. Sem dúvidas, a seleção francesa ajudou o camisa #9 a amadurecer em momentos decisivos, já que ele é o principal jogador da equipe nacional.

Falando no selecionado azul, recentemente o Spurs contratou Boris Diaw, além de, aparentemente, ter interesse em contratar Nicolas Batum e em trazer Nando de Colo da Europa. Coincidência? Acho que não. Os três, além de serem bons jogadores, ajudariam a manter Parker feliz em San Antonio. Pode ser uma tentativa da franquia para agradar seu novo craque. Com razão! Queremos Parker em San Antonio por muito tempo.