Um time sem graça

Nowitzki e Cuban na festa do título em 2011. Passados onze meses, ninguém tem mais motivos para sorrir

Respeitável público,

A fase do San Antonio Spurs é para despertar a preocupação dos adversários e criar expectativas até nos mais pessimistas torcedores. Depois de 17 de março, quando foi derrotado pelo Dallas Mavericks, o Spurs emplacou duas sequências irresistíveis de vitórias – uma delas ainda em curso – e por apenas duas vezes foi derrotado. Primeiro, foram onze triunfos em série, interrompidos por dois tombos, para, em seguida, retomarmos o caminho dos louros com doze vitórias seguidas. Nestas doze, estão incluídas as duas sobre o Utah Jazz na primeira rodada dos playoffs, o que garantiu ao Spurs o mando de quadra pelo menos até o quinto jogo e deixou bem encaminhada a classificação à segunda rodada do mata-mata.

Fosse “apenas” isso, os aficionados já teriam motivos de sobra para estarem sorrindo de orelha a orelha. Mas, para a maioria deles, há ainda um outro fator bastante especial que deve estar proporcionando boas gargalhadas e que atende pelo nome de Dallas Mavericks. O time, que disputa com o Los Angeles Lakers o posto de maior rival do Spurs, fez uma campanha aquém do esperado durante a temporada regular e, com um punhado de jogadores veteranos, está à beira de uma eliminação frente à jovial e forte equipe do Oklahoma City Thunder. Está claro que a idade chegou para a maioria deles. Como somente uma zebra salvará o time do bilionário da internet Mark Cuban, o Mavericks caminha para ser, de longe, a maior decepção em matéria de defesa de título que eu vi nestes quase quinze anos acompanhando a NBA.

Provocador, Parker gosta de jogar na casa do rival

Pode até ser um crime de lesa-majestade, mas eu confesso que nunca tive nada contra o Mavericks, inclusive torci para seu sucesso em 2006 e no ano passado. Inegavelmente, jogadores do porte de Dirk Nowitzki e Jason Kidd são merecedores de um anel de campeão e acho até que poderiam ter conseguido isso com alguns anos de antecedência. No entanto, o título de 2011 parece não ter feito muito bem ao time. O Mavericks nunca conseguiu se impor como “o” campeão, em momento algum foi a equipe a ser batida e não conseguiu lembrar as boas atuações da última temporada. Nem mesmo a NBA parece ter dado grande importância a isso, pois não marcou a visita do time ao presidente Barack Obama, como é tradição entre os vencedores das quatro grandes ligas norte-americanas. A desculpa acabou sendo o locaute e o calendário apertado de 2012, o que gerou reclamações raivosas de Cuban. Após a pressão, o encontro na Casa Branca finalmente aconteceu. O desmanche do time com a saída de pelo menos sete jogadores importantes também minou as esperanças texanas e os reforços não surtiram o efeito esperado. Um destes, o ala-pivô Lamar Odom, chegou a cavar uma volta a seu ex-time, o Lakers, durante a época regular. Em suma, desde que o folclórico Cuban assumiu o controle da franquia, este foi um dos elencos mais fracos que passou por lá. Logo, se faltou vestir a carapuça de campeão, também está faltando time.

Embora muito pese contra Dallas, a guerra ainda não está perdida. Nesta noite, a série contra o Thunder se muda para o Texas e os donos da casa precisam vencer a terceira partida da melhor de sete, que costuma ser fundamental para as aspirações de ambos os times. Caso vença, o Mavs ganha moral para o quarto jogo e, se voltar para Oklahoma com 2 a 2 no bolso, a experiência de seus jogadores pode ser um diferencial. Com nova derrota, evitar a varrida já será um feito. Para tristeza de Tony Parker, que revelou que gostaria de eliminar o rival e que se sente bem no hostil ambiente da American Airlines Center que o Spurs sempre enfrenta na casa de Nowitzki e companhia.

Publicado em 03/05/2012, em Interferência e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. 4 Comentários.

  1. Não consigo torcer pro Dallas, eu que sou vascaino me imagino torcendo pro Fluminense e não dá. Até o Houston eu consigo desejar melhores dias, que considero que é o “Botafogo”.

    Impossivel eu me ver torcendo pra um rival, queria mais é que o Dallas perdendo mesmo ano passado e que leve uma varrida.

    • Rafael Proença

      Amaury, somos vascaínos. No futebol vejo de um jeito diferente mesmo, por mim os três rivais podem cair pra terceira divisão – um já foi – e ficar por lá a vida toda. Hahahahaha.

      Abs.,
      Rafael P..

  2. Pra ser bem sincero, o time que se apresenta hoje não é aquele que foi campeão no ano passado. Essa equipe do Dallas se apresenta em quadra com jogadas onde Shawn Marion finaliza com bolas de 3 (?), Dirk praticamente não vem puxando a responsabilidade pra si, um garrafão fraquíssimo tanto no ataque quanto na defesa e jogando no que “dá” para fazer.

    Segredo: O basquete bem jogado é aquele consciente, onde cada decisão tomada é a mais certa para determinada situação. Se você jogar no que “dá” para fazer, vai ficar torcendo para “dá” certo.

  3. Thunder 4×0 Mavs i believe

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