Decadente?

Às vezes nos acomodamos repetindo clichês que se espalham pela mídia especializada e pelos torcedores da NBA: LeBron James é amarelão, Kobe Bryant é fominha e Tim Duncan é decadente. Mas até que ponto essas afirmações são verdadeiras? Por isso, resolvi usar esse espaço hoje para discutirmos a atual forma do lendário camisa #21 da franquia texana. Quanto The Big Fundamental ainda consegue contribuir com o San Antonio Spurs?

The Big Fundamental ainda é fundamental?

Qualquer um que acompanhe o time texano há algum tempo percebe que Duncan não tem mais a mesma forma de antigamente. Claramente limitado por seu joelho, o ala-pivô não consegue mais ser tão dominante quanto em seus primeiros anos na liga. Porém, tão clara quanto sua queda física é a sua importância para a equipe. O camisa #21 ainda é, indiscutivelmente, o jogador de garrafão mais confiável do elenco.

Para que Duncan consiga manter-se em alto nível, Gregg Popovich achou uma solução interessante: tem deixado o ala-pivô cada vez menos tempo em quadra para que ele consiga concentrar melhor sua energia. Claro que, com isso, suas médias caem. Por isso, decidi analisar os números de uma outra maneira: ver quantos pontos, rebotes e tocos The Big Fundamental consegue por minuto e comparar essas estatísticas às do resto de sua carreira. Vejam só o que eu levantei:

 

Pontos por minuto

Rebotes por minuto

Tocos por minuto

1997/1998

0,54

0,30

0,06

1998/1999

0,55

0,29

0,06

1999/2000

0,60

0,32

0,06

2000/2001

0,57

0,32

0,06

2001/2002

0,63

0,31

0,06

2002/2003

0,59

0,33

0,07

2003/2004

0,61

0,34

0,07

2004/2005

0,61

0,33

0,08

2005/2006

0,53

0,32

0,06

2006/2007

0,59

0,31

0,07

2007/2008

0,57

0,33

0,06

2008/2009

0,57

0,32

0,05

2009/2010

0,57

0,32

0,05

2010/2011

0,47

0,31

0,07

2011/2012*

0,51

0,31

0,05

Por meio dessa tabela, é possível perceber que Duncan não tem o mesmo impacto ofensivo de dez anos atrás. A média de 0,51 pontos por minuto é a segunda pior de sua carreira, atrás apenas do último campeonato, quando Pop já havia limitado bastante seu tempo de quadra. Pouco para um jogador que, em quatro temporadas, chegou à casa de 0,6 pontos por minuto – uma produção invejável.

Mas, ao contrário do que se possa imaginar, a forma física avariada de Duncan não tem atrapalhado tanto assim seu desempenho nos rebotes e nos tocos. Por isso, é possível dizer que, em termos defensivos, o astro do Spurs ainda conserva um belo desempenho.

Depois de alcançar o auge na produção de rebotes por minuto na temporada 2003/2004, esse número caiu um pouco, mas tem se mantido relativamente constante desde o último título do Spurs, conquistado em 2007. Provavelmente, o ala-pivô tem conseguido suprir a limitação nos joelhos com sua experiência, principalmente para se posicionar melhor e conseguir os rebotes mais fáceis das partidas.

O mesmo pode ser dito dos tocos, fundamento em que Duncan apresenta a maior regularidade desde o início de sua carreira. É verdade que a média de 0,05 por minuto, alcançada nesta temporada, é a mais baixa de sua carreira. Mas não fica muito longe dos 0,08 bloqueios por minuto que ele conseguiu em 2004/2005, seu melhor campeonato no fundamento. De novo, é possível perceber que o astro usa a experiência para compensar a falta de explosão – o ala-pivô sabe a hora certa de ir para o toco sem fazer falta.

É fácil olhar para os números de Duncan hoje – 14,3 pontos, 8,6 rebotes e 1,4 tocos por partida – e dizer que ele é decadente. Mas, às vezes, nos esquecemos de que o astro fica em quadra somente 28,4 minutos por noite. Se mantivesse sua produção média deste campeonato mas atuasse, por exemplo, em 40 minutos por partida, The Big Fundamental apresentaria 20,4 pontos, 12,4 rebotes e dois tocos por noite. Nada mal, certo?

Claro que isso seria impossível – como disse no começo desta coluna, hoje em dia é impensável para Duncan jogar tanto tempo, principalmente por conta de seu joelho. Mas o objetivo deste texto é mostrar que, quando está em quadra, o ala-pivô continua quase tão eficiente quanto em qualquer outro ano de sua carreira. Ele ainda tem lenha para queimar.

* As estatísticas dessa temporada não levam em conta o duelo contra o Clippers. No momento da conclusão dessa coluna, os números ainda não haviam sido atualizados na página oficial da NBA.

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Sobre Lucas Pastore

Um dos fundadores do Spurs Brasil, seu maior orgulho na carreira jornalística. Formado em Jornalismo na Universidade Presbiteriana Mackenzie em 2010, é redator do UOL. Cobriu o basquete olímpico na Olimpíada de 2016 pelo LANCE!. Trabalhou também para Basketeria e mob36.

Publicado em 10/03/2012, em Na linha dos 3. Adicione o link aos favoritos. 3 Comentários.

  1. quero saber quem ganhou o jogo de ontem? dormi e nao vi o final.

  2. cara,curti muito seu post,muito massa

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