Verdades e falácias sobre o Spurs

Em sua mais recente coluna Interferência, publicada na última quinta-feira (19), meu companheiro de blog Rafael Proença levantou uma questão interessante: os rótulos que pairam sobre o San Antonio Spurs. O autor do texto lembrou que a equipe texana continua sendo vista como defensiva e pragmática, mesmo jogando de maneira diferente desde o início da última temporada. Isso me motivou a escrever novamente sobre o tema: quais lugares comum em torno do líder da Conferência Oeste são verdadeiros?

Juventude, velocidade... inexperiência?

Conforme explicado pelo Rafael no último texto, aquela ideia de equipe defensiva realmente é falsa. Embora tenhamos bons especialistas, como Danny Green, Kawhi Leonard e Stephen Jackson, estamos longe de ser aquele ferrolho campeão da temporada 2004/2005. Basta olhar para os números. Em apenas três dos 12 jogos que fez em abril, o Spurs não passou dos cem pontos. Além disso, o time texano é o segundo que mais faz pontos por jogo na temporada – a média é de 103, atrás apenas do Denver Nuggets, que marca 103,48 – e a 14ª que mais permite pontos dos adversários.

Mas os rótulos não param por aí. Que tal aqueles que dizem que o Spurs é um elenco envelhecido? Em pesquisa feita em janeiro, a equipe texana tinha apenas o 13º plantel mais velho da liga. Talvez isso tenha mudado com as chegadas de Boris Diaw e, principalmente, de Stephen Jackson, é bem verdade. Mas isso não altera o fato de que nunca o time de San Antonio deu tantos minutos para jogadores jovens quanto agora.

Um dos grandes méritos de Gregg Popovich, R.C. Buford e companhia nas últimas temporadas foi ter renovado a equipe sem trocar nenhuma estrela. Basta ver Green e Leonard ocupando vagas no quinteto inicial. No garrafão, DeJuan Blair e Tiago Splitter disputam o posto de titular – dos quatro, o pivô brasileiro, que completou 27 anos nesta temporada, é o mais velho.

E não é só de fora que vêm os rótulos. Às vezes, nós mesmos não percebemos mudanças na identidade das equipes. Pode ser difícil a princípio, mas temos de admitir que esse novo Spurs tem encontrado dificuldades nos playoffs – fase em que muitos de nós consideram que a equipe é especialista. Mas vale lembrar que os texanos venceram apenas dois dos últimos dez jogos disputados na pós-temporada – as duas últimas séries acabaram com vitórias do Phoenix Suns, por 4 a 0, e do Memphis Grizzlies, por 4 a 2.

Sou sempre contra rótulos no esporte. O Dallas Mavericks não era amarelão? Jason Kidd não era perdedor? Dirk Nowitzki não era pouco decisivo? Às vezes, é preciso um choque como um título para as pessoas passarem a ver mudanças que estão acontecendo diante delas. Os times mudam! O Spurs mudou. É hora de enxergar.

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Sobre Lucas Pastore

Um dos fundadores do Spurs Brasil, seu maior orgulho na carreira jornalística. Formado em Jornalismo na Universidade Presbiteriana Mackenzie em 2010, é redator do UOL. Cobriu o basquete olímpico na Olimpíada de 2016 pelo LANCE!. Trabalhou também para Basketeria e mob36.

Publicado em 21/04/2012, em Na linha dos 3 e marcado como , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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