Arquivo diário: 05/04/2012

Liderança do Oeste só virá se cair no colo do Spurs

Popovich prega cautela para ver essa cena se repetir

A sequência de nove vitórias consecutivas do San Antonio Spurs é animadora. Com a real possibilidade de alcançar o topo da Conferência Oeste, torcedores e especialistas já projetam o confronto da primeira fase dos playoffs.

Buscar o Oklahoma City Thunder e terminar a temporada em primeiro parece um sonho, mas Gregg Popovich prefere ser realista. Entre ficar no topo e pegar um adversário teoricamente mais fácil na pós-temporada ou ter seus atletas saudáveis para a disputa dos playoffs, Pop é bem claro ao preferir a segunda alternativa.

“Muitos anos ficamos sem o primeiro lugar e acabamos ganhando o título. Qualquer coisa pode acontecer nos playoffs“, avaliou o treinador. “É uma época em que você quer manter um ritmo, jogar seu melhor basquete e estar saudável. Timmy, Manu e Tony provavelmente jogaram menos do que qualquer outra estrela na liga porque acreditamos que será melhor tê-los em forma na reta final”, completou.

Popovich fala com conhecimento da causa. Na última temporada, ele arriscou suas estrelas até o fim e teve a infelicidade de ver sua principal arma, Manu Ginobili, se lesionar. O problema físico do argentino prejudicou – e muito – a equipe nos playoffs. O San Antonio Spurs apresentou muitas deficiências diante do Memphis Grizzlies naquela série de primeira rodada, mas o fato de Ginobili estar “baleado” foi crucial para o revés.

Agora, o técnico quer evitar cair no mesmo “erro” do passado. Por conta disso, poupará seus atletas quando eles tiverem de ser poupados, sem forçar ninguém, sem dar margem ao azar. Saudável, o San Antonio Spurs tem chances de brigar de igual para igual com os postulantes ao título – disso ninguém duvida.

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Tempo de Spurs

Pop orienta Parker, Duncan e Blair

Respeitável público,

O San Antonio Spurs é o time da moda na NBA. Numa crescente desde a subida de produção de Tim Duncan e acentuada com a volta de Manu Ginóbili e com as trocas, que encorparam bem o elenco, os texanos seguem o caminho inverso de Oklahoma City Thunder e Chicago Bulls, equipes que detém os melhores recordes da Liga, mas que já apresentam ligeira decadência. O Spurs vem de nove vitórias seguidas, enquanto o Los Angeles Lakers é o segundo time mais “quente” da NBA com distantes quatro triunfos em série. Thunder e Bulls perderam suas duas últimas partidas e já sofrem com a incômoda companhia de Spurs e Miami Heat logo atrás.

E não é só o bom momento que leva esperanças aos torcedores de San Antonio. Como disse, as mexidas feitas no elenco foram muito interessantes e é certo dizer que desde 2007 o Spurs não tinha um grupo tão qualificado. Sem exagero; o Spurs conta com 13 jogadores capazes de entrar em quadra e dar conta do recado. Até mesmo os recém-chegados Stephen Jackson, Boris Diaw e Patrick Mills já estão se sentindo em casa graças ao bom ambiente existente no vestiário. Tamanha variedade vem fazendo com que Gregg Popovich faça um rodízio de seus jogadores neste final de temporada, que reserva um sem número de jogos para o time, como já falado em colunas anteriores.

E como diria aquela propaganda, isso não é tudo. Além de qualificado, o elenco é versátil, com vários jogadores podendo executar dupla função. É o caso de Diaw, que joga desde armador-escolta até pivô. Isso tudo é um prato cheio para Pop, que pode se dar ao luxo de montar sua equipe de acordo as características do adversário, como ele sempre gostou de fazer e que o ex-Spur Robert Horry definiu como “estilo camaleão”, ou seja, capaz de sofrer transformações. E se a média de idade é alta, vale destacar a vitalidade dos jovens Danny Green e Kawhi Leonard. O segundo tem jogado com a personalidade de um veterano nos dois lados da quadra e justificado a troca do queridinho George Hill ao final da temporada passada.

Alguns entendedores preferem colocar o Spurs como carta fora do baralho e tratam o bom momento como algo passageiro. A verdade é que poucos acreditavam no time no início da temporada por diversas razões, principalmente após a vexatória eliminação na primeira rodada dos playoffs do ano passado. Mas a situação agora é diferente. Uma queda traumática é capaz de gerar reflexões até mesmo em jogadores que já viveram tudo no basquete e certamente o Spurs jogará de forma diferente o mata-mata agora. O fator Duncan também é diferencial, já que há alguns anos Timmy não fazia uma temporada tão boa. Antes esperávamos que ele crescesse durante a fase decisiva, agora não. Parker, Manu, Jackson, Leonard, Green… essa turma bem ajeitada pode dar bons resultados. Dizem os sabichões adeptos de frases feitas que não ganhamos nada, como se com esse vaticínio estivessem contribuindo de forma abissal para o avanço intelectual do planeta. A verdade é que nunca estivemos tanto na briga pelo quinto anel. O tempo é de Spurs.